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Mudança da Hora – 28 Outubro 2018

Na próxima madrugada, 28 de Outubro de 2018 (domingo), a Hora Legal muda do regime de Verão para o regime de Inverno.

Em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, às 2:00 horas da manhã atrasamos o relógio de 60 minutos, passando para a 1:00 hora da manhã.

Não esquecer! Basta seguir a indicação do Tintin…

Tintin no Congo – vinte e nove (fim)

A acção judicial movida pelo cidadão congolês Bienvenu Mbutu Montondo contra o álbum Tintin no Congo, que pedia a sua proibição devido a representações racistas, foi negada por um tribunal da Bélgica no início do mês de Fevereiro de 2012. O processo começara anos atrás, após décadas de críticas contra o álbum de Hergé.

Seguindo outras manifestações de apoio ao álbum, o tribunal decidiu que não havia intenção de racismo por parte de Hergé na sua obra. Além disso, ressaltou que o álbum foi criado numa época em que o ideário colonialista era muito forte, de forma que seria impossível que a BD não representasse o pensamento dominante.

O advogado de Mbutu, Ahmed L’Hedim, declarou ao jornal Guardian que iria apelar da decisão, e que seu cliente “vai seguir com o caso até onde puder“. Tretas…

O Tribunal de primeira Instância de Bruxelas acabou de concluir, afinal, aquilo que já (quase) toda a gente sabia, isto é, que Tintin no Congo não é uma obra racista, considerando que “face ao contexto da época, não havia intenção discriminatória da parte de Hergé”.

Terminou assim uma longa polémica que se arrastava desde 2007, quando -recorde-se!- o cidadão congolês Bienvenu Mbutu Montondo apresentou uma queixa contra a obra, publicada pela primeira vez em 1931, devido ao “racismo latente anti-congolês” que ela ainda provocava na sociedade belga.

Numa decisão com algo de salomónico, o tribunal considerou igualmente sem fundamento o pedido de indemnização “por procedimento temerário e vexatório” por parte de Montondo que entretanto tinha sido interposto pela Casterman, editora dos álbuns de Tintin, e pela Fundação Moulinsart, detentora dos direitos sobre a obra de Hergé.

Com esta decisão, de alguma forma, todos ficam satisfeitos:

  • A Casterman e a Moulinsart, porque viram reconhecida (e reforçada) a sua posição e pela publicidade extra que este caso lhes trouxe.

  • A justiça belga, por três motivos: porque deu uma boa imagem de si própria, mostrando que qualquer um pode pedir a sua intervenção e obtê-la; porque tomou a (única) decisão que o bom senso impunha; porque, desta forma, fechou a porta a (muitos) processos similares que, num futuro não muito distante, poderiam visar qualquer tipo de obra, independentemente da data e do contexto da sua criação
  • Finalmente, Bienvenu Mbutu Montondo porque, apesar de (naturalmente) derrotado teve direito aos seus 15 minutos (na verdade, bem mais do que isso) de fama (bacoca) a que todos (supostamente) temos direito.

Quando em Portugal, penosos, ainda se arrastam os lamentos politicamente correctos de quem protesta contra os contornos racistas, esclavagistas e colonialistas (!?) da simples designação do futuro Museu dos Descobrimentos, pareceu-me oportuna e pedagógica esta retrospectiva.

                                                                                 Por isso aqui ficou.

António Martinó de Azevedo Coutinho
Setembro 15, 2018

Tintin no Congo – vinte e oito

Dedicámos ao caso Tintin au Congo a atenção possível. Durante algumas semanas, trouxemos aqui toda a informação colhida em aturadas pesquisas assim como algumas reflexões sobre a problemática que envolveu uma séria, embora inoportuna e mal justificada, acusação de racismo.

Depois, acrescentou-se à série de textos iniciais um outro, que hoje se prolonga, a pretexto das mais recentes e quase definitivas decisões judiciais sobre o caso.

A 18 de Março último (2011), portanto há uns escassos quinze dias, o Tribunal de Primeira Instância de Bruxelas contou com a presença do Ministério Público, uma vez que se lidava com uma acusação de racismo, crime público.

A decisão, rigorosamente contrária às declaradas intenções da acusação, foi proferida no sentido de o Tribunal de Comércio ser considerado como competente para apreciar a contenda.

Bienvenu Montondo requerera a intervenção do Tribunal Penal Internacional, vendo este pedido ser desprezado pelos juízes, que decidiram favoravelmente às empresas Moulinsart S.A. e Casterman.

Sobre a pretensão dos acusadores quanto à necessidade destas empresas apresentarem os contratos que as ligam, a fim de ser averiguado qual o grau das suas respectivas responsabilidades na detenção dos direitos autorais da obra de Hergé, também o Ministério Público decidiu não dispor tal exigência de qualquer legitimidade.

Entre a indisfarçável frustração e o assumido conformismo, os autores do processo produziram declarações que mal esconderam a iminente e definitiva derrota das suas absurdas pretensões, ainda que dentro de um mês aconteça uma nova audiência.

O rumo do pleito tem-se inclinado de forma quase absoluta no sentido da desmontagem da absurda acusação, moldada em termos desfasados da realidade e do contexto hoje vividos.

A opinião autorizada que a propósito fora recentemente proferida por uma entidade congolesa oficial, a própria Ministra da Cultura, ajudou certamente essa diluição dos argumentos políticos artificialmente montados pelos acusadores.

Portanto, o advogado Berenboom e os seus mais directos colaboradores estão prestes a obter uma justa vitória sobre a impertinente e quase ridícula argumentação contrária. Pela minha parte, tendo desde sempre contestado a legitimidade do senhor Bienvenu e denunciado as contradições da sua absurda acusação, limito-me a achar que será feita justiça.

Como aliás bem merecem o autor e a sua obra.

António Martinó de Azevedo Coutinho
Segunda-feira, Abril 04, 2011

A BD vista por Carlos Gonçalves – cinquenta e sete

TINTIN NOS 80 ANOS EM PORTUGAL – IV

A revista “O Foguetão” que entretanto é lançada em paralelo com o “Cavaleiro Andante”, tenta uma inovação na publicação das histórias de “Tintin”. A aventura “Tintin no Tibet”, que se inicia no seu primeiro número (4/5/61), é reproduzida com os balões e cartuchos na sua língua original. No final de cada página e por meio de numeração, surgem as respectivas traduções. A continuação desta história, entretanto interrompida pelo desaparecimento de “O Foguetão”, passa para as páginas do “Cavaleiro Andante” e já em português, depois de apresentar um pequeno resumo das pranchas publicadas anteriormente. Dura dos nºs. 516 (18/11/61) ao 553 (4/8/62). Com a extinção desta revista, só teremos acesso a novas aventuras da nossa personagem na revista “Zorro”, que nascerá em substituição do “Cavaleiro Andante”.

O “Zorro” só publica uma única aventura a partir do seu nº. 26 (6/4/63) com “As “Jóias da Prima Dona”, que dura até ao nº. 87 (20/6/64). No entanto, no seu nº. 89 (20/6/64) e pela primeira vez em Portugal, aparecem as aventuras de “Jo, Zette et Jocko”.

Só voltaremos a apreciar as aventuras de “Tintin” em Portugal, numa nova revista que terá o seu nome, em 1968.

AS CAPAS DA REVISTA “O PAPAGAIO”

Desde o início das aventuras de “Tintin” na revista “O Papagaio” a partir do seu nº. 53, as capas da publicação salientavam quase sempre as actividades do nosso “herói”, destacando um outro facto das suas peripécias. Para tal, a revista servia-se, na maior parte das vezes, de uma ou outra vinheta pertencente à aventura em curso, para destacar tal evento. A composição da capa pertencia, de uma maneira geral, a qualquer um dos desenhadores de serviço na altura e que colaboravam na edição, ao ajudar Adolfo Simões Muller a criar cada número.

Mas uma vez, ou outra, embora esporadicamente, havia algum desenhador que se atrevia a criar uma capa para destacar a personagem. É o caso de José de Lemos que cria a capa do nº. 78, Arcindo Madeira a do nº. 95, o Júlio Resende a do nº. 105, Ruy Manso ocupa-se da capa do nº. 150 e volta de novo com a capa do nº. 227, Sérgio Luís é o desenhador da capa do nº. 251, Guy Manuel cria a do nº. 366, Alberto oferece a capa do nº. 426 e, finalmente, será Rodrigues Neves a trabalhar a capa do nº. 540. Todas elas, de uma maneira geral, são excelentes e salientam a qualidade gráfica com que sempre a revista se preocupou.

PEQUENA BIOGRAFIA DE HERGÉ

Hergé nasceu em 22 de Maio de 1907, em Etterbeek, perto de Bruxelas. Do nome de baptismo (Georges Remi), criou o pseudónimo com que assinaria as suas obras, invertendo as iniciais: R.G. (Hergé). Seu signo astrológico era o dos Gémeos, que o marcaria psicologicamente. De carácter compreensivo, indulgente, generoso mas reservado, curioso, ponderado, entusiasta mas prudente, meticuloso ao extremo, aberto à discussão, mas não polémico, gostava de pesar os prós e os contras…

1914/1916, Georges desenha nos cadernos escolares, já com “heróis” sem nome e histórias sem texto.

1919/1925, completa os seus estudos. Em 1925 entra para o jornal “Le XXe. Siècle” como empregado administrativo.

1926, vai para uma escola de desenho, por desejo dos seus pais. Em Julho de 1926 inicia as aventuras de “Totor, C.P. des Hannetons” na revista de escuteiros “Le Boy – Scout Belge”.

1918/1930, Georges é escuteiro.

1923/1930, Hergé durante estes anos cria imensas capas e muitas gravuras artísticas para livros e revistas.

1926/1927, faz o serviço militar, continuando a desenhar “Totor” e também algumas ilustrações para publicações de acção católica. Em 1927 volta para o jornal onde executa já ilustrações.

1928, como suplemento do jornal, sai na segunda-feira (dia 1 de Novembro), “Le Petit Vingtième”, destinado aos leitores mais jovens. No seu nº. 1 Hergé cria a história de “Les Aventures de Flup, Nénesse, Poussette et Cochonet”.

1929, a 10 de Janeiro sairão as aventuras de “Tintin”, em “Tintin au Pays des Soviets”, precisamente no nº. 11, daquele suplemento.

1930, a 23 de Janeiro dá-se a primeira aparição de “Quick et Flupke” no mesmo suplemento, dos quais seriam criados 310 episódios curtos. A 28 de Maio inicia a aventura “Tintin au Congo”.

1930/1945, em paralelo com as suas actividades ligadas à Banda Desenhada, Hergé cria centenas de cartões de Natal e da Páscoa, capas para livros, gravuras e ilustrações para a Publicidade.

1931, será o lançamento de “Les Aventures de Tintin, repórter en Amerique”. É editado o álbum “Tintin au Congo”.

1932, a 20 de Julho casa-se. Entretanto lança a aventura “Les Cigarres du Pharaon”.

1934, é a vez da história “Le Lótus Blue”. Um jovem estudante chinês, chamado Tchang Tchong-Jen, com quem Hergé fará amizade, será quem lhe irá fornecer os elementos essenciais sobre o seu país de origem, para que a história se desenrole dentro dos limites da veracidade. Quando esta história seria publicada a cores, um episódio com um “gangster” é retirado. Entretanto Tchang desaparece da vida de Hergé mais tarde, pois entretanto regressa à China. Também neste ano dá-se a aparição de “Popol et Virginie Chez les Lapinos”, nas páginas de “Le Petit Vingtième”. Esta história será republicada na revista “Tintin” em 1948 a cores e em álbum em 1952.                 

1935, cria “Chez Les Arrumbayas”, cujo título final ficaria como ”L’Oreille Cassé”. Um sonho de “Tintin”, na versão a preto e branco, será eliminado na versão a cores.

1936, a 19 de Janeiro nascem as peripécias de “Les Aventures de “Jo, Zette et Jocko”, para a revista “Coeurs Vaillants”. Ao longo dos anos serão criadas 5 aventuras com estas personagens, de 1936/37 as duas primeiras e de 1937/39 as duas seguintes e a última, que seria interrompida durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1954 será continuada por Hergé, desta vez com a colaboração de Jacques Martin.

                                                                                                             Carlos Gonçalves

Este “capítulo” de TINTIN NOS 80 ANOS EM PORTUGAL devia ter sido aqui publicado na ordem devida, em 22 de Agosto. Um lamentável erro de planificação deixou-o para trás…
Com um pedido de desculpas ao autor e aos leitores, aqui fica a rectificação. Na próxima semana será publicado o último “capítulo” desta série.