recado aos cães de duas patas

Tenho por diversas vezes aqui invocado o exemplo que colho nas decisões e iniciativas cujo eco me chega das distantes terras do Brasil, mais concretamente da cidade de Portalegre (“irmã” da minha), no Rio Grande do Norte. É que leio nessas tão simples como oportunas tomadas de posição o que por vezes falta entre nós. Perante questões e problemas similares, somos mais complicados ou lentos a actuar.
Os nossos irmãos brasileiros enfrentam, comunitariamente, situações como as que nos preocupam. É precisamente o caso que hoje foco. Não sei o que se passa neste momento em Portalegre (a alentejana) mas, a avaliar pelo que constato em Peniche, não deve ser muito diverso o seu quotidiano.
Aqui, é simplesmente nojento o espectáculo que se pode apreciar em jardins, ruas e praças da cidade, muito em particular em certas zonas no centro urbano. Alguns animalescos donos de cães permitem que os excrementos destes permaneçam no local público onde foram excretados. Com o seu bicho de estimação pela trela, tornam-se cúmplices voluntários, e conscientes, da javardice. Apetece perguntar-lhes se gostariam de coleccionar no lar aquilo que “oferecem” aos seus semelhantes na casa de todos nós.
Portalegre RN, numa linguagem directa e acessível, partilhou com os cidadãos um pedido de colaboração, onde dá conta dos perigos inerentes ao fenómeno, que muita gente ignora.
Aqui fica o exemplo. Mais um.

MOMENTO DA CONSCIENCIALIZAÇÃO

A Administração, preocupada com a preservação da limpeza dos espaços públicos como: praças, canteiros e também com o bem estar da população Portalegrense, pede encarecidamente a quem possuir animais de estimação que não os levem para fazer necessidades nas praças e canteiros da cidade, pois, além de deixar o ambiente sujo e com mau cheiro, os excrementos deixados pelos animais nesses espaços podem causar sérias doenças.

Entre as principais doenças transmitidas pelo contacto com os excrementos estão a toxocaríase – que pode gerar nódulos no corpo, aumentar o fígado e o baço e, ainda, provocar anemia e desnutrição – e também o bicho geográfico (ou larva migrans cutânea), que se aloja na criança pelo pé, mão ou quadril, fazendo uma espécie de “caminho” na sua pele e causando coceira excessiva.

Manter a cidade limpa é dever de todos; cuide.

 

 

Feira das Cebolas – hoje e ontem…

A tradicional Feira das Cebolas em Portalegre vai realizar-se mais uma vez no Jardim da Avenida da Liberdade nos dias 13, 14 e 15 de Setembro.

A inauguração na sexta-feira, às 18h30, abre portas a uma série de eventos, exposições, animação diurna e nocturna, a habitual Corrida de Toiros na Praça José Elias Martins e obviamente a venda de produtos hortícolas, agro-alimentares e artesanato locais, onde a cebola é naturalmente a rainha.

Enquanto petisca iguarias à base de cebola, vai poder assistir às actuações das Associações Culturais de Portalegre e não só. Não vão faltar actividades como o passeio de bicicletas clássicas ou a Exposição Monográfica do Rafeiro do Alentejo em Portalegre.

Durante as noites que vão animar a feira destacam-se a DJ Ana Isabel Arroja (Rádio Comercial) e o recentemente agraciado com o Grammy latino, José Cid que fará um espectáculo único, onde para além do normal concerto, tocará “10 mil anos depois entre Vénus e Marte” acompanhado pelo portalegrense Augusto Vintém ao piano. A cereja no topo do bolo é o fogo-de-artifício, que já vem surpreendendo os visitantes desta feira desde a sua recriação.

A Câmara Municipal convida desta forma os portalegrenses e todos quantos nos queiram visitar a participar deste magnífico e tradicional evento, tão característico desta cidade do Alto Alentejo, desejando que desfrutem, se divirtam e levem memórias únicas, de dias únicos, vividos nesta Feira das Cebolas de Portalegre 2019!

Durante a feira haverá gastronomia com petiscos dedicados à cebola e um espaço de animação infantil

PROGRAMA

13 DE SETEMBRO

18h30 – Inauguração oficial da Feira das Cebolas / Inauguración oficial de la Feria de las Cebollas

– Actuação da Trupe Euterpe / Actuación da Trupe Euterpe

21h00 – Actuação do Grupo Folclórico e Cultural da Boavista – Actuación del Grupo Folclórico e Cultural da Boavista

– Recreação “Cantar os Altares dos Santos Populares”/ Recreación “Cantar os Altares dos Santos Populares”

– Actuação do Grupo Folclórico dos Fortios / Actuación del Rancho Folclórico de Fortios

– Actuação do Grupo Folclórico ALDABA – Espanha / Actuación del Grupo Folclórico ALDABA

23h00 – Baile com Duo Mana e Ourives / Baile con Duo Mana e Ourives

24h00 – Encerramento dos Expositores / Cierre de Expositores

14 DE SETEMBRO

9h30 – Passeio de Bicicletas Clássicas / Paseo en bicicleta clásica

15h00 – Abertura da Feira / Apertura de la Feria

15h30 – Desfile de Bandas Filarmónicas / Desfile de Orquestras Filarmónicas

16h00 – XVI Festival de Bandas com a participação da Sociedade Filarmónica Santo Estêvão, Grupo União e Recreio Azarujense e Banda Euterpe / XVI Festival de Orquestras Filarmónicas con participación de la sociedade Filarmónica Santo Estêvão, Grupo União e Recreio Azarujense y Banda Euterpe

17h00 – Corrida de Touros

Cavaleiros: Filipe Gonçalves; João Moura júnior; Miguel Moura

Touros: Ganadaria Prudêncio

Forcados Amadores de Portalegre (em solidário por se festejarem os 50 anos do Grupo – fardam-se antigos e actuais)

22h00 – Espectáculo Musical (1ª Parte) José Cid e Quinteto / Concierto José Cid e Quinteto

00h00 – Fogo-de-artifício no Lago / Fuego de artifício

00h00 – Encerramento dos Expositores / Cierre de Expositores

00h10 – Espectáculo Musical (2ª Parte) José Cid, Rock Sinfónico, “10 000 anos depois, entre Vénus e Marte” (considerado uma das 5 melhores obras de Rock Sinfónico do Mundo), com a participação do portalegrense Augusto Vintém / Concierto de Rock Sinfónico José Cid “10.000 Años después entre Venus y Marte”, com la participación del portalegrense Augusto Vintém

01h00 – Espectáculo com a DJ Ana Isabel Arroja (Rádio Comercial)

15 DE SETEMBRO

15h00 – Abertura da Feira / Apertura de la Feria

15h30 – Actuação da Tuna da Universidade de Salamanca / Actuación de la Tuna de Salamanca

16h00 – 29ª Exposição Monográfica do Rafeiro do Alentejo em Portalegre (Associação de Criadores do Rafeiro do Alentejo) / 29ª Exposición Monográfica del Rafeiro do Alentejo

16h30 – Actuação do Grupo de Cantares da Tégua / Actuación del Grupo de Cantares da Tégua

17h30 – Actuação do Grupo Nave Longa / Actuación del Grupo Nave Longa

18h30 – Actuação do Grupo Cantalagoa / Actuación del Grupo Cantalagoa

21h00 – Encerramento dos Expositores / Cierre de Expositores


NOTA DA REDACÇÃO – É nítido e meritório o esforço desenvolvido pela autarquia portalegrense no sentido de devolver a mais significativa feira tradicional da cidade a uma dimensão de que esteve arredada durante muito tempo. Porém, o programa ainda se revela inferior ao de eras passadas, em épocas difíceis para a região e para o país, quando apesar de tudo isso a comunidade local era mais solidária e participativa, acreditando num futuro de progresso. E isto perdeu-se, talvez sem remédio…
Para o lembrar reproduz-se um folheto relativo à Feira das Cebolas lagóia de 1960. À distância temporal de quase duas gerações e ainda que apresentado de forma muito sumária, o programa de então dá para perceber as diferenças.

setenta anos depois

Passam hoje setenta precisos anos sobre a morte do meu avô José Cândido, a quem devo muito daquilo que sou. Já aqui deixei sobre ele muitas páginas de memórias e o registo de alguns episódios da sua vida pessoal e profissional, com particular destaque para a participação na I Guerra Mundial, à frente da banda regimental de Infantaria 22, de Portalegre. Continuarei a fazê-lo.

Há vinte anos atrás, em 1999, levei a cabo em Portalegre uma série de eventos comemorativos do cinquentenário da morte do capitão José Cândido Martinó: um concerto musical pela Banda da Região Militar de Évora, no Jardim da Avenida da Liberdade, uma exposição sobre a vida e obra do homenageado no Palácio Póvoas, uma sessão solene no auditório da ESEP com apresentação do livro José Cândido Martinó – Uma vida desenhada pela banda (com patrocínio da Delegação Regional da Cultura do Alentejo e edição da Colibri) e a aposição toponímica do seu nome num novo arruamento da cidade, à Santana.
Aqui e agora, é precisamente da obra biográfica elaborada sobre o meu avô que reproduzo a sua Introdução:

O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida sabia ler e sabia escrever, sabia música e, sobretudo, sabia vida.

Escrevi sobre ele as páginas que se seguem movido por um imperativo de consciência, como uma missão. Quem as ler perceberá porquê.

Não pretendo através delas ser biógrafo, porque me falta a frieza do distanciamento, e muito menos historiador, para o que careceria obviamente de outras e mais sólidas bases. No entanto, procurarei mais imitar aquele do que este.

Quero sobretudo ser eu próprio, neto de José Cândido, orgulhoso do nome que ele me legou, o qual, por estas terras do norte alentejano, se perderá de todo com a minha morte. Portanto, que desse nome fique, pelo menos, este testemunho.

O meu avô José Cândido deixou-nos quando eu tinha 14 anos. A memória que dele sempre em mim permaneceu reavivou-se depois da morte da sua filha, minha mãe, quando pude tranquila e emocionadamente revolver os velhos e íntimos segredos de família que as muitas arcas acumuladas no sótão da velha casa da rua da Mouraria encerravam. Cada descoberta, cada nova e fascinante revelação constituíram um progressivo desafio que se tornou projecto e, mais do que isso, imperativo ético e moral.

Arrumei as peças e procurei meticulosamente preencher os vazios. Encontrei algumas explicações e, sobretudo, uma imensidade de perguntas. Cada resposta encontrada era a fonte de novas questões e os recursos locais acabaram por se esgotar sem remédio. Continuei a procurar onde me levou cada pista e o resultado possível, embora ainda limitado apesar dos excelentes apoios recebidos, fica registado nas páginas deste livro.

Percebo agora claramente porque mudaram os rumos da moderna historiografia. À descrição grandiloquente dos ocos feitos “ilustres” de reis, de marechais e de santos sucedeu a modesta, mas verdadeira, crónica dos anónimos, mas autênticos, construtores do futuro.

Não penso que a importância da biografia do meu quase ignorado avô José Cândido resida na descrição da sua figura ou dos seus “feitos” militares ou civis, mas antes na revelação do activo, generoso e, até por vezes, corajoso contributo que ele prestou na formação de outros homens, na relação crítica e construtiva que travou com o mundo e, sobretudo, na sua permanente preocupação de, tanto a uns como a outros, os tornar diferentes e melhores.

Do músico precocemente brilhante desde as humildes origens minhotas, do seu percurso até se fixar em definitivo nesta cidade de Portalegre, da sua integração na “lagóia” família Ceia, do combatente involuntário e, simultaneamente, espontâneo correspondente de guerra, do militar laureado, do maestro exímio, do cronista musical, do autarca coerente até à abdicação por ideais, do viajante quase infatigável em acumulação com o repórter de tudo o que via e sentia em seu redor, do homem de cultura, do pai e avô extremoso, de tudo procurei fixar desapaixonadamente, tão isenta e desapaixonadamente quanto me foi possível, os registos que traduzem o comportamento de um cidadão permanentemente disponível para se constituir como testemunha atenta e interveniente na sociedade do seu tempo. Homem de convicções, José Cândido revelou-se sempre a meus olhos fascinados como um ser humano muito querido, ainda que determinado por um comportamento severo onde imperava um permanente e elevado sentido das responsabilidades.

Provavelmente, talvez o meu avô tivesse lido Edmund Burke, o famoso político e escritor irlandês dos finais do século XVIII, e seguido a sua máxima predilecta: “Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco”.

Na raiva surda que muitas vezes suportou, na dor sem remédio que teve de sofrer, na efémera glória de alguns pequenos triunfos que também viveu, mas sobretudo na sua norma de vida, no exemplo que me legou, o qual claramente recordo porque constitui muito do que eu possa ter de melhor, tenho por tudo isto para com José Cândido, meu avô, uma imensa dívida de gratidão agora mitigada nesta singela demonstração de quanto reconheço o que lhe fiquei devendo.

E reflicto a propósito, amargamente, sobre outras quase ignoradas personalidades cuja saudosa aura se terá perdido, ou confundido, no limbo do esquecimento e da ingratidão, enquanto são louvadas e mesmo bajuladas as mais vulgares e abjectas mediocridades. Conheço algumas daquelas e muitas, talvez demasiadas, destas.

Espero o meu avô José se liberte para sempre, através deste sentido mas autêntico testemunho, de tão vil e injusto anonimato.

Creio, pelo que a seguir se relata e quando é passado meio século sobre a sua morte, que com inteira justiça merece tal homenagem.

António Miguel Martinó
Portalegre, Outono 99

Dia das Cidades Património Mundial

O “Dia da Solidariedade das Cidades Património Mundial” assinala o aniversário da criação da “Organização das Cidades Património Mundial (OCPM)”, criada a 8 de Setembro de 1993 na cidade de Fez, em Marrocos.

Normalmente a data é festejada com visitas guiadas, conduzidas por guias especializados, que possibilitam uma melhor compreensão do valor histórico, arquitectónico, artístico e paisagístico do património local e que constituem uma oportunidade única de conhecer de perto algumas das histórias peculiares que o marcam.

Esta celebração pretende sublinhar a importância da protecção e promoção do património classificado.

O património é a herança que recebemos do passado, vivemos no presente e transmitimos às futuras gerações. O nosso património cultural e natural é fonte insubstituível de vida e inspiração, nossa pedra de toque, nosso ponto de referência, nossa identidade.

O que faz com que o conceito de Património Mundial seja excepcional é a sua aplicação universal. Os sítios do Património Mundial pertencem a todos os povos do mundo, independentemente do território em que estejam localizados.

Os países reconhecem que os sítios localizados no seu território nacional e inscritos na Lista do Património Mundial, sem prejuízo da soberania ou da propriedade nacionais, constituem um património universal “com cuja protecção a comunidade internacional inteira tem o dever de cooperar”.

Todos os países possuem sítios de interesse local ou nacional que constituem verdadeiros motivos de orgulho nacional e a Convenção estimula-os a identificar e proteger o seu património, esteja ou não incluído na Lista do Património Mundial.

Peniche está de parabéns!

Esta decisão da Câmara Municipal de Peniche é altamente louvável. Tal como aqui a tenho criticado, quando discordo da tomada de certas posições, ou da sua ausência, devo agora sublinhar o acerto e significado da presente iniciativa. A preservação e valorização do riquíssimo património cultural local, tanto geológico como histórico, merece o maior louvor.
No particular e significativo caso da valorização paisagística do depósito funerário resultante do histórico naufrágio da nau San Pedro de Alcantara deve realçar-se o profundo contraste entre tão lúcida decisão do actual elenco autárquico e a absurda iniciativa de instalar no local uma abjecta “praia dos cães”, atitude em má hora concretizada pela anterior edilidade.
Esta reparação assume, portanto, um papel de respeito pela memória anteriormente vandalizada…
Peniche está de parabéns. E que esta iniciativa seja o preâmbulo de muitas outras no sentido de promover a comunidade a um estatuto que merece e que há muito vem sendo adiado.
Porém, uma só andorinha não garante a Primavera!