1917 – Há cem anos – trinta e sete

9 de Agosto – Portalegre: “Salvé! 19 de Agosto de 1917! Grande dia!… Pena é eu estar tão longe do meu querido Papá, para lhe dar, como eu desejava, muitos beijos e muitos abraços como merece. Eu já vou passando melhor; já não me apoquenta tanto a tosse“.

19 de Agosto – “ França. Sempre fui hoje em passeio a uma cidade bastante bonita. [Merville ou Estaires?] Recebi a carta do Avozinho, bilhete da Aurora e teu. Muito reconhecido vos agradeço as felicitações pelo meu 45.º aniversário. Encontrei-me com o capitão Miranda; é meu vizinho. Fala-se em permissões que poucos poderão aproveitar. (…) Brevemente escrevo ao Dr. Abreu a agradecer-lhe os cuidados que teve contigo”.

Neste dia 19 de Agosto, José Cândido cumpre em França os seus 45 anos, o que motivou a correspondência alusiva recebida.

Entretanto, “A Plebe” divulgara mais um “Quadro de Honra”: “Regimento de Infantaria 22. Militares falecidos em França de 23 a 30 de Julho. Por ferimentos em combate: 6.ª Companhia – soldado 372, Joaquim Mendonça; 9.º C. – soldado 151, José S. E. Rita; 9.ª C. – soldado 456, Joaquim António Alturas. De 29 de Julho a 4 de Agosto. Por ferimentos em combate: 1.ª Companhia – soldado 616, Joaquim B. Crespo; 5.ª C. – soldado 320, Joaquim da S. Sobreira; 6.ª C. – soldado 311, José Augusto, José Augusto Martinho; 9.ª 1.º cabo 408, João dos S. M. Caldeira. Por motivo de desastre: 6.ª Companhia – soldado 472, José Mendes Ribeiro”.

Sem outros comentários, registe-se a hipótese (?!) de este último ser o soldado 427, José Mendes Ribeiro, da 9.ª Companhia, falecido igualmente por motivo de desastre, entre 21 e 28 de Julho, segundo constava no “Quadro de Honra” da passada semana… A ostensiva falta de rigor nestas sucessivas comunicações públicas na imprensa tornou-se hábito.

12 de Agosto – Portalegre: “Eu vou melhorando dos meus incómodos, já pouco incomodativos; mas as melhoras completas deverão ainda demorar algum tempo. Continuo tomando os remédios indicados pelo Snr. Dr. Abreu“.

Em 19 de Agosto de 1917 aconteceu um forte bombardeamento aéreo alemão a Isbergues e a Saint Venant, bem na retaguarda das nossas linhas defensivas. Na primeira destas localidades situavam-se altos fornos da indústria e, na segunda, alojava-se o Quartel General do Corpo Expedicionário Português.

No dia seguinte, 20 de Agosto, as tropas francesas conquistam importantes posições na 2.ª batalha de Verdun.

Datado de 13 de Agosto, chegou a José Cândido um postal de um amigo, visado pela Censura, com notas musicais e um interessante texto “charadístico”:

Do íntimo agradeço as felicitações
Recebidas no dia 13.
seras e pobres são as minhas palavras;
Façam elas, porém, sentir o meu reconhecimento.
Solicito as aceite como muito sinceras,
Lamentando apenas não poder, d’outra forma, a
Si provar quanto me honram as saudações

                                               Que recebi de V.a Ex.a de
                                               Quem me confesso
                                               Muito atento, venerador e obrigado,
                                                                            Quim (ou Dimas?)

20 de Agosto – “ França. Todos os dias encontro gente conhecida, que só aqui poderia encontrar”.

21 de Agosto – “ França. Faço votos de que te restabeleças o mais rapidamente possível. É necessário todo o cuidado com todos os bilhetes que tenho remetido. Não calculas a grande quantidade de fruta que há por estes sítios. As árvores de fruta atingem grandes proporções. Escrevi uma carta à tua professora; não recebeu?”.

22 de Agosto – “ França. Na casa onde estou há muitas crianças. Recebi hoje carta do Sr. Dr. Clemente Ramos dando-me os parabéns pelo brilhantismo do teu exame”.

14 de Agosto – Portalegre: “A minha partida está para breve, para S. Nicolau“.

1917 – há cem anos – trinta e seis

O Tagarela, “jornal da trincheira”, terá deixado de se publicar neste seu número 3, datado de 16 de Agosto de 1917. Pelo menos, na recolha que dele fez o capitão chefe-de-música José Cândido Martinó, terminou aqui a sua colecção.

A curiosa publicação, policopiada, continha as impressões pessoais dos seus redactores sobre o que os impressionava numa visão da vida na frente de combate e, sobretudo, nos bastidores da guerra. O Expediente, as Informações, o Diz-se, as Crónicas Científicas, a Entrevista, o Cancioneiro, os Segredos de Alcova, as Definições, os Anúncios, as Variedades, as Publicações Recebidas e outras rubricas revelam a produção de uma equipa experimentada, com inegáveis dotes editoriais e espírito culto e crítico. Não foi possível descobrir a sua identidade.

Realça-se a qualidade estética da separata. Na base reflecte uma profunda crítica  na alusão em cartoon à requintada vida social dos oficiais, na retaguarda, em contraste com o quotidiano da dura permanência dos soldados e sargentos nas trincheiras da frente.

Para alguns, pelo menos segundo O Tagarela, a guerra não seria tão má como a pintavam!…

1917 – há cem anos – trinta e cinco

Na mesma data, 12 de Agosto de 1917, verifica-se a publicação de mais um “Quadro de Honra” em “A Plebe”. Agora, graficamente, a relação vai deixar de se apresentar como composição em coluna de texto para assumir a forma de um autêntico quadro enquadrado por filete negro e encimado pela expressão “Pela Pátria!”. Os “Quadros de Honra” restantes manterão este aspecto gráfico. Porém, no caso concreto desta publicação, repetem-se divergências, como as anotadas em relação às listas de 8 de Julho: José Alves Pereira morreu por efeito de ferimentos (“Distrito”) ou por intoxicação de gases (“Plebe”)?! Apolinário tem o apelido Cardigos (“Distrito”) ou Cardoso (“Plebe”)?! Augusto da Silva era o soldado n.º 684 (“Distrito”) ou n.º 634 (“Plebe”)?! O soldado n.º 427 da 9.ª Companhia, José Mendes Ribeiro, morto por motivo de desastre, segundo “A Plebe”, não figura na relação do “Distrito”… Mantém-se a perplexidade perante estas objectivas e repetidas faltas de rigor informativo, sobretudo partindo do óbvio princípio de que a fonte era oficial e única, o Ministério da Guerra.

13 de Agosto – “França. Vais melhorando da impertinente tosse? Hoje, dia do teu 9.º aniversário, envio-te sinceras felicitações por tão feliz data, esperando em Deus que possamos juntos festejar o teu 10.º aniversário, livres desta calamitosa guerra a que as armas não poderão pôr termo. O mês de Agosto tem decorrido bastante invernoso; é raro o dia em que não chove“.

14 de Agosto – “França. Desejo a continuação das tuas melhoras. Já recebi ordem para retirar no dia 16; chego nesse mesmo dia à boa vizinhança“.

Neste dia aconteceu um violento raid alemão contra o sub-sector esquerdo do Neuve Chapelle e o sub-sector direito de Fauquissart.

15 de Agosto – “França. Fui hoje dar um passeio e tive ocasião de ver a 1.ª Procissão desde que estou em França; ia belamente posta e com muita ordem; gostei muitíssimo“.

16 de Agosto – “França. Estimo que vás melhorando da impertinente tosse. A procissão de ontem: à frente iam as meninas de todas as escolas e colégios, com os seus rosários, livros de orações e fitinhas com medalhas. Cada escola ou colégio distinguia-se pela cor das fitas. Os andores eram conduzidos por meninos todos vestidos de branco e coroa de flores; seguiam-se os rapazes das escolas e colégios e muito povo; seguindo-se os clarins e tambores, executando marchas; fechava o cortejo um pequeno andor conduzido por meninos do coro e os padres ricamente paramentados. À frente de tudo ia o barbaças fardado e de moca em punho dirigindo o cortejo. Tudo rezava e cantava. Os homens que iam incorporados não levavam chapéu; mas à passagem da procissão ninguém se descobria“.

Com esta data, 16 de Agosto de 1917, surge o terceiro (e último conhecido) exemplar do jornal de trincheira “O Tagarela”. Com algumas páginas hoje desprovidas de uma legibilidade aceitável -cem anos têm o seu preço!- é dominado pela habitual ironia e dispõe de uma separata bastante crítica. Será publicada a sua reprodução no próximo “capítulo” destas crónicas.

17 de Agosto – (dois postais) “França. Estimo a continuação das tuas melhoras. Partimos ontem à tarde e chegámos bem; a viagem demorou meia hora, pois viemos de camion. [Concluída a diligência da banda em Lestrem, verificou-se o seu regresso para mais perto da frente: Vieille Chapelle?] O dia 15 de Agosto é um dia muito festivo em França. O que é que escolheste para o dia dos teus anos?“; (…)França. Como já disse, cheguei e desta vez consegui arranjar um quarto regularmente decente e com cama“.

18 de Agosto – “França. Faço votos para que vás melhorando da teimosa tosse que tanto te tem apoquentado, e a mim também. Recebi os jornais de Portalegre. A gente em casa de quem estou é boa. Amanhã talvez vá dar um passeio muito bonito. O general deu-nos três dias de licença como prémio do serviço que fizemos“.

Chegou entretanto às mãos do capitão José Cândido um postal de Portalegre, datado do dia 9, da autoria da sua irmãzinha Aurora: “Meu querido Padrinho. Estimo que continue passando bem; a Benvinda melhorzinha. Não tem nada que agradecer por eu ter concorrido para o bom exame da Benvinda. Não fiz mais do que era o meu dever. Não é costume na Escola darem a média final senão no 3.º ano e por isso só lhe posso dizer que pelas médias fui a melhor. Este ano como é de exame tenho que estudar muito. Fui com a professora ver o exame da Benvinda e realmente foi um gosto. Saudades de nós todos e beijinhos da Benvinda. Sua afilhada muito amiga, Aurora Martinó.”.

1917 – há cem anos – trinta e quatro

O “capítulo” de hoje nesta evocação de há cem anos é dedicado, como previsto, à reprodução do número 2 do “jornal das trincheiras” Tagarela, datado de 1 de Agosto de 1917.

Pode neste encontrar-se o humor que nunca terá abandonado os seus redactores, apesar de por vezes traduzirem factos de natureza dramática.

A separata reproduzida no final desta breve relação das 8 páginas policopiadas do jornal traduz, a este propósito, o comportamento de um soldado músico (como se pode confirmar pelo emblema no colarinho da farda e pela banda em fundo) durante um ataque inimigo por meio de gás. Pode relacionar-se este episódio, aqui simbolicamente caricaturado, com alguns testemunhos já transcritos, sobretudo numa passagem de um postal de 16 de Julho de 1917:

França. No dia 14, também tivemos uma grande revista. Puxámos alguns Batalhões a pau e corda. A certa altura, os meus artistas fizeram-me lembrar o círio de N.ª S.ª da Atalaia. Presumiam que a guerra era a história da “sorte grande” que só sai aos outros. Tive que lhes fazer ver que a guerra é uma rede que arrasta valentes e poltrões e que a guerra não é beber copinhos de vinho e jogar a bisca e o dominó. No que alguns heróis do 14 de Maio haviam de dar!…

    

1917 – há cem anos – trinta e três

30 de Julho – “França. A tosse vai desaparecendo? Em todas as igrejas de França existe a imagem de Joana d’Arc. Julgo que já te disse que a parte da casa mais cuidada é a cozinha; até aí colocam o piano! (…) Esta noite consegui dormir. Raro é o dia em que não chove ou troveja“.

O balanço postal relativo ao mês de Julho de 1917 mostra-nos: vindos de França, são 31 postais, dos quais 27 do tipo romântico, 2 de tema infantil e dois (dias 24 e 25) pintados à mão, enquanto de Portalegre se contam, apenas, duas cartas.

Desde 31 de Julho, com prolongamento até 6 de Novembro, travar-se-á a terceira e sangrenta Batalha de Ypres. Os britânicos, os australianos e os canadianos abrirão difícil caminho para a aldeia de Paachendaele.

Foi também neste mês de Julho de 1917 que a Inglaterra lamentou retirar do serviço português um dos dois navios que asseguraram a rotação das unidades, segundo nos conta a “História de Portugal”, dirigida por João Medina, Ediclube, 1933.

E em Agosto continuam os anos da Guerra, em França, “traduzidos” nos bilhetes postais ilustrados do capitão José Cândido Martinó para a filha Benvinda, em Portalegre, assim como as respostas desta.

 “O Tagarela” n.º 2, datado precisamente de 1 de Agosto de 1917, insere no seu “Carnet Mondain” (pág. 5) uma notícia pessoal relativa ao maestro militar: “Vai partir brevemente para a 1.ª D. o nosso querido amigo e insigne ‘maestro’ Martinó. Boa viagem, saúde e … [Notícia atrasada na Redacção, porque como sabemos já tinha partido!]”.

O próximo “capítulo” da presente evocação será dedicado, como anteriormente se fez, à reprodução integral do segundo exemplar deste “jornal das trincheiras”.

Entretanto chegou a França mais uma missiva de Portalegre.

28 de Julho – Portalegre: “Eu vou passando melhor, bastante melhor da coqueluche que, em princípio, me apoquentou bastante. Fui bem tratada. (…) Diziam que era moléstia para seis ou mais meses e que teria de mudar de ares, mas até ao presente nada disso foi preciso. Fiz no dia 14 o meu exame, ainda com muita tosse, mas com muita coragem“.

Em 5 de Agosto, “O Distrito de Portalegre” publica mais uma lista de: “Baixas em França. Infantaria 22. Faleceram de 8 a 21 de Julho, por efeito de ferimentos em combate: 1.ª Companhia de Portalegre: 1.º cabo n.º 549, António Belo Alfaia; 1.º cabo n.º 369, Reinaldo Mendes; soldados n.º 323, Custódio Mourato Ceia; n.º 363, José Brito; n.º 927, Manuel António; n.º 165, António Bruno. 5.ª Companhia de Abrantes: soldado n.º 466, José Martins (poderá ser este o nome a mais na relação de 8 de Julho?!). 9.ª Companhia de Elvas: soldado n.º 154, Joaquim Manuel.

10 de Agosto – “França. Faço votos pelo teu completo restabelecimento. Julgo que retiro no dia 15; aqui estava muito melhor mas não posso continuar porque tem que passar por todos. (…) O tempo continua a estar mau. Hoje talvez vá dar um passeio de automóvel a uma cidade já minha conhecida e bastante bonita“.

11 de Agosto – “França. Muito estimo  a continuação das tuas melhoras. (…) Sempre é no dia 15 que retiramos. Ontem não pude dar o tal passeio de automóvel. (…) Já recebeste algum bilhete meu com alguma palavra cortada ou pincelada?

As preocupações com a potencial intervenção da censura continuam…

12 de Agosto – “França. Fui hoje dar um belo passeio de automóvel; encontrei-me com alguns amigos que ainda cá não tinha visto. Os passeios de automóvel têm sido muito baratos”.

O jornal “O Distrito de Portalegre”, em 12 de Agosto de 1917, repetia a notícia já conhecida: “D. Maria Joana Dias Gonçalves. Mais uma vez esta senhora, distinta professora de ensino particular, mostrou o seu amor pela causa da instrução. Todos os seus alunos obtêm sempre boas classificações, o que prova as faculdades de inteligência de que é dotada e o seu aturado trabalho. Apresentou este ano a exame com óptimo resultado os seguintes alunos: 1.º grau – Benvinda d’Alegria Ceia Martinó…”

Ao lado, o mesmo jornal apresenta uma outra notícia, de tom muito menos agradável: Infantaria 22. Baixas em França. No dever sagrado da defesa da Pátria, faleceram em França de 21 a 28 de Julho; por efeito de intoxicação de gases: 1.ª companhia, N.º 174, Artur Gonçalves; 384, Apolinário Raimundo Cardigos; 486, Francisco Marques; 596, José Luís; 684, Augusto da Silva; 691, António Acates. Por efeito de ferimentos: 6.ª companhia, n.º 278, José Alves Pereira”.

Noutros semanários locais, como de costume pouco rigorosos, as relações acusam nomes diferentes ou variantes…

1917 – há cem anos – trinta e dois

O capitão José Cândido Martinó confirmaria pelo semanário “A Plebe”, na edição de 19 de Julho de 1917, que recebeu em França, o excelente resultado escolar da sua filhita Benvinda. Curiosamente, esta nota local inclui o nome de outros portalegrenses que se destacariam na sociedade local, como por exemplo Maria Luísa Firmino Costa Pinto, Maria Teresa Roma Alves de Sousa, António Firmino Costa Pinto ou Carlos José Maçãs Nogueiro. Mas só ao regressar à Pátria teve oportunidade de apreciar o respectivo diploma, documento oficial que ficou a atestar o magnífico comportamento da pequena aluna.

Continuava entretanto a preocupar-se com o seu abalado estado de saúde…

25 de Julho – “França. Tu vais estando melhor da tal coqueluche? (…) Passamos a ter exercícios matutinos, a certa altura a petizada que vai para as escolas junta-se à música e não quer saber da escola. [As Ordens dos dias 22, 23, 24 e 26 do corrente mês determinam que a banda de música acompanhe companhias de Infantaria 34 e 21 em exercícios de marcha] Nos dias chuvosos, as rãs vêm ter comigo à cama. Já temos protestos harmoniosos. A festa de amanhã promete estar animada“.

26 de Julho – “França. E tu já te encontras restabelecida da tal coqueluche? (…) As latas da ração são em tal quantidade que há ruas calçadas de latas. A lata está em foco! No dia 28 parto para onde ia várias vezes dar concertos, com demora de 15 a 20 dias. [Fica superiormente determinado que o chefe da banda desta Brigada de Infantaria e o respectivo pessoal marchem em diligência para o comando da 1.ª Divisão, em Lestrem] Para aquelas paragens não há arraiais“.

27 de Julho – (dois postais) “França. Muito estimo que vás melhorando da impertinente tosse. Sempre retiro amanhã. (…) Preciso saber se tens tomado a fosfiodoglicina e a emulsão. O serviço de correio é tudo quanto há de mais detestável e horrível“.

28 de Julho – “França. Vais melhorando da impertinente tosse? (…) Retiro hoje às 4 horas. Está um calor abrasador. Bem bom seria que não tivesse que voltar ao mesmo sítio“.

29 de Julho – (dois postais) “França.  A gente é velhaquíssima; apesar de pagar um franco diário pelo quarto, pela manhã pedi água para me lavar, disseram que fosse à fonte!… De tudo fazem dinheiro. Às 11 horas fui à missa, rezada por um padre-soldado. A novidade que aqui encontrei foi ver um homem muito alto e de grandes barbas, envergando uma farda à ministro, com o competente chapéu na cabeça, empunhando um grande…“; “França. … bastão com toda a pose, fazendo a polícia da igreja e ao mesmo tempo servindo de mestre de cerimónias; pois caminhava à frente do padre quando ia para o altar, à frente do pregador quando ia para o púlpito e à frente dos vários padres e ajudantes que por 5 ou 6 vezes fazem peditório aos fiéis que vão à igreja para ouvir missa, mas que mesmo ali têm de entortar o cotovelo para largar a histórica esmolinha. Temos música todos os dias, mas apesar disso quero ver se consigo fazer umas pequenas viagens“.

A 29 de Julho de 1917 tinha “A Plebe” divulgado mais um “Quadro de Honra”, que inserira, além de diversos feridos, o nome do soldado n.º 154 da 9.ª Companhia, Joaquim Manuel, falecido em 13 do corrente, em virtude de ferimentos em combate.