Peniche e o surf

Como se fosse uma coincidência -e não é!- acumulam-se as provas comparadas da ineficácia local, em Peniche, perante o surf. Há dias foi a lista dos locais carismáticos da modalidade, onde a Ericeira ganhou lugar de evidência. Agora, volta a Costa da Caparica. E ainda há Cascais, a Nazaré e outros sítios bafejados pela onda propícia. Nenhum destes perde qualquer oportunidade e isso nota-se…

Os autarcas penichenses confundiram um empréstimo temporário com uma concessão vitalícia e cumpriram o habitual e cómodo procedimento  indígena de acolher passivamente, ou quase, uma dádiva caída dos céus. Mas a verdade é que esta coisa da sorte, afinal, dá (ou deveria dar!) muito trabalho. E o resultado está à vista. Enquanto Mafra/Ericeira e Almada/Costa da Caparica se esforçam, e no duro, para consolidarem as oportunidades, por aqui ficou-se a dormir sobre os louros “conquistados”.

Atroou-se o universo com a construção do Centro de Alto Rendimento, que depois não se soube rentabilizar. Acolhe-se, por enquanto, uma etapa anual do circuito mundial mas não se aproveitou devidamente  essa sazonal oportunidade para promover a cidade e as suas inegáveis potencialidades.

Não é simpático nem agradável reflectir sobre estas vulgares constatações. O que se conhece, e basta para tanto  ler os artigos que o Diário de Notícias vem publicando, é que outros municípios sabem actuar de forma bem diversa, esforçando-se no desenvolvimento de iniciativas inteligentes e oportunas com a finalidade de garantir o futuro local da modalidade desportiva, integrando esta num contexto mais amplo.

A estreita associação entre o desporto, a cultura, o património, os usos e costumes, enfim, a aliança entre essas distintas potencialidades abre os horizontes e consolida a fidelização dos praticantes, dos fãs, dos espectadores e até dos simples curiosos. Trata-se do desenvolvimento da economia local, criando riqueza e consolidando postos de trabalho. Não é esta, em boa verdade, uma das mais acertadas políticas locais e uma das mais significativas obrigações dos responsáveis autárquicos?

Que se leia com atenção e que daqui resultem as devidas implicações, sobretudo numa época em que se vai decidir o futuro próximo das nossas autarquias.

O surf é apenas um meio e nunca poderá ser considerado como um fim em si mesmo. O instrumento poderoso de desenvolvimento que ele significa tem de ser activado, e quanto antes. Isso implica empenhamento, bem diverso da banal passividade que por aqui tem vindo a ser aplicada à popular modalidade desportiva.

Exige-se, portanto, uma visão integrada do fenómeno. Nem será preciso inventar; basta saber copiar -sobretudo adaptar!- com inteligência e sentido de oportunidade, aproveitando as inegáveis potencialidades locais penichenses.

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