Nos 75 anos do regresso de um herói – 08

No sábado seguinte, dia 14 de Março de 1942, a Agência Geral das Colónias e o Comissariado Nacional da Mocidade Portuguesa promoveram uma grande homenagem pública a Azevedo Coutinho, no Palácio da Independência, em Lisboa, estando presentes os ministros das Colónias e da Educação Nacional. Aí foram oradores o Dr. Júlio Cayolla, Agente Geral das Colónias, o capitão de fragata Vasco Lopes Alves, procurador à Câmara Corporativa e relator do parecer sobre a recentíssima reintegração do homenageado na Armada, e o Prof. Doutor Marcello Caetano, Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa.

A Homenagem prestada ontem a Azevedo Coutinho na sede da Mocidade Portuguesa” é o título de 1.ª página, com continuação na seguinte, que encima a reportagem do Diário de Notícias do dia seguinte, 15 de Março de 1942. Aí pode ler-se:

Quando o vice-almirante Sr. João de Azevedo Coutinho, benemérito da Pátria e herói de África, entrou ontem à tarde na vasta sala do histórico Palácio dos Almadas, hoje sede da Mocidade Portuguesa por generosa dádiva da colónia portuguesa do Brasil, a fim de receber a justa homenagem que lhe preparou aquele organismo em colaboração com a Agência Geral das Colónias, a numerosa assistência presente, de pé, aplaudiu prolongadamente o ilustre marinheiro, que emocionado não pode reter uma lágrima teimosa que lhe aflorou aos olhos. Nesse momento inclinaram-se, levemente, o estandarte de ouro da M. P. e as bandeiras reais que se cobriram de glória no Chire e no Barué, pelo esforço e valentia de Azevedo Coutinho, velhinhas e desbotadas pelos ventos dos sertões. Também elas saudaram o herói como velhos conhecidos, como companheiros inseparáveis que foram de horas de perigo e horas de glória.

As palmas continuavam com calor e entusiasmo e só terminaram quando o Sr. vice-almirante Azevedo Coutinho se sentou em lugar de honra, ladeado pelos Srs. General Eduardo Marques, presidente da Câmara Corporativa; Drs. Francisco Vieira Machado e Mário de Figueiredo, Ministros das Colónias e da Educação Nacional, e Dr. Lopes de Almeida, Subsecretário de Estado desta última pasta. (…)

Na rua, em frente do Palácio da Restauração, porque mais gente não cabia lá dentro, aglomerava-se uma enorme multidão, que ouvia atentamente os discursos dos oradores exaltando as qualidades do Sr. conselheiro Azevedo Coutinho. (…)

Uma prolongada salva de palmas – como já havia acontecido com os oradores antecedentes – abafou as últimas palavras do orador (Marcello Caetano), palmas que, em seguida, redobraram de intensidade quando o Sr. conselheiro Azevedo Coutinho se dirigiu para a bandeira da campanha do Chire, de 1889, e nela depôs um beijo.

A sessão foi em seguida encerrada. Ao abandonar a sala o Sr. conselheiro Azevedo Coutinho fez esta declaração ao redactor do Diário de Notícias:

– Estou emocionado e também muito agradecido a todos por esta homenagem.

À saída do Palácio da Mocidade Portuguesa a multidão, que enchia o largo de S. Domingos, tributou ao Sr. conselheiro Azevedo Coutinho uma significativa demonstração de simpatia”.

Entre todas as outras, esta homenagem foi, seguramente, a que contou com o conjunto das personalidades que melhor souberam sublinhar a grandeza da personalidade em apreço. Por isso é oportuno e significativo -sobretudo para memória futura- que a seguir se reproduzam na íntegra os discursos então proferidos, substituindo com vantagem a habitual recensão dos recortes de imprensa constantes dos arquivos pessoais de João de Azevedo Coutinho.

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