1917 – há cem anos – trinta e dois

O capitão José Cândido Martinó confirmaria pelo semanário “A Plebe”, na edição de 19 de Julho de 1917, que recebeu em França, o excelente resultado escolar da sua filhita Benvinda. Curiosamente, esta nota local inclui o nome de outros portalegrenses que se destacariam na sociedade local, como por exemplo Maria Luísa Firmino Costa Pinto, Maria Teresa Roma Alves de Sousa, António Firmino Costa Pinto ou Carlos José Maçãs Nogueiro. Mas só ao regressar à Pátria teve oportunidade de apreciar o respectivo diploma, documento oficial que ficou a atestar o magnífico comportamento da pequena aluna.

Continuava entretanto a preocupar-se com o seu abalado estado de saúde…

25 de Julho – “França. Tu vais estando melhor da tal coqueluche? (…) Passamos a ter exercícios matutinos, a certa altura a petizada que vai para as escolas junta-se à música e não quer saber da escola. [As Ordens dos dias 22, 23, 24 e 26 do corrente mês determinam que a banda de música acompanhe companhias de Infantaria 34 e 21 em exercícios de marcha] Nos dias chuvosos, as rãs vêm ter comigo à cama. Já temos protestos harmoniosos. A festa de amanhã promete estar animada“.

26 de Julho – “França. E tu já te encontras restabelecida da tal coqueluche? (…) As latas da ração são em tal quantidade que há ruas calçadas de latas. A lata está em foco! No dia 28 parto para onde ia várias vezes dar concertos, com demora de 15 a 20 dias. [Fica superiormente determinado que o chefe da banda desta Brigada de Infantaria e o respectivo pessoal marchem em diligência para o comando da 1.ª Divisão, em Lestrem] Para aquelas paragens não há arraiais“.

27 de Julho – (dois postais) “França. Muito estimo que vás melhorando da impertinente tosse. Sempre retiro amanhã. (…) Preciso saber se tens tomado a fosfiodoglicina e a emulsão. O serviço de correio é tudo quanto há de mais detestável e horrível“.

28 de Julho – “França. Vais melhorando da impertinente tosse? (…) Retiro hoje às 4 horas. Está um calor abrasador. Bem bom seria que não tivesse que voltar ao mesmo sítio“.

29 de Julho – (dois postais) “França.  A gente é velhaquíssima; apesar de pagar um franco diário pelo quarto, pela manhã pedi água para me lavar, disseram que fosse à fonte!… De tudo fazem dinheiro. Às 11 horas fui à missa, rezada por um padre-soldado. A novidade que aqui encontrei foi ver um homem muito alto e de grandes barbas, envergando uma farda à ministro, com o competente chapéu na cabeça, empunhando um grande…“; “França. … bastão com toda a pose, fazendo a polícia da igreja e ao mesmo tempo servindo de mestre de cerimónias; pois caminhava à frente do padre quando ia para o altar, à frente do pregador quando ia para o púlpito e à frente dos vários padres e ajudantes que por 5 ou 6 vezes fazem peditório aos fiéis que vão à igreja para ouvir missa, mas que mesmo ali têm de entortar o cotovelo para largar a histórica esmolinha. Temos música todos os dias, mas apesar disso quero ver se consigo fazer umas pequenas viagens“.

A 29 de Julho de 1917 tinha “A Plebe” divulgado mais um “Quadro de Honra”, que inserira, além de diversos feridos, o nome do soldado n.º 154 da 9.ª Companhia, Joaquim Manuel, falecido em 13 do corrente, em virtude de ferimentos em combate.

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