AMERICA FIRST

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REVISTAS INTERNACIONAIS FAZEM BALANÇO DE DUAS SEMANAS DE PRESIDÊNCIA TRUMP – O RETRATO É NEGRO

As edições das grandes revistas internacionais que acabaram de sair ou que chegarão às bancas nos próximos dias fazem o balanço das duas primeiras semanas da presidência de Donald Trump. O retrato é negro. Literalmente, ou de forma figurada, as ilustrações, fotografias ou montagens nas capas são opções editoriais denunciando que a América está e perder a sua essência – a liberdade.

A Der Spiegel fez a capa de edição de anteontem com uma violenta caricatura do novo Presidente americano, que, com uma faca na mão, decapitou a Estátua da Liberdade. Como título, apenas America first (Primeiro a América), o mantra que Trump diz ser o fio orientador da sua política e da sua conduta como Presidente. A ilustração é do artista cubano Edel Rodriguez, de 45 anos, que nos anos de 1980 chegou aos EUA como refugiado, tornando-se cidadão americano. “É a decapitação da democracia, a decapitação de um símbolo sagrado”, disse Rodriguez ao Washington Post.

A caricatura gerou debate entre os jornais alemães. o Die Welt considerou que a capa “lesa o jornalismo” – que deve dar dados isentos e não “uma visão do mundo” -, o Frankfurter Allgemeine Zeitung criticou a “imagem distorcida” de Trump que este pode usar para alimentar a imagem distorcida que este tem na imprensa. O eurodeputado Alexander Graf Lambsdorff, do Partido Democrata Liberal e vice-presidente do Parlamento Europeu, disse à Reuters que a capa é “de mau gosto”. (…)

A.G.P., em Público 5 de Fevereiro de 2017

NOTA pessoal, que vale o que vale – Concordo em absoluto com a caricatura, no seu óbvio e forte sentido crítico. O que Trump está a fazer, em perfeita coerência com as loucuras que previamente anunciara, tem de merecer todo o nosso mais veemente e activo repúdio.  Há valores universais que devem ser defendidos e tudo o que pudermos fazer neste sentido nunca será demais. Cada um de nós deverá ser, em consciência e na prática do seu comportamento, um activo militante contra a violência de que Trump é arauto e mandatário.
Louvem-se pois a lúcida coragem criativa de Edel Rodriguez e a inequívoca tomada de posição da Der Spiegel.

Manifesto contra a aberração

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Acordo Ortográfico gera “aberrações”, “caos ”
e “insólitas incoerências”

Manifesto contra o acordo diz que “o processo de entrada em vigor do AO90, nos Estados lusófonos, começou por ser um golpe político”

O manifesto dos “Cidadãos contra o ‘Acordo Ortográfico’ de 1990” (AO90), divulgado esta segunda-feira [ontem], contesta o “critério da pronúncia” adoptado, que “gerou aberrações” e afirma que “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”.

O manifesto, que é dirigido ao chefe de Estado, ao parlamento e ao Governo, a juízes dos tribunais, “aos portugueses, funcionários públicos, escolas públicas, particulares e cooperativas, respectivos professores e alunos, universidades, editoras e autoridades administrativas independentes”, afirma que “o processo de entrada em vigor do AO90, nos Estados lusófonos, começou por ser um golpe político”.

Chamam a atenção, os subscritores, que Angola e Moçambique, “os dois maiores países de Língua Portuguesa a seguir ao Brasil”, “nunca o ratificaram”, enquanto Portugal, Brasil e Cabo Verde “o mandaram ‘aplicar’ obrigatoriamente”.

O manifesto, assinado por mais de uma centena de personalidades, como António Barreto, Carlos Fiolhais e António-Pedro Vasconcelos, é também dirigido à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa, à Academia das Ciências de Lisboa, ao Instituto de Linguística Teórica e Computacional e ao Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, à Imprensa Nacional – Casa da Moeda “e a todas as restantes entidades públicas e privadas”.

Referindo-se ao “critério da pronúncia”, os signatários citam alguns exemplos, no tocante às consoantes mudas, defendendo que “o AO90 criou arbitrariamente centenas” de entradas de dicionário, “até aí inexistentes em qualquer das ortografias”, como “conceção” por “concepção”, “receção” por “recepção”, “espetador” por “espectador”, que geraram “confusões semânticas: “’conceção de crédito’, ‘receção económica’ ou ‘espetador de cinema’” são exemplos.

“No entanto, pela mesma lógica, o AO90 deveria começar por cortar a mais ‘muda’ de todas as consoantes: o “h” inicial. O que não fez”, realça o texto também assinado por Helena Buescu, Joaquim Pessoa e João de Freitas Branco.

Segundo o documento, o AO90 “estabeleceu 17 normas que instituem duplas grafias ou facultatividades, assentando num critério que se pretende de acordo com as ‘pronúncias’”, dando como exemplos “corrupto” e “corruto”, “ruptura” e “rutura”, “peremptório” e “perentório”.

No caso de “’óptico’ (relativo aos olhos), com a supressão da consoante ‘muda’ ‘p’, passou a ‘ótico’ (relativo aos ouvidos), o que cria a confusão total” entre especialistas e público, “que deixam de saber a que órgão do corpo humano”.

Mais arbitrariedades

Em Portugal, para os subscritores do manifesto, como Constança Cunha e Sá e Eugénio Lisboa, “a eliminação sem critério das consoantes ‘c’ e ‘p’, ditas ‘mudas’, afasta as ortografias do português europeu e do Brasil”, tendo ainda criado “desagregações nas famílias de algumas palavras”.

Salienta o texto que estas “desagregações” provocam “insólitas incoerências”, como “Egito” e “egípcios”, produtos “lácteos” e “laticínios”, os “epiléticos” que sofrem de “epilepsia” ou o “convector” que opera de modo “convetivo”.

“O facto de as facultatividades serem ilimitadas territorialmente”, acrescenta o manifesto, “conduz a uma multiplicação gráfica caótica”, como acontece com “‘contacto’ e ‘contato’, ‘aritmética’ e ‘arimética’”.

“O curso universitário de ‘Electrónica e Electrotecnia’ pode ser grafado com 32 combinações diferentes”, cita o documento, como exemplo “manifestamente absurdo”.

“A confusão maior surgiu entre a população que se viu obrigada a ter de ‘aplicar’ o AO90, e passou a cortar ‘cês’ e ‘pês’ a eito, o que levou ao aparecimento de erros”, como “batérias”, “impatos”, “ténicas”, “fição”, “adatação”, “atidão”, “abruto” e “adeto”, “além de cortarem outras consoantes, como, por exemplo, o ‘b’ em ‘ojeção’, ou o ‘g’ em ‘dianóstico’”.

Os subscritores, como Helena Roseta, José Pacheco Pereira e Januário Torgal Ferreira, afirmam que, no uso de maiúsculas e minúsculas, “o caos abunda” e é “caótica “a forma como se utiliza o hífen”: “guarda-chuva” e “mandachuva”, “cor-de-rosa” e “cor de laranja” são alguns exemplos.

“Entre outras arbitrariedades, a supressão do acento agudo cria situações caricatas. A expressão popular: ‘Alto e pára o baile’, na grafia do AO90 (‘Alto e para o baile’) dá origem a leituras contraditórias”, e a frase “Não me pélo pelo pêlo de quem pára para resistir” fica incompreensível, adianta o documento.

“Para ‘compensar’ o desaparecimento da consoante ‘muda’ e evitar o ‘fechamento’ da vogal anterior, imposto pelo AO90, na escrita corrente, surgem aberrações espontâneas como a colocação de acentos fora da sílaba tónica”, como “’correção’ escrito ‘corréção’, ‘espetaculo’ corrigido para ‘espétaculo’ ou mesmo ‘letivo’ que passa a ‘létivo’”.

Um “caos ortográfico” que se reflecte nos vários dicionários, correctores e conversores, consideram os subscritores do manifesto.

23 Jan 2017 Renascença on line

 

Sabedoria e facebook

Sabedoria e facebook – é o título genérico que escolhi para apresentação do pequeno dossier constituído por quatro densos e significativos textos divulgado no jornal Público, entre 31 de Dezembro de 2016 e 13 de Janeiro de 2017. Os seus autores, José Pacheco Pereira e António Guerreiro, estão entre os mais lúcidos e ilustrados cronistas com escrita regularmente divulgada nos meios impressos de comunicação.

Gostaria de saber que entre os seus leitores se encontrarão os habituais produtores e outros frequentadores do facebook, mas tenho sobre isso as maiores e mais fundadas dúvidas. É que a atenta e reflectida leitura destas crónicas poderia ter um salutar efeito moderador e eliminar muito do que por aí abunda.

Mesmo assim, aqui fica com a devida vénia e com admiração aos autores um notável conjunto de recomendações e críticas.

Que aproveitem a quem nelas encontrar suficientes argumentos e lógicas. Nunca é demasiado tarde para descobrirmos as vias e os caminhos da razão.

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