Albert Uderzo (1927-2020)

O célebre ilustrador francês Albert Uderzo morreu aos 92 anos, anunciou a sua família esta terça-feira. Morreu durante o sono de uma “crise cardíaca sem ligação a Covid-19. Estava muito cansado há várias semanas”, explicou o genro de Uderzo, Bernard de Choisy, à AFP.

Com a sua morte, e depois do falecimento de René Goscinny em 1977, desaparecem os dois autores da banda desenhada francesa que ao longo de seis décadas apaixonou gerações com as aventuras de Astérix e a sua aldeia de irredutíveis gauleses.

Em 2011, aos 84 anos, Uderzo tinha anunciado que iria deixar de desenhar Astérix, passando o testemunho a um sucessor. Disse então que, depois de 52 anos a desenhar, estava cansado e queria que fosse um criador mais jovem a assumir a criação. 

Astérix e companhia estão agora nas mãos de Jean-Yves Ferri (argumento) e Didier Conrad (desenho), que em 2019, no 60.º aniversário da série, assinaram o mais recente álbum, A Filha de Vercingétorix.

Uderzo nasceu em Fismes, Marne, em 25 de Abril de 1927, filho dos imigrantes italianos Silvio (de origem veneta) e Iria Crestini (de origem toscana).

Durante a infância Uderzo desejava ser mecânico de aviões, embora já exibisse algum talento para as artes.

Durante a 2.ª Guerra Mundial, o jovem Uderzo deixa Paris e viaja para a Bretanha, onde trabalha numa quinta, e ajuda o seu pai Silvio no negócio de mobílias.

Uderzo iniciou a sua carreira de artista em Paris a seguir à guerra, em 1945, com Flamgerge ou Clopinard, um pequeno idoso perneta que vence todas as contrariedades.

Já em 1947-1948, cria novas personagens, tais como Belloy e Arys Buck.

Uderzo conhece Goscinny em 1951. Tornam-se grandes amigos, e em 1952 decidem trabalhar juntos na delegação de Paris da empresa belga World Press. Os seus primeiros trabalhos foram Oumpah-pah, Jehan Pistolet e Luc Junior. Em 1958, as aventuras de Oumpah-pah são adaptadas e publicadas na revista Le Journal de Tintin, até 1962.

Em 1959, Goscinny torna-se editor e Uderzo director artístico da revista de banda desenhada para crianças Pilote criada em 29 de Outubro. A primeira edição da revista publica pela primeira vez a série Astérix, a qual torna-se um êxito na França até hoje. Em 1961, após dois anos a serem publicadas na revista Pilote, as histórias da exitosa nova série são publicadas individualmente em livro – o primeiro, chamando-se Asterix, o Gaulês.

Ao optar-se por uma localização adequada para a aldeia gaulesa central da série Astérix, René Goscinny deixou essa decisão a Uderzo, que prontamente optou pela Bretanha, da sua juventude.

Em 1967, depois do êxito do primeiro livro, ambos os autores decidem dedicar-se apenas a essa série.

Mesmo depois da morte prematura de Goscinny em 1977, Uderzo continua a ilustrar os livros da série (a uma média de 1 álbum a cada 3 a 5 anos, comparados aos dois livros, por ano, em vida de Goscinny). A autoria dos livros ainda indica Goscinny e Uderzo.

Paralelamente, Uderzo veio a trabalhar também com Jean-Michel Charlier na série Michel Tanguy mais tarde chamada As Aventuras de Tanguy e Laverdure.

Saúdo a vida e obra de Albert Uderzo, imortais no universo dos quadradinhos e não só.

Paz à sua alma!