Manuel Maria Ceia e a Cooperativa Operária Portalegrense – seis

Porém, a generosidade de Benvinda Ceia Simeão e do seu marido não se limitou a entregar à Cooperativa Operária Portalegrense o quadro pintado pelo avô, representando Manuel Maria Ceia.

Numa missiva dirigida ao presidente da Câmara Municipal de então, Prof. Manuel da Silva Mendes, disponibilizaram-se para oferecer ao Museu Municipal mais obras do artista. Por razões que desconheço, esta intenção nunca viria a ser concretizada.

Entretanto, a Direcção da Cooperativa reconheceu e agradeceu a recepção do quadro representativo de Manuel Ceia.

A cópia, que reproduzo, de uma nova carta que terá sido enviada ao presidente da Câmara Municipal de Portalegre carece infelizmente de data. Não se poderá saber, com precisão, se terá sido anterior ou posterior à outra, que prometia a doação de quadros do pintor, uma vez que apenas sugere a possibilidade de ser publicada uma obra contendo reproduções de trabalhos de Benvindo Ceia, com o apoio da Fundação Gulbenkian.

Interessante e esclarecedora é a carta enviada pela direcção da Cooperativa Operária, entretanto renovada. O anexo representado pelo Relatório e Contas da Direcção e Parecer do Conselho Fiscal referentes ao ano social de 1970 dá conta, muito precisa, da recepção do quadro em apreço, assim como do trabalho de restauro (da moldura) em curso, após o que seria afixado no Salão de Festas da Cooperativa, para assim perpetuar a memória do seu fundador, marcando a presença sempre viva do Homem que a criou e a quem tanto ficou devendo. Assim se expressaram os responsáveis pela Cooperativa Operária Portalegrense.

Mais um salto no tempo faz-nos chegar a 1991, quando uma terceira homenagem pública a Benvindo Ceia será concretizada em Portalegre.

É então presidente da Câmara Municipal o Dr. João Transmontano Miguéns, a quem se deve a iniciativa de assinalar a passagem do 50.º aniversário da morte do maior artista portalegrense. Traduziu-se na implantação duma placa de bronze, alusiva, na base do monumento, no dia 7 de Dezembro de 1991, efeméride do infausto acontecimento. Afinal, o principal significado da cerimónia e da inerente inscrição foi a de que, apesar de tudo, Portalegre ainda tinha então memória colectiva, enquanto comunidade.

Anunciou publicamente o presidente, tal como a imprensa local guardou nos seus registos, a intenção de levar a cabo algumas iniciativas ligadas à perpetuação do nome de Benvindo Ceia, como uma exposição pública, com edição de um catálogo digno da qualidade da sua obra dispersa por todo o País, Continente e Ilhas, assim como uma extensão de tal homenagem à Casa do Alentejo, em Lisboa.

Infelizmente, nunca se concretizaria este desígnio.

António Martinó de Azevedo Coutinho