Cenas da vida lusitana há 50 anos – cento e quatro

O outro “dossier” contido no material relativo ao mês de Fevereiro no Almanaque da Plateia de 1970 é dedicado a Os Frutos do Amor ao Cinema e ao Trabalho.

O título é algo equívoco. No entanto, é simplesmente composto de breves notícias acerca dos mais recentes tempos vividos pelos astros do cinema da época. Em meia de linhas, o anónimo autor resume os principais êxitos de, nada mais, nada menos, cinquenta e duas vedetas dos écrans.

Como é evidente, está neste leque a maioria dos grandes nomes do cinema dos anos 50 a 70 do século XX, quase parecendo cromos de uma caderneta da especialidade…

O mês de Fevereiro está no fim e resta-nos esperar as novidades do próximo.

Novidades de almanaque e de há cinquenta anos, claro!

Saudades do Brasil em Portugal – 12

O registo das saudades, guardado na memória, acerca dos dias fascinantes passados na nossa Portalegre do Brasil seria quase interminável. Mas teremos de lhe colocar um fim…

Para hoje escolhi duas visitas que o amigo prefeito nos proporcionou no próprio dia da comemoração maior da Festa da Padroeira. Foi pela manhã do dia 8 de Dezembro de 2019 que o acompanhámos à Feira da Agricultura Familiar e à Comunidade de Santa Tereza.

A Feira é uma das mais recentes iniciativas comunitárias, tendo sido inaugurada no segundo trimestre do passado ano, aos Domingos, e sendo instalada ao lado da Casa de Câmara e Cadeia. A intenção foi a de proporcionar a divulgação e a mais fácil comercialização dos produtos da terra com origem no trabalho de famílias e agricultores do município.

Rapidamente ganhou aceitação e atingiu dimensão considerável, tornando-se bem depressa uma “clássica” com direitos de antiguidade. Recebeu, em Julho do passado ano, a honrosa e estimulante visita da Governadora do Estado do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, e da senadora Zenaide Maia.

A Feira está agora instalada no Mercado Municipal, do outro lado da Praça, proporcionando maior conforto aos participantes. Ali estivemos, apreciando as produções, sobretudo agrícolas e seus derivados, e também peças de artesanato.

O colorido e o aroma das frutas tropicais destacavam-se nas bancas, bem como legumes mais nossos “familiares”. Num canto do vasto terreiro interior do Mercado estava sobre uma bancada a carcaça de um porco que ia sendo trinchada por mão sábia. Os nacos de carne eram depois pesados numa balança e entregues aos destinatários. Soubemos no momento que se tratava de uma forma curiosa de “comercializar” a apetitosa mercadoria, entregue –como prémio- a vencedores de jogos tradicionais, de cartas ou de dados, ali instalados. As fichas iniciais eram previamente adquiridas e, após conseguidas pela vitória de cada “rodada” mais algumas (confesso que ignoro quantas!), era proporcionado trocá-las pelos nacos de carne de porco…

Eis uma forma curiosa e divertida de aquisição.

Para nós, a “vedeta” da visita foi o caldo de cana-de-açúcar ou garapa. Extraído no momento por um processo simples e directo de sucessiva moagem, consiste num líquido espesso, de cor escura esverdeada, que é conveniente “cortar” com sumo de limão para atenuar o seu gosto excessivamente doce. Ao que parece, trata-se de um teor de açúcar entre 40% a 50%, contrastando com uma baixa percentagem proteica. Portanto, é um alimento bastante desequilibrado na relação dos seus nutrientes.

Filmei o curioso processo de moagem da cana-de-açúcar, pelo que aqui deixo o seu registo.

Depois fomos até à distante comunidade rural de Santa Tereza.

O prefeito deu-nos conta, explícita, dos cuidados tidos nessa comunidade (como em todas as outras), atestados pela presença da capela, da escola, do gabinete sanitário e do centro cultural. A manutenção voluntária dos residentes no seu local de origem é assim garantida pela prestação dos serviços fundamentais, evitando desnecessárias migrações internas, como entre nós acontece.

Era Domingo e, portanto, dia de descanso. Os moradores confraternizavam num largo e sombreado terreiro e, curiosamente, a sua principal ocupação de lazer repetia, em maior escala, a já observada no Mercado Municipal. Também ali um porco servia de prémio aos jogadores de cartas e, sobretudo, de dados.

O prefeito bem depressa alinhou na “contenda”, tendo adquirido as fichas convenientes ao “caixa”, um miúdo bem-parecido e assumidamente “profissionalizado”.

E a verdade é que, inspirado ou afortunado, Manoel Neto levou para casa um belo naco de carne de porco!

Foi ostensivamente notória a fraterna, simples e natural relação do prefeito com os seus munícipes, tratados como iguais. A popularidade de que goza resulta de um evidente e generalizado reconhecimento pela obra empenhada que, com a sua equipa, vem levando a cabo.

O tal público e recente louvor oficial -a melhor gestão municipal de todo o Estado do Rio Grande do Norte- não é um fruto do acaso mas a consequência do trabalho de todos, em torno de um autêntico, exigente, ambicioso e realista líder.

A dupla jornada –só por si- daria para perceber este fenómeno social, profundamente humanista, se outras provas não tivessem já sido patentes.