Turismo em Portalegre do Rio Grande do Norte

TURISMO em PORTALEGRE RN

O que não falta em Portalegre são opções de turismo e lazer. Os pontos turísticos naturais tornam Portalegre única, com trilhas de fácil acesso, que levam ao contacto mais próximo com a Natureza, nascentes de águas naturais e cristalinas, mirantes com visão panorâmica, possibilitando uma vista privilegiada das altitudes da serra, Cachoeira do Pinga, que é perene e possui uma queda de água de 96 m de altura, com espaço agradável e de fácil acesso para todos os visitantes, Terminal Turístico da Bica, rodeado de árvores naturais, possuindo o local um amplo espaço com bica para banho e fontes naturais, além de acesso de restaurante e trilhas.

O pôr-do-sol na Ponta da Serra fica a 7 km da cidade. A Ponta da Serra é um óptimo local para observar uma vista panorâmica da região e percorrer trilhas. As Torres são lindas formações rochosas, assim denominadas e incluindo no seu entorno várias furnas com inscrições rupestres. Casa de Câmara e Cadeia, a sua construção deu-se no século XVIII, cuja arquitectura conserva traços do período colonial, onde estavam instalados órgãos da administração pública municipal, e hoje abriga o museu, a pinacoteca e biblioteca municipal.

A gastronomia do município, contemplada nos mirantes e demais restaurantes espalhados por toda a cidade, predominantemente regional, com pratos reconhecidos e premiados, como galinha caipira com pirão de castanha e cordeiro à castanha de caju, além disso, contempla a culinária requintada e também a clássica, satisfazendo paladares diferenciados.

Portalegre encanta os seus visitantes, com as suas casas de fachadas antigas, prédios históricos, a sua riqueza cultural e com o seu povo acolhedor e a culinária que se vem destacando.

O turista que vem a Portalegre é bem recepcionado e assistido. O município conta com locais para hospedagem, incluindo pousadas e hotel, com 78 quartos e 313 leitos disponíveis.

Venha você também conhecer o Paraíso Serrano Portalegre.

Tintin no Congo – oito

Ao interessante confronto entre o início e o final da versão a preto e branco (1930-31) e os da versão redesenhada e colorida (1946-47) vamos agora juntar um outro elemento, normalmente desprezado mas fundamental -em meu entender- para uma melhor compreensão dos complexos valores em discussão assim como da sua significativa e natural evolução. Trata-se de uma das versões intermédias, publicada em álbum, ainda a preto e branco, no ano de 1942.

É precisamente nesta edição que se verificam algumas das alterações que normalmente são atribuídas, com outras intenções, à “oportuna” versão final.

Estávamos em plena II Guerra Mundial e a Hergé interessava a exploração comercial das suas histórias. Assim, a expansão francófona das aventuras de Tintin, demasiado conotadas com a sua Bélgica natal, seria beneficiada se delas fossem expurgados os traços mais evidentes de tal “identidade”. Uma “supranacionalidade” do herói, na lógica hergeniana, facilitaria a sua adopção pelos leitores de todos os países. Note-se, em apoio desta tese, como n’O Papagaio Tintin fora mesmo “nacionalizado”, até por iniciativa local…

Hergé mandou portanto que fossem suprimidas, em Tintin au Congo, todas as alusões ao Vingtième Siècle e os elementos considerados excessivamente nacionais. E, porque o Congo era então uma colónia belga, as mais específicas referências geográficas a este território foram igualmente apagadas, em 1942.

Em abono da verdade objectiva, devemos reconhecer que alguns traços coloniais sobraram ainda, como, por exemplo, os rótulos colados na bagagem de Tintin e o conteúdo de alguns balões. Estes vestígios apenas desapareceriam na fase da recomposição gráfica da história, quatro anos depois.

Essas intervenções iniciais traduziram-se, nalguns casos, em autênticos desastres ao nível da impressão, porque resultaram de mutilações produzidas nas chapas metálicas usadas para o efeito, antes das técnicas do offset. A observação dos balões da vinheta inicial, na versão intermédia de 1942 é suficiente para entender o fenómeno.

Restaria uma flagrante contradição -susceptível de anular esta teoria- sob a forma de uma vinheta extremamente conotada, em cuja legenda se lê: “A 31 de Março, em Kalabelou…” Trata-se de um pormenor muito curioso, bem revelador da atenção -e nunca da distracção- de Hergé: é que uma aturada investigação, quer enciclopédica, quer por via de qualquer eficaz motor de pesquisa informática, conduz sempre à conclusão de que uma localidade com tal topónimo… não existe!

Nem no Congo, antigo ou moderno, nem em qualquer outra parte de África ou do Mundo…

No entanto estas alterações, quase sempre interpretadas como constituindo um perverso objectivo de auto-correcção da má consciência colonialista de Hergé, pela neutralização e pela descontextualização intemporal históricas, estão na base de algumas críticas pseudo-intelectualizadas ao autor e à sua obra.

O mesmo se passa com a introdução, atrás destacada, das figuras de Georges Remi, Jacques Van Melkebeke e Edgar-Pierre Jacobs entre o grupo que se despede de Tintin. Porque isto acontece em 1946, pouco depois da final da Guerra, em que os dois primeiros (sobretudo Melkebeke) tiveram sérios problemas relacionados com acusações de colaboracionismo com o invasor alemão, alguns outros críticos associaram tal inserção com intencionais manobras de branqueamento e reabilitação das respectivas imagens.

O autor de um notável estudo (Petit historique de la réception de l’album Tintin au Congo ou L’échec d’une aventure du petit reporter? – Bélgica, Setembro de 2009), Bernard Spee, chega por isto mesmo a insinuar que tudo se assemelha a uma história para adultos, onde se entrelaçam colonialismo e colaboracionismo, o que não ajudaria a ver as coisas claramente…

Acontece que, tal como Alfred Hitchcock tantas vezes fez nos seus filmes, também Hergé se introduziu (e aos amigos) no interior da própria obra. Edgar-Pierre Jacobs tinha sido censurado pelos alemães e Hergé, nesse mesmo ano de 1946, associar-se-ia sem qualquer constrangimento a uma personalidade mítica da resistência francesa -Raymond Leblanc- na “construção” do novel jornal Tintin.

Para que conste.

António Martinó de Azevedo Coutinho
Segunda-feira, Julho 19, 2010

Ultimatum, de Álvaro de Campos, segundo Maria Bethânia

Fernando Pessoa, através do seu heterónimo Álvaro de Campos, engenheiro, criou uma poesia iconoclasta –Ultimatum– nos tempos finais da I Grande Guerra, precisamente no ano da Revolução Russa, 1917.

Maria Bethânia reduziu substancialmente a longa poesia, retirou-lhe os nomes próprios e recitou-a.

Para inserir o poema original no seu ciclo histórico devemos lembrar o ultimato inglês que tanto humilhou Portugal , em 1890; o ultimato da Áustria para a Sérvia (1914) e a onda modernista de 1917. 1917 é ainda o ano da aparição de Fátima. Culturalmente é também o ano de clima dadaísta na Europa.

O poema Ultimatum, de Álvaro de Campos, foi publicado no único número da revista “Portugal Futurista”, imediatamente apreendido pela polícia a bem dos costumes e da ordem e para tranquilidade de cidadãos preocupados.

Desse mundo ao avesso, numa Europa à deriva, é extraordinário descobrir como a poética do “engenheiro” nos pode prender mais de 100 anos depois, pela sua inquietante actualidade.

Expurgado de nomes, o texto que Bethânia recita resta um manifesto mais universal, embora perdendo o sentido cultural. Fica, em resumo, mais político.

Portanto, são excertos do extenso poema original que vale a pena agora redescobrir.