Goscinny só houve um, o René e mais nenhum! – I

No dia 29 de Outubro de 2013 coloquei neste blog um artigo sobre Astérix. Foi a propósito do lançamento de mais um dos álbuns com as aventuras dos “irredutíveis gauleses“, precisamente o primeiro subscrito por uma dupla de criadores de BD distinta dos “pais originais”.

Aproveitei a oportunidade para fazer um breve resumo da aparição de Astérix e Companhia (I)Limitada e do seu sucesso, dispensando-me de comentários sobre as broncas e intrigas inerentes ao “negócio” da sucessão comercial da série. Porém, deixei patente, há quatro anos e picos, uma séria preocupação pessoal acerca do seu futuro qualitativo.

Agora, alguns álbuns após, o balanço é possível e as dúvidas -assim o creio- estão dissipadas.

Antes do mais, eis o que escrevi em Outubro de 2013.

 Astérix é como a cortiça. Por vezes submerge, desaparece por uns tempos da superfície. Mas volta a emergir, como novo, rejuvenescido, depois de algum tempo.

Foi assim há dias, mais uma vez, e voltará a acontecer.

O recentíssimo álbum protagonizado pelo herói gaulês e pelo seu inseparável Obélix, intitulado Astérix entre os Pictos, saltou para o mercado na passada quinta-feira, 24 de Outubro, em 15 países, incluindo Portugal, e foi o primeiro sem a assinatura conjunta de Uderzo e Goscinny, os seus criadores.

A solene pré-estreia acontecera dias antes, em Paris, com a presença dos novos autores, o argumentista Jean-Ives Ferri e o ilustrador Didier Conrad, contando também com Albert Uderzo, o primitivo desenhador das personagens, que supervisionou a nova história, e ainda com Anne Goscinny, filha do argumentista original, já falecido.

Astérix entre os Pictos, que é o 35º álbum da crónica dos “irredutíveis gauleses”, terá uma incrível tiragem de cinco milhões de exemplares e coloca Astérix e Obélix numa viagem à antiga Escócia, onde conhecerão os guerreiros Pictos.

Deixei passar em claro essas duas datas para saudar exclusivamente a de hoje, 29 de Outubro, quando se assinala a aparição, em 1959, da primeira página da história original –Astérix, o Gaulês– na revista Pilote.

Desde então, contabilizam-se mais de 350 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, traduzidos em cerca de oitenta línguas e trinta dialectos, contando-se entre estes o mirandês. Além disso, a série em BD já inspirou 11 adaptações para o cinema, sendo 8 de animação e as outras 3 com imagem e personagens reais. Os brinquedos, incluindo colecções das figurinhas, assim como os jogos, sobretudo os de computador para diversas plataformas, são incontáveis, e também não devemos esquecer um parque temático, do tipo “disneylândia”, dedicado ao mito Astérix.

A história-base das sucessivas aventuras é sempre a mesma, significando a eterna resistência dos patriotas residentes contra os invasores e ocupantes estrangeiros. A ajuda do maravilhoso é representada pela poção mágica do feiticeiro, que confere uma força invencível ao herói.

As personagens principais, os protagonistas, são construídas segundo modelos muito vulgares na BD, um herói, o seu companheiro inseparável e um animal de estimação, correspondendo o trio Astérix, Obelix e  Idéiafix a Tintin, Haddock e Milou, um outro ultra-famoso conjunto de aventureiros.

Onde a série Astérix assume foros de grande originalidade é nos níveis de leitura e de interpretação que sugere e permite, na descodificação de estereótipos, nacionais ou regionais, e de alusões culturais, algumas destas carregadas de erudição histórica, literária ou artística. A sábia intervenção de personagens históricas de épocas diversas, a inclusão de frases célebres, trocadilhos e caricaturas revela uma sábia utilização de humor francês típico, sempre inserido a propósito e nas doses certas.

O uso, muitas vezes recorrente, de certas tiradas clássicas é outra característica inerente à construção dos enredos, no mais puro estilo de Goscinny, um mestre do argumento da BD.

Astérix mudou de argumentista em 1977, necessariamente, após a morte de René Goscinny, mantendo-se Albert Uderzo no desenho das novas histórias que outros inventaram. Mas houve uma evidente quebra no nível global da série. Agora, com a retirada do desenhador, a saga de Astérix conhece uma dupla de criadores que dificilmente poderá manter o interesse que era assegurado por Goscinny e Uderzo. Mas os objectivos comerciais pesam decisivamente e casos como o de Hergé, que levou Tintin com ele para o túmulo, são cada vez mais raros…

Como atrás lembrei, foi a 29 de Outubro de 1959 que começou a história dos “irredutíveis gauleses”. O seu único temor é o de que o céu lhes caia sobre as cabeças.

Mais de meio século depois, após três dezenas e meia de incursões pelo mundo antigo, os legítimos herdeiros de Vercingetórix continuam a sua luta contra os romanos. Aos bretões, egípcios, gregos, belgas, godos, helvéticos, normandos, hispânicos e até mesmo índios norte-americanos, juntaram-se agora os pictos (escoceses)… Quem se seguirá?

Num simples palpite, acredito que os “irredutíveis gauleses” se lancem amanhã pelas Áfricas abaixo, atravessando o Sahara, ou pelo Helesponto (hoje Dardanelos), rumo aos Orientes, quem sabe se até à China dos Ming…

De qualquer forma, como já atrás disse, receio pela qualidade das narrativas. Não há criadores insubstituíveis, mas, tratando-se de Astérix & C.ª, o caso muda de figura. Não tenho a certeza de que nos não assalte alguma saudade…

Par toutatis!!!

 Isto foi escrito e publicado há quatro anos e picos.

Escapadinha de comboio (que Deus tenha!) – Marvão

ESCAPADINHA PELA LINHA DA BEIRA BAIXA

 18 e 19 de Novembro de 2017

 TODOS A BORDO para 2 dias com tudo incluído
 Sem carro, portagens, carteira ou stress.

 A Train Spot Guesthouse em parceria com o líder de viagens Mateus Brandão, propõe-lhe um fim-de semana único com viagem de comboio, estadia na antiga estação de Marvão-Beirã, visita à Vila Medieval de Marvão, passeio de barco nas Portas de Rodão e passeio de cavalo pela Serra de São Mamede, sempre com o Tejo como companhia.

 PROGRAMA:

 18 de Novembro

 09h45 – Encontro à entrada do Museu Nacional Ferroviário no Entroncamento
 10h00 – Visita ao Museu
 11h52 – Partida para Vila Velha de Ródão em comboio Regional
 13h23 – Chegada a Vila Velha de Ródão
 13h30 – Almoço com vista para o Tejo
 15h00 – Passeio de barco no Tejo com travessia das Portas de Ródão
16h00 – Transfer para a TRAIN SPOT GUESTHOUSE na Beirã
 18h00 – Caminhada
 20h30 – Jantar na Beirã

 19 de Novembro

 09h00 – Pequeno-almoço na TRAIN SPOT GUESTHOUSE
 10h30 – Passeio a cavalo pela Serra de São Mamede (opcional)
 11h30 – Regresso à TRAIN SPOT GUESTHOUSE
 12h00 – Partida para Marvão
 12h30 – Almoço
 14h30 – Passeio por Marvão com visita ao castelo
 17h00 – Transfer de volta a Vila Velha de Ródão
 18h00 – Visita à torre do castelo do Rei Wamba com vista para as Portas de Ródão
 18h46 – Regresso a Lisboa em comboio Regional
 20h16 – Entroncamento. Fim do nosso programa

 Inclui:

– Visita ao Museu Ferroviário do Entroncamento
– Viagem de ida e volta entre o Entroncamento e Vila Velha de Ródão em comboios Regionais
– Almoço em Vila Velha de Ródão
 – Passeio de Barco de uma hora pelo Tejo
– Todos os transferes necessários entre os nossos pontos de paragem
 – Caminhada guiada
– Jantar na Beirã
 – Dormida na TRAIN SPOT GUESTHOUSE em quarto duplo com casa de banho privativa (4 quartos) ou partilhada (3 quartos)
– Pequeno-almoço na TRAIN SPOT GUESTHOUSE
– Passeio a cavalo de uma hora pela Serra de São Mamede
– Almoço em Marvão
 – Visita ao castelo e museu

 Consulte-nos para mais informações em:
 info@trainspot.pt