Se quisermos ser livres

Se quisermos ser livres -se tencionarmos manter invioláveis esses inestimáveis direitos pelos quais temos lutado há tanto tempo- se não tencionarmos, de modopatrick_henry_rothermel algum, suspender a nobre luta em que nos envolvemos e que nos comprometemos a nunca abandonar até que o glorioso objectivo do nosso combate seja obtido, então devemos lutar! Repito, senhores, devemos lutar!
É inútil, senhores, amenizar a questão. Podeis gritar Paz, Paz! – mas não há paz. A guerra, de facto, começou. Os nossos irmãos já estão no terreno; por que estamos nós aqui ociosos?
A vida é tão cara, ou a paz tão atraente, para que possam ser compradas a troco das grilhetas e da escravidão?
Não sei qual é o caminho que os outros seguirão, mas, quanto a mim, que me seja concedida a liberdade ou a morte!

patrick_henryPatrick Henry (1736 – 1799) foi um jurista norte-americano que se tornou figura proeminente na Revolução Americana, tendo sido um dos mais influentes e radicais defensores do republicanismo e dos direitos humanos na sua época. Ficou conhecido e continua a ser evocado sobretudo pelo seu discurso “Give me liberty or give me death“, dramaticamente pronunciado numa assembleia reunida em Richmond, na Virgínia, no dia 23 de Março de 1775, cumprindo-se hoje mais uma precisa efeméride sobre essa histórica data. Com efeito, menos de um mês depois, concretizar-se-iam as primeiras hostilidades entre os colonos americanos e as forças do poderoso exército inglês enviado para os reprimir.

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Por que escolhi esta efeméride e este pretexto para regressar?
Sobretudo pelo simbolismo que encerram.
Passei longos dias a reflectir sobre a decisão a tomar, tendo encarado mesmo a hipótese de suspender definitivamente o “blog” Largo dos Correios. Provei a mim próprio, com alguma surpresa, que afinal sobrevivo sem ele. Mas decidi continuar, tal como decidi permanecer em Peniche. O que aqui conquistei acrescentou qualidade ao que deixei em Portalegre. A íntima e permanente intervenção da família e a activa presença dos novos amigos compensam o tempo e a distância das gratas lembranças da terra natal.
O Largo dos Correios poderá servir como instrumento redutor do tempo e da distância, para além de significar o veículo apto à partilha de memórias passadas, vivências de hoje e projectos de futuro.
Não assumo ainda como definitivo o seu próximo formato. Nem sequer posso ou devo garantir que o vou frequentar, obrigatoriamente, no quotidiano. Para já, pretendo concluir rubricas que interrompi, como as que respeitam a episódios familiares, o Centenário da I Guerra Mundial, visto através das mensagens dali enviadas pelo meu avô José Cândido, assim como os 75 anos passados sobre a histórica reabilitação cívica de João de Azevedo Coutinho, episódio de que a Marinha, estranhamente, se mantém ausente. Do mesmo modo, se isso  for tecnicamente viável, desejaria  continuar a divulgação dos textos publicados pela neta Filipa no seu “blog” Ideias Imaginadas. Inserido neste mesmo espírito, tenciono a partir de Junho/Julho próximos dedicar a devida atenção aos 125 anos do casamento de João de Azevedo Coutinho, em Portalegre, com Maria Inês Barahona.
Portalegre e Peniche, as minhas duas cidades ainda que a distintos níveis, manter-se-ão como permanente presença, agora sobretudo a propósito das próximas eleições autárquicas, despertando-me a recordação da experiência pessoal a tal nível cívico vivida em 1985, que tenciono evocar.
Por outro lado, algumas constantes serão retomadas, se possível com maior intensidade, como a luta contra o detestável Acordo Ortográfico e a defesa dos Direitos Humanos, no seio da Amnistia Internacional, de que sou activista. O discurso de Patrick Henry, atrás parcialmente transcrito, não poderia vir mais a propósito…
Tenciono dedicar, com certa regularidade,  alguma atenção às vivências pessoais  “desportivas”, próximas da minha  dilecta “família da corrida” e do magnífico grupo Peniche a Correr.

A Banda Desenhada, com incontornável destaque para Tintin, assim como a problemática da Comunicação pela Imagem serão outros temas com lugar cativo, sempre que aconteça a oportunidade de um pretexto alusivo.
Neste longo interregno mantive-me atento ao que foi publicado e guardei o material que me pareceu mais interessante e intemporal.  Aqui o divulgarei, com a devida nota de ter sido “arquivado” para tal fim.

Memórias familiares e/ou citadinas com interesse colectivo, vetustos arquivos que mereçam “recuperação”, a ecologia ambiental relativa aos contextos que nos cercam, a inesperada oportunidade dos quotidianos, a inovação, recensões de imprensa dignas de difusão e partilha, notícia de escolhidos eventos locais, efemérides e comemorações, e colaboração -sempre bem-vinda- de amigos certos, eu sei lá!, de tudo um pouco se vai compor o Largo dos Correios. Até ver.

No seu renovado cabeçalho quero significar o espírito que me domina.
Pretendo, intransigentemente, que este “blog” seja -que continue a ser!- um espaço e um tempo de liberdade, adiando a alternativa.
É que, em absoluta radicalidade, prefiro o visionário Patrick Henry ao abominável Donald Trump.

 António Martinó de Azevedo Coutinho

4 thoughts on “Se quisermos ser livres

  1. Um regresso à altura dum campeão com principios de vida. Um orgulho ser seu amigo. Estamos juntos, porque a amizade é a nossa maior vitória. Abraço

  2. Que bom tê-lo de volta!
    Precisamos de si. Da sua lucidez e inteligência, da sua memória, das suas convicções e da sua amizade. Seja de novo bem vindo. Forte abraço.
    Aurélio bentes Bravo

  3. O Sr Coutinho ( não sei trata-lo de outro modo) voltou ao seu blogue e com um texto, no qual ,a sua pena desliza na escrita ,com a mesma facilidade com que respira. Atrevo-me a usar um termo desportivo, o Campeão Voltou. Abraços.

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