Hergé, Tintin e a Medicina – onze

22. Vol 714 pour Sydney

Esta aventura apareceu pela primeira vez nas páginas do semanário Tintin, entre 27 de Setembro de 1966 e 28 de Novembro de 1967. A sua primeira edição como o álbum independente ocorreu em 1968. A maior parte da história passa-se numa ilha perdida no Oceano Índico .

Argumento: Sob o pretexto de uma viagem a Sydney, ao Congresso Internacional de Astronáutica, numa escala em Jakarta coincidem os habituais protagonistas com Pst, um seu velho conhecido, que trabalha como piloto do milionário Carreidas, que muda aí de avião para terminar a viagem no seu jacto particular. Tudo desemboca numa aventura cheia de perigos, traições, soro da verdade, disputas e também fenómenos paranormais e erupções vulcânicas.

Comentário: Maravilhosamente ambientada graças a um sólido trabalho de documentação, a história é narrada de forma vibrante e intensa pela mistura de momentos trágicos com outros grotescos e cómicos. Ao contrário do que se poderia esperar de Hergé, este não conta uma aventura tradicional, mas desmistifica e parodia as personagens “más”. Ele também faz um aceno à parapsicologia cujo interesse pessoal era conhecido desde há algum tempo.

23. Tintin et les Picaros

O álbum apareceu em 1976 após 8 anos de preparação desde a publicação do volume anterior, tendo a história sido pré-publicada na revista Tintin um ano antes. É a última aventura concluída de Tintin. Curiosamente, este álbum foi de certo modo baseado no tema de Régis Debray e dos Tupamaros, acontecido no Uruguai, enquanto outros estudiosos assinalam que é inspirado na Nicarágua e na família Somoza. O título que Hergé tinha originalmente pretendido para ele era Tintin e os bigodudos.

Argumento: Tintin e os seus amigos regressam novamente à república de San Theodoros. Eles acabam no meio da selva, colaborando com o general Alcázar para o ajudar a tomar o poder ao seu eterno rival, o general Tapioca. Entretanto, tentam libertar Castafiore e a sua comitiva, detidos sob falsas acusações de conspiração. O golpe de Estado do general Alcázar triunfará sem se disparar um tiro, mas a mudança de regime não vai aliviar os males deste protótipo de república das bananas, onde tudo permanecerá no mesma.

Comentário: Tinha passado um longo tempo desde o último álbum. O próprio Hergé o admitiu: não mais trabalhando por prazer, pouco lhe importava fazê-lo. Provavelmente, devido a essa enorme expectativa, a aventura não recebeu elogios na época. Hoje, analisando-o com alguma perspectiva histórica, podemos concluir que é excelente.

Combina perfeitamente, num magistral ritmo narrativo, elementos de acção com episódios humorísticos e tudo contextualizado num cenário muito detalhado. Neste álbum produz-se a maior mudança em Tintin: troca as suas calças típicas e largas por jeans, pratica yoga e aparece com um capacete da motocicleta onde se vê um emblema hippie. 

24. Tintin et l’Alph-Art

É aquela que teria sido a vigésima quarta e mais recente aventura da série de Tintin. Hergé trabalhou nela até à sua morte, e o álbum foi publicado postumamente (apesar de não estar completo). Fanny Remi, viúva do autor, decidiu que o álbum seria publicado inacabado, tal como ele o havia deixado. A edição de 1986 consistiu em dois blocos: um com o projecto gráfico tal como  Hergé o pretendeu, e outro com uma transcrição dos diálogos semelhante a um texto teatral. A edição de 2004 apresenta-se numa forma completamente diferente, onde as pranchas do autor são misturados com as transcrições de diálogo,  destacando-se graficamente alguns detalhes interessantes.

Argumento: O enredo original é centrado no mundo das galerias de arte. Termina com uma vinheta na qual os “maus” conduzem Tintin com uma arma apontada às costas. Pode parecer óbvio que Tintin se terá salvo, assim terminando a história. No entanto, vários dados sugerem que poderia não acontecer realmente assim: segundo o testemunho de pessoas próximas dele, Hergé terá sugerido que Tintin poderia vir a morrer nesta sua última aventura. Estes indícios parecem apontar para um final pouco comum ou nada usual.

Comentário: Na época da morte de Hergé, em 3 de Março de 1983, a aventura não era mais do que um apontamento: três pranchas desenhadas a lápis, quarenta e duas no estado de esboços, e alguns escritos adicionais com parte do argumento da nova aventura. Discutiu-se então sobre aquilo que fazer com os elementos que estavam disponíveis, sendo estudada a possibilidade de ser concluído o álbum por intermédio de colaboradores de Hergé. No entanto, dado o estado muito preliminar do trabalho (por exemplo, não havia um final), foi descartada tal hipótese porque as contribuições externas teriam de ser excessivamente significativas. Após vários anos de uma certa carência de iniciativas, todos os dados indicam que este novo álbum de Tintin teria sido um dos melhores: o positivismo do traço e o entusiasmo que demonstra indicam que Hergé tinha conseguido uma linha condutora consistente para a história.

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