Hergé, Tintin e a Medicina – oito

13. Les Sept Boules de Cristal

Esta história foi publicada entre 1943 e 1944 no jornal Le Soir, mas foi em 1945 que se iria evidenciar, uma vez que a obra de Hergé foi cancelada devido a uma acusação de colaboracionismo (com os ocupantes alemães). A história continuaria, um ano depois, com O Templo do Sol. A figura de Rascar Capac foi inspirada numa múmia peruana autêntica que se encontra no Museu de Arte e História, em Bruxelas.

Argumento: A história narra a odisseia de sete arqueólogos da expedição Sanders-Hardmuth que regressam à Europa após dois anos no Peru e na Bolívia, onde encontraram o túmulo do rei Inca Rascar Capac. Em breve eles começarão a sofrer de uma doença estranha que os mergulha num sono profundo, acordando todos à mesma hora do dia, tremendamente sobressaltados, como se fossem torturados, até caírem de novo no seu sonho. Tudo aponta para que se trate da punição profetizada no próprio túmulo de Rascar Capac. Junto a todos os doentes foram encontrados restos de bolas de vidro com veneno no interior. Mais tarde, o Professor Tournesol foi sequestrado e Tintin e o Capitão seguirão uma trilha que os levará ao Peru.

Comentário: Trata-se de um álbum carregado com grande quantidade de mistério e aventura. Esta primeira parte da expedição “solar” parece imbuída de uma atmosfera particularmente perturbadora e angustiante. É dotada de um argumento perfeitamente doseado e com admirável atenção aos detalhes na definição das diferentes cenas. Foi realizado em estreita relação com o colaborador mais realista dos Estúdios Hergé, Edgar Pierre Jacobs, criador de Blake e Mortimer

14. Le Temple du Soleil

Apareceu pela primeira vez nas páginas da revista Tintin entre 26 de Setembro de 1946 e 22 de Abril de 1948. A primeira edição em álbum foi publicada em 1949. É a continuação da história anterior As Sete Bolas de Cristal.

Argumento: Tintin e o Capitão Haddock viajaram para o Peru em busca de Professor Tournesol que vão encontrar a bordo de um navio chamado Pachamanac com destino a esse país, mas não conseguem libertá-lo. Depois de muitas pesquisas, eles conseguem saber que Tournesol poderia estar retido numa pirâmide no meio da selva, último vestígio da civilização Inca, decidindo ir até lá.

Depois de atravessarem a Cordilheira dos Andes e a selva (na companhia de um jovem indígena chamado Zorrino, que lhes serve de guia), chegam ao local onde a pirâmide está situada. São feitos prisioneiros e descobrem que Tournesol vai ser sacrificado juntamente com eles próprios, para terem cometido sacrilégio com uma múmia sagrada. Finalmente, Tintin usa com astúcia um eclipse que ocorre naquele mesmo lugar para obter a libertação e o regresso de todos.

Comentário: Num ritmo trepidante, a história recupera o espírito dos grandes relatos de aventuras; reflecte a humanidade das suas personagens principais, especialmente a do capitão; fornece um exotismo geográfico excepcional; e documenta-se com grande rigor histórico. As sequências narrativa e gráfica estão totalmente sincronizadas com gags nos momentos adequados e com o justo suspense. Em suma, trata-se de um hino a um mundo multicultural e mágico.

15. Tintin au Pays de l’Or Noir

Sem dúvida, este foi o álbum das aventuras de Tintin dotado do maior número de transformações sofridas ao longo do tempo. A edição inicial começou a publicar-se em Le Petit Vingtième em 25 de Setembro de 1939, imediatamente após a conclusão de O Ceptro d’Ottokar. A II Guerra Mundial provocou a interrupção dessa publicação em Le Petit Vingtième. Oito anos mais tarde, na revista Tintin, o artista decidiu terminar a história, retocando as pranchas originais e introduzindo elementos novos como o Capitão Haddock ou o castelo de Moulinsart, inexistentes em 1939. A terceira versão da história ocorreu no final dos anos sessenta, a pedido do editor inglês, Methuen, para dali serem removidas todas as referências à Palestina britânica e ao conflito árabe-israelita.

Argumento: Seguindo a pistas de estranhas explosões de gasolina, Tintin, Milou e os detectives  Dupont e Dupond chegam a um porto de um país fictício,  Khemed. Aprisionado e abandonado no deserto por duas vezes, Tintin ajuda a libertar o travesso Abdallah, filho do Emir Mohammed Ben Kalish Exab, que tinha sido raptado pelo Dr. Müller para forçar o seu pai a assinar um contrato com a empresa de petróleo que representava. Dupont e Dupond ingerem acidentalmente o produto que fazia explodir a gasolina, o que faz com que lhes cresça muito rapidamente o cabelo…

Comentário: Será porventura o volume que terá sofrido maior número de vicissitudes na história da banda desenhada, conhecendo-se nada menos do que três versões, muito diferentes umas de outras. Dos mais de trinta anos de revisões aplicadas à aventura resultam vários anacronismos baseados em eventos históricos com vencedores e vencidos. No final, e graças ao rigor documental, o resultado foi um álbum emocionante, com grandes sequências cómicas e episódios de mistério.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s