a cantiga é mesmo uma arma, pá! – Chico Buarque – Tanto mar

Tanto Mar é uma canção de Chico Buarque composta em duas versões sendo a primeira, de 1975, uma saudação à Revolução dos Cravos, em Portugal. A segunda, com letra modificada, foi gravada em 1978 juntamente com Cálice e Apesar de você.

Naquela época, a inicial, Chico e Bethânia realizavam uma temporada de shows no Canecão, no Rio de Janeiro. A letra da versão original foi vetada pela censura e gravada apenas em Portugal. No Brasil ficou pelo tema instrumental.

Mas na última apresentação ao vivo, Chico decidiu cantar com a letra. Esta, no Brasil, apenas seria liberada em 1978.

Na letra, há um “eu” lírico que envia uma carta a um amigo de Portugal, a quem trata por “pá” (corruptela de “rapaz”, tratamento que corresponde, no Brasil, a “cara” ou “mano”). Os dois países estavam então em situações opostas, o que pode ser verificado pelos versos: “Lá faz primavera, pá, / Cá estou doente“. Portugal estava comemorando a Revolução, enquanto o Brasil estava triste e pesaroso por causa da Ditadura Militar.

Aqui ficam as duas versões e a “explicação” de Chico Buarque.

DIA DE CAMPO – Portalegre RN (Brasil)

O SEBRAE/RN (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Rio Grande do Norte), através do Projecto Sertão Empreendedor, UFERSA – Universidade Federal Rural do Semi-Árido, EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Prefeitura de Portalegre/RN e EMATER – Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do RN realizam o DIA DE CAMPO em Portalegre RN no dia 31/05/19 e convidam todos os Produtores Rurais para participarem, pois será um dia de muita aprendizagem.

Tudo sobre: Cultivo do alho, desde o plantio até a colheita, Silagem, Fenação e Apicultura.

gosto de Chico Buarque

Tinha estado a ouvir, deliciado, as gravações inéditas de Zeca Afonso constantes de uma recente e magnífica edição. Soube logo a seguir que o Prémio Camões tinha sido atribuído, com inegável justiça e oportunidade, a Chico Buarque. Anotei a “coincidência” do momento, circunstância mais ou menos cabalística em que aliás não acredito.

Zeca Afonso e Chico Buarque ocupam um lugar de destaque na galeria das predilecções pessoais, na categoria das mais invulgares personalidades. E não apenas porque são excepcionais músicos e intérpretes, mas sobretudo pela sua coerência de vida, na luta por convicções e ideais. Mesmo quando podemos não convergir em semelhantes princípios ou objectivos políticos somos forçados a admirar o espírito de sacrifício e a coragem postos num persistente combate, onde por vezes se arrisca a segurança e a própria vida.

Francisco Buarque de Hollanda, mais conhecido como Chico Buarque e nascido no Rio de Janeiro em 1944, é um músico, dramaturgo, escritor e actor brasileiro. É sobretudo conhecido por ser um dos maiores nomes da música popular brasileira. A sua discografia conta com aproximadamente oitenta discos, entre eles obras a solo ou em parceria com outros músicos.

Filho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e de Maria Amélia Cesário Alvim, escreveu o seu primeiro conto aos 18 anos, ganhando destaque como cantor a partir de 1966, quando lançou o seu primeiro álbum e venceu o Festival de Música Popular Brasileira com a inspirada canção A Banda.
Exilou-se voluntariamente na Itália em 1969, devido à crescente repressão do regime militar do Brasil nos chamados “anos de chumbo”, tornando-se, ao retornar, em 1970, um dos artistas mais activos na crítica política e na luta pela democratização do país.

Na sua carreira literária, foi vencedor de três Prémios Jabuti: o de melhor romance em 1992 com Estorvo e o de Livro do Ano, tanto pelo livro Budapeste, lançado em 2004, como por Leite Derramado, em 2010.

Agora, aos 74 anos, em 21 de Maio de 2019, foi distinguido com o Prémio Camões, a mais prestigiada distinção da língua portuguesa, oferecida pelos governos de Portugal e do Brasil.

Já admirava Chico Buarque e possuía muitos dos seus discos quando, em 2005, numa ida ao Brasil, encontrei numa discoteca de Natal o primeiro conjunto de três DVD’s que continham uma excelente biografia do autor. Completei posteriormente, já em Portugal e entre esse ano e o de 2006, essa colectânea verdadeiramente excepcional que vou agora rever, uma vez mais.

Meu Caro Amigo, À Flor da Pele, Vai passar, Anos Dourados, Estação Derradeira, Bastidores, Roda Viva, O Futebol, Romance, Uma Palavra, Cinema, Saltimbancos – eis os seus títulos.

Já dediquei, aqui no blog, alguns textos e recensões a Chico Buarque. Tentei mesmo procurar a primeira referência pública que lhe fiz, e à sua obra. Encontrei-a no excelente blog de Mário Casa Nova Martins, A Voz Portalegrense, que generosamente me acolheu antes da minha “independência” no Largo dos Correios. Foi em 13 de Maio de 2011, num texto acerca da língua portuguesa, de onde recordo esse excerto:

“Sou dos que, deliciados, apreciam a palavra, cada palavra, escrita por mestres como Jorge Amado ou Machado de Assis, ou cantada por magos como Chico Buarque ou Maria Bethânia, mas não lhes reconheço qualquer razão de paternidade quanto ao poderoso instrumento que usam: a língua portuguesa. Maçudo e quase impenetrável era (e é!) De Bello Gallico, mas posso reconhecer em Caio Júlio César a autoridade de quem usou com propriedade uma língua própria, de tal forma que através dela cimentou uma herança cultural, incontornável, que perpassou incólume por séculos, até hoje e até nós…”

Aqui, e independentemente de outros artigos alusivos, vou reproduzir com regularidade algumas das canções mais emblemáticas de Chico Buarque, numa curta secção intitulada A cantiga é mesmo uma arma, pá!

Sei que vou assim destacar a dimensão política da obra do autor. Assumo, como superior a tal suspeita, o imenso respeito pelas convicções cívicas de Chico Buarque.

Quem não gostar, que passe adiante.