João Semedo

Tive um único encontro pessoal com João Semedo. Foi em Portalegre, no serão do dia 30 de Março de 2011.

Por ter aceitado o convite para participar no sarau onde foi evocado o 75.º aniversário da estreia da peça Sonho duma Véspera de Exame, de José Régio, esteve presente no auditório da Escola Superior de Educação.

Ali teve oportunidade para presenciar a homenagem concretizada a este propósito no seu tio, Artur Semedo, ao tempo aluno de Régio e principal intérprete da peça, estreada em 30 de Março de 1936, no antigo Teatro Portalegrense.

Foi escasso o tempo de contacto pessoal, ainda assim mais do suficiente para todos podermos ter percebido a discreta dimensão do homem superior que era João Semedo.

Prolonguei o diálogo com ele, à distância, por alguns meses. Depois, a doença obrigou-o a um natural afastamento, de onde ainda regressaria para retomar a sua luta de sempre por todos nós. Até ter perdido o combate. Mas deixa uma perene memória, na lembrança de alguém que se entregou até ao fim acreditando em ideais profundamente humanistas.

O que ficamos devendo a João Semedo é demasiado para que simples palavras de circunstância possam descrevê-lo.

Lembro-o na serena, lúcida e corajosa firmeza de quem pensou muito mais em todos nós do que em si próprio.

João Semedo é merecedor do nosso reconhecimento. Como homem, como profissional e como político ele foi uma mais excepcionais personalidades do seu e nosso tempo.

António Martinó de Azevedo Coutinho

Régio Vivo – cinquenta anos depois – V (final…)

Quando um pequeno grupo -o Ventura, o Bentes e eu- comemorou em Portalegre os 15 anos da morte de Régio, percebemos que as coisas se faziam desde que houvesse uma determinação forte nesse sentido. Recordar hoje essa gesta de 1984 é lembrar a nossa teimosia, logo após o próprio presidente da Câmara na altura ter ridicularizado o projecto. Naturalmente, aquilo que se fez, e foi bastante, ressentiu-se da falta do apoio oficial, muito reduzido.

Duas das edições da época, modestas na forma ainda que muito ricas de conteúdo, apenas puderam ser concretizadas graças à compreensão encontrada fora de portas. O número especial de A Cidade – Revista Cultural de Portalegre (intitulada Presença de José Régio em Portalegre) foi subsidiado pelo Ministério da Cultura e pela Fundação Calouste Gulbenkian, enquanto José Régio – Escritos de Portalegre contou com o patrocínio do Instituto Português do Livro. Foi assim…

Hoje, a edilidade portalegrense tem oportunidade de resgatar as falhas de comportamento que outros assumiram no passado ainda recente, contribuindo de forma marcante para uma reedição, condigna, de ambas as obras.

O número especial de A Cidade tornou-se título de referência, sobretudo pela qualidade da colaboração de personalidades que, na sua maioria, entretanto faleceram. Uma reedição formalmente cuidada, com a necessária actualização, incluindo anotações e súmulas biográficas dos autores desaparecidos, constituirá uma inestimável valorização da memória de Régio.

Quanto aos Escritos de Portalegre, a sua reedição implicará a junção da colaboração de Régio no semanário Alto Alentejo -logo nos inícios da sua vinda para a cidade- aos artigos publicados em A Rabeca e noutros suportes dispersos. Tais escritos, não assinados pelo “clássico” pseudónimo, ainda não tinham sido “descobertos” e recolhidos em 1984.

Embora parecendo repetitiva, justifica-se a realização de Ciclos temáticos regianos de conferências ou colóquios por intermédio de conhecedores, estudiosos e/ou amigos pessoais de José Régio, portalegrenses ou afins. A relação possível é vasta: António Ventura, Fernando J. B. Martinho, Maria José Maçãs, Maria Ascensão, Aurélio Bentes, Florindo Madeira, António Martinó, Mário Freire, Augusto Costa Santos, Maria João Falcão, Francisco Vinte e Um Mendes, Lauro António…

Outra iniciativa local que se sugere consiste na organização de Exposições -de preferência com características itinerantes- dedicadas aos principais elementos integrantes da(s) Tertúlia(s) portalegrense(s) de José Régio:

  • João Tavares
  • Arsénio da Ressurreição
  • Feliciano Falcão
  • Firmino Crespo
  • (Manoel de Oliveira, António José Forte, David Mourão-Ferreira, Eugénio Lisboa, João Diogo Casaca, Lauro Corado, Renato Torres…)

Nunca foi implantada uma lápide comemorativa da “presença” do Dr. José Maria dos Reis Pereira (José Régio) como professor de Português e Francês no Liceu Nacional de Portalegre, actual Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Portalegre, antigo palácio dos Acciaioli da Fonseca Coutinho. Por que não aproveitar para isso esta próxima oportunidade, que até coincide com os 90 anos da chegada do Dr. Reis Pereira ao Liceu!?

Finalmente, para já, aventa-se a oportunidade de implantação de um memorial simbólico em lembrança de José Régio – Davam Grandes Passeios aos Domingos. Sugestão temática: a versão em baixo relevo de uma janela aberta com Régio (a partir de uma curiosa fotografia), em conjunto a implantar urbanisticamente no Largo dos Correios (Dr. Frederico Laranjo), emblemático local da tertúlia regiana mais significativa, a do Café Central.

O Café Facha, ainda que transfigurado em relação à sua traça nos tempos da última tertúlia regiana em Portalegre, também justificaria a instalação de um local dedicado a José Régio, algo entre o que se situa na Brasileira do Chiado, em Lisboa, quanto a Fernando Pessoa e o que se pode apreciar no Diana Bar de Póvoa do Varzim… Isto para além da evocação à “histórica” fundação do Amicitia, grupo juvenil que viria a sofrer forte influência regiana. Está tudo ligado, na memória de pessoas, factos e lugares que têm sido alvo de um injusto e prolongado “apagão”…

Vai longo, embora nunca esgotado, o rol de sugestões ou, dirão alguns, de “provocações”.

Porém não o termino sem a referência a uma questão, embora marginal ao pretexto em causa, que me vem preocupando ao ponto de já a ter abordado por mais de uma vez neste blog. Trata-se da anunciada intenção da Sociedade Portuguesa de Autores, dinamizada pelo seu presidente José Jorge Letria, de compor, distribuir e explorar aquilo a que chama o Mapa dos Autores Portugueses. Insiste o ideólogo na repetida intenção de destacar apenas os locais de nascimento das largas dezenas de vultos nacionais já recenseados. Isto será um logro cultural uma vez que, com todo o respeito por Vila do Conde, Portalegre merece e justifica a sua inclusão, por tão óbvios motivos que me escuso de aqui os repetir. Se quem de direito, representando a “Presença de Régio em Portalegre” não actuar atempadamente, a Toada e os Grandes Passeios aos Domingos que o imortal autor por ali dava ficarão na lista dos injustos esquecimentos…

Como infelizmente vamos estando mais ou menos habituados. Mas não desisto de acreditar que um dia, em Portalegre, as coisas mudam…

António Martinó de Azevedo Coutinho

Régio Vivo – cinquenta anos depois – IV

Tenho sempre defendido, por óbvias razões, a importância de Portalegre como fundamental e decisivo contexto na vida e obra de José Régio. O natural reconhecimento desta realidade histórica confere, por isso, uma especial responsabilidade à cidade da Toada na preservação e no louvor das memórias regianas. E o presente pretexto insere-se nesta lógica elementar.

Por isso, para além da activa e leal cooperação com Vila do Conde, Portalegre deve ter a sua própria programação, autónoma, relativa ao cinquentenário da morte do literato, professor, humanista e pensador.

Assim, afigura-se oportuna a concretização, em 2019,  do projecto em curso Passos de Régio em Portalegre, compreendendo a edição do livro alusivo e de folhetos sumários, a identificação oficial dos “passos”, a sinalização pública do itinerário e a disponibilização da aplicação (app) criada para o efeito. Pela implicação pessoal no projecto, nada mais aqui acrescento.

Uma potencial organização, creio que nunca mais concretizada após o Festival local dinamizado por Lauro António pelos finais dos anos 80, diz respeito a um Ciclo de cinema, incluindo apresentação e debate, com filmes inspirados em obras de Régio:

  • O meu Caso – Manoel de Oliveira
  • O Vestido Cor de Fogo – Lauro António
  • Benilde ou a Virgem-Mãe – Manoel de Oliveira
  • O Príncipe com Orelhas de Burro – António de Macedo
  • O Quinto Império – Manoel de Oliveira

Um outro evento, próximo, corresponderia à organização de um Ciclo de cinema, incluindo apresentação e debate, com documentários associados à vida e obra de Régio:

  • Os Habitantes de Aquela Casa – Ernesto de Oliveira
  • As Pinturas do meu Irmão Júlio – Manoel de Oliveira

Complementarmente, restaria a organização de mais um Ciclo de cinema, incluindo apresentação e debate, com documentários inspirados na biografia e episódios da vida e de Régio, incluindo alusões à obra:

  • Histórias de Portalegre – José Hermano Saraiva (RTP)
  • Toada de Portalegre – José Hermano Saraiva (RTP)
  • Régio, o Elogio da Leitura – Isabel Baía (RTP)
  • José Régio, a Escrita da Casa – Armando Cortez (RTP)
  • Régio, de Vila do Conde a Portalegre – RTP
  • A Glória de Fazer Cinema em Portugal – Manuel Mozos

Sem a pretensão de ter esgotado as listas, certamente mais amplas, a organização destes Ciclos de Cinema, sem as exigências do Teatro (que aqui nem será considerado), poderiam trazer ao grande público -como às escolas- uma considerável mais valia, traduzida num mais perfeito conhecimento da enorme dimensão da figura de José Régio, assim como da importância da sua obra.

Duas edições originais em DVD, distintas mas ambas próprias de Portalegre, dispõem de uma potencial vocação para amplificar tais desígnios.

Uma destas implicará a edição, em DVD, do documentário Os Habitantes de Aquela Casa, de Ernesto de Oliveira, complementado com apreciações críticas (Lauro António e outros) e com depoimento sobre o autor, prestado por Florindo Madeira, seu amigo íntimo.

O Dr. Ernesto de Oliveira, castelovidense natural da freguesia de Póvoa e Meadas, é um dos ilustres desconhecidos cuja memória merece e aguarda uma homenagem que tem demorado, injustamente. Não é este o tempo, nem o lugar, para devidamente evocar a personalidade e a obra de Ernesto de Oliveira, projectadas em distintas áreas que vão de pioneiras iniciativas nos domínios da divulgação jurídica até à lúcida paixão pelo Cinema. Castelo de Vide e Portalegre, que com Lisboa partilharam a sua vida, têm para com ele uma dívida a cumprir. Até quando? O pretexto aqui sugerido pode constituir o início desta reparação cívica.

A outra edição, igualmente em DVD, é relativa ao invulgar espectáculo Toada de Portalegre, realizado no Teatro Municipal de São Luiz, em Lisboa, com canto de Ricardo Ribeiro e música de Rabih Abou-Khalil, interpretada pelo Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida pelo maestro Jan Wierzba. Já disponível no canal YouTube, o registo da notável apresentação merece uma cuidada edição videográfica, com complementos que expliquem e enriqueçam a iniciativa.

António Martinó de Azevedo Coutinho

Régio Vivo – cinquenta anos depois – III

Não se esgotam nas sugestões aqui deixadas as possibilidades que uma empenhada aliança entre as autarquias portalegrense e vilacondense poderá desencadear.

Apesar de ser desejável uma medalha “oficial” promovida pela INCM, nada impede a edição de mais uma medalha metálica original, especialmente cunhada, alusiva à efeméride dos 50 anos da morte de José Régio. Isso mesmo aconteceu em 1984, por sinal dotada de certa originalidade.

Outra iniciativa, interessante, com inegável cunho artístico e pedagógico, seria a edição de uma colecção de postais ilustrados subordinados à temática Retratos de José Régio, da autoria de pintores e desenhadores, ao longo de décadas. Haveria aqui um vasto campo de selecção, quer em quantidade quer em qualidade e até interesse cronológico.

Quando das comemorações, em 2009, dos 80 anos da chegada a Portalegre e dos 40 da morte, foi estabelecido um promissor contacto pessoal com o grande industrial campomaiorense Rui Nabeiro. Do encontro resultou a generosa aceitação, por parte deste, de algumas iniciativas patrocinadas e concretizadas pela Delta Cafés.

Infelizmente, dada a limitada visão dos seus colaboradores, encarregados de operacionalizar o projecto, tudo acabaria por se resumir à edição de uma limitada colecção de saquetas de açúcar, ilustradas com reproduções de trabalhos de alunos da Escola Básica 2,3 José Régio, de Portalegre, alusivos ao seu patrono, além de citações da Toada.

Restou, valendo a pena retomar a proposta, a edição de uma outra série de saquetas de açúcar Delta, com ilustrações de temática regiana (fotos, máximas, peças dos museus, poemas, desenhos, capas de livros, etc.) para eventualmente coleccionar como cromos em cadernetas especiais, a distribuir nas escolas de Portalegre e Vila do Conde (eventualmente, no Norte Alentejano e, depois, em todo o País) e também, comercialmente, nos cafés.

Para além destas saquetas, ficou então por concretizar a edição de chávenas especiais da série Delta Régio (!?), coleccionáveis como peças de arte, alusivas aos cafés de Régio: Central e Facha de Portalegre, Palladium do Porto e Diana-Bar de Póvoa de Varzim.

Régio, não o esqueçamos, definiu-se como um conversador dotado da especial vocação para as mesas de café…

Um outro projecto, talvez mais ambicioso e de mais difícil (mas possível) concretização, seria a cuidada edição de uma colecção de cromos, em carteiras mais a respectiva caderneta, cobrindo as facetas mais significativas da vida e obra de José Régio, com fotografias pessoais e de locais carismáticos, reproduções de capas de livros, desenhos, programas, enfim, toda uma diversidade, devidamente organizada em capítulos, que divulgasse com qualidade e dignidade compatíveis as vivências regianas.

Sou um apaixonado pela BD. No entanto, reconheço que José Régio não detém uma biografia adequada a um tratamento condigno com as características icónico-narrativas próprias dos quadradinhos. Nunca me atreveria, pois, a tal proposta.

Em termos de moderna comunicação universal, impõe-se, de há muito, a organização, montagem e permanente actualização de uma página oficial na Internet dedicada a José Régio, suas personalidade, vida, obra, terras (Vila do Conde e Portalegre), casas-museu, etc., dotada dos graus máximos de qualidade, rigor e exigência.

Finalmente, last but not least, nesta (ambiciosa!?) relação de “provocações” ressalta outra, quase óbvia e nada original: a organização conjunta, por parte de ambas as autarquias regianas, de um novo Congresso José Régio. Para se tornar mais fácil, poderia ser Nacional, sem as exigências e os custos da internacionalização. Ainda assim, suficientemente rico de perspectivas. Corrijo: bastante rico de perspectivas.

Com sessões a distribuir pelos belos auditórios públicos que ambas as cidades possuem, todos os interessados poderiam beneficiar dos autorizados testemunhos dos convidados, mais tarde reunidos em volume que perpetuasse tal herança cultural. Que convidados? Eis uma relação nominal, provavelmente incompleta, que de memória aqui fica esboçada: António Ventura, Eduardo Lourenço, Eugénio Lisboa, Fernando J. B. Martinho, Isabel Cadete Novais, Lauro António, Manuela Laranjeira, Maria Ascensão, Maria José Maçãs, Miguel Real, Válter Hugo Mãe…

As reticências significam as limitações pessoais em ampliar a lista.

António Martinó de Azevedo Coutinho

Régio Vivo – meio século depois – II

A pragmática “aliança” proposta às autarquias de Vila do Conde e Portalegre em nada excede o de há muito inscrito no protocolo de geminação solenemente “jurado” entre as duas instituições do Poder Local. Solenemente aceite por ambas as partes, porém -assinale-se em nome da objectiva verdade!- quase permanentemente olvidado. Foi em 1994, quase há 25 anos. Faça-se um balanço do produzido em conjunto e o resultado manifesta-se como quase insignificante.

É tempo de recuperar um pouco, porque o pretexto é oportuno.

José Régio teve a sua fértil vida desigualmente repartida por cinco lugares.

Como sugestão, outra, aqui fica o esboço de mais uma iniciativa, nunca realizada. Trata-se da adaptação, ampliada, da chamada “Presença” no Alto Alentejo, levada a cabo em Portalegre, Castelo de Vide, Marvão e Ervedal (Avis), por David Mourão-Ferreira, ao tempo (1977) secretário de Estado da Cultura. Lembrando simultaneamente José Régio, juntou-lhe então Francisco Bugalho, Branquinho da Fonseca e Mário Saa.

Agora, sugere-se a concretização, devidamente calendarizada, de um Itinerário de Vida de José Régio, com adequadas realizações em cada uma das suas etapas:

Vila do Conde – nascimento e morte, a família, a casa, colaboração na imprensa local, a tertúlia da Póvoa de Varzim (Diana-Bar), os amigos…
Porto – o liceu como aluno, o liceu como professor,  os amigos…
Coimbra – a universidade, o início da obra publicada, a revista Presença, os amigos…
Lisboa – o teatro, as edições, a doença…
Portalegre – o liceu, a casa, a obra, a política, colaboração na imprensa local, as colecções, o cinema, as tertúlias dos cafés Central e Facha, o Amicitia, os amigos…

A lista das personalidades envolvidas em cada um destes Cinco Lugares de Régio é obviamente tão rica e extensa que se torna impraticável aqui desenvolvê-la.

Os Boletins do saudoso Centro de Estudos José Régio, sob a direcção de António Ventura, divulgaram completas e extensas relações de artigos de imprensa, em periódicos nacionais já desaparecidos, quer da autoria de José Régio, quer sobre o autor da Toada, quer sobre a sua obra.

Como início da divulgação pública, devidamente coligida, anotada e comentada, dessa valiosa e significativa produção literária, sugere-se, a mero título de exemplo, a colaboração de José Régio no jornal O Primeiro de Janeiro, sobretudo na página semanal Das Artes e das Letras, ao longo de muitos anos.

Em 1994, no âmbito das comemorações dos 25 Anos da Morte de José Régio, as Câmaras Municipais de Vila do Conde e de Portalegre patrocinaram a edição em CD (Movieplay) de um LP em vinil intitulado José Régio por José Régio (Orfeu, 1958). Este testemunho, único e há muito esgotado, foi assim disponibilizado a todos os admiradores, ou estudiosos, da figura e obra do literato. Esse trabalho foi idealizado e realizado em e por Portalegre, limitando-se os vilacondenses a custear a sua parte nessa colaboração.

Neste campo discográfico há muito a fazer, de manifesto interesse comum, em serviço cultural e pedagógico que será desnecessário realçar. Citam-se, apenas três casos, urgentes.

– A reedição, em CD, de um esgotadíssimo e quase desconhecido disco LP (vinil) com poemas de Régio declamados por Ary dos Santos: Poesia de José Régio dita por José Carlos Ary dos Santos (J.C.Donas, Lda). Aqui se incluem, por exemplo, as interpretações da Balada de Vila do Conde e da Toada de Portalegre. Considero pessoalmente esta última superior à de Villaret, que “atropela” por diversas vezes o poema…

– A edição, em CD, de uma colectânea de poemas de Régio declamados por diversos artistas e dispersos por várias fontes: João Villaret, Jacinto Ramos, Morais e Castro, Maria Bethânia, Vítor de Sousa, Troupe Barlaventina…

– A edição, em CD, de uma colectânea de poemas de Régio cantados por diversos artistas e igualmente dispersos por várias fontas: Amália Rodrigues, José Cid, Dulce Pontes, Jorge Ganhão, Manuel de Azevedo Coutinho, Francisco Ceia, Humberto Sotto-Mayor…

Esta breve relação não esgota o “capítulo” mas é suficiente. Dada a relativa complexidade das colectâneas, sobretudo de natureza autoral, torna-se necessário conseguir uma forte “cumplicidade” técnica e artística na área da edição discográfica. Creio que esta existe.

António Martinó de Azevedo Coutinho