Cenas da vida lusitana há 50 anos – cento e dezasseis

O Almanaque da Plateia de 1970 incluiu no seu mês de Maio um extenso dossier, subordinado ao tema Todos os Caminhos vão dar ao Amor

O seu conteúdo correspondeu ao resumo do argumento -ilustrado com imagens alusivas- de 28 filmes de variados géneros, embora mais ou menos amorosos, alinhados sem qualquer critério de qualidade, conforme prudentemente assinalou. E é verdade.

Na última “entrega” partilhou-se uma parte e hoje completa-se a relação.

Demos conta da irregular diversidade dos conteúdos. Embora segundo um critério muito subjectivo e pessoal, talvez apenas um meia dúzia de títulos terá ficado na memória dos apreciadores de cinema da época e nas memórias da 7.ª Arte.

Assim, A Semente do Diabo, A Palavra, Quem tem medo de Virgínia Woolf?, Chitty, Chitty, Bang, Bang!, Romeu e Julieta ou A Piscina talvez tenham sido os filmes que escapam à mediania, mesmo à vulgaridade reinante naquele conjunto. Repete-se, esta escolha é muito discutível…

E, pronto, até Junho!

Obrigado !

Acabou de acontecer. Tocaram à campainha da porta, coisa rara. Abri e uma senhora disse boa noite e estendeu-me uma peça que vi ser uma máscara de fabricação caseira. Perguntei-lhe a quem ficava a dever a oferta, ela disse-me, simplesmente, que era uma lembrança pessoal dela própria e despediu-se.

Não a conheço. Amanhã, isto é, quando sair, provavelmente não a reconhecerei nem ela a mim.

São atitudes assim, simples, generosas, solidárias, que me fazem acreditar nos meus semelhantes. Que me confirmam de forma rigorosa e absoluta que é nas crises que se reconhecem as pessoas, naquilo que elas são, no melhor como no pior, sem máscaras, as outras, as do disfarce social que tantos usam no quotidiano.

Nunca poderei agradecer, como ela merece, à desconhecida da máscara, esta, a que não disfarça mas revela um coração aberto, uma mente sã, uma assumida e anónima fraternidade.

Obrigado, minha irmã!