mil novecentos e sessenta e um e depois…

1961

mil novecentos e sessenta e um, o “ano horrível de Salazar”, eis como com justeza lhe chamou um autor, cronista da época. Tempos nos quais a aparente paz em que vivíamos sofreu terríveis convulsões, e Portugal quase foi virado, por diversas vezes, de pernas para o ar… Um ano para esquecer? Não, um ano para lembrar!
Entre a utopia e a distopia, entre a realidade e a ficção, entre o dizível e o auto-censurável, procurei contar as impressões pessoais vividas ao tempo embora sujeitas à contaminação que mais de meio século passado lhes sobrepôs. Não procurei ser historiador, mas apenas testemunha de uma época que muitos dos que me leram não viveram ou que alguns talvez tenham já esquecido.
A 55 -cinquenta e cinco- anos de distância temporal decidi mergulhar na experiência fascinante de reviver (ou recriar!) o “meu” mil novecentos e sessenta e um. Se esse foi, seguramente, o ano horrível de Salazar, constituiu para mim um tempo inesquecível, uma experiência de vida que agora procurei recuperar, contando-a à minha maneira, num diário “íntimo” onde rejeitei o “meu” Régio como modelo. É que cumpri-lhe, por ponto de honra, todos e cada um dos dias. Trezentos e sessenta e cinco, um por um, do primeiro ao último.

Repeti parcialmente, adaptando-o, o texto introdutório escrito no dia 31 de Dezembro de 2015.

Sinto que devo complementar o diário dando conta, sumária, do destino dos principais protagonistas e da sequência dos episódios fundamentais em curso. Fá-lo-ei amanhã, porque hoje preciso de recuperar o fôlego. Não foi fácil a tarefa.

Para já, quero deixar aqui expressa a gratidão devida a quem me proporcionou o bom êxito pessoal do persistente trabalho em todos os dias no ano que passou.

Em primeiro lugar expresso o meu profundo reconhecimento ao amigo e cúmplice João Paulo Alves, da Biblioteca Municipal de Portalegre, cuja pronta, dedicada, competente e regularíssima colaboração me permitiu o acesso aos jornais locais da época, ainda que em colecções lamentavelmente desfalcadas. E também à direcção da Biblioteca e à edilidade portalegrense que generosamente oficializaram tal partilha, num perfeito e exemplar entendimento do serviço público local. Obrigado.

Depois, expresso gratidão pessoal à Fundação Mário Soares, pela sua anónima disponibilidade pública do acesso a uma preciosa colecção digital do jornal Diário de Lisboa que me possibilitou o complemento de uma indispensável informação quotidiana da época.

O restante foi devido aos meus próprios arquivos pessoais e ao registo de memórias elaborado na época.

Amanhã aqui cumprirei  o atrás prometido.

António Martinó de Azevedo Coutinho

2 thoughts on “mil novecentos e sessenta e um e depois…

  1. Parabéns por esse magnífico trabalho. Não deve ter sido fácil. Foi certamente bastante difícil de compilar e apresentar com a regularidade com que foi apresentado.
    Li a maioria dessas memórias e cada vez que lia pensava sempre: como foi possível nessa época encontrar meios para compilar registar fotocópias dos jornais com aquela intensidade, paciência e persistência.
    Força para continuação.
    Um abraço do
    Joaquim Chagas

  2. Mais uma vez quero aqui expressar o meu apreço pela sua dedicação a este projecto.
    Acompanhei com interesse cada dia e até porque 61 por algumas razões tambem para mim foi um ano inesquecivel. Apesar dos meus 12/13 anos lembro-me perfeitamente de muitos dos acontecimentos que foi relatando tanto os locais como os do país ou internacionais.
    Foi muito gratificante o regresso a esse passado que para mim foi seguido do inicio de um periodo de vida muito marcante, já em Angola, ao qual alguem chamou “os loucos anos 60”.
    Por tudo isso um grande obrigado e um abraço

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