Hergé, Tintin e a Medicina – treze

PERSONAGENS SECUNDÁRIAS

 Professor Tournesol

O Professor Tournesol surge na série das aventuras de Tintin como um modelo real, a viva imagem do professor e inventor Auguste Piccard, um amigo de Hergé. Esta é uma das principais personagens da banda desenhada, sendo talvez a quarta maior depois de Tintin, Milou e o Capitão Haddock. O recurso ao sábio distraído já tinha antecedentes nestas aventuras, por exemplo, com Philemón Ciclón, o egiptólogo, ou com o especialista em numismática e filatelia.

Na sua primeira aventura Tournesol aparece como um cientista surdo que disponibiliza a uma expedição científica um submarino em forma de tubarão. O recurso à surdez concede ao autor a oportunidade de o apresentar em vários gags pelo que parece lógico supor que decidiu mantê-lo assim, como uma das personagens estáveis da série. É um homem honesto e bonacheirão. Com o dinheiro ganho com a venda do submarino ao governo compra o castelo de Moulinsart para o capitão Haddock, como compensação por este tê-lo deixado testar o aparelho na expedição Unicórnio.

Os papéis que desempenha nas histórias são os mais variados, que vão desde o pretexto da distracção em alguns gags pela sua surdez ou outras excentricidades, até ser quem resolve um problema cientifico ou desenvolve um dispositivo que vai ter algum utilidade no enredo. Muitas vezes a aventura gira mesmo em torno dele.

Na dupla aventura lunar desenvolve a tecnologia que permite realizar a viagem para a Lua. Esta história constitui uma excepção ao carácter de Tournesol e da ciência em geral, pois refere que a sua especialidade é a Astronáutica, funcionando em instalações de alta tecnologia rodeado por uma grande equipa de cientistas, para o que usa um aparelho auditivo. Começa então a ouvir pelo que as confusões típicas da sua surdez não têm mais lugar e a sua actividade como cientista desenvolve-se como normal.

Uma característica típica do Professor Tournesol é a de usar um pêndulo e praticar a radiestesia.

Dupond e Dupont

Trata-se de uma dupla de agentes da polícia secreta idênticos na aparência e no vestuário, cuja única diferença é a forma do bigode. Em traduções para o castelhano não parece haver um critério seguro para atribuir o nome Hernández ou Fernández ao que tem o bigode mais caído ou mais ondulado, pelo que os seus nomes mudam indiferentemente de álbum para álbum e, por vezes, até dentro do mesmo. No entanto, este não é um detalhe muito importante porque eles sempre aparecem juntos e não parecem ter personalidades muito diferentes.

O vínculo que os une nunca é muito claro; não parecem ser irmãos porque têm apelidos diferentes. Em algumas aventuras é sugerido que vivem juntos; eles chamam-se um ao outro “amigo” ou “colega”. As outras personagens consideram-nos como “os inseparáveis”, “os polícias” ou simplesmente “os Dupondt’s”. Hergé, provavelmente, apenas teve a intenção de caricaturar um certo tipo de funcionários, em tudo idênticos aos seus colegas.

São duas personagens dotadas de personalidades bastante distraídas e não muito lúcidas, que resultam incompetentes quanto às missões que lhes são atribuídas. O seu papel nas histórias é geralmente secundária, provocando certos gags, fornecendo alguma informação útil a Tintin, que os introduzirá numa aventura ou os faz chegar como reforços quando esta quase está concluída. As confusões mais habituais em que caem estão relacionadas com o seu estremo cuidado em quererem passar despercebidos usando um disfarce que julgam típico do lugar, mas que na realidade é ridículo. Normalmente também costumam confundir-se com o que estão investigando, ainda que possivelmente a sua característica mais marcante seja a de que, quando um deles diz algo, o outro repete-o mudando apenas as palavras, dizendo desta forma o contrário ou algo sem sentido…

A sua primeira aparição aconteceu na história Os Cigarros do Faraó, o quarto álbum da série, em que procuram prender Tintin por suposto tráfico de drogas. Note-se que nesta aventura mostram um enorme engenho e coragem ao conseguirem salvar a vida de Tintin, condenado à morte por fuzilamento, assim como a de Milou, prestes a ser sacrificado a uma divindade hindu para ofender uma vaca sagrada.

Mesmo quando os seus disfarces são eficazes, tal faceta é completamente anulada pela personalidade confusa revelada em outras situações.

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