Nos 75 anos do regresso de um herói – 13

No dia 22 de Março de 1942, o conselheiro João de Azevedo Coutinho foi proclamado comandante honorário da Brigada Naval e recebeu a medalha de ouro de Legião Portuguesa. A cerimónia tem lugar no quartel da Brigada Naval, em Alcântara, perante os ministros da Marinha e das Finanças, além de vários oficiais generais.

Falou o comandante Henrique Tenreiro que, a certa altura, disse:

Melhor forma não tínhamos, Sr. almirante, de lhe demonstrar a nossa gratidão, a imperecível gratidão de todos os portugueses, pelas páginas de História que V. Ex.ª escreveu com o seu sangue e que constituirão sempre para nós, para os nossos filhos, para os filhos dos nossos filhos, um eterno padrão de patriotismo e de legendária bravura”.

Azevedo Coutinho apenas conseguiria pronunciar, comovidamente, o seu muito obrigado.

Também o Turf Club, agremiação lisboeta de que há muito era associado, prestou uma homenagem ao conselheiro João de Azevedo Coutinho, através de um jantar na sua sede, realizado no serão de 25 de Março, com a participação de cerca de 50 pessoas. Aí discursaram os Srs. Visconde de Montargil, o Dr. Rui Ulrich e o Dr. João do Amaral, agradecendo no final o homenageado, que recordou alguns episódios das suas campanhas de África.

Entre 4 e 9 de Maio, decorreu na Sociedade de Geografia a Semana das Colónias, cujo encerramento contou com a presença do presidente da República e com um discurso de Azevedo Coutinho.

Na sua edição de 12 de Maio, A Voz, em notícia de Portalegre, referiu a realização local da “Semana das Colónias”:

Foi brilhantemente comemorada a Semana das Colónias. (…)

No dia 8 realizou no mesmo Liceu (Mouzinho da Silveira) uma esplêndida conferência sobre “Ocupação das Províncias Ultramarinas – O Quadrado de Marracuene”, o antigo oficial do Exército Sr. Júlio da Costa Pinto, activo gerente da delegação da Vacuum Oil Company.

O heróico oficial teve passagens arrebatadoras quando se referiu aos grandes portugueses Caldas Xavier, Paiva Couceiro, António Enes, Alves Roçadas; especialmente quando se referiu a João de Azevedo Coutinho, foi aclamado pela numerosa assembleia com verdadeiro delírio”.

A memória de Caldas Xavier foi homenageada numa emocionante sessão realizada na Escola do Exército, no dia 16 de Maio de 1942. João Coutinho, amigo e companheiro de armas do Caldas Xavier, também usou aí da palavra. Da reportagem que o Diário de Notícias do dia seguinte publicou, retira-se um breve excerto:

Falou depois o Sr. almirante Azevedo Coutinho, que o auditório acolheu com uma vibrante salva de palmas.

Feito silêncio, o Sr. almirante Azevedo Coutinho louvou as altíssimas qualidades do colonial e do soldado que caracterizaram Caldas Xavier. E acentuou que ele nunca desempenhou um cargo à altura dos seus excepcionais méritos, nem nunca chegou a ter a aura popular de que disfrutaram outros dos seus camaradas mais admirados e falados.

Elogiou Caldas Xavier como oficial distintíssimo da arma de infantaria. E referiu os passos mais salientes da sua carreira militar”.

Aproximava-se a grande homenagem da cidade do Porto a João de Azevedo Coutinho…

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