António Alves Seara – cinco anos de saudade

António Alves Seara, alentejano do Norte pelo nascimento e cidadão penichense por opção, deixou-nos há precisamente cinco anos, hoje cumpridos. Deixou-nos, a todos, mais pobres.

Conheci o Seara em Évora, quando ambos aí frequentámos o curso do Magistério Primário, no princípio dos anos 50 do passado século. Reencontrámo-nos pouco depois, em Portalegre, na já desaparecida escola da Fontedeira e separámo-nos. Ele veio então para Peniche, onde se fixou, dando a esta terra o melhor de si, e tanto tinha para dar…

Do homem de cultura, poeta inspirado, pedagogo, jornalista, fotógrafo notável, associativista, cidadão interventor nos destinos da terra que fez sua, resta hoje uma memória, grata memória, pelo muito que Peniche lhe ficou devendo.

Nas minhas ocasionais vindas a esta cidade do mar, nas últimas três décadas, bastantes vezes tive a ventura de o reencontrar e de com ele conviver, na saudosa e saudável lembranças de outros tempos vividos em conjunto. Quando aqui me fixei, encontrei-o já na fase final da vida e não pude desfrutar em pleno da sua companhia. Uma meia dúzia de vezes fomos ao Clube beber um café, mas já lhe era muito penosa a curta deslocação. Ainda pôde sentir, no descerramento da placa toponímica em sua homenagem inscrita, o justo reconhecimento colectivo da comunidade local.

Faz-nos falta o Seara. A sua família, os amigos e a cidade de Peniche mereciam poder ainda contar com a sua presença. O destino, porém, tem regras inflexíveis e pouco lógicas, para o nosso limitado entendimento das coisas da vida e da morte.

Cinco anos depois, o António Seara permanece na nossa lembrança.

António Martinó de Azevedo Coutinho