Portalegre do Brasil reconhece a sua História

Da Portalegre brasileira do Rio Grande do Norte chegam quase todos os dias boas novas. É um pouco ao contrário das que ecoam da Portalegre norte-alentejana…

Uma das mais recentes diz-nos que a Escola Municipal Filomena Sampaio em parceria com a Casa de Câmara e Cadeia realizou a abertura da terceira exposição nessa mesma Casa de Câmara e Cadeia da Vila de Portalegre, tornada um dinâmico centro cultural após a sua oportuna e magnífica recuperação.

Alunos do 6º ao 9º ano e EJA, professores e gestores daquela escola realizaram a culminância do projecto intitulado: Portalegre, conhecendo nossa história.

A exposição permanecerá 3 meses nas dependências do museu, biblioteca e pinacoteca da Casa de Câmara e Cadeia. Foram abordados: fotografias dos pontos turísticos antes/depois, comidas típicas, pratos produzidos pelos restaurantes da cidade, maquetas de pontos turísticos, fachadas históricas, apresentação dos produtos locais portalegrenses, documentário sobre os estabelecimentos turísticos de alguns proprietários, aspectos históricos, geográficos, turísticos, culturais e sociais de Portalegre, a noite portalegrense e resgaste histórico do turismo serrano.

Ceio que o dinamismo dos agrupamentos de escolas sitos na nossa Portalegre portuguesa seria capaz de concretizar semelhante projecto, desde que aí surgisse alguma equipa interdisciplinar virada para tal iniciativa. Este é o problema que radica nas diferentes mentalidades: a nova que agita o Brasil, a antiga que domina entre nós…

Porém, aquilo que neste pretexto pessoalmente mais me preocupa é o silêncio de pesada indiferença que permanece nas cúpulas. Tanto a Prefeitura de Portalegre RN como a Câmara Municipal de Portalegre continuam a ignorar o Protocolo de Geminação que solenemente assinaram. Se o assumissem, nele encontrariam as motivações bastantes para que um excelente pretexto como o do conhecimento da História (sobretudo da História comum) pudesse unir mais ambas as cidades, na recíproca apresentação e troca de informações alusivas e na exploração das razões e argumentos que nos irmanam.

A simples título de curiosidade, recordo a Base Quarta do documento:

  • Base Quarta – Relações Educativas. A Geminação entre as Cidades de Portalegre NA (Portugal) e de Portalegre RN (Brasil) fomentará e dinamizará todas as formas de intercâmbio entre as populações escolares do Norte Alentejano e do Rio Grande do Norte, atendendo às especificidades curriculares dos diversos graus de ensino: básico, secundário e superior (universitário ou politécnico):
    –     Incremento das trocas epistolares entre estabelecimentos de ensino portugueses e brasileiros, aproveitando nomeadamente os recursos do e-mail;
    –          Estabelecimento de contactos entre Centros de Recursos pedagógicos e  consulta recíprocas das respectivas páginas na Web;
    –          Organização de concursos e de torneios escolares com utilização da Internet.

Aqui fica o “recado”, especialmente dirigido a dois bons e dinâmicos amigos, com especial influência neste campo, de um e de outro lado do mar que nos une, o Afrânio Lucena do lado de lá e o Luís Pargana desta banda…

Chegará algum dia a sonhada oportunidade do início e estreitamento de fraternas e efectivas relações regulares entre as comunidades, escolares e não só, de ambas as Portalegre’s?

António Martinó de Azevedo Coutinho

Sobre o facebook…

 

Antigo executivo do Facebook acusa a rede de destruir a sociedade
Chamath Palihapitiya confessa-se arrependido do seu trabalho na rede social, que acusa de estar a destruir o tecido social.

O antigo vice-presidente do Facebook está “extremamente arrependido” pela sua contribuição para o crescimento do número de utilizadores desta rede social. “Sinto-me tremendamente culpado pelo meu trabalho em instrumentos que vieram destruir o tecido social”, afirmou Palihapitiya durante uma sessão na Stanford Business School, em Novembro, e agora citado pelo jornal inglês “The Guardian”.

Chamath Palihapitiya, que deixou a empresa em 2011, junta a sua voz ao coro de críticas às redes sociais. “As reacções precipitadas, impulsivas que criámos estão a destruir os mecanismos de funcionamento da sociedade. Não há discurso cívico nem cooperação, apenas desinformação e mentira.”

Estas declarações foram feitas um dia depois de Sean Parker, um dos investidores-sócios do Facebook, ter vindo a público criticar a forma como a empresa “explora as vulnerabilidades humanas.” Na altura, disse ser um objector de consciência relativamente ao uso das redes sociais.

Redes sociais ou independência intelectual?

Palihapitiya revelou que não usa redes sociais, nem permite que os seus filhos as usem. Deixou ainda um apelo à audiência: “Mesmo sem perceberem, estão a ser programados. Não foi intencional, mas agora têm que decidir se estão dispostos a prescindir das redes em nome da vossa independência intelectual.”

As empresas detentoras de redes sociais têm sido submetidas a um escrutínio cada vez maior desde que surgiram suspeitas da sua interferência política. Muitos observadores consideram que, pelo menos em parte, o inesperado resultado das eleições americanas e o Brexit resultam do papel do Facebook como câmara de eco de posições ideológicas, notícias falsas e propaganda.

Recentemente, soube-se que a empresa vendeu espaço publicitário à Rússia, usado para fomentar a divisão entre os eleitores americanos. A rede é ainda acusada de ter ampliado propaganda anti-Rohingya. O jornal “The Guardian” procurou uma reacção do Facebook, mas sem sucesso.

12 Dezembro 2017
Renascença on line

Cartas pela Humanidade – Lisboa – Intendente

A Maratona de Cartas da Amnistia Internacional já está a circular! E tu, já assinaste? Se não, esta festa é para ti!
 De tarde ou de noite, vai haver de tudo para todos.
 Vem passar a tua tarde de sábado connosco, onde teremos várias actividades para todas as idades, artistas ao vivo, e a oportunidade de conheceres e fazeres parte deste movimento global!
 Para os mais nocturnos, teremos poesia e muita música durante a noite para festejar os direitos humanos!

 15h00-19h30:
– Espaço para crianças – pinturas faciais, balões e outras surpresas;
– Espaço Maratona de Cartas;
– Espaço Amnistia Internacional;
 – Restart Your Speech;
 – Direitos Trans;
– Espaço artístico;
 21h30 – 23h30:
 Espaço Poesia – PORTUGAL SLAM
 A partir das 23h30 – DJ Black Gordon: soul, funk, hip hop

1917 – Há cem anos – cinquenta e quatro

Neste Dezembro de 1917, com o começo do Inverno, os nossos soldados vão-se apercebendo de que não chegam reforços, que não se dá a prometida substituição de unidades, que as licenças em Portugal ficam sem efeito e, o que é ainda pior, que umas dezenas de oficiais com amigos conseguem regressar a Portugal e não voltam para as trincheiras. Assim rezam as crónicas hoje escritas sobre esses duros tempos na frente francesa. A óbvia desmoralização e uma certa revolta começam a gerar-se.

O capitão José Cândido Martinó vai percebendo a situação e o sonho de passar o Natal em família desvaneceu-se. Agora, toda a sua esperança fica adiada para o Janeiro seguinte…

14 de Dezembro – Portalegre: “Continua fazendo muito frio“.

22 de Dezembro – “França. As frieiras têm-me apoquentado alguma coisa. A dificuldade a vencer relativamente à licença ainda subsiste, mas ainda não perdi a esperança. Só com um passaporte civil aí poderei ir, mas isso tem grandes inconvenientes”.

23 de Dezembro – “França. Espero poder partir para aí nos primeiros dias de Janeiro. Logo que este recebas suspende a tua correspondência para cá, pois só por motivo de força maior deixarei de ir a Portugal“.

24 de Dezembro – “França. Fui hoje dar um grande passeio, pois com facilidade consigo meio de transporte e económico. Tenho esperança de poder estar em Portalegre de hoje a 15 dias. A temperatura continua a 2 graus negativos mas dentro do meu quarto, porque na rua é de respeito. Fui convidado para um grande jantar amanhã”.

25 de Dezembro – “França. Na madrugada de hoje apareceu alguma coisa dentro dos teus sapatinhos? A única forma de aquecer é fazer uso duma grande botija cheia de água a ferver. As damas brasileiras também nos enviaram as B. F.. De Portugal, nada, nem mesmo a tal cruzada! B. F. e B. A.”.

Este dia de Natal é “assinalado” pelas baterias portuguesas com um intenso bombardeamento às posições inimigas. Os alemães retribuirão as bélicas “Boas Festas”, respondendo com o seu fogo cerrado na passagem do ano!

26 de Dezembro – “França. O jantar de ontem, para que tinha sido convidado, decorreu muito animado; junto envio o “menu”. Ontem e hoje tem caído muitíssima neve. Estou muito esperançado em partir para aí no dia 1 ou 2 de Janeiro. O sítio onde estamos é muito plano de forma que a neve não deixa distinguir as estradas dos campos”.

O menu deste Natal, 25 de Dezembro de 1917, vivido no Quartel General da 1.ª Brigada de Infantaria é magnífico: Canja, Galinha corada com ervilhas, Ostras recheadas, Vitela assada com couves, Frutas Secas, Doce e Vinhos.

No dia 27 de Dezembro de 1917, a República Nova de Sidónio Pais decretou alterações à Constituição Portuguesa de 1911, introduzindo um regime presidencialista, no qual o Presidente do Ministério assumia as funções presidenciais enquanto não fosse eleito pelo futuro Congresso o legítimo Presidente da República.