Coração

Um dos muitos livros que li na passagem da infância para a juventude foi Coração, do italiano Edmundo de Amicis. Creio que o mesmo aconteceu com a maioria da malta do meu tempo, porque essa obra era então considerada como um incontornável “clássico” literário.

Ainda hoje me lembro do estilo romântico dessa espécie de diário moralista, supostamente redigido por um jovem estudante, assim como, sobretudo, do seu conteúdo, eivado do moralismo nacionalista em vigor na época. Sendo certo que não ignoro, hoje, as críticas que Umberto Eco e José Saramago expenderam sobre esse conteúdo, ainda me mantenho fiel a algumas convicções ali colhidas. Como a amizade.

Por isso partilho as intenções do amigo e conterrâneo António Garcia, quando ele coloca on line a imagem de um grupo devidamente legendada: Fomos colegas no Liceu de Portalegre. Todos os meses nos encontramos no Cais do Sodré em Lisboa.

Naquele dia fomos uma vintena, às vezes somos menos, outras somos mais. Somos sempre os bastantes. Vamos de perto ou de longe, como neste caso comigo acontece. Desde que há cerca de cinco anos aprendi o caminho; só falto ou faltarei  com atestado médico ou por razões de incapacidade da omnipresença pessoal…

Razões de coração, as tais contados por Amicis. Aliás, até o nome deste é quase profético, não contivesse o étimo de amicitia… Um elo que persiste em muitos de nós, os (co)mensais conjurados do Cais do Sodré.

Basta por hoje de pieguices mais ou menos literárias, o alibi mais perfeito que agora encontrei para esconder as emoções de sempre. Por isso, dou lugar às imagens que, como se sabe, falam (!?) por mil palavras.

Aqui fica o registo fotográfico do último encontro, o do presente mês. Amanhã começa outro e não deve tardar a convocatória, como sempre do Florindo, que também assina as fotografias.

Até já.