Tintin no Congo – 02

Conheci Tintin au Congo bem cedo. Pelo início dos anos 40, tinha para aí uns cinco ou seis anos, ainda não sabia ler e frequentava então em Portalegre alguns sítios fascinantes como a Pensão Vinte e Um, na Rua dos Canastreiros, a quinta do Eng. Maldonado, na Fontedeira, e a casa deste, ao Rossio.

Era precisamente no sótão desta casa mágica, nos altos do Café Luso, onde também havia passagens secretas e outras maravilhas sem conta para um miúdo como eu, que aí me encontrava com jornais e revistas, como O Papagaio. Eram exemplares avulsos, alguns sem capa ou apenas páginas e capas soltas, mas que deixavam adivinhar histórias fabulosas. Foi entre estas que me encontrei, e para o resto da vida, com Tintin.

Muito mais tarde conheceria a interessante crónica das relações de Adolfo Simões Müller, director da publicação, com Hergé, “pai” de Tintin. A verdade é que, poucos anos depois do nascimento do famoso jornalista belga, os portugueses tiveram a sorte de poder conhecê-lo, nas páginas coloridas de um famoso jornal infanto-juvenil da época. É certo que havia umas “pequenas” diferenças, mas não demos conta delas, nessa altura das nossas vidas.

Por exemplo, entre nós Tintin fora rebaptizado como Tim-Tim e Milou dava pelo nome de Rom-Rom, talvez -quem sabe!?- devido à versão do “acordo ortográfico” então em vigor… Mais, o título da aventura em causa mudara para Tim-Tim em Angola, imagine-se! Congo ou Angola eram para nós mais ou menos o mesmo; ficavam lá para as Áfricas, terras misteriosas e distantes, cenário, apenas cenário, das mais mirabolantes aventuras… e isto era a única coisa verdadeiramente importante.

Viajei nessa altura com Tim-Tim por sítios que nunca mais esqueci. Alguns destes, apenas alguns, já depois os conheci “ao vivo”; quanto a outros, andei pelas suas “bandas” próximas; aos restantes, nem sequer isso, mas um deles, a Escócia, está ainda na minha agenda pessoal de passeios pelo Mundo…

Estes lugares mais ou menos míticos (talvez até exóticos!) correspondem aos cenários onde decorriam as tais aventuras ao tempo transcritas nas páginas soltas de O Papagaio a que tinha acesso: Tim-Tim na América (3 – Tintin en Amérique, 1931-32), Tim-Tim no Oriente (5 – Le lotus bleu, 1934-35), Novas Aventuras de Tim-Tim (4 – Les cigares du pharaon, 1932-33), Tim-Tim em Angola (2 – Tintin au Congo, 1930-31), O Mistério da Orelha Quebrada (6 – L’oreille cassée, 1935-37), A Ilha Negra (7 – L’Île noire, 1937-38), Tim-Tim no Deserto (9 – Le crabe aux pinces d’or, 1940-41), sem título (10 – L’étoile mystérieuse, 1941-42) e O Segredo do Licorne (11 – Le secret de la Licorne, 1942-43). A informação complementar, entre parêntesis, contempla o número de ordem, título e datas da publicação original.

Em suma, das 11 primeiras aventuras de Tintin, apenas não foram divulgadas n’O Papagaio a primeira (Tintin au Pays des Soviets, 1929-30) e a oitava (Le Sceptre d’Ottokar, 1938-39), o que constitui uma autêntica proeza editorial para um pequeno país como nós. Disponho de uma segura teoria pessoal para “explicar” a “exclusão” destas duas histórias, mas isto ficará para outra oportunidade…

Entre 1936 e 1949, limites temporais da divulgação da obra de Hergé na revista nacional, foram aqui publicadas essas nove aventuras de Tintin, criadas entre 1930 e 1943, o que significa, em média, um insignificante “atraso” de cinco anos. Notável!

Voltemos ao Tim-Tim em Angola. As páginas soltas dessa história a que tive acesso, ainda mesmo antes de saber ler-lhes legendas e balões, fascinaram-me. A sua trama, muitas vezes reduzida aos inúmeros episódios (ou gags) inseridos no essencial do seu maravilhoso continuum narrativo, era já perceptível independentemente do fundamental acesso à leitura. Nem dava para percebermos as mutilações derivadas da grosseira remontagem a que os nossos gráficos submetiam as pranchas originais nem sequer o artificialismo do colorido, primário mas sedutor, com que a história “made in Portugal” mascar(r)-ava a produção “naïf” de Hergé, criada a preto e branco.

O meu reencontro seguinte com esta história remonta aos anos 60 -uma geração depois!- quando fui adquirindo, pouco a pouco, as aventuras de Tintin na sua edição francesa, da Casterman. Do Tintin au Congo consegui comprar o álbum relativo à história redesenhada em 1946, resumida a 62 páginas em vez das 110 originais e já devidamente colorida pelo autor e pela sua equipa.

Quanto a revistas portuguesas, teríamos de esperar pelos inícios de 1981 para que a versão nacional da revista Tintin recordasse novamente entre nós a história congolesa. O jornal Público, que à causa da difusão da BD de qualidade tem dedicado uma louvável atenção, editou e distribuiu em 2004 o álbum Tintin no Congo, correspondente à história de 1946.

A esta relação resta acrescentar uma edição “histórica”, que também possuo: a dos Archives Hergé, da Casterman, cujo 1.º volume (1973) é consagrado à reprodução fac-similada das três aventuras iniciais de Tintin (…au Pays des Soviets, 1929; …au Congo, 1930; …en Amérique, 1931) nas suas versões originais, a preto e branco e em mais de cem páginas cada uma.

Ao revelar assim todo este elevado grau pessoal de interesse, e até de fascínio, pela personalidade criativa de Hergé/Tintin, sinto-me no papel, quase surrealista, de um árbitro que, antes do decisivo encontro, se declarasse incondicional adepto de uma das equipas…

Proponho-me apresentar aqui, com o detalhe possível, o vasto, complexo e até melindroso “dossier” que alia o racismo à obra do autor belga. Poderei, após esta necessária “confissão”, manter-me isento e imparcial?

Apenas posso prometer nada ocultar do que sei e penso, do que muita gente sabe e pensa, sobre o tema em apreço e, sobretudo, comprometo-me com o uso da máxima objectividade possível nas citações, nas fontes e nos testemunhos. De um e de outro lado da barricada…

No entanto já revelei, com assumida lealdade, onde estou.

António Martinó de Azevedo Coutinho
SEGUNDA-FEIRA, JUNHO 07, 2010

Tintin no Congo – 01

Bienvenu Mbutu Montondo é um cidadão congolês estudante de Ciências Políticas em Bruxelas, na Bélgica. Há cerca de três anos, ele decidiu abrir um processo judicial, baseado numa lei belga que reprime o racismo. O objecto das suas persistentes demandas é um simples álbum de banda desenhada –Tintin au Congo– publicado originalmente em 1930/31. Ele pretendia a interdição desta obra, em virtude do seu carácter racista, ofensivo para com os negros.

Porém, as coisas não estão a correr completamente de feição para o senhor Bienvenu, que terá mentido ao tribunal sobre a sua profissão e que nem sequer parece dispor de recursos suficientes para custear as despesas do processo e para pagar os honorários dos seus sucessivos advogados.

O tribunal, que vem adiando uma decisão definitiva, emitirá em breve um novo despacho sobre a questão, embora não esteja de todo descartada a hipótese de se considerar incompetente para julgar a matéria em apreço.

Muito recentemente, o senhor Bienvenu, através de um novo advogado, parece ter modificado as suas acusações, pretendendo agora que o álbum seja retirado do mercado livreiro, ou que lhe seja apenso um aviso onde se informe qualquer interessado sobre o seu conteúdo ofensivo para os negros.

Nesta oportunidade, surgiu uma nova testemunha de acusação, o presidente do CRAN (Conselho Representativo das Associações Negras na França), o qual declarou que o lugar do livro é num museu, onde apenas possa ser consultado por adultos que queiram informar-se sobre a época colonial. E acrescenta a opinião de que um prefácio obrigatório deve esclarecer o eventual leitor sobre a natureza da obra que afirma a superioridade racial dos brancos sobre os negros.

Enfim, se não vir satisfeitas as suas reivindicações, o acusador vai prometendo que fará chegar um apelo ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e também, talvez, à Comissão de Direitos Humanos da União Africana.

Atendendo a que neste ano se comemoram os 50 anos da independência da República Democrática do Congo (o antigo Congo Belga) e que o rei dos belgas, Alberto II, se prepara para concretizar uma próxima visita real à sua antiga colónia, o caso tem sido abundantemente tratado nos meios de comunicação social, até mesmo entre nós. Oportunamente, também o “blog” A Voz Portalegrense se fez eco da interessante disputa.

Tudo isto tem feito correr imensa tinta. E promete fazer correr ainda muita mais…

Fará algum sentido atacar assim, precisamente agora, uma obra em quadradinhos divulgada desde há oitenta anos?

A verdade é que a iniciativa do senhor Bienvenu não surge isolada.

Basta atentar em alguns outros recentes episódios relacionados com Tintin au Congo. Por exemplo, a editora Little Brown, que iria reeditar esta obra nos Estados Unidos, decidiu retirá-la do seu planeamento. Quando publicar uma colecção “completa” da obra de Hergé, não divulgará essa sua aventura africana. Um porta-voz da editora, em declarações à Publisher’s Weekly, explicou que “dada a controvérsia em torno do álbum, sentimos que incluí-lo ofuscaria a verdadeira intenção da colecção, que é apresentar a extraordinária arte de Hergé e a sua notável contribuição para as artes gráficas”.

A Comissão para a Igualdade Racial da Grã-Bretanha, em 2007, solicitara também a proibição do álbum em causa, alegando que o mesmo continha imagens e “palavras de hediondo preconceito racial, onde nativos africanos são retratados como macacos e falam como imbecis”. A edição britânica não deixou de ser vendida, mas agora só pode ser encontrada junto a outros livros destinados a um público mais adulto, e é revestida por uma faixa de papel advertindo que o conteúdo pode ser ofensivo. No entanto, a venda do álbum disparou… O Daily Telegraph noticiou um aumento de 4000% na sua procura… A livraria “on line” Amazon colocou-o mesmo na 8.ª posição do “ranking” dos livros mais populares…

Porém, este efeito chegaria à África do Sul, onde uma reedição de Tintin au Congo causou polémica. A editora local, Human & Rousseau, recusou-se a publicar a prevista versão em língua “afrikander”, devido às queixas de que a aventura retrata os africanos como sub-humanos, imbecis e meio selvagens…

Ficou no entanto célebre a defesa da obra que o ministro francês da Cultura e da Comunicação, Frédéric Mitterrand, fez publicar no Journal Officiel em finais de 2009, como resposta à polémica interpelação de um deputado, Christian Vanneste (das direitas presidenciais), que solicitara informações sobre a censura a Tintin au Congo exigida por algumas associações ligadas à extrema esquerda política. Mas não devemos esquecer que logo o Movimento contra o Racismo e pela Amizade entre os Povos (MRAP), uma das mais importantes organizações francesas nesta área, se pronunciou com dureza sobre o assunto, solicitando à editora Casterman que incluísse numa nova reedição do álbum uma explícita chamada de atenção a propósito de preconceitos raciais. Em vão…

Provavelmente, o incidente mais grave acerca de Tintin au Congo terá acontecido, também em 2009, quando a Biblioteca Municipal de Brooklyn (Nova York) baniu o álbum das prateleiras de livre acesso público. O que, curiosamente, nunca acontecera a Mein Kampf, de Adolf Hitler, por exemplo. Segundo um comunicado da Biblioteca, para consultar doravante Tintin au Congo bastará preencher um formulário e esperar vários dias…

Logo veementemente criticaram a censória decisão algumas organizações norte-americanas, como a União de Liberdades Civis de Nova York (NYCLU) ou a American Library Association, entre outras.

No entanto, e como corolário destes globalizados extremismos, começa a esboçar-se em certos “sites”, como o Internet Cinematical, um movimento de boicote ao filme de Spielberg, ainda em rodagem, sobre uma aventura de Tintin.

Portanto, Bienvenu Mbutu Montondo é apenas o mais recente participante nesta já longa cadeia de acusações contra Tintin au Congo.

Enfim, o que parece estar em causa é uma grave questão de racismo despoletada por uma história em BD, com quase um século de existência. Pelo seu inegável interesse como pela curiosidade inerente, vale a pena analisar o tema com alguma profundidade.

António Martinó de Azevedo Coutinho
Publicado originalmente na segunda-feira, 31 de Maio de 2010,
no “blog” A Voz Portalegrense

 

Um Mundial aos Quadradinhos

Estamos no final de mais um Mundial de Futebol transformado (ou transvertido!?) em Europeu. Afinal -e como cidadão europeu congratulo-me com o facto- fica desde já provado que o melhor futebol é presentemente praticado no Velho Mundo. As vedetas alheias ao nosso continente, Neymar, Messi, Salah e outras foram mandadas para casa, fazendo companhia ao nosso Cristiano Ronaldo, a David Silva ou a Tony Kross, já que nem todos os europeus sobraram até hoje.

É dia do escaldante França-Bélgica, sem dúvida duas das melhores selecções até agora comprovadas. Creio que uma destas será a próxima futura campeã, precisamente a que sobrar de hoje.

Porém, não é propriamente de futebol que quero falar, mas de BD.

É que a imprensa, sobretudo a francesa mais do que a belga, adaptou o duelo de mais logo numa espécie de disputa aos quadradinhos…

Astérix contra Tintin. Nem mais.

Foi o caso, entre outras, das edições de Le Parisien Dimanche, Le Journal du Dimanche e mesmo de L’Équipe, o famoso diário desportivo. Nas suas capas deram lugar a esta curiosa “fuga” para os quadradinhos.

Para além destas informações difundidas via Net, tive ontem acesso a um jornal em papel, impresso. Tratou-se de Aujourd’hui Dimanche, edição francesa dominical do Le Parisien Libéré. A sua capa e um desenvolvido “dossier” interior em muito ultrapassaram os domínios propriamente desportivos do encontro, projectando-o na clássica rivalidade nacional que divide franceses e belgas. A este título limito-me a reproduzir um pequeno quadro alusivo, onde são sumariamente reflectidas diferenças essenciais das respectivas monumentalidades, arte, canção, banda desenhada e gastronomia. Noutra secção trata-se de humor, literatura, ciclismo e política, imagine-se!

Mais, muito mais do que um simples desafio de futebol!

Tenho o maior apreço por Astérix e já aqui o provei por diversas vezes. Mas todos os habituais leitores do “blog” conhecem, sobremaneira, a minha mais forte inclinação no género. Tintin é, desde sempre, uma paixão.

Por isso, pode antecipar-se o meu desejo quanto ao resultado do França-Bélgica de mais logo. JE SUIS BELGE!

Quem vencerá, Astérix ou Tintin?

Espero vivamente que, apesar da inegável qualidade da equipa francesa, os belgas possam vencer. Nem que seja no prolongamento ou até nas grandes penalidades.

E, depois, que vençam a final.

O título de campeão do Mundo de futebol assentaria bem na equipa de Le Plat Pays, de Brel.

Como confidência, soube por fonte anónima mas segura que Tintin tem vindo a receber lições de Cristiano Ronaldo com particular incidência nos pontapés de bicicleta. Crê-se que Tintin espera vir a ser seleccionado para uma futura equipa dos Diables Rouges…

Em rigoroso exclusivo aqui fica um instantâneo captado num dos últimos treinos.

Entre jogos amigáveis, europeus e mundiais, estas duas selecções já se encontraram 73 vezes e é preciso recuar até 1904 para recordar o primeiro confronto. Os belgas saíram vitoriosos em 30 jogos, enquanto os franceses venceram 24. 19 partidas acabaram em empate. Também nos golos a Bélgica é a grande vencedora com 160 tentos contra 127 da França. Mas o último jogo entre as duas foi há três anos e desde então muita coisa mudou, o que torna este duelo num dos mais fascinantes encontros deste Campeonato do Mundo.

Com a expectativa de um bom jogo, deixo aqui os votos de que ganhe a melhor selecção. E que a melhor seja a Bélgica.

Tintin no Congo – 00

A publicação da série Tintin no Congo constitui uma outra resposta pessoal à polémica desencadeada em torno do conteúdo e da designação de um futuro museu lisboeta dedicado aos Descobrimentos.

Não é um trabalho inédito porque foi inicialmente divulgado no “blog” A Voz Portalegrense, administrado pelo meu amigo Mário Casa Nova Martins, onde colaborei com gosto durante alguns anos, antes de ter criado o meu próprio espaço. Em 26 “capítulos” e duas “adendas”, entre Maio e Novembro de 2010, aí publiquei um estudo que visou no essencial comentar uma acusação judicial de racismo dirigida a Hergé (George Remi) e à sua obra Tintin au Congo, originalmente datada de 1930.

De facto, na sequência de outros ataques similares anteriores, um cidadão congolês -Bienvenu Mbutu Montondo- desencadeou em Bruxelas, no ano de 2007, um processo em relação àquela edição, acusando-a de colonialismo e racismo. O autor da acusação afirmou que a obra fazia a apologia da colonização e constituía um insulto à população negra, exigindo que a justiça belga retirasse o álbum da circulação e o proibisse em todo o espaço público. Mais concretamente, foi afirmado que a história inclui diálogos e imagens de acordo com a ideologia da época, na qual era dominante a ideia de superioridade do homem branco, precisamente para justificar o colonialismo.

Nas terças, quintas e sábados de cerca das nove próximas semanas, aqui serão publicados os sucessivos capítulos de série, textos, imagens ilustrativas e alguns videogramas recuperados da edição original.

Enquanto ainda não se extinguiu completamente a estulta polémica que alguns militantes do “politicamente correcto” desencadearam com base em pressupostos semelhantes, aqui ficará uma certa resposta, afinal organizada numa espécie de jogada de antecipação…

TINTIN em Lisboa

A primeira loja oficial do Tintin em Portugal abriu em Belém

Já existia uma ou outra loja, já se encontrava uma ou outra coisa dedicada ao universo de Tintin, mas uma loja oficial com o selo da Moulinsart (sociedade belga que gere o legado de Hergé) é uma novidade absoluta em Portugal. Abriu há poucos dias em Belém, ali mesmo ao lado do Museu dos Coches, e encontra-se de tudo o que possa imaginar.

A história desta loja, que fica no número 446 da Rua da Junqueira, começa como a história de muitos outros projectos recentes em Lisboa: um casal que numa viagem à capital se deixa encantar e decide mudar de vida. Neste caso, falamos dos franceses Nathalie e Louis, a viver em Lisboa desde o ano passado e com loja aberta desde sábado.

 

Apesar de só se terem mudado em 2017 para Lisboa, a ideia da loja surgiu há quatro anos quando por cá andaram pela primeira vez. E não surgiu por acaso: Louis trabalha para a Moulinsart em França. Além de fã, é um especialista neste império.

“Toda a gente gosta do Tintin e não havia nada assim em Lisboa. Quer dizer, não havia uma loja oficial, tal como já existe em cidades como Barcelona, Londres ou Singapura”, diz-nos Louis. “Sabíamos que havia potencial, a relação dos portugueses com o Tintin já é longa. Portugal foi o primeiro país a traduzir as aventuras do Tintin”, acrescenta Nathalie.

 

“Foi em 1936, se não estou em erro. O Tintin era publicado no Papagaio e no Diabrete”, conta Louis, que durante anos trabalhou nas obras do mais famoso jornalista para o mercado francês. “E agora somos os distribuidores oficiais para Portugal”, diz Nathalie.

 

Neste espaço, que se chama apenas Tintin Shop, à semelhança do que acontece nas restantes lojas oficiais, encontra-se de tudo – e aos mais variados preços. “Tudo o que a Moulinsart produz encontra-se aqui”, atesta Nathalie. Há peças de colecção, como o cobiçado foguetão que levou Tintin à lua, à venda por 995€, ou uma série de figuras em resina inspiradas na exposição Le Musée Imaginaire de Tintin, que aconteceu em 1979, cujos preços variam entre os 99€ e os 250€. Mas depois há uma variedade de produtos a preços mais acessíveis, como postais, baralhos de cartas, porta-chaves e canecas. As t-shirts, que os donos fazem questão de dizer que são feitas em Portugal, custam 19,95€ (criança) e 24,50€ (adultos), enquanto os sacos, que identificam a loja na rua, se ficam pelos 3€ (pequeno) e 4,50€ (grande).

 

Para os amantes das figuras que não podem gastar tanto dinheiro como gostariam, há bonecos a preços mais simpáticos (a partir dos 19€), e ainda peluches. Resistir ao fiel amigo de Tintin – falamos do Milu, entenda-se – não será fácil. Está à venda em vários tamanhos, com preços entre os 24,50€ e 39,50€.

 

E ainda nem falámos dos posters (a 10€ e a 15€), dos puzzles (de 30 ou de mil peças), da roupa de cama, dos livros de colorir e de actividades e da banda-desenhada, pois claro.

 

Na loja ainda não existem todos os livros da colecção, mas o casal espera resolver essa questão em breve – “Estamos a tentar falar com a ASA”. Por enquanto encontrará 13 aventuras em português e mais umas tantas em diferentes línguas (francês, espanhol, alemão e até chinês), além de vários livros sobre a vida e obra de Hergé (1907-1983).

TIME OUT 05 Abril 2018
Texto de Cláudia Lima Carvalho
e Fotografias de Manuel Manso