1917 – há cem anos – oito

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Este é o teor, datado de 19 de Janeiro de 1917, da Ordem Regimental do17-cap Regimento de Infantaria 22, em Portalegre: “Determino e mando publicar 14.º – Formatura – Que todo o pessoal mobilizado do E. M.; do 2 R.I. e da 1.ª Companhia que consta da respectiva guia de marcha se ache formado hoje na parada do quartel pelas 17 horas, a fim de seguir ao seu destino. 15.º Comando – Que em virtude de marchar hoje para Lisboa a fim de assumir o comando do 2.º R.I. do C. E. P., entrego o comando do regimento ao Ex.mo Major Francisco Soares de Lacerda Machado.  Adriano Augusto Trigo, coronel.”

E assim relata a imprensa local o emotivo momento da despedida:

– Jornal “O Distrito de Portalegre” (21 de Janeiro): “Viva o Glorioso Exército Português! Magnífico, soberbo, o espectáculo presenciado na última sexta-feira, à saída da primeira companhia de infantaria 22, para Lisboa e que faz parte do primeiro corpo expedicionário a França. Milhares de pessoas aclamaram os valorosos soldados que caminhavam todos bem dispostos. Das janelas as senhoras cobriam-nos de flores e levantavam entusiásticos vivas. Durante o trajecto do quartel de S. Bernardo ao fundo da Rua de Elvas, o povo confraternizou com os soldados, soltando repetidos vivas. Magnífico, soberbo o espectáculo presenciado! Que sejam felizes os briosos militares e que regressem à sua querida Pátria cobertos de louros. Viva a Pátria! Viva o Exército! Vivam as Nações Aliadas!”

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Enquanto na capa ficava expresso o texto transcrito, duma página interior do mesmo jornal consta, entre outras, a seguinte curta mensagem: “Despedida. José Cândido Martinó, fazendo parte do Corpo Expedicionário Português,19-02-despedida despede-se por este meio das pessoas de suas relação e amizade”.

Na mesma data, também “A Rabeca” publica, na sua 1.ª página, um texto intitulado “Expedição à França” que começa pela referência à partida das tropas de Portalegre e termina com três vivas: “Viva o nosso brioso exército! Viva a Independência da Pátria! Abaixo a Alemanha!” Numa página interior dessa edição, sob o título “Cumprimentos”, são destacadas as despedidas de alguns expedicionários: Júlio de Almeida e Silva, sub-chefe de música (“Despede-se de19-02-grupo todo o pessoal da redacção da Rabeca e de todos os rabequistas. Mil abraços a todos.”); Francisco de Almeida, músico (“Despede-se com saudade de todos os amigos, especialmente dos mamarrachos conhecidos”); João Baptista Pinto Vieira, Oásis, músico de 3.ª classe (“Despede-se”); Joaquim A. Casaca, músico (“Adeus a todos e até à volta. Viva a Pátria!”). E este texto “Cumprimentos”, integralmente dedicado a músicos (!), termina com uma nota da Redacção: “Agradecendo reconhecidos, fazemos votos sinceros para que em breve os possamos ver de volta e reunirmo-nos depois, numa ravacholada amiga. Tragam-nos de lá uma orelha de alemão, oh rapazes!

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É neste estilo quase brejeiro, pouco coerente com o drama que espera os militares portugueses na frente de combate, que Portalegre se despede dos seus.

António Martinó de Azevedo Coutinho

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