Obrigado, senhor presidente!

O meu conterrâneo e amigo João Miguel Tavares, um brilhante jornalista, assina uma crónica regular no jornal Público. Chama-lhe O respeitinho não é bonito e deve ser por isso que, mantendo intacta a estima, raramente concordo com o que ele escreve. Talvez seja porque sou do tempo em que o respeitinho era bonito. Que remédio tínhamos! Era enorme a lista das obrigatórias respeitabilidades, ainda que a diversos níveis. Sem uma rigorosa hierarquia, posso por exemplo recordar como modelos ou alvos de colectivo respeito os pais (mais o pai-chefe-de-família do que a mãe-empregada-doméstica!) e os professores mais as mestras, os velhotes, polícias, guardas republicanos e outras autoridades fardadas, todos os presidentes (sobretudo o do Conselho!), governadores, superiores, capatazes, directores, chefes e patrões, os sacerdotes e as catequistas, os santinhos, Nossa Senhora de Fátima, Deus Nosso Senhor, os fiscais dos isqueiros e os agentes da PIDE. Não sei se esqueci alguém, que me seja perdoada qualquer involuntária omissão…

Isto vem a propósito de uma crónica recente em que aquele jornalista sugeriu publicamente ao primeiro-ministro António Costa que tomasse conta dos seus quatro filhos, sem escola por causa da recente e governamental tolerância do ponto. E António Costa, que leu o provocatório texto, fez-lhe mesmo a vontade, acolhendo-lhe provisoriamente os filhos.

Ora como eu não sei a qual presidente agradecer, tenho a esperança de que Marcelo Rebelo de Sousa leia este texto e lhe dê condigna resposta.

A minha gratidão até será um pouco presunçosa porque parte do princípio de que teve algum efeito o artigo aqui colocado no Largo dos Correios há semanas acerca do mau estado de limpeza e de conservação da Fonte do Rosário, belo e ignoto monumento penichense. É que, anteontem, foi substituída a tábua partida que a entrada há muito ostentava e foi limpo o interior do recinto, pelo menos no piso térreo porque as paredes não foram suficientemente intervencionadas. Dava muito trabalho…

E a verdade, porque o respeitinho é bonito (caro João Miguel, desculpe lá o mau jeito!), é que quero aqui agradecer ao presidente, mesmo que ele não tenha ligado nada ao que escrevi e isto seja tudo uma mera coincidência. Como não sei se devo agradecer ao da Câmara, ao da Junta ou aos dois, vai assim em abstracto e a quem lhe servir que enfie a laureada carapuça.

E até nem é bem aqui que eu quero chegar.

É que falta cumprir o mais difícil, que é precisamente abrir regularmente o monumento ao público, turistas de dentro e de fora de Peniche.

Preciso de explicar em que reside a minha esperança, dado o exemplo atrás citado, que inaugurou um precedente? Suponhamos, desejavelmente, que o presidente Marcelo lê esta crónica, pois reside nele a única esperança de que a Fonte do Rosário, um dia, seja acessível ao povo. Dos presidentes de cá, ainda por cima em tempos de despedida e balanço, pouco há a esperar.

Está agora tudo bem explicado?

Entretanto, obrigadinho, senhor presidente, pela parcial limpeza que fica provada nas imagens anexas.

 António, de Peniche

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