DIA da minha TERRA distante…

TOADA DE PENICHE    (fragmento)

Em Peniche, cidade
À beira-mar, plantada
De ondas, ventos, gaivotas,
Espuma e falésias,
Moro numa casa nova,
Que nunca quis nem sonhei
Feita para eu morar nela…

Vazia de antigas lembranças
Das casas que nada nos dizem,
Cheia da forte, e bem viva,
Obsidiante memória
De outras gentes e sítios,
Cheia de sol nas vidraças
E sem escuro nos recantos,
Cheia de dúvidas e sossego,
De perguntas e de espantos,
– Aceitei-a como se fora
Mais feita ao gosto de outrora
Que para o meu aconchego.

Em Peniche, cidade
À beira-mar, plantada
De ondas e de falésias
Ao vento norte gelada
(Lá vem o vento do mar,
Que enche a vida de temores
Gela, esfarela a fundo,
E atira aos pescadores
A onda com que se afogam
Nos perigos do mar profundo…)

Em Peniche, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Na tal casa nova e bela
À qual nunca quis que fora
Feita para eu morar nela,
Tinha, então,
Por genial diversão
(Quem sabe se por amor!),
Uma grande varanda
Diante de uma janela
– E mais um computador.

 Em Peniche, lembrando Portalegre e Régio, após uns anos de “exílio”…

António Martinó de Azevedo Coutinho

2 thoughts on “DIA da minha TERRA distante…

  1. Gostei muito da poesia, apesar do conteúdo ser um pouco pesado.
    Mas cada um sente o que lhe vai na alma e lhe cruza o coração.
    Um abraço.

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