Aqui morreu uma mulher

Aqui morreu uma mulher

O ano de 2015 arrancou com um legado desolador: no ano anterior, 42 mulheres tinham morrido às mãos dos seus actuais ou antigos companheiros.

Assinalavam-se então 15 anos desde que a violência doméstica passou a ser entre nós crime público, mas a situação estava longe do desejável. Foi esse o mote para a revista Visão arrancar com um grande projecto – fotografar locais dos crimes e contar as histórias das mulheres que viram as vidas ceifadas em contexto de violência doméstica.

Durante todo o ano de 2015, os repórteres Teresa Campos e José Carlos Carvalho percorreram o país de Norte a Sul. Visitaram zonas pobres e bairros privilegiados. Ouviram histórias de mulheres, novas e idosas, em que a vítima mais velha tinha 84 anos e a mais nova apenas 23.

Estiveram em pequenas aldeias e em grandes cidades. Foram 28 as histórias de mulheres que morreram às mãos de maridos e companheiros que ficaram retratadas no texto e na imagem. Assim nasceu uma exposição Aqui morreu uma Mulher. Para que nunca mais alguém olhe para o lado.

A exposição é uma iniciativa conjunta da revista Visão, do Gabinete do Ministro Adjunto e da Câmara Municipal de Lisboa. O projecto Roteiro Cidadania em Portugal reproduziu a exposição a fim de que constitua um recurso para desafiar as comunidades locais em todo o país a conhecerem uma triste realidade que é urgente mudar.

Agora, há dias, em mais uma iniciativa do Núcleo da Amnistia Internacional de Peniche, a exposição veio até à nossa cidade, onde está patente na Escola Secundária. Foi assinalável a sua inauguração, onde estiveram presentes os seus autores, os repórteres Teresa Campos e José Carlos Carvalho.

Durante uma sessão muito participada no auditório da ESP, eles tiveram oportunidade de explicar o pretexto, a forma e o conteúdo do seu trabalho. O testemunho dos dois jornalistas foi escutado com atenção pela plateia de jovens que com eles travou depois animado diálogo.

O modelo deliberadamente escolhido revelou uma cuidada preocupação ética, sem qualquer prejuízo das intenções pedagógicas que presidiram ao trabalho. Este estará patente para visita pública e aberta até ao dia 26, pelo que vivamente se recomenda aos interessados uma ida até esse espaço, na Escola Secundária de Peniche.

Aos repórteres Teresa Campos e José Carlos Carvalho deve ser endereçada uma palavra de louvor pela elevada qualidade do seu trabalho, traduzido na exemplar denúncia de um crime detestável. Que a sua mensagem frutifique e que a nossa sociedade possa libertar-se desta vulgarizada violência.

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