From Scotland with Love – três

Há ainda o “rescaldo” da festa que foi correr nas Highlands, num excelente e bem sucedido percurso.

Após o convívio, ainda fixámos algumas imagens junto dos simbólicos ícones da prova. Depois, o Tó Zé regressou ao alojamento e fiquei ainda algum tempo no Bugth Park, com a Teresa.

Deu logo para reencontrar, no meio da multidão, o simpático e jovem casal benfiquista de Aveiro, com quem fiz um fotografia para mais tarde recordarmos o belo embora fugaz convívio.

Depois fomos até à tenda da Organização, onde a Teresa -desenrascada como eu nunca serei!- trocou algumas informações. Por exemplo, soube-se que oportunamente iremos receber no domicílio uma chapa rectangular metálica com o nome, data e tempo gravados, a fim de a colarmos no local adequado no verso da medalha, assim ficando devidamente personalizada.

Depois, ela pretendeu saber qual a razão pela qual eu fora inscrito na classe M70, quando tenho mais de 80 anos. A resposta foi simples: a experiência colhida nas anteriores edições levou a Organização à conclusão de que são raros os atletas com essa idade, pelo que não a consideravam… Para os ingleses, a idade ideal da corrida é até aos 30 anos, seguindo-se as classes de 40 M e F, 50 M e F e ainda 60 M e F. Aos 70, M ou F, pára-se!…

Mas acolheram a “reclamação”, tendo solicitado o contacto da Teresa. No dia seguinte, ela recebeu uma mensagem em que, com simpatia, a informavam de que eu tinha sido o menos novo de todos os concorrentes, felicitando-me e aguardando o meu regresso em 2018.

Por mim,  ficarei disponível segundo duas condições básicas, a saber: estar vivo e ainda correr! Já agora, com um lógico pedido suplementar: que a Organização abra a classe M80, porque a verificarem-se as duas condições anteriores estarei então próximo dos 84 anos.

Achei o episódio delicioso. Afinal isto aconteceu com um ignoto europeu vindo  dos mais modestos confins da Comunidade… E ainda os ingleses querem o brexit!…

Regressámos a “casa” por uma estreita ponte pênsil sobre o caudaloso Rio Ness. Aquilo abanava por todos os lados, oscilando de tal modo que mais parecia estarmos a bordo de um pequeno batel. As fotografias, para os lados do Loch e do Mar do Norte, só por acaso não ficaram tremidas, pela maravilhosa tecnologia dos automatismos digitais …

No regresso, pela outra margem onde muitos concorrentes dos 10km e da Maratona ainda corriam, deu para alegremente confraternizar com uma banda escocesa, com as tradicionais gaitas de foles, e com funcionárias de um Hotel junto do qual passámos. A festa, portanto, transbordara do recinto do evento propriamente dito, alastrando a toda a cidade.

A ligação do fiel e competente TomTom a um computador -passe a publicidade!- trouxe-nos a recapitulação, no mapa local, do itinerário antes percorrido.

A consulta da documentação que tínhamos recebido revelou alguns dos próximos eventos desportivos locais, entre os quais avultam uma Meia Maratona e uma prova de Ciclismo, em Março e Abril de 2018. Ambas as organizações, sublinhe-se, integram objectivos de solidariedade para além dos obviamente desportivos e do salutar convívio.

Finalmente, na manhã do dia seguinte, antes do regresso a Edinburgh, ainda deu para adquirir o The Press and Journal de Inverness, com uma desenvolvida reportagem do evento, da qual aqui se reproduz o essencial.

Um casal comemorou o seu amor compartilhado na corrida ao casar-se horas depois de completar a Maratona de Loch Ness.
Milhares de corredores cruzaram a linha de chegada ontem depois de meses de treino, com participantes de tão longe como Austrália, Brasil, Canadá, África do Sul e Hong Kong.
Mas, para o casal Lossiemouth, o dia foi particularmente especial.
Chris Cull, de 49 anos, e Sarah Grigor, de 47, compartilharam um beijo depois de cruzarem a linha de chegada num tempo de quatro horas e meia. E, apenas algumas horas depois, deram o nó no mesmo local.
Cerca de 20 amigos e familiares completaram a corrida com o casal feliz antes de mudarem as suas roupas para a cerimónia no Glenmoriston Townhouse Hotel.
Foi uma celebração dupla para a instrutora de fitness Sarah, já que a corrida Loch Ness era a sua 100.ª maratona e a primeira onde ela estava acompanhada pela sua filha Bethany Hume, de 18.
A noiva usou o número 100 na prova e recebeu uma medalha especial e um bolo no final antes de mudar as suas vestes. O Sr. Cull tinha previsto alinhar em dois eventos, conforme proposta de há dois anos.
Ele disse: “Sarah sempre quis que a Maratona de Loch Ness fosse sua lOO.ª e pensávamos que haveria tempo suficiente para se casar logo depois disso.
“Como temos tantos amigos atletas fazendo a corrida, também nos pareceu óbvio”.
Os organizadores dizem que a atmosfera foi “eléctrica” ​​ontem, já que cerca de 8 mil competidores assumiram a maratona, ao longo dos caminhos ao sul do Loch Ness, ou os eventos lOk, 5k e Wee Nessie, terminando na Event Village, no Bught Park da cidade.
O director da corrida, Malcolm Sutherland, disse: “Estamos muito satisfeitos por recebermos milhares de corredores nas Highlands.
“A atmosfera foi eléctrica, e os sorrisos em todos os rostos dos participantes quando cruzam a linha de chegada fazem com que tudo valha a pena.
“Todos os anos, somos apoiados pela comunidade local e pelos voluntários que trabalham incansavelmente para garantir que o evento funcione sem problemas. Nós temos uma dívida de gratidão para os que garantiram que todos tivessem o melhor dia possível”.
Audrey Baxter, presidente executivo e executivo-chefe do grupo do Baxters Food Group, disse: “Parabéns a todos os que participaram da Baxters Loch Ness Marathon e no Festival of Running.
“A Baxters está encantada de continuar a apoiar este evento fantástico e inclusivo que incentiva e comemora as conquistas dos corredores de todas as capacidades.
“Todos os anos, este evento revela-se como destaque no calendário desportivo escocês, um óptimo dia de corrida e um excelente dia para a comunidade. Espero ver todos aqui novamente no próximo ano”.
Christina Brockmann-More, gerente de captação de recursos da Macmillan, disse: “Todo mundo na Macmillan gostaria de deixar um grande agradecimento a todos os corredores que nos apoiaram no Baxters Loch Ness Marathon e no Festival of Running.
“Estamos entusiasmados com o facto de ultrapassarmos as £ 75,000 no apoio aos que padecem de cancro”.

Assim fica concluído o “capítulo” inicial desta gesta familiar pelas Highlands, abarcando a componente desportiva. Segue-se, antes de chegar a Tintin, a vertente turística propriamente dita.

From Scotland with Love – dois

O dia 24 de Setembro acordou sombrio em Inverness. As perspectivas para a meteorologia durante a prova não eram seguras, embora satistafórias, oferecendo uma previsão de céu muito nublado, com 15º de temperatura, 50% de humidade e vento a 15km/h, enfim uma expectativa primaveril… para os escoceses.

Equipei-me para o melhor, assim como o Tó Zé. Afinal, não estou habituado ao tempo de Peniche!? Acho que isso prepara para todas as eventualidades, mesmo fora de portas…

Fomos depois tratar do pequeno almoço, onde tomámos conhecimento de um diário local da véspera, The Press and Journal, com notícia do evento na primeira página. Aqui fica.

As Highlands estavam “zumbindo” na noite passada, já que mais de 8 mil corredores de todo o mundo começaram a reunir-se na região para a maratona de Loch Ness.
Concorrentes de países como Austrália, Brasil, Canadá, África do Sul e Hong Kong estavam chegando para o evento, com dezenas também chegando dos EUA, França e Alemanha.
Como participantes na Baxters Loch Ness Marathon e no Festival of Running, amanhã, eles irão para as  ruas com a maratona, o River Ness 10K, o 10K Corporate Challenge, o River Ness 5K e o Wee Nessie, este para crianças.
Os corredores de maratona vão percorrer o deslumbrante cenário de Great Glen ao longo da rota sul do Loch Ness, com Bught Park em Inverness, atingindo novamente a linha de meta e a aldeia do evento. Os concorrentes e os espectadores podem desfrutar do entretenimento no local, com entrada livre, que contará com uma exposição desportiva e comida e bebida da Baxters.
E, nessa noite, a aldeia também será anfitriã da festa anual de massas, onde os participantes podem eliminar o nervosismo da prova enquanto reparam energias, entrando em concursos e ouvindo oradores convidados da indústria da corrida.
O director da corrida, Malcolm Sutherland, disse que todos os envolvidos estavam procurando outro evento de sucesso nas Highlands. Ele acrescentou: “Inverness está zumbindo graças à maratona neste fim de semana, e já os concorrentes estão chegando para aproveitar a hospitalidade das Highlands antes de calçarem os seus sapatos de corrida.
“A comunidade local realmente abraçou o evento nos últimos 16 anos, e o seu apoio ajuda-nos a criar uma prova memorável para os milhares de corredores que participam todos os anos.
“Nós também estamos incrivelmente orgulhosos de que tanto dinheiro tenha sido obtido ao longo dos anos para beneficiar tantas instituições de caridade e boas causas, incluindo a nossa instituição oficial de caridade – Mac-Millan Cancer Support – que espera aumentar em mais de £ 75,000 este ano a ajuda às pessoas vivendo com cancro e as suas famílias “.
Audrey Baxter, presidente executivo e CEO da Baxters Food Group, disse: “A Baxters Loch Ness Marathon tornou-se um dos eventos esportivos mais queridos do país e estamos orgulhosos por sermos o principal patrocinador envolvido desde o iníciode corredores viajam de todo o mundo para conhecer as Highlands e isto é incrível. Desejamos a todos os participantes neste fim de semana a melhor sorte”.

Recapitulámos brevemente as condições do itinerário da corrida, sobretudo os desníveis, locais de abastecimento de água e outros pormenores com significado.

Partimos para o local de encontro, bem fora de portas, num local amplo, junto à Inverness Royal Academy, um moderno estabelecimento de ensino secundário médio, especializado em questões gaélicas, tradicionais, sobretudo História, Geografia, Estudos Modernos e Educação Social.

O conjunto de edifícios, muito amplo, é rodeado de relvados e a organização da corrida, para além de tendas de apoio, instalara ali um numeroso conjunto de cabinas higiénicas.

Chuviscava quando a Teresa ali nos deixou, procurando depois instalar-se num local estratégico para nos acompanhar num trecho do percurso. Os concorrentes foram chegando, de todas as cores e falas, de idades diversas e, alguns, com curiosas indumentárias. Procurei, pela numeração dos dorsais, calcular a quantidade. Li dos 4 aos 6 milhares, nenhum na ordem dos 3 e alguns dos 7. Portanto, conclui que seriam mais de três mil os inscritos.

A instrução chegou pelos altifalantes instalados, solicitando que os atletas com tempos inferiores a uma hora se fossem arrumando a partir do pórtico. Assim foi acontecendo, com a mais civilizada tranquilidade. Depois instalámo-nos, os outros, na longa e densa fila, já familiar nestas circunstâncias. O chuvisco era intermitente mas já ninguém ligava a isso, na expectativa da partida…

Foi normalíssimo o organizado arranque da corrida, tendo eu accionado o fidelíssimo TonTom no momento de cruzar a faixa controladora do chip pessoal incorporado no dorsal.

Rapidamente o Tó Zé seguiu no seu ritmo, desaparecendo da vista, e eu fui continuando na minha passada habitual. Já me sinto um “veterano” e, ainda que prefira companhia, sou capaz de funcionar -que remédio!- por conta própria. É aqui que as indicações do relógio são fundamentais, sobretudo nas informações da velocidade -minutos/segundos por quilómetro- e dos batimentos cardíacos.

Os pingos de chuva tornaram-se intermitentes, excepto perto do final da prova quando chegaram a ser intensos, por breves momentos, pelo que a preocupação maior se prendeu às dificuldades do percurso, tendencialmente a subir na primeira metade, depois com uma longa descida, seguida de plano, subida e descida sensíveis embora curtas, tudo na belíssima zona periférica da cidade, e novo plano final, já dentro da malha urbana de Inverness, em torno do Rio Ness, até à meta, em Bught Park.

Tanto o abastecimento de água, em garrafas de fácil uso, como a disponibilidade de casas de banho em locais estratégicos, e ainda o acompanhamento sanitário, de sinalização e de segurança, pareceram-me muito bem organizados e eficazes.

A Teresa conseguiu vislumbrar-me num ponto logo a seguir aos 7 km, quando me preparava para atingir a margem direita o Rio Ness, já dentro da cidade. Depois não conseguiu chegar à meta antes de mim, embora tivesse atravessado por uma ponte mais próxima do que a por nós usada…

O episódio mais curioso da prova, que decorreu com toda a normalidade, foi o encontro com um jovem casal de compatriotas, de Aveiro. Pela minha camisola, do Peniche a Correr, reconheceram-me como mais um português e deram-se a conhecer. Estavam ali a comemorar os 31 anos da jovem, percorrendo a famosa Route 500, percurso turístico por excelência na Escócia. Ao passarem por Inverness, tinham incluído aquela corrida no seu belo programa.

Ele corria com uma camisola do Benfica, mas a sua solidariedade desportiva levou-o a acompanhar-me durante algum tempo ao som do glorioso Hino do Sporting no seu telemóvel… A certa altura, tiveram de parar para ela reapertar as sapatilhas, ficaram para trás, e só nos reencontrámos após a chegada.

O final da prova esteve à altura de tudo o mais. Após o pórtico da meta, onde apertei de novo o botão do meu fiel companheiro electrónico, finalizando mais uma das suas rigorosas tarefas, fomos recebendo água, camisola da prova, tradicional medalha de “finisher”, fruta e outras lembranças.

O mais importante reencontro foi o acontecido logo a seguir com o Tó Zé, que tinha naturalmente chegado 15 minutos antes de mim, apesar de lesionado num pé, queixa já trazida de casa. Foi mais um momento alto num passeio inesquecível, juntamente com a Teresa que entretanto se juntara a nós.

A festa era o sentimento e o espectáculo dominantes, com um Bugth Park em juvenil efervescência, acontecendo depois a chegada da Maratona, com um destacado e tranquilo vencedor, a que se foram seguindo outros concorrentes, os sobreviventes da dura prova…

É este o balanço sumário, e modesto, de uma magnífica jornada que incluiu a “internacionalização” desportiva pessoal.

From Scotland with Love – um

A primeira e lógica pergunta é a de como apareço a correr uma prova de 10 km na Escócia, o meu “baptismo” desportivo internacional. Tudo resulta das relações comerciais entre a empresa multinacional a que o meu filho, Tó Zé, está ligado e uma outra, escocesa, sua cliente.  Dos contactos pessoais ao mais alto nível aconteceu com naturalidade o conhecimento de que esta -a Baxters– patrocina desde há anos um conjunto de provas, uma maratona e um festival da corrida, no Norte da Escócia, em Inverness. Sabendo-se que tanto o Tó Zé como o pai são praticantes amadores da modalidade, logo surgiu a sugestão/convite para a participação.

Quando o meu filho, há largos meses, me deu conta disso, logo aderi com entusiasmo. Depois ficou tudo a cargo dele, sendo seu convidado para o efeito.

Foi-nos fornecida por via informática, regularmente, toda a informação alusiva ao evento, a qual deu para perceber a dimensão e o significado do conjunto de provas que culminaram no recente dia 24 de Setembro. Uma maratona, duas corridas de 10 e de 5 km, assim como uma outra dedicada a crianças, preencheram um dia inolvidável, Loch Ness Marathon and Festival of Running.

Viajámos com antecedência para o Reino Unido, o Tó Zé, a Teresa e eu, a fim de darmos conta de um plano cuidadosamente por eles preparado, onde tiveram lugar as ligações aéreas e rodoviárias, o alojamento e o veículo rent-a-car, os itinerários contemplado o turismo e a cultura, também a gastronomia e sobretudo o convívio. Naturalmente, cumprindo igualmente a componente desportiva, motivação essencial, não esquecendo ainda -pela minha parte- o Tintin, antiga e forte lembrança afectiva dos tempos da infância, que me escuso agora de repetir.

A chegada e estadia em Edinburgh foram excelentes, assim como a posterior ida para Norte pela fascinante região dos lochs (lagos em dialecto gaélico).À chegada a Inverness, na véspera da prova, fomos ao local marcado pela organização, coincidindo com a chegada de todas as provas, a fim de levantarmos os dorsais,  informações, documentação e outros materiais alusivos. Logo deu para avaliar a dimensão do evento e o elevado profissionalismo da organização.

Num vasto relvado, alinhavam-se diversas tendas de serviços e um completo parque infantil, já então frequentado, sob a protectora e inspiradora imagem simbólica de um insuflável “monstro” de Loch Ness, “padrinho” das provas. As burocracias foram fáceis de resolver, tendo nós recebido as indicações suficientes, personalizadas, para além das expeditas instruções em textos e esquemas gráficos, complementando o já anteriormente conhecido.