A banda desenhada vista por Jorge Gonçalves – sete

OS “COW-BOYS” DE ANTIGAMENTE – II

Evidentemente que no trivial encontravam-se também personagens marcantes, não só nas suas histórias como nas suas personagens. Será o caso de “Two – Gun Kid” de Stan Lee/Jack Kirby e com desenhos de Ogden Witney, Jack Kirby, Dick Ayers e Joe Sinnott. Também uma das personagens de grande interesse será “Tom Mix” (1880-1940), um verdadeiro homem-espectáculo nos seus filmes, levando ao delírio os seus espectadores. Seria considerado o “rei” dos cow-boys” na tela e, mais tarde, também nos “comic-books” de 1947 a 1953. Os desenhos pertenciam a Carl Pfuefer. Outro grande cow-boy seria “Hopalng Cassidy”, da autoria de Dan Spiegle, extraordinário desenhador, embora não fosse este o desenhador original.

O primeiro seria Irving Steinberg (1916-93) e outros, incluindo Pete Constanza (1913-84). Seria importante continuarmos a falar de mais séries e mais revistas dedicadas ao tema, mas a possibilidade de espaço é diminuta, pelo que iremos salientar mais algumas personagens de interesse e que nos deliciaram na sua leitura quando jovens. Fred Harman seria outro caso de destacar com a sua personagem de êxito estrondoso “Red Ryder”. Quem não se lembra deste “cow-boy” ruivo, calmo e destemido, e que era acompanhado nas suas aventuras com o índio “Pequeno Castor”? Depois, ainda que limitado nas suas aventuras, não é a altura de esquecer “Casey Ruggles” da criação de outro talentoso artista, Warren Tufts. Seria ele também o autor de “Lance”, uma série espectacular nas suas pranchas, devido ao seu aspecto gráfico, onde as cores imperavam. Infelizmente a série não teria aceitação merecida, talvez por uma má distribuição entre os jornais.

Estas duas séries seriam lançadas nos jornais e não nos “comic-books”. Temos ainda “Rick-Óshay” de Stan Lynde, outra personagem a destacar e a fixar pela beleza das suas aventuras. Trata-se igualmente de uma série publicada nos jornais.

Finalmente não nos vamos esquecer de lembrar outro grande e famoso desenhador, Frank Frazetta, com a sua série “The White Indians”. Os últimos dois artistas a destacar serão John Severin com a sua série “Eagle” e “Tomahawk” de Ed France Herron e Fred Ray. Esta é a fase dos índios e dos pioneiros que os combatem, na tentativa de conquistarem novos territórios, que acabarão por ser invadidos pelos emigrantes brancos. Todos conhecemos já a história verdadeira destes factos, que levariam a um genocídio quase completo da população índia. No entanto, não podemos de deixar de referenciar o belo trabalho que a maior parte dos desenhadores norte-americanos nos deixariam, através de belas capas nas edições dos “comic – books” editados ao longo dos anos, autênticas joias das artes gráficas.

OS “COW – BOYS” NA BANDA DESENHADA EM PORTUGAL

Vários estudos estão já feitos sobre o panorama do “Western”, nas nossas Histórias aos Quadradinhos. Alguns da autoria de Jorge Magalhães, muito completos e com uma informação bem documentada e pormenorizada. Aos interessados aconselhamos vivamente esses estudos, editados pela Câmara de Moura e onde poderão recolher uma exaustiva e importante amostra de tudo o que seria criado e publicado nas revistas portuguesas de Banda Desenhada sobre este panorama Quanto a nós faremos um pequeno resumo do que se passou há quase cem anos atrás, pois será num longínquo ano de 1920, que surge a primeira história baseada no “western” da autoria de Cottinelli Telmo com “A Grande Fita Americana” publicada na revista “ABC”. Depois esporadicamente aparece uma ou outra produção portuguesa sobre o tema: “As Estupendas Façanha do Cow-Boy Façanhudo” de António Cristino em 1926 na revista “ABCzinho”, “As Aventuras do Cow-Boy Jim Boy” de Carlos Botelho na revista “ABCzinho” também, em 1927 e depois como uma abordagem muito ténue, Oskar, Arcindo Madeira, Júlio Resende, Meco, Fernando Bento e Mário Costa criam algumas histórias sobre o tema, embora na vertente do humor. Isto tudo já nos anos trinta, princípios dos anos 40. Será na revista “O Mosquito” que Vítor Péon se irá estrear e precisamente, com uma História aos Quadradinhos realista sobre os “cow-boys”.

O ano era o de 1943. Também em “O Faísca”, e no mesmo ano, o desenhador António Barata irá dar os seus primeiros passos na Banda Desenhada, com uma história sobre o mesmo tema. Mas pertence, sem dúvida alguma, ao desenhador Vítor Péon o lugar cimeiro na criação de histórias sobre “cow–boys”, pois irá continuar a desenhá-las até emigrar em 1956. E, mais tarde, quando regressa a Portugal nos anos 70, volta a pertencer-lhe essa prerrogativa. Aliás, o lançamento de uma personagem que se irá tornar célebre, “Tomahawk Tom”, que teria mais de uma dezena de episódios publicados, será um dos marcos nesse campo. No nosso país, tal feito fará história, pois independentemente do tema, os “heróis” da Banda Desenhada portugueses são muito poucos. Com muito raras excepções, “Quim e Manecas” de Stuart, “Zé Pacóvio e Grilhinho” de Tiotónio, “O Ponto” de Fernandes Silva, “Falcão Negro” de Eduardo T. Coelho, “Simão” em “O Caminho de Oriente” da autoria deste último desenhador também e “Chico” de Júlio Gil, poucos foram os “heróis” que continuaram a viver as suas aventuras de um modo assíduo. No campo dos “cow-boys” teremos mais algumas experiências por parte do José Garcês, Jayme Cortez, Júlio Gil, José Ruy, Carlos Roque, Baptista Mendes, José Pires e Augusto Trigo. Poderemos quase afirmar que a maior parte dos nossos desenhadores abordou, ainda que uma forma muito pouco apaixonante, o tema do “Western”. Enquanto os cinemas ofereciam uma programação semanal de vários filmes, com enormes potencialidades dedicadas à acção e à aventura, às cavalgadas, aos tiroteios em duelos, os nossos desenhadores muito timidamente ocupavam-se de algumas pranchas, oferecendo de um modo modesto o que os leitores de Banda Desenhada consumiam. Mas será que não existiria ali algum racionamento forçado por parte dos nossos artistas?

CARLOS GONÇALVES