Tintin faz hoje 90 anos

Tintin no País dos Sovietes (Tintin au pays des Soviets, no original em francês) foi a primeira história/aventura da série de banda desenhada franco-belga As Aventuras de Tintin, criada pelo desenhador belga Hergé.

Publicada pelo conservador diário belga Le Vingtième Siècle, no seu suplemento infantil Le Petit Vingtième, a história foi editada semanalmente entre Janeiro de 1929 e Maio de 1930, sendo republicada no formato álbum pelas Éditions du Petit Vingtième em 1930.

A aventura conta a saga do jovem jornalista belga Tintin e do seu cão Milou, os quais são enviados à União Soviética para fazer uma reportagem sobre as políticas do governo bolchevista de Josef Stalin.

Apoiado por oportunas acções publicitárias, Tintin no País dos Sovietes foi um êxito comercial.

Apesar do sucesso, a insatisfação de Hergé quanto aos detalhes negativos e falsos da obra levou-o a retirá-la de circulação ainda na década de 1930.

Nos anos 1950, o autor continuava sem qualquer interesse na republicação do álbum, embora a editora Casterman o pressionasse no sentido de autorizar novas reedições, para fazer frente às edições piratas que estavam surgindo. Porém, só depois da morte do autor, o álbum voltou a ser publicado como o número um da colecção de Tintin.

Em 1973, foi lançada, como volume de Les Archives d’Hergé, uma edição fac-símile, que imediatamente se tornou um best-seller (100.000 exemplares vendidos só naquele ano). Já em 1999, no 70.º aniversário da obra, a Casterman, com autorização da Fundação Hergé, publicou o álbum em preto e branco.

Mas Tintin au Pays des Soviets, o álbum em que nasceu a emblemática personagem, continuava como o único que nunca tinha sido editado numa versão colorida. Uma “falha” que a editora francesa Casterman e a viúva de Hergé, Fanny Rodwell, herdeira universal da obra do artista, decidiram por fim colmatar. 11 de Janeiro de 2017 foi a data escolhida para a reedição das pranchas coloridas.

A tarefa de dar cor coube a Michael Bareau, director artístico dos Estúdios Hergé e antigo director artístico da editora Casterman. Segundo o jornal francês Le Monde, terá sido dele a ideia de avançar com esta reedição e, durante mais de um ano, terá trabalhado no computador, em rigoroso segredo, a partir das pranchas originais do artista belga que foram restauradas e digitalizadas para que desenvolvesse o seu trabalho.

Esta é a sumária gesta de um trabalho que surgiu há precisamente nove décadas, hoje mesmo cumpridas.

Tintin faz hoje 90 anos. Parabéns!

um perigoso biocida

COMUNICADO

As associações PETA & PAN, cientes do seu importante papel sociocultural na intransigente defesa dos animais, vêm por este meio declarar fora da lei e alvo de um mandato internacional de captura o jornalista belga de nome Tintin, com última residência conhecida na Rue du Labrador, 26, em Bruxelas. O referido indivíduo é acusado de biocídio, crime violento praticado contra um rinoceronte, que não sobreviveu à bárbara agressão..

Junta-se a prova testemunhal, fornecida pelo autor de quadradinhos George Remi, mais conhecido por Hergé, na forma de público relato contido no volume Tintin no Congo.

PETA & PAN

Logo muda a hora

Mudança da Hora – 28 Outubro 2018

Na próxima madrugada, 28 de Outubro de 2018 (domingo), a Hora Legal muda do regime de Verão para o regime de Inverno.

Em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, às 2:00 horas da manhã atrasamos o relógio de 60 minutos, passando para a 1:00 hora da manhã.

Não esquecer! Basta seguir a indicação do Tintin…

Tintin no Congo – vinte e nove (fim)

A acção judicial movida pelo cidadão congolês Bienvenu Mbutu Montondo contra o álbum Tintin no Congo, que pedia a sua proibição devido a representações racistas, foi negada por um tribunal da Bélgica no início do mês de Fevereiro de 2012. O processo começara anos atrás, após décadas de críticas contra o álbum de Hergé.

Seguindo outras manifestações de apoio ao álbum, o tribunal decidiu que não havia intenção de racismo por parte de Hergé na sua obra. Além disso, ressaltou que o álbum foi criado numa época em que o ideário colonialista era muito forte, de forma que seria impossível que a BD não representasse o pensamento dominante.

O advogado de Mbutu, Ahmed L’Hedim, declarou ao jornal Guardian que iria apelar da decisão, e que seu cliente “vai seguir com o caso até onde puder“. Tretas…

O Tribunal de primeira Instância de Bruxelas acabou de concluir, afinal, aquilo que já (quase) toda a gente sabia, isto é, que Tintin no Congo não é uma obra racista, considerando que “face ao contexto da época, não havia intenção discriminatória da parte de Hergé”.

Terminou assim uma longa polémica que se arrastava desde 2007, quando -recorde-se!- o cidadão congolês Bienvenu Mbutu Montondo apresentou uma queixa contra a obra, publicada pela primeira vez em 1931, devido ao “racismo latente anti-congolês” que ela ainda provocava na sociedade belga.

Numa decisão com algo de salomónico, o tribunal considerou igualmente sem fundamento o pedido de indemnização “por procedimento temerário e vexatório” por parte de Montondo que entretanto tinha sido interposto pela Casterman, editora dos álbuns de Tintin, e pela Fundação Moulinsart, detentora dos direitos sobre a obra de Hergé.

Com esta decisão, de alguma forma, todos ficam satisfeitos:

  • A Casterman e a Moulinsart, porque viram reconhecida (e reforçada) a sua posição e pela publicidade extra que este caso lhes trouxe.

  • A justiça belga, por três motivos: porque deu uma boa imagem de si própria, mostrando que qualquer um pode pedir a sua intervenção e obtê-la; porque tomou a (única) decisão que o bom senso impunha; porque, desta forma, fechou a porta a (muitos) processos similares que, num futuro não muito distante, poderiam visar qualquer tipo de obra, independentemente da data e do contexto da sua criação
  • Finalmente, Bienvenu Mbutu Montondo porque, apesar de (naturalmente) derrotado teve direito aos seus 15 minutos (na verdade, bem mais do que isso) de fama (bacoca) a que todos (supostamente) temos direito.

Quando em Portugal, penosos, ainda se arrastam os lamentos politicamente correctos de quem protesta contra os contornos racistas, esclavagistas e colonialistas (!?) da simples designação do futuro Museu dos Descobrimentos, pareceu-me oportuna e pedagógica esta retrospectiva.

                                                                                 Por isso aqui ficou.

António Martinó de Azevedo Coutinho
Setembro 15, 2018