Nos 75 anos do regresso de um herói – 07

Vai iniciar-se na vida de João de Azevedo Coutinho um período dominado por sucessivas e emocionantes manifestações públicas oficiais de justo reconhecimento do invulgar mérito que sempre merecera mas que só no dealbar da sua rica existência voltara finalmente a ser-lhe reconhecido.

Durante o mês de Março de 1942, o ministro das Colónias nomeia-o, por portaria, presidente honorário do Instituto Ultramarino, destinado a acolher viúvas e filhos de funcionários do Ultramar, dignos de apoio. Esta distinção não se revestia apenas de um significado simbólico, pois o jovem 1.º tenente da Armada Real João de Azevedo Coutinho integrara nos primeiros meses de 1891 a Comissão oficial encarregada de criar e regulamentar essa benemérita instituição.

A 7 deste mesmo mês, é a prestigiada Sociedade de Geografia de Lisboa que presta homenagem ao conselheiro Azevedo Coutinho, seu próprio presidente. Durante a reunião da Assembleia Geral, efectuada na sala Algarve, alguns oradores puseram em evidência as qualidades e feitos do herói do Chire, apontando-o como exemplo do mais digno patriotismo às gerações actuais e futuras, após o que a assistência tributou, de pé, uma calorosa e prolongada ovação ao homenageado. João de Azevedo Coutinho, emocionado com poucas vezes se sentira, apenas consegue pronunciar breves palavras de gratidão.

Depois, foi reeleito presidente da Direcção da Sociedade.

Porém, a mais digna e justa das homenagens recebidas por João Coutinho vai consistir na sua solene reintegração na Armada, de onde fora demitido “a bem dos superiores interesses da República Portuguesa”, no já distante dia 26 de Maio de 1911, quando era capitão de fragata reformado.

A Lei n.º 1990, de 11 de Março de 1942, é portanto publicada na folha oficial:

Em nome da Nação, a Assembleia Nacional decreta e eu promulgo a lei seguinte: artigo único – É concedida, a título honorário, a patente de vice-almirante ao antigo oficial da Armada João de Azevedo Coutinho Fragoso de Sequeira”.

Por portaria de 12 de Março de 1942, foi portanto reintegrado na Armada, com a patente de vice-almirante honorário, em harmonia com a Lei n.º 1990, do dia anterior.

Ficou assim oficial e integralmente prestada tão tardia justiça…

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