como é possível!?

O secretário especial da Cultura do Brasil, Roberto Alvim, citou trechos de um discurso do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, em informação veiculada pelo departamento, ontem mesmo, 5ª feira (16.Jan.2020).

A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada”.

Esta fala tem absolutas semelhanças com o discurso de Goebbels feito em 8 de Maio de de 1933, no hotel Kaiserhof, em Berlim (Alemanha), para directores de teatro.

A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objectiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos [potência emocional] e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”, disse então Goebbels, segundo o livro “Joseph Goebbels: Uma biografia” (Ed. Objetiva), de 2014, escrito pelo historiador alemão Peter Longerich.

Depois, mais tarde, o fulano continua assumindo a frase e o conteúdo, que subscreve… Como é possível!?

Eventos 2020 em Portalegre RN

PREFEITURA DE PORTALEGRE RN DIVULGA
CALENDÁRIO DE EVENTOS 2020

A Prefeitura de Portalegre RN, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Económico, acaba de divulgar o calendário de eventos 2020, eventos realizados pela administração, iniciativa privada e comunidades quilombolas.

CALENDÁRIO DE EVENTOS 2020

1 – De 16 a 20 de Janeiro – Festa de São Sebastião (Comunidade Quilombola do Sobrado)

2 – Dia 24 de Janeiro – Festa de São Gonçalo (Comunidade Quilombola do Pega e Arrojado)

3 – De 22 a 25 de Fevereiro – Semana da Cultura Evangélica (Igrejas Evangélicas)

4 – Dia 13 de Junho – Festival de Violeiros (Iniciativa Privada)

5 – Dias 19 e 20 de Junho – São João Alegre Só em Portalegre (Prefeitura Municipal de Portalegre)

6 – Dia 15 de Agosto – Baile dos Anos 60 (Iniciativa Privada)

7 – Dias 30, 31 de Outubro e 01 de Novembro – IV Caju Agro Fest (Prefeitura Municipal de Portalegre)

8 – A Mais Bela Voz – Data a definir (Iniciativa Privada)

9 – De 28 de Novembro a 08 de Dezembro – Festa de Nossa Senhora da Imaculada Conceição (Paróquia de Portalegre)

10 – Dia 31 de Dezembro – Réveillon na Serra (Prefeitura de Portalegre)

Esta é mais uma louvável iniciativa da Prefeitura da cidade irmã de Portalegre RN. A sua Secretaria Municipal de Desenvolvimento Económico, seguramente apontando para os interesses turísticos e empresariais implicados no atempado conhecimento deste calendário, providenciou a sua oportuna divulgação.

Mais um bom exemplo que nos chega do lado de lá deste mar que nos une!

Saudades do Brasil em Portugal – 00

No passado mês de Dezembro de 2019, acompanhado pelo meu neto Manuel, voltei à cidade brasileira de Portalegre, no Rio Grande do Norte.

Fi-lo pela quinta vez, na intenção de ser a última. Esta decisão ficou algo abalada, sobretudo em função de o Manuel planear o seu regresso em 2021. Se eu ainda estiver apto para tanto, talvez então o acompanhe.

Nas próximas semanas, de forma aleatória -não cronológica, à medida do que se for impondo ou apetecendo-, tenciono aqui relatar episódios dessa recente e inesquecível jornada. Pelo texto e pela imagem, registarei as impressões que a recordação dos sítios e a fraternidade das gentes deixaram nesta grata memória pessoal.

Tudo começou em 2004, quando em Portalegre – a de cá- um grupo ligado ao jornal Fonte Nova teve conhecimento -quase acidental- da existência de uma cidade brasileira com o mesmo nome. Não se tratava de Porto Alegre, a grande e florescente capital do Rio Grande do Sul, com a qual -enquanto docente na Escola Preparatória Cristóvão Falcão- tinha sido estabelecida uma interessante campanha de intercâmbio epistolar entre alunos portugueses e brasileiros. Por essa altura, vão cinquenta anos passados, julgávamos que era essa a nossa cidade “gémea” no Brasil…

A Portalegre de cuja existência apenas há uma década e meia soubemos é pequena, perdida no interior do sertão nordestino, numa montanha que afinal marcara de forma decisiva a sua toponímia. Ao que a tradição guardou, o seu fundador -um juiz de fora português- teria bradado “isto é Portalegre!” ao atingir essas encostas onde o seu dever de soberania o conduzira, nos distante finais de 1761.

Mal sabia eu, então, que esse homem era um directo antepassado.

Em Setembro de 2004, nas vésperas da pioneira partida para o Brasil que o Fonte Nova entretanto organizara, uma súbita inspiração tinha-me conduzido à pesquisa dos apelidos comuns ao meu avô paterno Miguel –Caldeira Castelo Branco– e ao juiz fundador, por coincidência também Miguel. Cinco gerações antes da minha a genealogia revelou a inequívoca constatação de ser este um meu pentavô!

Quando pelas terras brasileiras de Portalegre, de Olinda, Recife ou Bahia, tenho pisado pedras seculares, pergunto-me quais delas também foram percorridas por ele…

O contexto físico, geográfico ou ambiental, é sempre significativo nestas situações. Porém, muito mais influente é o calor humano, a fraternidade praticada em torno de crónicas partilhadas, de memórias comuns talvez inconscientes, mas reais, de uma história escrita em conjunto. E isto tem-se verificado desde o primeiro encontro, tem-se reforçado em cada nova oportunidade.

Estreitar antigas amizades e dispor de oportunidades para criar outras tem sido um lugar comum em cada reencontro. E já foram quatro…

Tenho plena consciência de que as palavras usadas serão sempre demasiado pobres, de que as imagens escolhidas fixam os momentos, mas não as vivências autênticas. Mesmo assim, vale a pena tentar.

Nas terças e sextas feiras das próximas semanas pretendo aqui partilhar memórias de uma fascinante jornada, admitindo uma ou outra falha em função de imprevistos, sempre possíveis.

No singelo cabeçalho que compus está o sentimento dominante, na fórmula que “roubei” ao grande e inspirado Vinícius de Moraes. Saudades do Brasil em Portugal é uma canção escrita e interpretada por ele e também por Amália Rodrigues em Lisboa, pelos finais de 1968, quando de uma sua passagem pela casa da nossa diva.

Nesta homenagem à fraternidade luso-brasileira marca-se e assinala-se a raiz comum a tudo o que nos une.

João Cabral de Melo Neto faria hoje 100 anos

João Cabral de Melo Neto nasceu em Recife, no dia 6 de Janeiro de 1920, e faleceu no Rio de Janeiro em 9 de Outubro de 1999. Algumas biografias indicam o dia 9 de Janeiro como a data do nascimento. 6 ou 9 tanto faz quanto ao presente interesse da sua justa evocação…

Cumprir-se-á portanto, hoje mesmo (ou daqui a escassos dias), um século sobre o seu nascimento.

Foi um poeta e diplomata brasileiro. A sua obra poética, que vai de uma tendência surrealista até a poesia popular, é caracterizada pelo rigor estético, com poemas avessos a confessionalismos e marcados pelo uso de rimas toantes.

Inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil e é mesmo considerado o maior poeta de língua portuguesa por escritores como Mia Couto.

Foi agraciado com vários prémios literários, entre eles o Prémio Neustadt, tido como o “Nobel Americano”, sendo o único brasileiro galardoado com tal distinção, assim como o Prémio Camões. Quando morreu, em 1999, especulava-se que era um forte candidato ao Prémio Nobel de Literatura.

Irmão do historiador Evaldo Cabral de Mello e primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freyre, João Cabral foi amigo do pintor Joan Miró e do poeta Joan Brossa. Foi casado com Stella Maria Barbosa de Oliveira, com quem teve os filhos Rodrigo, Inez, Luiz, Isabel e João. Casou-se em segundas núpcias, em 1986, com a poetisa Marly de Oliveira.

O escritor foi membro da Academia Pernambucana de Letras (embora não tenha comparecido a nenhuma reunião como académico, nem mesmo a sua posse) e da Academia Brasileira de Letras.