1918 – Há Cem Anos – oitenta e três

23 de Junho – “França. Já recebeste a encomenda que te mandei pelo músico Serra?

24 de Junho – “França. Ontem fiquei esperançado em que brevemente regressarei a Portalegre. O tempo continua frio e chuvoso“.

25 de Junho – “França. Já lá chegou o músico Serra? Ainda não veio resposta ao meu requerimento“.

26 de Junho – “França. Afinal de contas não há forma de ver a solução dada ao meu requerimento! Que vida tão aborrecida e estúpida eu tenho tido ultimamente! Restam-me apenas 8 músicos da minha Banda“.

27 de Junho – “França. Mandaram-me hoje dizer que brevemente devo melhorar bastante de situação e dando até esperança de breve regresso a Portugal. Inf. 22 sai de Portalegre?

Esta pequena nota, uma simples pergunta, encerra a informação ainda difusa sobre o futuro destino da unidade. A banda e depois o regimento terão os dias contados na cidade de Portalegre…

Porém, em flagrante contraste com o pessimismo pessoal de José Cândido, nesta mesma data de 27 de Junho de 1918 publicava-se em Portalegre um artigo: “A Rabeca em França. Ontem recebemos em postal a seguinte boa nova: Redacção da Rabeca – Portalegre. A banda de música de infantaria 22 encontra-se de boa saúde e recomenda-se a suas famílias e a todos os amigos. Temos esperança na vitória, que sem dúvida será nossa. Viva Portugal.” Não assinado…

28 de Junho – “França. Não compreendo qual a razão porque os mais recebem correspondência e eu não! Tens escrito todos os dias?

29 de Junho – “França. Há quanto tempo não me escreves? Estou à espera de ser chamado para a Base“.

30 de Junho – “França. Terás recebido a minha correspondência diária?

A angústia do pai perante a ausência de notícias da filha persiste. Aliás, a desproporção da correspondência enviada e recebida pode avaliar-se pela estatística do mês de Junho de 1918: de França – foram enviados 34 postais, sendo 33 de cariz romântico e 1 de tema religioso, enquanto de Portalegre a recepção se limitou a uma carta e três postais ilustrados: 2 românticos e 1 com vista de Póvoa do Varzim. 

1918 – Há Cem Anos – oitenta e dois

16 de Junho – “França. Que feliz eu seria se já pudesse assistir ao teu exame!… Já vai tardando a solução ao meu requerimento. Cada dia me parece um século. Nunca me senti tão desanimado e aborrecido de tudo isto que me rodeia e vejo!

18 de Junho – “França. Maldita guerra que não tem fim! Ainda nada veio relativamente ao meu requerimento“.

7 de Junho – Portalegre: “Ficou hoje solucionada a greve dos Caminhos de Ferro que durou desde Domingo. Ainda para mais vimos agora no Século que está fechada a fronteira franco-espanhola e franco-suiça também está fechada; tudo são atrasos e dificuldades; mas tudo se remedeia, o principal é que o Papá tenha saúde. (…) Já morreu o grilinho, apareceu morto na gaiola; tive pena, porque era um bom cantador“.

No terreno, em França, os exércitos locais conseguem atacar com sucesso o flanco do avanço alemão na chamada Ofensiva Gneisenau. O general alemão Eric Ludendorff empenha fortemente o seu 7.º Exército nas operações e a luta é muito intensa sobretudo entre 11 a 28 de Junho de 1918, com a participação de divisões norte-americanas. No final, o avanço alemão é reduzido mas as baixas foram superiores a 150 mil homens, de ambos os lados. 

Ludendorff sente que a resistência aliada aumenta e sabe que sofreu perdas muito pesadas, mas é obrigado a insistir na ofensiva, como única forma de decidir a guerra. Por outro lado, o general francês Ferdinand Foch acredita que o novo ataque alemão será na direcção de Paris e prepara-se para resistir. Mas pensa já no contra-ataque. O general inglês Douglas Haig recuperara forças quando a pressão alemã passou para o sector francês e, por isso, prepara-se igualmente para passar ao ataque.

A guerra parece começar a inclinar-se, finalmente, para o lado dos Aliados…

19 de Junho – (dois postais) “França. Não calculas o estado de aborrecimento e desânimo em que me encontro actualmente! “; “França. Já depois de ter escrito o 1.º bilhete é que recebi cartinha tua, que muito agradeço, pois há já bastante tempo que não recebia notícias tuas. Não há maneira de haver sossego no país! Com que então o grilo não quis esperar pela noite de S. João?

20 de Junho – “França. Hoje recebi apenas o Século. Enfim, já vou recebendo alguma coisa! Ainda não veio a resposta ao meu requerimento. Já vou estranhando bastante a demora“.

21 de Junho – “França. Ainda nada veio relativamente ao requerimento em que pedia para regressar a Portugal“.

22 de Junho – “França. O tempo tem estado muito agreste; não parece estarmos em Junho“.

As alterações climáticas, pelos vistos, já por essa altura se faziam sentir nas terras da Flandres…

1918 – Há Cem Anos – oitenta e um

16 de Junho – “França. Que feliz eu seria se já pudesse assistir ao teu exame!… Já vai tardando a solução ao meu requerimento. Cada dia me parece um século. Nunca me senti tão desanimado e aborrecido de tudo isto que me rodeia e vejo!

18 de Junho – “França. Maldita guerra que não tem fim! Ainda nada veio relativamente ao meu requerimento“.

7 de Junho – Portalegre: “Ficou hoje solucionada a greve dos Caminhos de Ferro que durou desde Domingo. Ainda para mais vimos agora no Século que está fechada a fronteira franco-espanhola e franco-suiça também está fechada; tudo são atrasos e dificuldades; mas tudo se remedeia, o principal é que o Papá tenha saúde. (…) Já morreu o grilinho, apareceu morto na gaiola; tive pena, porque era um bom cantador“.

No terreno, em França, os exércitos locais conseguem atacar com sucesso o flanco do avanço alemão na chamada Ofensiva Gneisenau. O general alemão Eric Ludendorff empenha fortemente o seu 7.º Exército nas operações e a luta é muito intensa sobretudo entre 11 a 28 de Junho de 1918, com a participação de divisões norte-americanas. No final, o avanço alemão é reduzido mas as baixas foram superiores a 150 mil homens, de ambos os lados. 

Ludendorff sente que a resistência aliada aumenta e sabe que sofreu perdas muito pesadas, mas é obrigado a insistir na ofensiva, como única forma de decidir a guerra. Por outro lado, o general francês Ferdinand Foch acredita que o novo ataque alemão será na direcção de Paris e prepara-se para resistir. Mas pensa já no contra-ataque. O general inglês Douglas Haig recuperara forças quando a pressão alemã passou para o sector francês e, por isso, prepara-se igualmente para passar ao ataque.

A guerra parece começar a inclinar-se, finalmente, para o lado do Aliados…

19 de Junho – (dois postais) “França. Não calculas o estado de aborrecimento e desânimo em que me encontro actualmente!“; “França. Já depois de ter escrito o 1.º bilhete é que recebi cartinha tua, que muito agradeço, pois há já bastante tempo que não recebia notícias tuas. Não há maneira de haver sossego no país! Com que então o grilo não quis esperar pela noite de S. João?

20 de Junho – “França. Hoje recebi apenas o Século. Enfim, já vou recebendo alguma coisa! Ainda não veio a resposta ao meu requerimento. Já vou estranhando bastante a demora“.

21 de Junho – “França. Ainda nada veio relativamente ao requerimento em que pedia para regressar a Portugal“.

22 de Junho – “França. O tempo tem estado muito agreste; não parece estarmos em Junho“.

1918 – Há Cem Anos – oitenta

Em Portugal, uma greve dos ferroviários, iniciada no dia 4 de Junho de 1918, vai causar sérios problemas na circulação dos comboios, com efeitos sobre a troca e correspondência entre o país e França. Alguns postais e cartas, sobretudo de Benvinda para o pai, serão mesmo perdidos sem remédio.

Entretanto, na frente da Guerra, começa a sentir-se a força das tropas norte-americanas, que vai ter um papel decisivo no decorrer dos combates. A 6.ª divisão americana contra-ataca o exército alemão, a partir do dia 6 de Junho. Foi mesmo a primeira intervenção de uma unidade americana na frente ocidental.

A tecnologia da época também se faz sentir, pois os franceses conseguem interceptar comunicações alemãs de rádio e por isso antecipam as iniciativas e as estratégias. O avanço inimigo a caminho de Paris é travado e os Aliados ganham um novo fôlego.

O capitão José Cândido Martinó vai iniciar um processo individualizado na tentativa de regressar à Pátria. Não fazia para ele mais sentido a permanência num local onde a sua função profissional já não podia concretizar-se…

9 de Junho – “França. A fronteira está novamente fechada. Fiz hoje entrega do requerimento pedindo para regressar a Portugal. Julgo que será deferido em virtude do que alego ser razoável“.

Entre este dia, 9 de Junho de 1918, e até 14 vai decorrer a Batalha de Montidier-Soissons.

10 de Junho – “França. O meu requerimento deverá seguir hoje e julgo que as coisas estão bem encaminhadas. Aguardemos o resultado“.

11 de Junho – “França. Julgo que a fronteira está novamente fechada. Enviei hoje um telegrama. Estou ansioso por ver qual a solução dada ao meu requerimento. A época do teu exame aproxima-se“.

12 de Junho – “França. Há já uns 8 dias que não recebo correspondência; a ti naturalmente sucede-te o mesmo! A tal fronteira fechada é um verdadeiro pesadelo. Quando terá fim tal martírio?

1 de Junho – Portalegre: “E o Papá continua bem? Que Nossa Senhora o proteja. O calor continua bastante forte; custa muito a suportar“.

13 de Junho – “França. À fronteira fechada veio ainda seguir-se a greve ferroviária!

14 de Junho – “França. Actualmente tenho apenas 8 músicos?! Aguardo com ansiedade o resultado do meu requerimento“.

15 de Junho – “França. Retiraram hoje para aí alguns músicos licenciados. Ao músico Serra entreguei uma carta para o Avozinho, alguns souvenirs e alguns postais. Os postais que agora envio são para guardar. Também remeto, pela mesma via, alguns dos teus postais. É preciso muito cuidado com as fechaduras; pois juntamente com o arrombamento e roubo das malas e arquivo, também levaram as chaves. Fiquei sem dois fardamentos novos, fato à paisana, etc. Foi um prejuízo de 400 a 600.000 reis”.

1918 – Há Cem Anos – setenta e nove

Pelo mês de Junho de 1918 fora, continuou a troca de correspondência entre o pai, em França, e a filha, em Portalegre.

1 de Junho – “França. Talvez retire amanhã, ou ainda hoje“.

2 de Junho – “França. Retiro hoje. Vi duas praias muito bonitas. [Com bastante probabilidade, Wimereux e Ambleteuse?] Tive ocasião de ver as minhas malas. Estavam arrombadas e quase tudo roubado; até o arquivo da música foi arrombado!

José do Carmo da Fonseca, habitual “correspondente de guerra” de “O Distrito de Portalegre”, faz aqui publicar, a 2 de Junho de 1918, a crónica ‘De França. A ofensiva alemã ao sector português em 9 de Abril – Honra a Infantaria 15’, onde traduz o seu testemunho pessoal sobre o então acontecido. E conclui: “… É bom que se recompense quem soube honrar o nome de Portugal. Os milhares de pessoas que a esta hora estão cobertos de crepes, pela morte dos seus entes queridos que tombaram heroicamente nesta civilizadora França, choram com lágrimas de sangue a perda dos seus e as famílias dos sobreviventes que cumpriram o seu dever, mas que a sorte os protegeu, esperam com ansiedade o regresso à Pátria daqueles que há 16 meses se encontram em França, sem que haja quem tenha o bom senso de recompensar os sacrifícios e serviços que em prol da Pátria se têm prestado. Agora mais que nunca é necessário que haja quem lance os olhos humanitários para quem vai morrendo lentamente, se não houver quem se compadeça dos infelizes que foram condenados a passar a vida nas trincheiras. Se há portugueses que se têm sacrificado pela sua Pátria, os expedicionários a França pertencem a este número, portanto já é tempo de recebermos o prémio de tanta canseira e fadiga, tornando assim em realidade as palavras do imortal Camões: Honrai a Pátria que ela vos contempla. A Pátria já nós honrámos, portanto aguardamos a contemplação que não é exigente, apenas o ingresso aos nossos lares, onde a família nos espera cheia de saudades.

23 de Maio – Portalegre: “Agora, o que eu peço a Nossa Senhora é que o Papá tenha muita saúde e desejo que seja muito feliz“.

24 de Maio – Portalegre: “Dou-lhe os meus parabéns; por ordem do Ex.mo Presidente da República e por proposta do Ministério da Guerra ficam os Chefes de Música designados pela sua graduação; assim o Papá fica sendo, para todos os efeitos, Capitão Chefe de Música. Estimo que o grande passeio lhe dê felicidade“.

25 de Maio – Portalegre: “Recebi hoje o seu postal muito lindo; estes últimos gosto muito deles; os que o Papá cá deixou estão quase a acabar“.

3 de Junho – “França. De regresso da minha viagem de 5 dias, vim encontrar os jornais, uma carta do Avozinho e 4 postais teus. (…) Recebi informações que confirmam a morte do Fino“.

4 de Junho – (quatro postais) “França. Calculo o roubo que me fizeram em 400 a 600.000 Reis. Desde que regressei de licença, tenho andado em maré de infelicidade. Não pude conferir o arquivo, por isso não posso avaliar o roubo das músicas. Há coisas que me fazem muita falta e que não posso fazer substituir. Fiquei incomodadíssimo“; “França. Com respeito a Bandas de Música no C. E. P. correm várias versões, mas até hoje nada resolvido. (…) É preciso muito cuidado com as fechaduras. O roubo foi feito a mais oficiais, sargentos, etc.“; “França. Roubaram a chave da porta da casa de jantar, outra chave da minha gaveta (secretária) e as chaves de dois cadeados. É preciso ter cuidado com as portas da casa. Não pude verificar se me faltava alguma dos postais que me tens escrito. Estimo as melhoras do Avozinho” ; “França. Logo que termines os postais que deixei ficar, passa a escrever cartas, caso os postais fiquem mais caros. O que desejo é que escrevas todos os dias. Fiquei satisfeito em saber que o major Piedade continua fornecendo algumas mercearias. Brevemente escrevo ao major Piedade e Dr. Abreu. O Avozinho que dê sempre cumprimentos meus a todas as pessoas que perguntem e se interessam por mim”.   

5 de Junho – (dois postais) “França. O Avozinho que guarde o dinheiro preciso para te comprar um relógio luminoso para pulso, quando tu fizeres exame; quero que seja muito bonito e escolhido por ti; e com corrente-pulseira especial. Não me posso esquecer da grande roubalheira de que fui vítima“.

6 de Junho – “França. Recebi do menino Alfredo Alves a poesia – A Música – que me ofereceu“.

30 de Maio – Portalegre: “O calor estes dias tem sido muito. Já apareceram as primeiras cerejas, muito boas e eu gostei muito; e também já há nêsperas. Continuo pedindo a Nossa Senhora para que o meu bom Papá tenha saúde e o livre do perigo“.

7 de Junho – “França. Escrevi ao Major Piedade, Dr. Abreu e menino Alfredo Alves. Por aqui, só daqui a um mês ou mais é que aparecem as cerejas. Se consigo voltar a Portalegre, já de lá não saio“.

8 de Junho – “França. Há alguns dias que me sinto muito aborrecido; já estou saturado de França. Vou fazer um requerimento a ver se me mandam regressar a Portugal“.

La Lys em selos

O Centenário da I Grande Guerra continua a ser comemorado. Entre nós, merece especial citação o excelente e permanente desempenho da Comissão Coordenadora da Evocação dessa efeméride, liderada pelo portalegrense Tenente-General Mário de Oliveira Cardoso.

Para além dos eventos locais ou nacionais que têm vindo a acontecer com regularidade, registe-se como um oportuno exemplo de manifestação paralela, esta de âmbito que excede o nacional, a edição de selos postais comemorativos. O pretexto próximo foi a Batalha de La Lys, de tão triste memória para o Corpo Expedicionário Português.

Os CTT editaram uma colecção de selos que engloba uma estampilha para a correspondência nacional e outra para o estrangeiro. A primeira insere-se num bloco, tendo havido ainda um carimbo especial e um sobrescrito do 1.º dia.

Toda a temática do conjunto assentou em imagens de arquivo da época.

Uma pagela simples alusiva inclui um interessante texto do Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes. Em La Lys – Uma memória com cem anos, o autor recorda o acontecimento, historiando brevemente a criação e funções da própria Liga a que preside.

Aqui fica o registo sumário desta edição.

1918 – Há Cem Anos – setenta e oito

Infelizmente, como fica adiante demonstrado, não se confirmou a expectativa do capitão José Cândido Martinó. Ainda que tivessem perdido significado e mesmo plena capacidade, as bandas militares ainda não regressariam à Pátria…

26 de Maio – “França. A tal boa notícia que me tinham dado era que iam mandar retirar as Bandas de Música para Portugal, mas infelizmente não teve confirmação. Parece-me que as minhas malas e arquivo andam muito mal amparadas“.

Por outro lado, não tardou muito a resposta do Governo à corajosa e firme atitude colectiva da imprensa portalegrense. Na sua edição de 26 de Maio, “O Distrito de Portalegre” ostenta um flamante título: “Para a história da censura. O dito por não dito.” O conteúdo do texto é muito simples: transcreve, com breves comentários, uma nova circular do mesmo subscritor da anterior onde se comunica que, afinal, bastará remeter as provas ao Quartel local da Guarda Nacional Republicana como é costume, uma vez que nenhum diploma legitima a exigência do comando da 7.ª Divisão quanto ao exercício da censura. “Do mal o menos”, escreve ironicamente o redactor…

A propósito, ficarão de certo modo “célebres” algumas páginas de jornais de Portalegre que, nos meses próximos e numa clara demonstração de coragem e desafio, publicarão espaços em branco ou linhas truncadas, nos locais “censurados”… “A Plebe” destacar-se-á neste particular, nomeadamente com uma primeira página da sua edição de 23 de Junho de 1918, onde só no texto “República… Monárquica” surgem nada mais nada menos do que seis espaços em branco!

De notar que este ostensivo procedimento -colunas inteiras em branco, vazias dos previstos artigos a ali divulgar- tornou-se frequente na imprensa diária nacional Os exemplos são incontáveis…

18 e 19 de Maio – Portalegre: “Já ando a tomar o remédio xarope iodotónico“.

27 de Maio – “França. Tenho andado em maré de infelicidade com a minha bagagem e arquivo“.

Neste dia 27 de Maio  de 1918 começa a travar-se a 3.ª Batalha de Aisne, que se vai prolongar até 6 de Junho.

20 de Maio – Portalegre : “Na quinta feira da Ascensão houve a festa dos aventais na casa Branca; os que lá foram por causa duma grande trovoada que se desencadeou vieram muitíssimo molhados“.

21 de Maio – Portalegre: “Espera-se que ainda hoje ou amanhã chegue o açúcar a Portalegre“.

28 de Maio – “França. Cada vez me sinto mais aborrecido e desejoso por ver a situação actual liquidada. Não calculas o estado criminoso em que abandonaram o material, bibliotecas e museus dalgumas escolas!

30 de Maio – “França. Cheguei bem e parto amanhã pela manhã“.

31 de Maio – “França. Cheguei bem e talvez demore uns dois dias“.

O balanço postal deste Maio de 1918 revela: de França – 37 postais ilustrados, sendo 30 do tipo romântico, 2 de género religioso, e 5 com vistas de Wimereux (três de dia 15), Boulogne e Bordeaux (dia 24); de Portalegre – trinta e um postais ilustrados: 17 românticos, 3 com vistas da Guarda, 4 de Irun, 1 de Thérouanne, 1 de San Sebastian, 1 de Behobie e 4 de Paris.

Entretanto, a situação político-social portuguesa mantém-se tensa. No dia 27 de Maio de 1918, uma parada operária convocada pela União de Sindicatos Operários de Lisboa entra em confronto com a polícia que formava cordões para impedir a sua entrada no Terreiro do Paço.

“O Distrito de Portalegre” da véspera, 26 de Maio, publicara uma transcrição do seu colega nortenho “O Comércio do Lima”, no artigo Justas reflexões comentado por Justo. As críticas à lamentável situação vivida pelas nossas tropas em França são evidentes. Tornava-se cada vez mais difícil esconder a verdade…