O São João aquém e além Atlântico

A partir da passada sexta-feira e até ao dia 1 de Julho o concelho de Arronches, distrito de Portalegre, está a celebrar o São João, nos tradicionais festejos em honra do seu padroeiro.

Sardinhadas, animação musical, marchas populares, corridas de touros e eventos desportivos são algumas das actividades que constam do programa iniciado com as tradicionais largadas de toiros, que animaram durante quatro noites o Rossio de Arronches.

O ponto alto das festas decorre amanhã, sábado 24, dia de Feriado Municipal, cujas comemorações se iniciam logo pela manhã com a celebração do terceiro aniversário do grupo de Fumaças de Arronches, a que segue o habitual Içar da Bandeira, que vai decorrer na Praça da República ao som da Banda Sociedade Recreativa Alegretense.

Pelas 11h, tem lugar a Missa Solene na Igreja Matriz, prosseguindo o programa às 16h com a inauguração da exposição de bonecas “O Mundo de Alzira Farinha“, que vai estar patente no Museu (a) Brincar. Ainda durante a tarde, pelas 17:30h, vai ser inaugurada a nova sede da Associação “Reviver+”, seguindo-se, pelas 19h, o Passeio de BTT do Clube Columbófilo.

Para a noite está reservada a Grandiosa Corrida de Touros e, a fechar o programa, o baile abrilhantado pelo grupo musical “Duo Lunar”.

A apresentação do livro “Foi como um rio“, da autoria de Francisco Ceia, na Biblioteca Municipal, dá inicio ao programa agendado para o dia 25, domingo, que vai ainda contar com a realização, pelas 20h, de uma caminhada nocturna e termina depois com um bailarico que vai contar com a animação musical do DUO MP.

Nessa noite o grande destaque vai para as sempre bonitas Marchas Populares dos alunos do Agrupamento de Escolas de Arronches, do Infantário do Centro de Bem Estar Social, da Academia Sénior e da Escola de Música que prometem dar cor e alegria ao Jardim do Fosso.

No dia de São Pedro, que se celebra a 28 de Junho, o Jardim do Fosso vai ser o ponto de encontro para centenas de pessoas com uma sardinhada e baile abrilhantado pelo grupo “Sol Nascente”. Pelas 00h, tem lugar a Queima do Mastro.

As festas terminam no dia 1 de Julho, em que está agendado, pelas 22h, o XXXV Festival de Folclore e em seguida o Jardim do Fosso transforma-se numa discoteca ao ar livre com a actuação do Dj PG.

Se atravessarmos o Atlântico, penetrando para além do sertão nordestino brasileiro, atingimos a cidade serrana de Portalegre RN.

Quando em 8 de Dezembro de 1761 o juiz português Miguel Carlos, meu pentavô, assinou o auto relativo ao solene levantamento do pelourinho da Vila de Portalegre e à instalação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição e São João Baptista mal poderia imaginar que estes padroeiros se tornariam perene motivo de comemoração local.

Com efeito, tanto Nossa Senhora da Conceição como São João Baptista continuam, hoje e para sempre, pretextos portalegrenses para as maiores festividades da linda cidade serrana potiguar, irmã da Portalegre alentejana.

O São João Alegre, a maior e mais participada festa junina do Alto Oeste brasileiro, numa realização da Prefeitura Municipal, inclui os números de agrado certo, para além da solene comemoração religiosa. As barracas com comida típica, artesanato e outras atracções, as quadrilhas e os passeios de carroça, o folclore e a música nordestina constituem uma programação de excelência, susceptível de congregar residentes e visitantes.

Foi realizada em 2 de Maio de 2017 mais uma reunião do Tradicional São João Alegre do município de Portalegre RN. Na oportunidade a comissão organizadora dialogou sobre alguns pontos que serão de suma importância para a realização de mais uma edição.

Na ocasião o Prefeito Municipal, Neto da Emater, confirmou a realização de mais uma edição, estando o evento previsto para acontecer nos dias 23 e 24 de Junho, sexta e sábado, portanto hoje e amanhã, na cidade serrana. 

Na oportunidade ficou decidido que acontecerá o tradicional passeio de carroças pelas ruas da cidade, mini festival de quadrilhas estilizadas, apresentações de quadrilhas das escolas municipais e estaduais, casamento matuto e o arraiá de rua que acontece durante a tarde no município.

O São João de Portalegre têm marca registada em todo o Estado do Rio Grande do Norte, considerado um dos melhores da região, época que movimenta o turismo e dinamiza a economia.

Arronches e Portalegre RN assumem no tradicional São João, seu comum padroeiro, as respectivas festas maiores. Trata-se de uma mera coincidência, mas existem pontos de contacto, que a História regista e aqui se recordam. Com efeito, o juiz Miguel Carlos, regressando à Pátria, casou por duas vezes (após viuvez) em Arronches. Desta vila alentejana era natural D. Francisco Xavier Aranha, notável bispo de Pernambuco que teve forte intervenção pastoral na fundação da vila de Portalegre RN.

O São João festivo não é, portanto, o único elemento de ligação entre duas localidades tão afastadas no espaço e tão próximas no afecto.

Novo edifício da Prefeitura de Portalegre RN

 

Na manhã da passada sexta-feira, 26 de Maio, foi iniciado o primeiro dia de expediente nas novas Instalações da Prefeitura Municipal de Portalegre RN, depois de sua inauguração.

Na ocasião, foi servido um delicioso café da manhã que contou com a presença de convidados, autoridades religiosas, vereadores, funcionários públicos e a comunidade em geral.

O Prefeito, Eng. Manoel de Freitas Neto, aproveitou para falar aos presentes sobre a importância do Centro Administrativo, onde abriga hoje todas as Secretarias Municipais e também o gabinete do gestor, fazendo com quê a comunidade encontre todos os serviços públicos em um só lugar.

Daqui, do distante Portugal, os portalegrenses locais congratulam-se com a melhoria que o novo edifício da Prefeitura Municipal da cidade serrana do Rio Grande do Norte representa para toda  a comunidade, felicitando vivamente os seus irmãos e amigos brasileiros.

Portugal visto com olhos de ver…

O texto seguinte foi-me transmitido por um amigo. Como sempre procuro fazer, pesquisei a sua origem e outros dados alusivos.
Assim, foi possível confirmar-lhe a origem e, embora com uns meses de atraso na sua divulgação, o seu conteúdo afigurou-se interessante de modo a justificar a partilha. Esta visão terna, poética e ao mesmo tempo realista e lisonjeira que uma irmã brasileira tem sobre nós merece ser conhecida.

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 Crónica
Coisas que o mundo inteiro deveria aprender com Portugal

Portugal é um país muito mais equilibrado do que a média e é muito maior do que parece. Acho que o mundo seria melhor se fosse um pouquinho mais parecido com Portugal.

Dentre as coisas que mais detesto, duas podem ser destacadas: ingratidão e pessimismo. Sou incuravelmente grata e optimista e, comemorando quase 2 anos em Lisboa, sinto que devo a Portugal o reconhecimento de coisas incríveis que existem aqui- embora pareça-me que muitos nem percebam.

Não estou dizendo que Portugal seja perfeito. Nenhum lugar é. Nem os portugueses são, nem os brasileiros, nem os alemães, nem ninguém. Mas para olharmos defeitos e pontos negativos basta abrir qualquer jornal, como fazemos diariamente. Mas acredito que Portugal tenha certas características nas quais o mundo inteiro deveria inspirar-se.

Para começo de conversa, o mundo deveria aprender a cozinhar com os portugueses. Os franceses aprenderiam que aqueles pratos com porções minúsculas não alegram ninguém. Os alemães descobririam outros acompanhamentos além da batata. Os ingleses aprenderiam tudo do zero. Bacalhau e pastel de nata? Não. Estamos falando de muito mais. Arroz de pato, arroz de polvo, alheira, peixe fresco grelhado, ameijoas, plumas de porco preto, grelos salteados, arroz de tomate, baba de camelo, arroz doce, bolo de bolacha, ovos moles.

Mais do que isso, o mundo deveria aprender a relacionar-se com a terra como os portugueses se relacionam. Conhecer a época das cerejas, das castanhas e da vindima. Saber que o porco é alentejano, que o vinho é do Douro. Talvez o pequeno território permita que os portugueses conheçam melhor o trajecto dos alimentos até a sua mesa, diferente do que ocorre, por exemplo, no Brasil.

O mundo deveria saber ligar a terra à família e à história como os portugueses. A história da quinta do avô, as origens trasmontanas da família, as receitas típicas da aldeia onde nasceu a avó. O mundo não deveria deixar o passado escoar tão rapidamente por entre os dedos. E se alguns dizem que Portugal vive do passado, eu tenho certeza de que é isso o que os faz ter raízes tão fundas e fortes.24-05b431_671ee6fbfc1d49f19ac537940b77010d

O mundo deveria ter o balanço entre a rigidez e a afecto que têm os portugueses.

De nada adiantam a simpatia e o carisma brasileiros se eles nos impedem de agir com a seriedade e a firmeza que determinados assuntos exigem. O deputado Jair Bolsonaro, que defende ideias piores que as de Donald Trump, emergiu como piada e hoje fortalece-se como descuido no nosso cenário político. Nem Bolsonaro nem Trump passariam em Portugal. Os portugueses -de direita ou de esquerda- não riem desse tipo de figura, nem permitem que elas floresçam.

Ao mesmo tempo, de nada adianta o rigor japonês que acaba em suicídio, nem a frieza nórdica que resulta na ausência de vínculos. Os portugueses são dos poucos povos que sabem dosar rigidez e afecto, acidez e doçura, buscando sempre a medida correcta de cada elemento, ainda que de forma inconsciente.

Todo o país do mundo deveria ter uma data como o 25 de Abril para celebrar. Se o Brasil tivesse definido uma data para celebrar o fim da ditadura, talvez não observássemos com tanta dor a fragilidade da nossa democracia. Todo país deveria fixar o que é passado e o que é futuro através de datas como essa.

Todo o idioma deveria carregar afecto nas palavras corriqueiras como o português de Portugal carrega. Gosto de ser chamada de miúda. Gosto de ver os meninos brincando e ouvir seus pais chama-los carinhosamente de putos. Gosto do uso constante de diminutivos. Gosto de ouvir “magoei-te?” quando alguém pisa o meu pé. Gosto do uso das palavras de forma doce.

O mundo deveria aprender a ter modéstia como os portugueses -embora os portugueses devessem ter mais orgulho desse país do que costumam ter. Portugal usa as suas melhores características para aproximar as pessoas, não para afastá-las. A arrogância, que impera em tantos países europeus, passa bem longe dos portugueses.

O mundo deveria saber olhar para dentro e para fora como Portugal sabe. Portugal não vive centrado em si próprio como fazem os franceses e os norte americanos. Por outro lado, não ignora importantes questões internas, priorizando o que vem de fora, como ocorre com tantos países colonizados.

Portugal é um país muito mais equilibrado do que a média e é muito maior do que parece. Acho que o mundo seria melhor se fosse um pouquinho mais parecido com Portugal. Essa sorte, pelo menos nós brasileiros, tivemos.

Ruth Manus
26/11/2016

Ruth Manus é advogada e professora universitária e assina um blogue no Estado de São Paulo, Retratos e relatos do cotidiano. O texto foi aqui “traduzido” para Português (pré-achordo) de Portugal…