A Banda Desenhada vista por Carlos Gonçalves – quatro

AS HISTÓRIAS AOS QUADRADINHOS DE TERROR – II

A BANDA DESENHADA DE TERROR NO BRASIL

Entramos na parte final e mais comprida deste artigo sobre o tema precisamente no Brasil, onde as histórias aos quadradinhos de terror são uma tradição. Não só iremos conhecer uma série de publicações, como também algumas das belas capas da autoria do nosso desenhador Jayme Cortez, depois de emigrar para aquele belo país em 1947. Será ele também um dos principais adeptos da criação de histórias em quadrinhos sobre o tema, acabando por instigar outros desenhadores para o acompanharem. Aliás seria nesta vertente que o desenhador acabaria por ser considerado Mestre, tal era a qualidade dos seus trabalhos, principalmente no campo das capas das revistas que a editora La Selva lançaria no mercado. Também seria nestas edições que alguns desenhadores brasileiros souberam dar vida às personagens que criaram e torná-las algumas vezes tão atractivas e sedutoras, principalmente no caso das mulheres, como os desenhadores norte americanos. Os temas serão igualmente bons em alguns aspectos, ainda que em algumas edições, destacadamente nas editoras independentes, não resultassem tão bem. De qualquer dos modos um esforço foi feito para produzir novas histórias aos quadradinhos de terror e era esse o objectivo principal. Não nos iremos debruçar sobre vastos pormenores e também em algumas publicações que não serão, quanto a nós, verdadeiras revistas de terror.                                                           

OS ANOS 50 NA DIVULGAÇÃO DAS REVISTAS DE TERROR NO BRASIL

Os anos 50 marcam a divulgação e o nascimento de várias revistas sobre tema, ao mesmo tempo que a aceitação dos leitores brasileiros, demonstra bem a apetência por esta literatura. Estava encontrado um filão, que se irá logo verificar com o aparecimento da revista “Terror Negro”, (1951/67), “Contos de Terror” (1954/64), “Sobrenatural” (1954/67) e “Frankenstein” (1959/67) pela editora La Selva, bem como “Sepulcro” e “Horror” das Edições Júpiter, “Gato Preto” (1954/64), “Medo”, “Noites de Terror” (1954/67) e “Mundo de Sombras” (1954/67) pela editora Novo Mundo, além de “Sexta-Feira 13” da Orbis.

Na altura os desenhadores brasileiros disponíveis e em actividade eram: Jayme Cortez (português); Rodolfo Zalla (argentino); Eugénio Colonnese e Nico Rosso (italianos) e mais alguns com profissões definidas, tais como Manoel Ferreira (funcionário público); Walmir Amaral; Zezo; Lyrio Aragão (investigador); Gedeone Malagola (delegado da polícia); Shimamoto; Flávio Colin; Miguel Penteado; etc.. Alguns deles iriam produzir muito material para preencher as páginas dessas revistas ao longo dos anos, com grande destaque para as capas executadas por Jayme Cortez e M. Penteado, muitas delas pequenas obras-primas das artes gráficas.

OS ANOS 60 MARCAM A ACEITAÇÃO DOS LEITORES BRASILEIROS
PELA HISTÓRIAS DE TERROR

Nos anos 60 o panorama editorial brasileiro no campo das revistas de terror era vasto e de muito interesse, não só com muitas edições, muitas capas, material norte-americano e também, material brasileiro. A editora Taika lançou as “Seleções de Terror” com Nico Rosso (1967), “Terror” (1967), “A Cripta” (1968), “Drácula” (1968); a GEP edita “Lobisomem (1967), “Frankenstein” e a “Múmia” (1967); a Jotaesse editou “O Vampiro” (1966) e “Mirza, A Mulher Vampiro” (1967); a Edrel a “Nova Revista de Terror” (1969) e a Prelúdio “O Estranho Mundo do Zé do Caixão” (1969), com trabalhos de Nico Rosso e Fotonovelas. Recorda-se aqui um argumentista excepcional que está muitas vezes esquecido, mas cuja sua produção neste campo é na verdade o que de melhor foi escrito a nível mundial. Trata-se de Rubens Francisco Luchetti.

A pequena editora Novo Mundo tem uma “Edição Extra de Terror” com material norte-americano; a Trieste editou o “Terror Negro” (1968) e o “Mundo dos Espíritos” (1969) e a La Selva lançou edições extras intituladas “Histórias de Terror” (1963) e “Vodu” (1967). José C. Almeida é um dos desenhadores brasileiros a destacar-se, bem como Nico Rosso e Eugenio Colonnese. Torna-se quase completamente impossível podermos apresentar aqui todas as revistas que entretanto foram sendo publicadas, pois a totalidade das mesmas aproximava-se dos 30 títulos. E os desenhadores brasileiros começavam a impor-se no tema. Alguns trabalhos não se encontram assinados.

A CENSURA NOS ANOS 70 NAS REVISTAS DE TERROR NO BRASIL

Em 1972 a Censura resolveu obrigar as revistas de terror a serem analisadas antes de serem publicadas.

Ora a fase era excelente não só na produção de autores brasileiros, como na edição de uma série de títulos que passaremos a destacar por editoras: A TaiKa publicou “Almanaque de Drácula” com trabalhos de Juarez Dilon, “Drácula” em formato de álbum de luxo, um “Álbum de Clássicos de Terror”, com trabalhos de Justo, J. Shimamoto, Gedeone e Sérgio M. Lima, “Almanaque de Terror” em formato mais pequeno, com trabalhos de Edmundo Rodrigues e “Horror” de Luchetti e Nico Rosso; a M&C de Miguel Penteado edita “Lobisomem” com excelentes trabalhos de Nico Rosso, Eugenio Colonnese, Zala, etc., “HQ Competição” apresenta-se igualmente com desenhos deste extraordinário Nico Rosso e de Gedeone Malagola, segue-se “Calafrios” com desenhos de Paulo Fukue e uma excelente edição cuidada e de luxo “Coleção Contos de Terror” de novo com Nico Rosso e argumentos de Luchetti e “A Cripta”, também outra edição de boa apresentação e de novo com trabalhos destes mesmos autores; estes voltam com outra edição chamada “Drácula” e com uma história a cores no interior desta revista editada pela Spell: a Editora Gorrion lança “Terror Treze” com trabalhos norte-americanos, “Alma Penada” com brasileiros e “Terror Macabro” com brasileiros também; a Editora Graúna publica “Mestres do Terror” e “Almanaque Terror”; a Trieste tem em publicação “Histórias de Terror”; o Livreiro publica “Super Edição de Terror” com trabalhos de Edmundo Rodrigues, “Almanaque do Mundo de Trevas” com estrangeiros e Edmundo Rodrigues, “Almanaque Diabólico” com o mesmo desenhador anterior, “Álbum de Horror” de novo com americanos e o mesmo desenhador brasileiro, “Almanaque de Terror” do mesmo desenhador e Hélio Porto, “O Homem-Lobo” igualmente com Edmundo Rodrigues e “Álbum de Horror” com americanos; a Editora Maravilha publica “Domínio das Trevas”; a Editora Roval cria “Maldita Múmia”, “Ecos do Castelo Mal Assombrado” com Zala e outros artistas brasileiros e “Terror Alucinante” com artistas brasileiros também; a Edrel lança “Terror Especial” com trabalhos de Ioacir Rodrigues e “Nova Revista de Terror” com brasileiros; a Kultus publica “Eu Sou o Pavor” com artistas brasileiros; a Editora Regiart lança no mercado o “Almanaque de Terror” com desenhadores brasileiros; a editora Outubro está com “Histórias Macabras” no mercado com Álvaro Moya e outros e apresentando as belas capas de Jayme Cortez e “Seleções de Terror” com Nico Rosso; a Ideia Editorial publica “Um Passo Além de Boris Karloff”; “Minami edita “Almanaque de Lobisomem” com Nico Rosso; a Abril publica “Terror de Drácula” em 1979; a Ebal lança “Histórias de Assombração” em 1977; finalmente temos ainda de novo “Zé do Caixão no Reino do Terror” da Prelúdio com desenhos de Nico Rosso de novo e fotonovelas também.

Mas não acabam aqui todas as edições de revistas de terror editadas no Brasil nesta década. Estavam ultrapassados os 30 títulos e as edições iriam continuar, logo que a Censura deixou de importunar estas publicações e as suas editoras.

Carlos Gonçalves

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