mil novecentos e sessenta e um – dia 359

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Dia de Natal.

Apetece-me lembrar o meu Natal em gaiato, aqui em casa, quando ainda acreditava no Menino Jesus e no Pai Natal como intermediários na entrega dos brinquedos sonhados. Quando o meu pai, habilidosamente, fazia descer por fios de nylon suspensos dos barrotes que se estendiam pelo interior da grande lareira da cozinha os pacotes com as prendas. Numa certa noite, ainda era escuro, o meu entusiasmo de corrida para esse espectáculo fez-me esbarrar, em cheio, na aresta de uma meia-porta apenas entreaberta. Caí redondo e ainda me parece sentir agora as dores do acidente… Hoje, passada tal ingenuidade, sinto saudades.

A melhor prenda deste ano foi a libertação. Tenho consciência dos custos, porque deixei a Escola do Magistério e o Desenho, voltando ao ABC dos miúdos, e sobretudo porque a Adrilete regressará ao Lousal, longe de mais. Em contrapartida, julgo ter ficado um pouco mais longe dos riscos da guerra, embora saiba que uma simples convocatória retoma o pesadelo… A espada pende sobre as nossas cabeças.

Vou aplicar-me nas minhas tarefas na Câmara Municipal, depois de actualizar o conhecimento de cada dossier que me vai caber. Também tenho de retomar o estudo das cadeiras do 7.º ano de que ainda preciso e que não são fáceis, o Latim e o Alemão. Já perdi um período de trabalho e falta apenas meia dúzia de meses para os exames. Por isso, vou imediatamente encetar diligências no sentido de conseguir explicadores competentes. Falaram-me no padre Branco ou no padre Heitor para o Latim, porque estão habituados a leccionar essa disciplina no Seminário e no Colégio Diocesano. Para o Alemão, julgo que o mais indicado é o Fernando Martinho, para mais meu amigo de há muito. Acho que o Joaquim Caldeira também está interessado.

Telefonámos, eu e a Adrilete, ao Caprichoso e à Clara. Gente do melhor que há!

Não me parecem estes o temas mais apropriados para um balanço do Dia de Natal. Mas este foi normal, segundo a tradição, com as prendas simbólicas, luzinhas a brilhar e o bolo rei convencional. Natal é quando o homem quiser e o seu balanço, afinal, é o que me apetecer.

Foi Dia de Natal. Em Portalegre cidade…

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