A Banda Desenhada vista por Carlos Gonçalves – 19

AS AVENTURAS DE BUFFALO BILL E A SUA REVISTA BRASILEIRA – I

William Frederick Cody nasceu em 26 de Fevereiro de 1846 e veio a morrer a 10 de Janeiro de 1917… estando passados cem anos da sua morte e no espirito daqueles que sempre gostaram de aventuras de “cow-boys”, independentemente da sua lenda e da veracidade das suas aventuras, seria uma personagem inesquecível. Várias são as de Banda Desenhada ligadas ao western que povoaram a nossa imaginação, ao longo da nossa vida, algumas mais importantes do que outras, como será o caso de Hopalong Cassidy, Gene Autry, Lone Ranger, Red Ryder, Roy Rogers, Kit Carson, Cisco Kid, Texas Jack e, principalmente, Buffalo Bill.

Ao olharmos para esta foto, onde o próprio Buffalo Bill, em carne e osso, posa para a fotografia, chegamos quase a duvidar, que este seja o homem cuja lenda lhe atribui vários feitos heroicos, onde na maior parte das histórias aos quadradinhos encontramo-lo a lutar com os índios seus inimigos figadais. Mas recordamos também que quando somos mais novos, os nossos objectivos, crenças e determinação não são muitas vezes as mesmas, de quando somos mais velhos. Provavelmente não seria de sua vontade, ter sido um exterminador da vida selvagem, ao reconsiderar o que tinha feito na sua juventude. Se calhar a lenda também o coloca num lugar cimeiro, sem que ele se tenha esforçado para tal. No que respeita ao western haverá sempre muitas dúvidas, sobre os feitos de toda estas figuras, algumas delas quase que saídas do folclore norte-americano.

Ainda muito novo, Cody seria condutor de diligências, mensageiro da Ponny Express (transportava correio), acabou a trabalhar para uma companhia ferroviária ao fornecer carne para os operários. Foi então quando alcançaria a sua alcunha de “Buffalo Bill”, ao caçar búfalos, matando-os em enormes quantidades (principal fonte de alimento dos índios… como tal há que matar o maior número de animais, para ajudar a dizimar à fome a população indígena). Na época eram instituídos concursos entre caçadores, para ver qual mataria o maior número de animais e foi assim que o nosso “herói” granjeou a popularidade. Não havia necessidade de matar em excesso, pois mais tarde já haveria dificuldade em encontrar manadas suficientes para dar azo a novas carnificinas.

Mais tarde Cody seria contratado pela cavalaria americana, como batedor do exército (1868-1872). Entretanto serão publicados vários folhetins com as suas aventuras, escritas e inventadas na sua maior parte, por escritores da época. Chega a participar numa peça de teatro, com imenso sucesso. No entanto, face ao desemprego, em 1873 resolve dedicar-se ao entretenimento fundando a sua companhia que, por sua vez, anos depois, seria transformada num espectáculo circense, em que os espectadores assistem a duelos entre cow-boys, simulação de ataques dos índios (também contratados), atiradores de grande pontaria que demonstram as suas habilidades, ele inclusive e mais uma série de personagens que irão fazer parte do espectáculo que chegará a deslocar-se a Inglaterra, devido ao seu sucesso, onde chegaria a fazer um espectáculo para a rainha. Apesar da fama e do êxito, e de ter até essa altura amealhado algum dinheiro, que não soube administrar, começou a ver-se na penúria, pelo que a solução encontrada foi passar a beber. Com a bebida a sua habilidade e pontaria com os revólveres decaíram de tal modo, que a multidão até aí fiel passou a deixar de se interessar pela nossa personagem dando-se o colapso total, a amargura e o desespero.

Buffalo Bill chegou a interpretar a sua figura em um dos trinta e cinco filmes que foram realizados. Mas o maior êxito seria realmente na Banda Desenhada, onde as suas aventuras chegaram a atingir mais de uma centena de títulos curiosamente no Brasil. As aventuras de “Buffalo Bill” foram desenhadas por Fred Meagher para os jornais, desde 14/8/50 até 28/7/56. Nestas aventuras a nossa personagem lutava lado a lado com “Blue Bird”, uma índia. Ainda que as capas tivessem a arte de vários desenhadores brasileiros, a sua qualidade gráfica manteve-se boa, pelo menos ao principio, até que deixam de ter brilho, o que lhes reduz um pouco o impacto das cores bastante vivas.

A REVISTA BUFFALO BILL NO BRASIL

As capas da revista “Buffalo Bill”, que a editora Rio Gráfica publica a partir de Novembro-Dezembro de 1954, são desenhadas por Lutz (Luis Fernando Guimarães), Gutenberg, Walmir Amaral, Milton Sardella,  etc.. O formato é o A4, depois elimina o brilho da capa a partir do seu nº. 47 e de formato para mais pequeno, a partir do seu nº. 69. A partir do nº. 83, volta ao formato inicial, mas o brilho será esquecido. Conhecemos uma edição extra com 68 páginas, mas sem data. Saíram mais os Almanaques desde 1956 a 1964. O último número que se fala é o 99…

Mas lembramos que a primeira aparição da personagem no Brasil se deu na revista “Novo O Globo Juvenil” a partir de 1950 e também no “Novo Gibí” a partir de 1951 e mais tarde, no respectivo almanaque “Gibi” de 1955 e 1964. A partir daqui esta personagem aparecerá esporadicamente em outras publicações: “Biriba Mensal” (1952), “Gibi Mensal” (1954), “Coleção Bang Bang” (1961), “Almanaque Heróis do Faroeste” (1967), “Almanaque dos Heróis do Oeste” (1968), “Cavaleiro Negro” nº. 206 (1969), “Bufalo Bill” nº1 (M&C) – 1972, “Almanaque do Far West” nº. 1(1975), “Álbum Bufalo Bill 1/4 – Ebal (1974), “Almanaque Reis do Faroeste” – Ebal (1979), “Gibi de Ouro” nº 3 – RGE (1985,“Aí, Mocinho” nº. 2 (1986), etc.. Haverá por certo mais material espalhado por várias revistas, inclusive da autoria de desenhadores brasileiros, mas a nossa intenção foi destacar o material publicado pela Rio Gráfica.

Carlos Gonçalves

Vida e obra do Clube Português de Banda Desenhada

O Clube Português de Banda Desenhada convocou os seus associados para participarem numa Assembleia Geral, que se irá realizar no próximo dia 14 de Outubro (sábado) pelas 16H00, nas instalações da sede, sita na Avenida do Brasil, 52A – Falagueira – 2700-134 Amadora. A referida Assembleia terá como ordem de trabalhos a eleição dos elementos constantes de uma lista, conhecida e divulgada, candidata aos Órgãos Sociais do CPBD para o novo mandato de 2017/2019.

Os nomes propostos confirmam, na prática, os responsáveis pela corrente gestão do Clube, autores de uma obra a todos os títulos notável.

Creio, por isso e dada a unanimidade reconhecida, que a continuação do excelente trabalho realizado está amplamente assegurada. A impressionante relação que há dois dias aqui partilhei fala por si mesma e a qualidade/quantidade da obra é tanto mais válida quanto se deve reconhecer que este exuberante período se seguiu a décadas em que o Clube apenas sobreviveu dada a militância de uma meia dúzia de apaixonados pelos quadradinhos que nunca deixou morrer uma chama “sagrada” mínima.

A sede disponibilizada pela autarquia da Amadora, capital nacional da BD, proporcionou um local que tem sido constantemente dinamizado com diversas realizações, para além das intervenções do Clube noutros locais como, por exemplo, a Bedeteca da Amadora ou a Biblioteca Nacional de Lisboa.

No próprio dia da Assembleia Geral do CPBD, a nossa sede vai ser local de abertura de mais quatro (!)  exposições públicas, cujos convites se anexam. Como exemplo de esclarecida, permanente e coerente intervenção em defesa da causa dos quadradinhos, dificilmente se poderia exigir mais…

Tenho orgulho em pertencer a uma associação tão dinâmica e tão bem dirigida, crescentemente merecedora de reconhecimento cultural público.

A Banda Desenhada vista por Carlos Gonçalves – 18

ROY ROGERS e DALE EVANS – II
ROY ROGERS, O REI DOS COWBOYS

Relação de Revista Portuguesas com Aventuras de Roy Rogers

As informações respeitantes às revistas portuguesas onde as aventuras de Roy Rogers seriam publicadas foram fornecidas pelo coleccionador Joaquim Talhé.

            Publicação Portuguesa   Números      Nome das aventuras

            Mundo de Aventuras      34 a 44         sem título (incompleta)
            Mundo de Aventuras      71 a 83         Contra o Túnica Branca
            Mundo de Aventuras      86 a 97         O Caso das Diligências
            Mundo de Aventuras      105 a 115     Os Planos de Crucho Stone
            Mundo de Aventuras      136 a 144     Ladrões de Gado
            Mundo de Aventuras      172 a 180     O Velho que Amava as Árvores
            Mundo de Aventuras      196 a 205     O Mistério da Cidade Perdida
            Mundo de Aventuras      223 a 226     O Gaúcho
            Mundo de Aventuras      240 a 244     sem título
            Mundo de Aventuras      293 a 308     O Tesoiro de Midas
            Mundo de Aventuras      331 a 342     O Regresso de Zopilote
            Mundo de Aventuras      375 a 383     Punhos e Pistolas
            Mundo de Aventuras      425 a 435     Roubaram o Gatil
            Mundo de Aventuras      462               O Invento do Professor Willis
            Colecção Audácia vol.II  51 a 57         O Roubo Misterioso
            Colecção Audácia vol.III  1 a 29         O Ladrão Fantasma
            Condor Popular vol.III   7                   A Fuga de Golondrina
            Condor Popular vol.V    5                   O Elixir Mágico
            Condor Popular vol.VI   5                   Justiça
            Condor Popular vol.VIII                     10   Casas de Prata
            Condor Popular vol.XII 3                   Falsa Acusação
            Condor Popular vol.XIII                     1     A Cidade Abandonada
            Condor Popular vol.XX 5                   sem nome
            Colecção Tigre             38                 O Segredo da Mina Abandonada

DALE EVANS, UMA MULHER DE ARMAS

Dale Evans nasceu em Uvalde, no Texas, em 31 de Outubro de 1912. Depois de uma infância um pouco atribulada, com mudanças de nome inclusive, viria a casar-se bem cedo e a divorciar-se pouco depois, em 1929. Deste casamento teve o seu primeiro filho, Thomas Fox Jr. Por esta altura resolve mudar mais uma vez de nome, desta vez para Dale Evans, e inicia a sua carreira a cantar e a tocar piano em algumas rádios locais, depois de ter mudado de cidade, desta vez Memphis, em Tennessee. A sua carreira rapidamente se expande, ao fazer parte de uma banda e acabando por fazer um teste cinematográfico para a 20th Century Fox. Em 1942 entra em dois filmes: Wives Orquestra e Girl Trouble. A partir de 1944 entra em vários filmes com Roy Rogers. Ao mesmo tempo os seus casamentos vão-se multiplicando sem sucesso. Os anos passam e em 1946 estão os dois apaixonados. Entretanto a mulher de Roy Rogers morre e um ano depois estava casada com ele e desta vez parecia que tinha acertado, depois de 3 casamentos frustrados. O seu matrimónio manter-se-ia em cumplicidade e como um par de sucesso. Esta simbiose duraria até 1998, ano em que Roy Rogers morre. Embora não tenha sido uma vida de felicidade total, já que três dos seus filhos morreriam, as suas duas carreiras mantiveram-se auspiciosas. Calcula-se que ambos tenham gravado cerca de mil canções entre 1934 e 1996. A capacidade de criar canções de Dale Evans era extraordinária, já que tem casos em que consegue escrever uma canção em 20 minutos e os seus palmarés de sucesso, incluindo Roy Rogers, foram dos mais significativos no campo da música do género.

Roy Rogers tinha três filhos do casamento anterior, Cheryl, Linda Lou e Dusty, e adoptaram durante a sua vida matrimonial mais 4 filhos, Dodie, Marion, Deborah Lee (que morreu aos 12 anos num acidente com um autocarro) e John David (que morreu também num acidente no exército na Alemanha). Tiveram uma filha os dois, chamada Robin, que nasceria com Síndrome de Down e morreria aos dois anos de idade. De 1951 a 1957, Roy Rogers e Dale Evans foram figuras principais de uma série de televisão intitulada The Roy Rogers Show, cujo sucesso seria imediato. Ao mesmo tempo Dale participará em cerca de 28 filmes e escreverá cerca de 200 canções. As que ambos gravaram não foram todas escritas por Dale Evans. Em 1962 voltam à televisão com The Roy Rogers and Dale Evans Show, mas a série duraria unicamente três meses. Nos anos 90 e refugiada na religião, Dale acabará por aparecer no seu próprio programa de televisão, versando temas religiosos. Acabará por falecer de insuficiência cardíaca a 7 de Fevereiro de 2001, tal como já tinha acontecido ao seu marido.

DALE EVANS E OS COMIC BOOKS

Face ao seu sucesso no cinema, nada mais natural que a sua figura fosse aproveitada para uma personagem de História em Quadrinhos, mais a mais sendo mulher e movimentando-se num campo em que normalmente era dos homens. O próprio marido era conhecido como o “Rei dos Cowboys” e na altura o Cinema abordava todas as figuras que se destacassem no campo do far west. Os espectadores acotovelavam-se para assistir a novas personagens e ainda mais quando os filmes eram acompanhados de canções brejeiras. Algumas delas acabariam por ficar no ouvido.

A sua primeira aparição nas Histórias em Quadrinhos data de Setembro de 1948. Será publicada uma colecção de 24 números com o título de Queen of the Westerns – Dale Evans Comics desde Setembro/Outubro de 1948 a Julho/Agosto de 1952. Segundo dizem, algumas destas histórias seriam escritas por si. Os desenhos eram de Susie Day, Ray Burnley (só tinta) e James McArdle. Alguma das capas onde Dale não aparece na foto eram desenhadas por este artista.

Queen of the Westerns – Dale Evans Comics (DC) nºs 1 (set/out/1948), 2 (nov/dez/1948), 15 (jan/fev/1951) e 20 (nov/dez/1951), Four Color (Dell) nºs 479 (jul/1953) e 528 (jan/1954)

Queen of theWest Dale Evans (Dell) nºs 3 (abr/jun/1954) e 22 (jan/mar/1959), Western Roundup (Dell) nº 11 (jul/set/1955)

Em Julho de 1953, Dale Evans irá aparecer pela Dell na colecção Four Color nº 479 e durante 22 números até Janeiro/Março de 1959 (a partir do nº 3 em título próprio). Novas personagens aparecerão nas aventuras, para dar maior realidade aos argumentos, tais como Pat Brady e o seu jeep, o cão Bullet, o cavalo Buttermilk, e Dale como dona de um café/bar em Mineral City, exactamente como acontecia na série de televisão. Ainda de 1955 a 1958, a Dell lançaria uma colecção chamada Western Roundup, onde publicaria aventuras da nossa personagem, juntamente com Roy Rogers, Gene Autry, Rex Allen, Johnny Mack Brown, Bill Elliot e Range Ryder. Cada exemplar teria 132 páginas e seriam publicados 25 números. Dale Evans aparece somente a partir do nº 11.

OS DESENHADORES DA SÉRIE

Os primeiros desenhadores das aventuras de Dale Evans foram Hi Mankin (1926-1978) e Russ Manning (1929-1981), ambos desaparecidos prematuramente. Depois surgiram outros: Jesse Marsh (1907-1966), Nat Edson (1909-2001), Mike Arens (1915-1976), Nicholas Firfires (1917-1990), John Ushler, Dan Spiegle e Warren Tufts (1925-1982). Todos estes artistas dominavam a arte de desenhar cenas do Oeste de uma forma invulgar, embora todos eles, de uma maneira geral, tivessem também dedicado a sua arte a outras personagens. Este último criaria duas personagens de grande sucesso, Casey Ruggles e Lance, esta última série de grande impacto visual e gráfico. Quanto a Mankin, desenhou também Roy Rogers, acabando por mais tarde trabalhar para a Hanna-Barbera. Russ Manning é um caso excepcional como desenhador pois várias foram as personagens a que deu vida ou continuidade, como Roy Rogers, Wyatt Earp, Gene Autry, Rawhide, Rex Allen e Tarzan, que atingiria tanto ou maior sucesso na altura em que o desenhou, ultrapassando Jesse Marsh, John Celardo e até Hogarth, quando se ocuparam da criação das aventuras do Homem da Selva. Jesse Marsh foi um dos mais prolíferos desenhadores de Tarzan, trabalhou para a Walt Disney para uma série de adaptações dos filmes de longa metragem, como o caso das 20.000 Léguas Submarinas, Rob Roy, A Espada e a Rosa, Robin dos Bosques, etc. Também desenhou algumas histórias de Gene Autry. Arens e Ushler desenharam trabalhos para a Disney e este último também se ocupou de Roy Rogers. Finalmente, Dan Spiegle viria a atingir um grande êxito com a sua personagem Hopalong Cassidy.

Artes de Hi Mankin e Russ Manning

DALE EVANS NO BRASIL

Dale Evans aparece no Brasil pela primeira vez no nº 43 da colecção Cowboy Romântico, datado de Janeiro de 1959 e publicado pela Ebal. Curiosamente as suas histórias reportam-se à 2ª fase dos comic books, com o bar/café e o cão Bullet, o cavalo Buttermilk e o Pat com o seu jeep.

Cowboy Romântico (Ebal) nºs 43 (jan/1959), 49 (jul/1959) e 51 (set/1959)

Os enredos têm o seu interesse, admitindo-se que em 16 páginas é difícil criar melhor: uma falsa identidade feminina será descoberta e Bullet tem o seu papel importante na captura do criminoso cúmplice da trama; um assalto ao café/bar resulta na descoberta de um tio charlatão e criminoso, de um jovem amigo de nossa heroína; uma pequena cadela ajuda a prender um bandido; um corvo amestrado é uma das figuras principais de um dos argumentos; numa história mais comprida e com 32 páginas, assistimos a uma das muitas façanhas de Dale, laçar um carro pelo espelho retrovisor exterior do lado direito e com a ajuda de um moço amigo, prender a corda a uma árvore e fazer com que os ladrões, a fugirem nessa viatura, acabassem por se despistar. Esta é uma das coisas deliciosas que as Histórias em Quadrinhos nos oferecem… muita fantasia e que nunca nos falte, pois hoje quando vemos no Cinema o Bruce Willis, que com um automóvel consegue atingir e destruir um helicóptero em pleno ar e sair ileso, já nada nos surpreende.

As histórias de Dale Evans foram publicadas nos nºs 43 (janeiro de 1959) ao 69 (março de 1961). Todas estas capas conseguiam fascinar os jovens leitores, e por certo, também algumas leitoras se entusiasmaram com a sua leitura. Outras das suas histórias seriam igualmente publicadas em Almanaque de Reis do Faroeste de 1960 a 1963.

Cowboy Romântico (Ebal) nº 69 (mar/1961),
Almanaque de Reis do Faroeste 1960 (Ebal),
Roy Rogers e o Trigger (APR) nº 13 (jul/1973)

DALE EVANS EM PORTUGAL

Enquanto Roy Rogers teria uma colecção com o seu nome publicada em Portugal, pela Agência Portuguesa de Revistas e que duraria 107 números, Dale Evans passou despercebida. Só marcaria presença com as suas aventuras, ao aparecer pela primeira vez no nº 13 da revista do seu marido e durante muito pouco tempo, cerca de 10 números. Estávamos em 1973. Só depois quase no fim da mesma colecção, voltaria em dois números 10 anos depois. As histórias eram desenhadas por Russ Manning, o que seria uma excelente escolha por parte do editor da publicação.

Carlos Gonçalves

Renascer do CPBD

O RENASCER DO CLUBE PORTUGUÊS
DE BANDA DESENHADA

ACTIVIDADE DESENVOLVIDA DESDE 2015

EXPOSIÇÕES
2015

·         Stuart Carvalhais
6 de Outubro a Dezembro de 2015
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Na comemoração dos 100 anos do aparecimento das personagens Quim e Manecas

·         José de Lemos
6 de Outubro a Dezembro de 2015
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
20 anos do seu desaparecimento

2016

·         Os 80 anos de O Mosquito
16 de Janeiro a 16 de Abril de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Na comemoração dos 80 anos desta publicação

·         80 anos d’O Mosquito
26 de Janeiro a 16 de Abril de 2016
Sala de Referência da Biblioteca Nacional
Na comemoração dos 80 anos desta publicação

·         Eça de Queiroz na Banda Desenhada
(exposição cedida pela Câmara Municipal de Moura/GICAV de Viseu)
30 de Abril a Junho de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

·         Alexandre Herculano na Banda Desenhada
(exposição cedida pela Câmara Municipal de Moura/GICAV de Viseu)
30 de Abril a Junho de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

·         40 anos de CPBD
Junho a Setembro de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Historial do Clube Português de Banda Desenhada, na comemoração dos 40 anos de existência

·         Augusto Trigo e Jorge Magalhães
23 de Junho a 26 de Agosto de 2017
Bedeteca da Amadora

·         Star Wars
(exposição cedida ao CPBD pela Câmara Municipal de Beja/Bedeteca de Beja)
15 de Outubro a Dezembro de 2016Se
de do Clube Português de Banda Desenhada

·         ABCzinho
15 de Outubro a Dezembro de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Exposição comemorativa dos 95 anos da revista

·         Fernando Bento
15 de Outubro a Dezembro de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
25 anos da edição de “A Ilha do Tesoiro” pela Asa

·         Lucky Luke – 70 anos

21 de Outubro a 6 de Novembro de 2016
Amadora BD

2017

·         Cadernetas de cromos – 100 anos do cromo coleccionável em Portugal
1 de Fevereiro a 29 de Abril de 2017
Galeria do Auditório da Biblioteca Nacional

·         Cavaleiro Andante
18 de Março a 31 de Maio de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Mostra dedicada à emblemática revista, nos 65 anos desta publicação.

·         Centenário de Jijé
(exposição cedida pela Câmara Municipal de Moura/GICAV de Viseu)
18 de Março a 31 de Maio de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

·         Centenário de Willi Vandersteen
(exposição cedida pela Câmara Municipal de Moura/GICAV de Viseu)
18 de Março a 31 de Maio de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

·         Fernando Relvas
3 de Junho a Outubro de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Mostra de trabalhos publicados em jornais e revistas

·         A República na Caricatura de Imprensa
(exposição cedida pela Câmara de Moura/GICAV)
3 de Junho a Outubro de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

·         As Cadernetas e os Desenhadores: À Procura da Simbiose Perfeita
30 de Junho a Setembro de 2017
Bedeteca da Amadora

·         Exposição de Cromos
1 de Julho a 9 de Setembro de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

COLÓQUIOS E CONFERÊNCIAS
2015

·         José Ruy e A Peregrinação
Ciclo “Um autor, uma obra”
19 de Dezembro de 2015
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

2016

·         Como entrei para O Mosquito
16 de Janeiro de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Palestra de José Ruy

·         Nos 80 Anos d’O Mosquito
17 de Fevereiro de 2016
Biblioteca Nacional
Colóquio com palestras de José Ruy e António Martinó Coutinho, com intervenções de Carlos Gonçalves e José Manuel Mimoso

·         Homenagem a José Garcês, nos 80 Anos d’O Mosquito
30 de Março de 2016
Biblioteca Nacional
Colóquio com palestras de José Ruy e António Martinó Coutinho, com intervenção de José Garcês

·         A Mulher na Banda Desenhada Brasileira
25 de Abril de 2016
Bedeteca da Amadora
Conferência com Natania Nogueira

·         Os Vampiros
Ciclo “Um autor, uma obra”
11 de Junho de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Com Juan Cavia e Filipe Melo

·         Como Conhecemos o Tex
11 de Junho de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Conferência com Carlos Moreira, José Carlos Francisco e Mário Marques

·         Eu e a Banda Desenhada – com Guilherme de Oliveira Martins
Ciclo “Personalidades Ilustres das Áreas Social, Política e Cultural Falam de BD”
9 de Julho de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

·         O Outro Lado de Z.
11 de Setembro de 2016
Biblioteca Municipal da Amadora
Conferência com Mosi, Mário Freitas e Nuno Duarte, integrada na Festa do Livro

·         Eu e a Banda Desenhada – com António Mega Ferreira
Ciclo “Personalidades Ilustres das Áreas Social, Política e Cultural Falam de BD”
15 de Outubro de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

2017

·         Eu e a Banda Desenhada – com Rui Zink
Ciclo “Personalidades Ilustres das Áreas Social, Política e Cultural Falam de BD”
21 de Janeiro de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

·         Cadernetas de cromos – 100 anos do cromo coleccionável em Portugal
1 de Fevereiro de 2017
Auditório da Biblioteca Nacional
Colóquio com Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso sobre a origem e a evolução das colecções de cromos dos rebuçados e caramelos em Portugal e de alguns dos seus fabricantes, desde a década de 1920 até à de 1960.

·         Cadernetas de cromos – 100 anos do cromo coleccionável em Portugal
2 de Março de 2017
Auditório da Biblioteca Nacional
Colóquio com Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso sobre os cromos-surpresa lançados pela Agência Portuguesa de Revistas em 1952, e em homenagem ao artista e ilustrador Carlos Alberto Santos (1933-2016).

·         Jijé, um Artista sempre Presente
18 de Março de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Conferência de Romain Gillain

·         “A Lei da Selva”, de Raul Correia, ou “O Elogio da Lentidão” – parte 1
22 de Abril de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Apresentação de José Ruy baseada num texto de Domingos isabelinho

·         “A Lei da Selva”, de Raul Correia, ou “O Elogio da Lentidão” – parte 2
6 de Maio de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada
Apresentação de José Ruy baseada num texto de Domingos isabelinho

·         Eu e a Banda Desenhada – com Manuel João Ramos
Ciclo “Personalidades Ilustres das Áreas Social, Política e Cultural Falam de BD”
24 de Junho de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

·         Os Fanzines, esses desconhecidos
17 de Setembro de 2017
Biblioteca Municipal da Amadora
Conferência com Geraldes Lino, integrada na Festa do Livro

 PROGRAMAÇÃO DIVERSA
2015

·         Boletim do Clube Português de Banda Desenhada n.º 140
Agosto de 2015 (edição)

·         Boletim do Clube Português de Banda Desenhada n.º 141
Dezembro de 2015 (edição)

2016

·         Colecção Banda Desenhada
23 de Março a 28 de Abril de 2016
Colaboração em iniciativa da revista Visão

·         Boletim do Clube Português de Banda Desenhada n.º 142
Abril de 2016 (edição)

·         Almoço comemorativo do 40.º aniversário do CPBD
25 de Junho de 2016
Restaurante Chafariz das Gravatas

·         Feira de fanzines e revistas
25 de Junho de 2016
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

·         Lucky Luke – 70 anos
23 e 30 de Outubro e 6 de Novembro de 2016
Visitas guiadas à exposição do Amadora BD

2017

·         Boletim do Clube Português de Banda Desenhada n.º 143
Fevereiro de 2017 (edição)

·         BD para crianças (dos 4 aos 6 anos) – Sessão com Pedro Leitão
11 de Abril de 2017
Sede do Clube Português de Banda Desenhada

·         Boletim do Clube Português de Banda Desenhada n.º 144
Junho de 2017 (edição)

·         CPBDzine n.º 1
Junho de 2017 (edição)

·         Almoço comemorativo do 41.º aniversário do CPBD
24 de Junho de 2017
Restaurante Chafariz das Gravatas

A edição de uma BD histórica

Na sequência da sua persistente e válida iniciativa editorial em promoção da banda desenhada de qualidade, o jornal Público vai disponibilizar uma obra do malogrado escritor argentino Hector Oesterheld ilustrada pelos Breccia, pai e filho.

Esta biografia de Che Guevara em BD consiste no trabalho original publicado há quase 50 anos e é, por isso, oportuna a sua evocação na época em que se comemora meio século sobre o assassinato do guerrilheiro argentino.

Independentemente de qualquer conotação política, deve saudar-se esta edição histórica e cultural.

Para de algum modo enriquecer o acontecimento, decidi aqui reproduzir integralmente (13 pranchas) outra banda desenhada mítica, de temática similar, ainda que Che Guevara não seja nela incluída. Trata-se de El Asalto al Moncada, com argumento de Fidel Morales Vega e desenhos de Virgilio Yordi, relato datado de 1974 e centrado um episódio mítico da Revolução Cubana, acontecido em 26 de Julho de 1953. Neste combate não participou Che ao lado de Fidel, porque aquele apenas  chegaria a Cuba em 1956.

Recolhi a história original da interessante revista cubana C-LINEA (Revista Latino-Americana de Estudo da Banda Desenhada), publicada na década de 70. Foi do seu número 6 que reproduzi esta carismática historieta, que contou com um curioso anexo contendo a tradução das legendas e dos balões em francês e inglês, na clara intenção editorial de internacionalizar a revista para além do espaço linguístico hispânico onde intervinha.

From Scotland with Love – quatro

Funciono muito por imagens. Aliás, isso foi extremamente significativo na minha própria vida profissional, onde as imagens tiveram lugar privilegiado.

Na recente ida à Escócia, particularmente quanto a Edinburgh e ao Loch Ness, isso esteve presente. Nem sequer o escondi, quando previamente citei as memórias pessoais com Tintin, ainda que ligeiramente ficcionadas.

Sabia, de antemão, que a Escócia é um lugar de encanto. E de encantamento. Nas paisagens urbanas como nas rurais, isso é ostensivamente patente, mete-se pelos olhos e pela alma adentro.

Edinburgh, primeiro lugar da escala escocesa, depois da “monstruosidade” do londrino aeroporto de Heathrow, é uma cidade admirável que cativa à primeira vista. A sua história e a sua identidade manifestam-se em absoluta coerência na mistura da modernidade com os indeléveis traços do passado, numa uniformidade que espanta os mais desprevenidos.

Não há ali notas dissonantes no equilíbrio dos volumes, das tonalidades e das atmosferas. O Outono deve ser a estação ideal para a valorização cromática dos verdes, castanhos e dourados de Edinburgh.

Estendida sobre sete colinas, como Lisboa, a cidade nasceu e desenvolveu-se em torno do majestoso e imponente castelo, autêntico símbolo da identidade nacional escocesa, formando a Old Town e a New Town. A primeira caracteriza-se por uma rede de ruelas, passagens cobertas e pátios medievais e também de avenidas, como a majestosa Royal Mile, enquanto a segunda foi projectada e realizada no século XVIII, segundo os princípios urbanísticos do neoclassicismo em vigor na época, ainda que aqui sujeito à versão georgiana, de tipo britânico. As igrejas, as mansões e os espaços verdes abundam em todo o burgo.

Nas ruelas de Old Town o tempo parece ter parado. (Em nota intercalar que dá para perceber como por ali nos embrenhámos, bastará dizer que percorremos a pé, num só dia em Edinburgh, perto de vinte quilómetros… num excelente treino de marcha para a corrida!) Aqui funcionaram -e de que maneira!- as tais memórias (ou ficções) icónicas acumuladas desde a infância, sobretudo com base -imagine-se!- no saudoso Diabrete. E, depois, noutras colecções similares…

Foi naquele saudoso jornal de quadradinhos que, nos distantes anos 40 e 50 do passado século, li pela primeira vez, adaptadas em texto-folhetim ou em banda desenhada, obras de Robert Louis Stevenson, Arthur Conan Doyle ou Walter Scott. Por coincidência ou talvez não todos estes autores nasceram -em diversas épocas- na cidade de Edinburgh. Registe-se.

Confesso, por isso, ter esperado em diversas oportunidades que Sherlock Holmes e o seu fiel companheiro Dr. Watson espreitassem por detrás das cortinas de uma daquelas misteriosas janelas de Holyrood, que Ivanhoe desfilasse a cavalo por Victoria Street fora, que os clãs de Rob Roy ou de Quentin Durward em tropel atravessassem Charlotte Square ou Stockbridge, que as sombras inquietantes do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde saltassem de uma esquina perdida em Canongate, que os ébrios piratas da Ilha do Tesouro tumultuosamente desembarcassem no porto de Leith. Em vão…

Porém, devo confessá-lo, foram as personagens de outro “monstro” literário -Charles Dickens, por mero acaso não nascido em Edinburgh- que mais ainda me pareceram adequadas ao cenário. Nas estreitas e labirínticas ruelas e nos becos da Old Town, como nas suas passagens escuras desembocando em asfixiantes e altos pátios, entre Castelehill e Lawnmarket, ou de Beehive Inn a Grassmarket, esperei a cada passo encontrar os irrequietos David Copperfield e Oliver Twist ou o tenebroso Ebenezer Scrooge…

Se me apetecesse dar a volta a estes pesados pensamentos, encontraria na minha bagagem de memórias icónicas outros pretextos familiares, mais tranquilos, igualmente próprios do contexto. É que foi precisamente no miserando Mr. Scrooge que o desenhador Carl Barks, dos estúdios do mago Walt Disney (cá volto aos bonecos!), se inspirou para criar o imortal e severo Tio Patinhas. Tio Patinhas -Scrogge McDuck, de nome de baptismo, em 1947- tem ascendência escocesa, convém a propósito lembrá-lo, na família dos Mac Patinhas, riquíssimo clã do qual bem se conhecem, entre outros, os célebres membros Fergus Mac Patinhas e sobretudo sir Mac Trovão.

E que tal trazer à liça o celebérrimo e irredutível gaulês, de quem há escassos anos se conheceram proezas acontecidas pelas terras verdes da Escócia, em Astérix entre os Pictos?

Depois, como é fácil chegar a um cidadão de carne e osso dos mais conhecidos, entre os modernos escoceses, Sean Connery de seu nome, agente James 007 Bond ou pai de Indiana Jones!? Também é natural de Edinburgh, para que se saiba.

Paro por aqui nesta deambulação, quase interminável, porque o objectivo era falar da cidade.

Vou lá voltar, no entanto com a absoluta consciência -ou íntima convicção- de que não cheguei a sair dela…