Como uma árvore

A primeira vez que encontrei Henrique Bertino após a sua eleição como líder da autarquia penichense, tive ocasião para lhe dizer que, embora não tivesse votado nele, o considerava como o meu presidente, cidadão penichense que sou, desejando-lhe os mais sinceros votos pelo êxito de todos nós. Com efeito, o seu sucesso será o sucesso de toda a comunidade penichense, pouco habituada, desde há muitos anos, a uma governação assente em projectos de efectivo progresso e de concreto desenvolvimento local. Bem pelo contrário, as reais potencialidades de Peniche têm sido desprezadas.

Influenciado por um amigo pelo qual tenho profunda e justa admiração, colaborei empenhada e lealmente numa candidatura que sofreria um severo acolhimento eleitoral. Nada me arrependi pela experiência, que me permitiu conhecer interessantes personalidades que confirmaram ou alargaram a rede dos meus próprios afectos.

A candidatura independente de Henrique Bertino constitui a confirmação de um crescente fenómeno social e político, pela clara rejeição dos caprichos partidários que afastam tantos e tão válidos cidadãos disponíveis dos governos locais autárquicos. Aliás, se algum pormenor fizesse falta para caracterizar o rosto humano e autónomo do projecto, creio que o posterior painel público de agradecimento -pela sua raridade- seria argumento bastante para o confirmar.

Foi reconfortante a participação cidadã no convívio de anteontem, no excelente pavilhão do Sporting Clube da Estrada, onde Henrique Bertino deve ter muito justamente sentido -com ele e a sua equipa- a solidária presença do povo autêntico, numa base de apoio que certamente ampliou a base original de suporte eleitoral. Nas dificuldades que inevitavelmente os aguardam, tal sentimento terá real significado e constituirá seguro estímulo.

É diferente das normas institucionais em uso -e de que maneira!- o discurso oficial do novel presidente. Com raízes profundamente inseridas nesta terra -e também no mar-, um sólido tronco percorrido pela seiva do um consciente entusiasmo dispõe de ramagens densas e juvenis, prometendo flores e -sobretudo- frutos a partilhar com todos nós: eis o retrato breve daquilo que todos ouvimos pela voz e alma de Henrique Bertino.

Como uma árvore.

A forma escolhida foi a de um testemunho humilde, confiante e seguro, um depoimento ditado pela razão e pela sinceridade, argumentos normalmente arredados dos discursos políticos tradicionais, quase sempre pautados pela demagogia e pela arrogância.

A promessa foi a do persistente trabalho, a garantia foi a da permanente colaboração exigida a todos os companheiros de missão, a certeza foi a da competência e solidariedade esperada por parte dos funcionários da autarquia (uma família), a ambição foi a de, no termo do mandato, sair ou continuar segundo uma severa avaliação final a fazer. Todos esperamos -e desejamos- o êxito, o tal êxito de todos nós, portanto a manutenção de Peniche à sombra desta árvore.

A árvore, em boa hora tornada símbolo de uma candidatura vencedora, é agora muito mais do que uma metáfora ou um emblema. É hoje um projecto que nos desafia. E nos envolve na sua “sombra”…

Que cada um de nós, cidadãos de Peniche, queira e saiba entender a mudança. E, acima de tudo, impõe-se que actuemos em conformidade, sem perdermos o sentido crítico, numa leal e activa colaboração que consiga afastar a nossa terra dos trilhos da vulgaridade em que tem estado mergulhada.

António Martinó de Azevedo Coutinho

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