Nos 75 anos do regresso de um herói – 03

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Vale a pena conhecer o texto do “Parecer sobre o projecto de lei n.º 169, para concessão da patente de vice-almirante, a título honorário ao ex-oficial da armada João de Azevedo Coutinho Fragoso de Siqueira”, disponível no Suplemento ao n.º 123 do Diário das Sessões da II Legislatura, relativo a 11 de Fevereiro de 1942:

Consultada, nos termos do artigo 103.º da Constituição, acerca do projecto de lei n.º 169 (concessão da patente de vice-almirante, a título honorário ao ex-oficial da armada João de Azevedo Coutinho Fragoso de Siqueira), da autoria do ilustre Deputado Dr. Vasco Borges, a Câmara Corporativa, por intermédio das secções de Defesa Nacional e de Política e Economia Coloniais, emite o seguinte parecer:

Em sessão de 21 de Janeiro último foi apresentada à Assembleia nacional um projecto de lei que honra o Deputado que o assina. A elevação do propósito ajusta-se à alta concepção dos deveres morais do Estado com que naquela casa servem os representantes da Nação.

Propõe-se que um grande português vista de novo a farda que dignificou, durante longos anos, em excepcional carreira de bravo militar e insigne colonial.

As secções desta Câmara que agora se reúnem exprimem quanto lhes apraz intervir nesta homenagem a quem tanto a mereceu.

Azevedo Coutinho já estava consagrado. Uma vida de esforços e coragem, de honradez e trabalho, de valor e saber ao serviço da Pátria, mostrou-o ao País em toda a estrutura da sua alma forte, como um dos construtores da história nacional.

Fez-lhe a consagração o povo de Lisboa, quando se lhe atrelou à carruagem no regresso do Chire e do M’lolo. Fê-la El-Rei D. Carlos por múltiplas mercês e com oferta pessoal das insígnias da Ordem da Torre e Espada. Fizeram-na as Cortes quando lhe concederam o título de Benemérito da Pátria.

O reconhecimento dos seus méritos mostram-no os louvores que enchem a sua folha militar, as condecorações altas que possui, o prestígio entre amigos que o serviram e até inimigos que bateu, as dedicações que conquistou por seu elevado proceder.

Faltava devolver-lhe a farda que por direito de sangue lhe pertence. Mais que qualquer outra, restava prestar-lhe essa homenagem – a ele e à Marinha. Com ela se enobrecem aqueles que representam a Nação e em seu nome lha prestam e todo o Portugal pelos seus representantes.

João Coutinho foi sempre modelar na força de carácter e no patriotismo. Se outro fim não houvesse na distinção proposta, bastaria a lição de dar à gente nova, mostrando gratidão por um levantado exemplo.

Não nos afastaremos da função de apreciar o projecto de lei, nem iremos entrar na de biografar, ilustrando o parecer com alguns episódios da brilhante carreira que Coutinho traçou.

Serviu como soldado e marinheiro, por dilatados anos, no mar e em várias terras do Império, como só servem os maiores da raça cujos nomes e feitos se têm de memória. Não vá este relato apoucar quanto fez, por defeito da cor ou muito resumir. Mas não há que temer. O pouco que se diga não relega para a sombra quanto é inevitável que fique por dizer.

Também os mais modestos, que o viram combater em terras africanas, puderam descrevê-lo, com singela expressão das suas almas simples, na síntese de termos que se ajusta ao que é grande. Por vezes a justiça de um cognome vale a imposição de uma mercê. Coutinho mereceu, dos que o serviram, títulos de apreço que, a despeito da forma, mereciam, pela intenção, alinhar com as veneras de El-Rei e do Governo.

Coutinho transformou as oportunidades em triunfos; e pelo dinamismo, pela fé, pelo valor, moldou as circunstâncias e criou ocasiões. Podia ter nascido em qualquer tempo ou ter actividade em qualquer campo; marcaria a passagem na sua época.

Foi mais na ocupação de Moçambique que, longa e fortemente, se sentiu sua acção. Para lá seguiu, jovem guarda-marinha, trocando a ambição de uma estação na China pelo risco e privações de uma campanha de África. Começou a carreira por uma demonstração do seu alto carácter.

Era missão espinhosa servir em tais paragens na profissão das armas, mesmo a quem não tivesse tão exaltado brio.

A uma estreita faixa do litoral se limitava o mando da coroa portuguesa. Tornava-se difícil reprimir, na extensíssima costa, o tráfico de escravos que potentados negros e outros exerciam. Era mais do que precária a nossa soberania sobre régulos hostis com arraiais assentes junto às autoridades. E pesavam ainda sobre terras, nossas de longa data, as pretensões de estranhos.

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Cromos na Biblioteca Nacional de Lisboa

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Colóquio inaugural da exposição “100 Anos do Cromo em Portugal” no dia 1 de Fevereiro de 2017 às 17.45h. Apresentação de Carlos Gonçalves do Clube Português de Banda Desenhada e intervenção de João Manuel Mimoso historiando a origem e a evolução das colecções de cromos dos rebuçados e caramelos em Portugal e dalguns dos seus fabricantes, desde a década de 1920 até à de 1960.

Um colóquio posterior, a realizar a 2 de Março de 2017, abordará os cromos-surpresa lançados pela Agência Portuguesa de Revistas em 1952 e prestará homenagem ao grande artista e ilustrador Carlos Alberto Santos.

A exposição será inaugurada às 19.00h, após o encerramento do colóquio.

Homenagem a Luiz Beira, um Homem dos Quadradinhos

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Amanhã, dia 28 de Janeiro, sábado, pelas 16.00 horas, a Câmara Municipal de Viseu (CMV) e o Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu (Gicav) promoverão uma justíssima homenagem a Luiz Beira, integrada nas Comemorações do 15.º Aniversário da Biblioteca Municipal Dom Miguel da Silva.

Estas comemorações visam homenagear algumas das figuras que mais se notabilizaram neste período de vida da Biblioteca e o nome de Luiz Beira – o primeiro de um conjunto de doze – vem a propósito uma vez que, como é sabido, doou a Viseu grande parte do seu acervo de banda desenhada com a finalidade de aí ser fundada uma Bedeteca, o que viria oficialmente a acontecer em 31 de Maio de 2002.

Na Bedeteca Luiz Beira (que está acoplada à Biblioteca Municipal Dom Miguel da Silva, em Viseu) podem ser consultados milhares de documentos como sejam álbuns, revistas e fanzines de banda desenhada (alguns dos quais de incontestável raridade e valor histórico), bem como livros de Teatro, Poesia e outros temas.

Mas Luiz Beira está intimamente ligado à cidade de Viriato, não só através da Bedeteca como do próprio salão de banda desenhada, cuja génese em muito se deve às digressões que, inicialmente, as exposições das Jornadas BD da Sobreda (também elas uma criação de Luiz Beira), faziam a Viseu.

E não se pode, obviamente, esquecer a longa e assídua colaboração com a revista “Anim’Arte” (que ainda se mantém) ou a publicação de todas as peças de Teatro que o Gicav lhe editou, em seis volumes, há alguns anos.

É, pois, por tudo isto e com inteira justiça que a CMV e o Gicav se preparam para homenagear este amante das Artes, inaugurando uma exposição que permanecerá patente ao público até dia 22 de Abril.

Quem puder deslocar-se a Viseu, no dia 28, e assistir à homenagem pública, será muito bem-vindo pois Luiz Beira merece, nesse dia tão especial para ele, estar verdadeiramente entre amigos (e são muitos os que a Banda Desenhada, o Teatro, o Cinema e a Televisão lhe têm trazido ao longo dos anos…).

Fica aqui feito o convite.

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