Hergé, Tintin e a Medicina – nove

16. Objectif Lune

Começado a ser publicado na revista Tintin em 1950 e o volume em álbum foi editado em língua francesa em 1953, três anos antes do lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial, e quinze anos antes do primeiro pouso lunar tripulado.

Foi a terceira e última vez que Hergé desenhou uma aventura dividida em dois álbuns.

Argumento: Tintim e o capitão reúnem-se com Tournesol que está trabalhando num centro de pesquisa atómica secreto no coração do maciço montanhoso de Zmylpathes. O professor foi contratado pelo governo sildavo para dirigir a construção de um foguetão atómico a bordo do qual será levada a cabo a primeira viagem tripulada à Lua. A partir daí toda a aventura se vai desenrolar na estação espacial e nas montanhas circundantes. Todos assistem à construção do foguetão, aos primeiros testes e participam na sua própria formação como astronautas. Ao mesmo tempo, eles lidam com um plano misterioso, aparentemente liderado pela vizinha Bordúria, que visa sabotar o projecto.

Finalmente, apesar das dificuldades, o foguetão está pronto e arranca para o seu destino. Aqui interrompe-se a narrativa, que vai continua no próximo volume On a marché sur la Lune.

Comentário: Apesar da criatividade incluindo generosas doses de imaginação, Hergé usou uma incrível quantidade de documentação técnica, que converte esta história na mais rigorosa da série.

Para isso contou com uma equipa de colaboradores que se documentaram em energia atómica, física espacial e astronomia. As explicações técnicas dadas tanto por Tournesol como pelo engenheiro Wolff são muito precisas e receberam na época comentários positivos por parte de técnicos da NASA. Hergé recorreu ao humor do capitão Hergé para evitar que os excessos de tecnicismo cansassem ​​os leitores.

17. On a marché sur la Lune

A aventura começou a publicar-se na revista Tintin em 1952. O álbum foi lançado em 1954, constituindo a continuação de Objectif Lune. O próprio autor considera esta história como o mais exótica de todas e é aquela em que o argumento foi criado com base na imaginação, antecipando-se ao seu tempo. O realismo destes dois livros que compõem a aventura lunar levou a revista Paris-Match a encarregar Hergé das ilustrações que explicaram a missão da Apolo XII.

Argumento: A história continua no preciso momento onde termina o álbum anterior. Depois de uma viagem não isenta de alguns sobressaltos, descem na Lua, na cratera Hipparchus, onde os nossos heróis montam os equipamentos e iniciam a pesquisa e exploração do terreno, entremeadas de episódios ocasionais. Forçados a regressar à Terra devido às insuficientes reservas de oxigénio para a tripulação, sofrem duas tentativas, por parte dos conspiradores de Bordúria, o coronel Jorgen e engenheiro Wolff, para sabotar o foguetão. O resultado é a morte de Jorgen num disparo da sua arma assim como o suicídio de Wolff, que sacrifica a própria vida lançando-se no espaço para que outros possam ter ar suficiente. O foguetão dirigiu-se para a Terra com falta de oxigénio, mas finalmente todos chegam em segurança e são salvos.

Comentário: Segundo uma sólida base científica, tal como a aventura anterior, talvez esta segunda parte mereça ser realçada pela abordagem de Hergé a questões pouco infantis como a morte e o suicídio, este retratado no inesquecível sacrifício do engenheiro Wolff. Muitos astronautas europeus declararam que a leitura dos álbuns daquela aventura lunar os levou a escolher a sua vocação. Como curiosidade a revista Tintin comemorava todos os anos o aniversário da chegada de Tintin à Lua, acontecida em 25 de Março de 1953.

18. L’Affaire Tournesol

A aventura apareceu pela primeira vez nas páginas da revista Tintin entre 22 de Dezembro de 1954 e 22 de Fevereiro de 1956. A primeira edição em álbum foi publicada em 1956.

Nesta história novamente se aborda a tensão e a rivalidade existentes entre Sildávia e a Bordúria, reflectindo a situação que existia entre os blocos comunista e capitalista na época.

Argumento: A história começa com Tintin e o capitão de regresso ao castelo, quando são surpreendidos por uma estranha tempestade que provoca a quebra de espelhos e de vasos em todo o palácio. O fenómeno atmosférico resultara dos ensaios de um gerador de ultrassons desenvolvido por Tournesol, que desaparecerá alguns dias depois durante uma conferência na Suíça. Tintin e Haddock reúnem-se em Genebra para poderem seguir a pista de Tournesol, que sofre vários sequestros por parte de sildavos e borduros, sendo transferido para a cidade de Szohôd. Finalmente, com a ajuda de Bianca Castafiore, eles conseguem resgatar Tournesol, que decide destruir os planos de sua invenção para evitar que esta se transforme numa arma.

Comentário: Esta aventura foi escolhida por muitos tintinófilos como a obra-prima de Hergé. Não será a mais divertida, mas atinge uma especial perfeição pela riqueza do tema, pela rapidez dos encadeamentos narrativos, pela arte de enquadramento das imagens e dos diálogos, tudo contribuindo para tornar este álbum um marco entre os quadradinhos clássicos. Criada numa época de pleno amadurecimento do autor na companhia de colaboradores excepcionais nos Estúdios Hergé, a história lembra o genial Alfred Hitchcock

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