CAPA DE REVISTA

Sou capa de revista. Convém deixar o aviso prévio de que não se trata da Caras, da Lux, da Nova Gente, da Vip ou da Maria. Nem sequer da TV 7 Dias, da Máxima ou da Cristina. A revista que me deu a honra de capa é muito mais ignota e modesta. Mas posso assegurar que a revista Agir vale infinitamente mais do que as outras, todas juntas.

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Já agora, convém deixar outros esclarecimentos complementares, como o de que não protagonizei qualquer proeza ou escândalo públicos, que não mendiguei o favor e que nem sequer paguei um cêntimo pela publicação.

Honra tenho e imensa e também é conveniente explicá-la devidamente.

Honrou-me a capa pela companhia, que será interessante destacar, sobretudo lembrando-a a muita gente que ainda acredita, por estúpida ignorância ou deliberada má fé, que os jovens do seu tempo é que detinham a exclusividade da coragem, da solidariedade e da empenhada defesa de causas positivas. A geração jovem actual conta com alguns estafermos, como em todos os tempos e lugares, mas integra no seu seio uma imensa maioria de adolescentes dominados pelos mais nobres ideais.

Honrou-me a capa por certificar a minha integração na Amnistia Internacional, instituição que se bate pela intransigente defesa dos Direitos Humanos, num impressionante colectivo que mobiliza vontades e desenvolve oportunas e organizadas acções em favor dos mais desprotegidos, em luta intransigente contra todas as formas de tirania, de corrupção, de violência e de abuso do poder por parte daqueles que o detêm e não sabem (ou não querem!) usá-lo ao serviço dos seus semelhantes.

Honrou-me a capa pela activa cidadania que revela quanto à comunidade penichense onde me integro. Peniche, no que significa quanto ao habitual e receptivo bom acolhimento às iniciativas do Núcleo local da Amnistia Internacional, bem merece o amplo destaque que tanto a capa como o interior da revista Agir lhe concedem.

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Quem tem capa sempre escapa – diz o povo (que nem sempre tem razão!). Mas que esta capa se torne, simbolicamente, uma empenhada renovação da nossa colectiva promessa de permanentes vigilância e luta pela defesa dos Direitos Humanos de todos os que precisem de intervenção da Amnistia Internacional.

António Martinó de Azevedo Coutinho

1917 – há cem anos – onze

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1917 (Fevereiro) – Os anos da Guerra, em França. Bilhetes de José Cândido Martinó para a filha Benvinda e respostas desta:

9 de Fevereiro: “Passo bem de saúde e estou optimamente instalado, não calculas. Desde a chegada a França que ainda não deixei de ver muita neve. Tudo isto deve ser lindíssimo na primavera“. Com carimbo: Censurado.

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Como nota relativa a esta mesma data de 9 de Fevereiro, transcreve-se  um excerto final de “Crónicas Musicais“, VIII parte do capítulo II – A origem da música militar, da autoria de José Cândido Martinó, artigo que virá a ser publicado em “O Distrito de Portalegre” n.º 2.848, de 18 de Janeiro de 1924: “… Antes de terminar, permitam-nos lembrar a grande vantagem de unificar o diapasão do instrumental das bandas da Guarda Republicana e Marinha; pois, enquanto aquelas estão afinadas no diapasão brilhante, estas o estão no normal; e substituir os pistons (cilindros) nos instrumentos de metal pelo sistema de rotação; a fim de evitar a repetição dum facto passado em França: Quando na manhã frigidíssima de 9 de Fevereiro de 1917 o batalhão de infantaria n.º 22 atravessou Aire-sur-la-Lys, a banda de música, devido à temperatura, ficou impossibilitada de tocar, em virtude dos pistons não funcionarem; prejudicando assim o desfile dos primeiros soldados do C. E. P. que, ao pisar terra estranha, deixaram de ouvir o hino da sua Pátria e saudar a Bandeira que, em 14 de Julho de 1919 juntamente com a de outras nações aliadas, baniu o eco da genial e inspiradíssima marcha militar de Franz Schubert que as bandas, à frente do exército prussiano, executaram ao passar sob o arco do Triunfo em 1871…“.

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12 de Fevereiro: “Continuo passando muito bem. O frio já não se faz sentir tanto e mesmo já me vou habituando a esta temperatura. É preciso que me escrevas muitas vezes, pois já há muito tempo que não recebo notícias tuas“.

13 de Fevereiro: “Por enquanto tudo vai correndo muito bem. Levanto-me e tomo o café, depois dou um passeio pelo parque e jardim do palácio; às 12 almoço, às 6 janto e às 10 tomo o chá. O resto do tempo passa-se a jogar o bilhar ou qualquer outro jogo, a passear, etc. O tempo tem melhorado bastante“.

11-2-placa14 de Fevereiro: “Continuo passando muito bem. (…) A vivenda fica no centro duma cidade muito bonita e duma aldeia que também não é feia. Amiudadas vezes aí vou passear com fato de cotim e sem luvas e vou passando muito bem com todo este frio. As frieiras não me apoquentam. As mulheres é que guiam os carros e fazem a barba. Os carros são muito diferentes dos nossos e os cavalos são muitíssimo grandes. (…) O tempo continua muito bonito“.

15 de Fevereiro: “A vida aqui é caríssima. Estamos pagando a uma cozinheira 5 fr. por dia; a 300 reis o fr. são 1.500 reis por dia. (…) Tudo muito mais caro que em Portugal. A única coisa barata são artigos de vestuário e chapéus para mulher. É natural que só para o fim do mês possa receber notícias tuas e da família“.11-4-postal-fev17b

16 de Fevereiro: “Durante a viagem em caminho de ferro que durou 3 noites e dois dias, fomos obsequiados pelos franceses com café e conhaque, pelos ingleses com chá, comida, doce e mantas para nos agasalharmos e um grupo de meninas inglesas ofereceram lenços aos oficiais e soldados. Enfim por enquanto tudo vai correndo o melhor possível. As saudades de te não ver é que cada vez são maiores. Vai guardando tudo que escrevo para mais tarde leres“.

17 de Fevereiro: “Continuo passando bem. Apareceu a chuva mas o frio já não se faz sentir tanto. Tivemos ontem às 2 horas da tarde a 1.ª revista. A banda já tem tocado várias vezes. Os donos do palácio gostam muito de música. Têm um gramofone com discos muito bons e lindíssimos; todas as noites há sessão de gramofone. É preciso que estudes muito para conseguires fazer um lindo exame: não esquecendo o trabalho no mapa. (…) Próximo da minha habitação há uma escola de meninas; todas falam francês“.

José Cândido usará bastantes palavras e até frases sublinhadas, o que aqui se reproduz. 

Ideias Imaginadas – dezassete

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MARKETING EMOCIONAL

Para vendermos uma ideia temos de compreender o que importa para as pessoas e saber o que precisam.

Não podemos alterar a forma como as pessoas interagem ou pensam, nem as suas rotinas e hábitos. Mas podemos alterar os seus desejos e criar novas necessidades onde elas ainda não existem.

O Marketing de qualidade é Marketing emocional. O Marketing desperta sensações e reações. O Marketing vende estados de espírito e transfere sorrisos e arrepios.

A nossa audiência tem de sorrir para os nossos produtos ou serviços. Tem de se emocionar e relacionar. Tem de se apaixonar e divulgar. E nós temos de os entreter e cativar. Temos de os entender e ouvir. Temos de os convencer e agarrar.

O nosso alvo pode ainda não saber que existimos ou que precisa de nós. Muitas vezes temos de alterar os seus comportamentos e necessidades. Temos de criar o hábito Nespresso, o hábito Uber, o hábito iPad, o hábito Netflix, o hábito Facebook, etc. Temos de criar rotinas e desejos novos.

Quando olhamos para trás já não sabemos viver sem Uber e Facebook. O que é certo é que há 15 anos não existiam e vivíamos na mesma. As marcas que nos marcam não nos deixam imaginar um mundo sem a sua presença. Não sabemos explicar o porquê.

O que nos move é a felicidade. O que faz a diferença é o Marketing Emocional.

 Filipa de Azevedo Coutinho