mil novecentos e sessenta e um – dia 363

1961363-sexta-29

Hoje foi o dia em que regressei em pleno às minhas funções como vereador efectivo da Câmara Municipal de Portalegre. Os vereadores meus colegas e os funcionários superiores receberam-me com evidente simpatia e amizade. Que diferença em relação à forma como fui acolhido em termos profissionais! Quanto mais penso na encenação armada pelo director menos percebo as razões pelas quais ele assim actuou. Como represália por ter sabido da minha revolta de há meses contra a injustiça praticada com a Adrilete? É que assim, do ponto de vista dele, pôde mostrar quem pode e manda. Não seria necessário, porque eu sei que dependemos dos chefes, mesmo que estes não prestem para nada como é o caso. A nossa actual sociedade está organizada deste modo, hierarquizado, mas há situações em que não podemos calar a nossa indignação. Depois, às vezes, ligo as coisas e pergunto-me se os tais tracinhos e pontos misteriosos que são apostos na correspondência entre mim e a Adrilete terão alguma coisa a ver com isto. Por vezes, a gente não sabe bem em que pensar!…

Como vereador nem sempre tenho votado de acordo com as conveniências políticas mas obedecendo à minha consciência e ao que procuro saber sobre os assuntos, sempre que possível ouvindo os interessados de um e outro lado, sobretudo quando a questão em apreço é melindrosa ou complicada. Provavelmente, nem sequer seria um comportamento deste tipo que esperariam de mim, quando tão novo me convidaram para esta função. Chego a pensar que me desejariam transformar numa espécie local de delfim do regime, preparando-me um promissor futuro político, mas confesso honestamente que estou muito distante disso. Pode até ser prosápia da minha parte imaginar um cenário destes. Não sou nada assim, ponto final.

Quanto a notícias sobre a Índia, diz o Diário de Lisboa que há muitos refugiados a bordo de navios estrangeiros esperando autorização dos indianos para partir. Os jornalistas portugueses também não receberam ainda ordem para deixar o país. Esperemos que tudo possa ser normalizado em breve e que todos os refugiados possam regressar em paz, todos sem excepção e não apenas os pequenos grupos isolados como vem acontecendo.

Por cá houve uma espécie de manifestação dos altos cargos militares jurando fidelidade ao Governo. O Exército está disposto a defender a integridade nacional, segundo garantiram os generais. Acho, no entanto, que essa é a sua obrigação pura e simples.

A propósito de manifestações, as autoridades solicitaram para as pessoas não se juntarem para protestar contra Nehru neste período do final do ano. Percebo a intenção, porque poderiam juntar-se para fazer outro tipo de protestos…

Houve nesta madrugada um violento temporal no Porto. Por aqui não se deu por quase nada, felizmente.

Enfim, tem estado um final de ano bastante agitado, e a vários níveis.

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