Rendas e redes

A Câmara de Peniche vai juntar-se a municípios de Espanha e Itália numa candidatura das rendas de bilros a património imaterial da UNESCO. Tudo bem. Não acho que as rendas de bilros mereçam tal honraria menos do que os chocalhos e estes já lá estão, nessa lista de universal reconhecimento e honrosa protecção.

Porém, tenho uma reserva a esta iniciativa. É uma questão de oportunidade. Apenas isso.

De linhas se fazem as renda e as redes. E acho que estas estão muito mais ameaçadas, sobretudo desde a luminosa ideia de uns tipos que habitam os comunitários altos gabinetes. É muito simples. Talvez fosse mais importante, pelo menos nesta preciso momento, fazer toda a força numa candidatura da sardinhada a património universalmente reconhecido. Já há uns precedentes nesta área, como o da dieta mediterrânica, por exemplo.

Antes das rendas, as redes. A sardinhada, nesta altura do nosso campeonato da sobrevivência, está bem mais necessitada que os bilros.

E estou convencidíssimo de que Peniche nem precisa de procurar aliados na Espanha e na Itália para concretizar tal processo de candidatura, pois há aqui, neste nosso cantinho, muito mais gente, e entidades, a alinhar na proposta da elevar a sardinhada a património universal.

De linhas se fazem as rendas e, sobretudo, as redes.

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