Crónicas radiofónicas – vinte e cinco – Cântico Negro

Miguel Torga tinha acabado de morrer nesses meados de Janeiro de 1995. Por isso, fica motivado o meu regresso a um tema poético incontornável que aliás nem sequer precisa de tais pretextos para se evidenciar.

José Régio, agora a propósito do seu Cântico Negro, é o conteúdo deste programa radiofónico lido originalmente aos microfones da Rádio Portalegre no final de Janeiro de 1995, há mais de um quarto de século.

Recordei memórias pessoais desses tempos, nomeadamente a iniciativa concretizada em Portalegre/Vila do Conde no ano anterior, quando as duas autarquias patrocinaram a edição digital do esgotadíssimo registo sonoro, num LP, em que José Régio diz poemas da sua autoria, entre os quais o referido Cântico Negro.

Outras interpretações sonoras, igualmente registadas, são aqui lembradas, como as de João Villaret, um clássico, de Ary dos Santos, uma raridade, e sobretudo a última conhecida, de Maria Bethânia. Esta consta de um CD, Nossos Momentos, contendo a memória de uma actuação ao vivo no Canecão, carismático palco do Rio de Janeiro, acontecida em 1982.

A escolha da fabulosa cantora brasileira significou de algum modo a consagração universal de um poema já famoso em Portugal, considerado por Eugénio Lisboa como um dos mais belos de toda a literatura nacional.

A audição da sentida interpretação de Cântico Negro por Maria Bethânia constitui o conteúdo essencial do programa que vos convido a escutar.

Crónicas radiofónicas – vinte e um – O Clube dos Poetas Vivos

O programa radiofónico hoje evocado corresponde ao dia 20 de Maio de 1990.

Estávamos, portanto, nas vésperas de mais um Dia de Portalegre. Por isso, foi-lhe dedicado.

Escolhi a regiana Toada de Portalegre. Como se tratou de uma comunicação sonora, privilegiei a sua declamação. Mas não escolhi o clássico registo ao vivo de João Villaret, no São Luís, preferindo-lhe uma outra versão, bem menos conhecida.

Encontrei-a num LP com Poesia de José Régio dita por Ary dos Santos. Este, para além de inspirado poeta, foi um excepcional declamador. Atrevo-me mesmo a dizer que, no caso da Toada, ele di-la melhor do que Villaret.  

No crescimento da mítica acácia que Régio acompanhou vi então, metaforicamente, o progresso de Portalegre, então uma promessa cumprida infelizmente mais tarde suspensa, até à regressão agora patente… Mas estas são outras crónicas.

Hoje O Clube dos Poetas Vivos traz-nos José Régio e José Carlos Ary dos Santos.

Convido-vos para os ouvirdes numa integral Toada de Portalegre