Hergé, Tintin e a Medicina – cinco

4. Les Cigares du Pharaon

Foi publicado semanalmente de Dezembro de 1932 a Fevereiro de 1934 no semanário infantil Le Petit Vingtième. Atingiu um grande sucesso comercial e foi publicado em forma de álbum logo após a sua conclusão no jornal. Hergé continuou a história em Le Lotus Bleu, transformando a série num marco tradicional da banda desenhada franco-belga. Em 1955, a narrativa foi redesenhada e colorida, no estilo da linha clara. A análise crítica da historieta centrou-se na inovação e na aventura, ao  apresentar as personagens recorrentes dos detectives Dupond e Dupont e do vilão  Rastapopoulos.

Argumento: A história narra uma longa viagem de Tintin e Milou. Estando no Egitpo descobriram a tumba de um faraó cheia de egiptólogos mortos e de caixas de charutos. Perseguindo o mistério destes charutos, eles viajam através da Arábia Saudita e da Índia, e revelam os segredos de um esquema internacional de contrabando de drogas. Como curiosidade deve-se notar que Tintin, depois de despenhar o seu avião na Índia, encontra dois loucos, incluindo o egiptólogo Philemon Ciclón, que perderam o seu juízo como resultado de serem injectados com suco de rajaijah “o veneno da loucura”. Tintin é hipnotizado por um faquir e internado num hospital psiquiátrico donde depressa conseguirá escapar.

Comentário: Embora Hergé tenha continuado a desenvolver o seu plano de trabalho sobre uma base semanal, o álbum constituiu uma melhoria considerável em relação às histórias anteriores, podendo considerar-se como “quase completamente irreconhecível quanto às suas antecessoras”, pois tinham sido definitivamente encaixadas as suas inspiradas personagens no mundo dos quadradinhos, sendo a comédia definida com caracteres bem construídos, destacando-se os elementos de mistério e suspense, distantes das óbvias palhaçadas em aventuras anteriores. Tintin conseguiu ser “um herói mais maduro”, no entanto com uma faceta mais de detective que de jornalista.

5. Le Lotus Bleu

A aventura foi serializada em Le Petit Vingtième entre 9 de Agosto de 1934 e 17 de Outubro de 1935, a um ritmo de duas páginas semanais a preto e branco, formando a segunda parte da história até então conhecido como Tintin no Oriente. A primeira edição em álbum, também a preto e branco, apareceu em 1936 numa publicação da Casterman, editando-se a cores em 1946.

Argumento: Apesar de ser a segunda parte da história anterior pode ser lida de forma independente. A acção ocorre sobretudo na China, principalmente na cidade de Xangai. O título é inspirado no nome de uma sala para fumadores de ópio nesta cidade. Assume grande relevância nas crónicas da série por ser a primeira vez que o seu criador, Hergé, se preocupou em documentar-se extensivamente sobre o tema, para o que contou com a ajuda de um estudante chinês, Zhang Chongren, que iria influenciar notavelmente o álbum e o seu trabalho posterior. Para alguns estudiosos e críticos, esta é a primeira obra-prima de Hergé e alguns até mesmo consideram este álbum como o melhor de toda a criação.

Comentário: Os estudiosos da obra de Hergé apreciam muito o álbum. A narrativa atinge uma maturidade crítica até então desconhecido no seio de todas as aventuras porque já está organizada segundo um argumento que tem uma coesão, uma precisão e uma profundidade que nenhuma história de Tintin tinha alcançado antes. Hergé passou por uma transformação durante a gestação da historieta, ganhando em rigor o que perdeu na improvisação e doseando melhor os seus gags. O seu compromisso com o realismo documental concedeu autenticidade aos episódios que criou. A documentação reunida ajudou o artista a desenhar uma cidade e ambientes muito credíveis. Este interesse de Hergé pela documentação abriu o caminho para a fase que tem sido denominado como “etapa documentarista” nas aventuras de Tintin, período que abrange a década de 1930, embora esse interesse documental se venha a estender a todos as historietas posteriores da personagem. Como curiosidade deve-se notar que Hergé utilizou o livro sobre a China escrito por Blasco Ibañez.

6. L’Oreille Cassée

A aventura começou a ser publicada como uma série, em 1935, no semanário infantil Le Petit Vingtième. Como álbum apareceu em 1937 e foi colorida em 1943. Mais uma vez, Hergé refere-se a situações da actualidade mundial do seu tempo. A guerra entre San Theodoros e Nuevo Rico, por culpa do petróleo, é um retrato da guerra do Charco que opôs o Paraguai e a Bolívia durante os anos trinta.

Argumento: Conta a história de um ídolo Arumbaya que foi roubado do Museu Etnográfico e Tintin inicia a sua busca. Seguindo as suas pistas chega a San Theodoros, uma república aa América do Sul que está sofrendo uma revolução. Por uma série de coincidências Tintin torna-se ajudante de campo do presidente, o general Alcázar. Começa a guerra com o seu vizinho, Nuevo Rico, e Tintin, perseguido por todos, foge para o território dos índios Arumbayas. Ali, finalmente, descobre o segredo do ídolo, que contém um pequeno diamante. Como epílogo, o ídolo foi recuperado na Europa e voltou para o museu.

Comentário: Para esta história, em que a fantasia é muito importante, Hergé continuou a desafiar o seu público a participar na continuação de história, colocando na parte inferior de cada página semanal uma frase onde apelava para a sagacidade dos leitores. Como modelo para o desenho da estatueta que as personagens procuram (um ídolo Arumbaya ficcionado), Hergé inspirou-se numa estatueta de madeira, que na realidade provém da cultura Chimu e que esteve exposta no Museu do Cinquentenário de Arte e História, em Bruxelas.

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