Velhos são os trapos mas os papéis não! – vinte e três

Cândido Fernandes Plácido de Oliveira é uma das figuras mais marcantes da história do futebol em Portugal. Mestre Cândido foi o primeiro grande estudioso do futebol em Portugal, responsável maior pelo aparecimento da selecção nacional, trabalhador incansável no sentido de que o futebol português se colocasse ao nível do que acontecia nos outros países da Europa, sobretudo nas suas vertentes organizativas.

Mas Cândido de Oliveira foi mais ainda: grande figura humana, democrata convicto que tomou desassombradas posições públicas contra os regimes de Hitler, de Mussolini, de Franco e de Salazar. A sua coragem intelectual só teve paralelo na sua coragem física. Foi sujeito a um sem-número de prisões levadas a cabo pela então PIDE; brutalmente torturado e espancado a ponto de lhe terem partido todos os dentes; em 1942 foi enviado para o campo de concentração do Tarrafal. Sobre esta experiência escreveu um livro chamado «Tarrafal – o pântano da morte», publicado a título póstumo, após o 25 de Abril de 1974. Depois de ter sido demitido dos Correios Telégrafos e Telefones (CTT), onde trabalhara longos anos e atingira a elevada função de inspector de exploração, funda com Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo o jornal «A Bola».

Nascido em Fronteira, distrito de Portalegre, em 24 de Setembro de 1896, Cândido Fernandes Plácido de Oliveira entrou para a Casa Pia em 1905 e cedo mostrou capacidades inatas para a prática do futebol, capacidades essas que o levaram ao Benfica a partir da época de 1914/15. Aí se manteve até 1920, tendo saído para fundar o Casa Pia Atlético Clube. Apesar de se ter destacado também como avançado, Cândido de Oliveira foi um excelente médio centro, com uma capacidade de comando e de passe que fez dele um dos grandes jogadores portugueses das primeiras duas décadas do século XX. Seria ele o primeiro «capitão» da selecção nacional, no célebre jogo de Madrid, em 1921.

Por várias vezes ocupou o cargo de seleccionador nacional – foi ele o responsável pelo cargo no primeiro grande êxito da selecção nacional, os Jogos Olímpicos de Amesterdão, em 1928 -, tendo-se tornado num técnico sempre disponível para as necessidades da «equipa de todos nós».

Foi jornalista na «Stadium», director de «Os Sports», «Diário de Notícias», «Diário de Lisboa» e «O Século» antes de fundar o jornal «A Bola».

Treinador do Sporting dos «cinco violinos», da Académica, do Belenenses, do F. C. do Porto e do Atlético, chegou também a orientar o Flamengo, do Brasil, em 1950-51. Foi autor de vários livros sobre desporto e táctica no futebol.

Sofreu uma pneumonia enquanto cobria, como enviado-especial de «A Bola», o Campeonato do Mundo de 1958, realizado na Suécia. Como consequência, viria a falecer no dia 23 de Junho desse ano.

Miguel Barros (Museu Virtual do Futebol)

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