mil novecentos e sessenta e um – dia 362

1961362-quinta-28

Vão ser repatriados os civis portugueses internados em Goa – é este o grande título a toda a largura da primeira página do Diário de Lisboa de hoje. Depois, a notícia é completada pela informação de que a Índia pediu à Inglaterra que intervenha a favor dos cidadãos indianos internados pelas autoridades portuguesas. Portanto é troca por troca. Então e os militares? Diz outra notícia que aqui e ali alguns portugueses ainda combatem. Será isto possível, dada a tremenda desproporção das forças?

Outras informações dizem que Nehru, pouco antes da invasão, terá rejeitado um pedido dos Estados Unidos para adiar o ataque. Uma notícia indirectamente ligada a tudo isto sugere que da atitude norte-americana durante o debate na ONU sobre Angola pode depender a sorte da base dos E.U.A. nos Açores. Enfim, a política é um negócio complicado!

Mais uma confirmação disto está contida nas negociações sobre Berlim, que vão começar em Moscovo entre os russos, de um lado, e os americanos e ingleses do outro. A França absteve-se…

Não se soube hoje nada do Katanga e, quanto a Angola, nada mais surgiu nos jornais a propósito de mais algum eventual incidente.

Cá por Portalegre, também nada de especial.

Temo a cada hora que chegue algum recado do Magistério, o que ainda não se confirmou. Mas tenho a certeza de que o caso não ficará assim, pois o director não é homem para esquecer a afronta sofrida…

Entretanto, tenho notado de vez em quando alguns sobressaltos, por vezes mesmo umas ligeiras interrupções, no fornecimento da energia eléctrica. Garantem-me que tem sido sempre assim e que chegou a haver cortes prolongados e recentes. É um assunto importante que já devia estar resolvido.

Está planeado para amanhã o meu regresso efectivo à Câmara Municipal e já participo na reunião semanal. Deve ser feito um agradecimento ao prof. Adelino Simões Pereira de Lima e ao senhor José Maria Ceia que me substituíram durante estes meses de ausência em Mafra.

Pouco a pouco irei tomando conhecimento mais rigoroso do estado dos diversos assuntos em curso e dos projectos em marcha ou agendados. Também devo regressar às frequentes idas aos pontos mais escondidos e distantes do concelho, como as zonas fronteiriças de São Julião e Alegrete.

Há muito, mesmo muito, para fazer e eu venho cheio de vontade.

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