O iceberg alentejano

Quando há dias o jornal Público trouxe a notícia de um gigantesco iceberg que se tinha desprendido na Antárctida, o meu primeiro pensamento consistiu numa surda maldição dirigida a Trump e a todos os que ainda não perceberam o que se está a passar. O comportamento irresponsável e criminoso desta gente não leva em linha de conta os sucessivos e dramáticos avisos que os mais prudentes têm vindo a lançar, desesperados, na tentativa de suspender e corrigir as práticas anti-ecológicas que vêm provocando cataclismos ditos naturais, como é o caso presente.

Mas confesso que emendei o meu raciocínio quando li a versão on line daquela mesmíssima notícia. Ora antes do mais, aqui fica a sua reprodução, “ligeiramente” diferente da constante do jornal.

Anda à deriva um icebergue do tamanho de Portalegre
Imagine um bloco de gelo a flutuar na Antárctida
com o dobro do tamanho do Luxemburgo.

Mais do dobro do tamanho de Luxemburgo. Um quinto dos quilómetros quadrados da Bélgica. Um quarto do tamanho do País de Gales. É assim o icebergue que navega por águas frias com, aproximadamente, o tamanho do Algarve.
Um bloco de gelo com quase seis mil quilómetros quadrados que se soltou de uma plataforma de gelo, a sul do continente americano. Estamos a falar de um icebergue com o dobro do tamanho da área metropolitana de Lisboa. Ou o equivalente ao distrito de Portalegre. 


Uma fenda separou a plataforma Larsen C de um icebergue, recém-nascido, com o tamanho de 800 mil campos de futebol. A gigantesca massa está no top 10 dos maiores blocos de gelo flutuantes vistos pelo homem. O maior tinha quase o dobro do tamanho, com onze quilómetros quadrados, segundo o Guardian. 
Apenas 10% dos icebergues são visíveis. Ou seja, quem avistar o bloco gélido só verá uma pequena percentagem de um objecto flutuante que deverá ganhar o nome de A68.
O desprendimento de uma área gelada superior à do território de países como o Brunei ou Cabo Verde foi confirmado nesta quarta-feira por cientistas, através de imagens recolhidas por satélite.
A separação do icebergue, porém, não vai afectar o nível do mar, porque o gelo que já se desprendeu já estava no oceano, se bem que alguns cientistas receiem que possa acelerar a desestabilização da Larsen C.
Segundo a Agência Espacial Europeia (AEE), o icebergue será um dos maiores da Antárctida, com 1155 quilómetros cúbicos de gelo, equivalente à água necessária para encher 462 milhões de piscinas olímpicas.

PÚBLICO on line
12 de Julho de 2017, 19:30

Fiquei a pensar, sobretudo, na primeira linha do título, onde se anuncia que o iceberg à deriva tem o tamanho de Portalegre, distrito, como se pode confirmar pelo miolo do texto e pela gravura ilustrativa. A partir de então, embora não tivesse obtido a confirmação oficial, passei a acreditar num oportuno golpe publicitário da Entidade Regional de Turismo alentejana.

Estou mesmo a ver a continuação da iniciativa, com o próximo envio de um pastor de São Mamede para bordo do bloco flutuante e o desfraldar de uma larga tira com a inscrição: Em Portalegre é mais fresquinho!

Posso mesmo admitir que quando o iceberg estiver mais derretido será fraccionado em blocos menores depois transportados para locais seleccionados da região, onde ficarão expostos até à sua passagem ao estado líquido, logo depois devidamente engarrafado e vendido como recordação turística. Genial!

Trump que se lixe, embora -à cautela- seja conveniente devolvê-lo à prática do Acordo de Paris.

Entretanto, viva o iceberg patrocinado pelo distrito de Portalegre!

 

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