Parabéns aos Amigos Lúcia e Gilton Sampaio

Hoje mesmo, na comemoração dos 15 anos da Instituição, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (FAPERN), no Brasil, fará solene entrega de Medalhas de Mérito Cientista Potiguar António Campos a alguns agraciados com tal honraria.

Entre estes conta-se um casal de professores e pesquisadores do polo (Campus) de Pau dos Ferros da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Gilton Sampaio e Lúcia Pessoa.

No reconhecimento do seu elevado mérito académico e das suas qualidades pessoais, daqui envio a estes prezados amigos um sincero abraço de parabéns.

António Martinó de Azevedo Coutinho

Vozes de burro não chegam aos céus

Matar dois coelhos com uma cajadada só ou pegar o touro pelos cornos.
É tempo de parar com linguagem que ofende outras espécies,
defende associação de defesa de animais

A associação enumera expressões correntes nos Estados Unidos da América como “bring home the bacon” (em português, sem equivalente directo) e “kill two birds with one stone” (em português, usamos matar dois coelhos com uma cajadada só) como exemplos a evitar.

As palavras importam. E à medida que o nosso entendimento de justiça social evolui, a nossa linguagem evolui também. Vejamos como podemos remover o especiesismo (sic!) das nossas conversas diárias“, escreveu a PETA num tweet que rapidamente se tornou viral, entre contestação e humor e manifestações de apoio.

A associação não se ficou pela afirmação e divulgou mesmo uma tabela com as expressões a evitar e um conjunto de sugestões de como as substituir de forma a não serem ofensivas. Por exemplo, no caso de “kill two birds with one stone” (matar dois pássaros com a mesma pedra) a PETA sugere que se passe a dizer “feed two birds with one scone” (alimentar dois pássaros com um scone). Ou, por exemplo, na expressão, comum em português, sobre “pegar o touro pelos cornos” (“take the bull by the horns“) em que a sugestão é “colher a flor pelos espinhos” (“take the flower by the thorns“).

Num segundo tweet publicado, o grupo de defesa animal compara as frases com expressões ofensivas a vários animais a linguagem racista e homofóbica. “Da mesma forma que se tornou inaceitável usar linguagem racista e homofóbica, frases que trivializam a crueldade com animais irão desaparecer à medida que mais pessoas passem a gostar dos animais pelo que eles são“.

Nota: A foto que ilustra este artigo refere-se a uma manifestação organizada pela PETA mas não referente ao tema abordado no artigo.

Madremedia – Sapo 24 – PETA – 06 Dezembro 2018

A PETA, conhecida organização para a defesa dos animais, sugere que se acabe com a linguagem anti-animal que está enraizada na nossa sociedade. Sugere que ditados como “Agarrar o touro pelos cornos”, passe a ser “Agarrar a flor pelos espinhos.”; entre outros, diz que o provérbio “Matar dois pássaros com uma pedra” passe a ser “Alimentar dois pássaros com um scone.”. Podia ser a gozar, não fosse o pessoal da PETA meio avariado dos cornos. É a linguagem politicamente correcta a chegar ao mundo animal. Era só uma questão de tempo. Decidi, por isso, analisar alguns provérbios e frases conhecidas que envolvem animais, para tentar dar algumas alternativas e perceber se fazem sentido ou não.

A curiosidade matou o gato – Este provérbio, além de insinuar que ser curioso é uma coisa má, e assim nos tentar formatar a não questionar as coisas e a perder aquela curiosidade ingénua que temos em crianças, ainda nos diz que os gatos morrem devido a ela. Sugiro que passe a ser “A curiosidade alimentou o gato porque ele foi meter a pata num buraco e estava lá um rato. O rato, por sua vez, também foi curioso a pensar “O que será isto” e afinal era a pata de um gato que o esventrou, deixando dois ratitos órfãos de pai, mas que como como tinham uma mãe rata muito forte e independente conseguiram sobreviver e ir para a faculdade.” Talvez seja um ditado que custe a entrar no ouvido, falta-lhe rimas.

A cavalo dado não se olha o dente – O cavalo não deve nunca ser dado porque um cavalo não é um presente. Primeiro, quem é que dá cavalos?  Só famílias e betos. Ofereçam um cheque FNAC que um cavalo é uma responsabilidade muito grande.

Grão a grão enche a galinha o papo – Estão a encher o papo à galinha para quê? Para acabar em fricassé? É indecente e se a galinha soubesse faria greve de fome. Um mundo perfeito era onde este ditado seria “Grão a grão fica satisfeita a galinha porque sabe que não a estão a engordar para ser comida.”. Este rima e tudo, mais ou menos.

Gato escaldado de água fria tem medo – O gato não é burro e sabe bem distinguir a água fria da água quente e isso prova-se porque um gato que foi escaldado continua a beber água da taça. De qualquer forma, a maioria dos gatos não gosta de tomar banho e este provérbio é estúpido.

Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar – Quem é que quer ter pássaros na mão? Os gajos cagam em qualquer lado. Sugiro que se altere para “Mais vale dois pássaros na gaiola do que a irem contra um vidro feitos burros.”

Quem tem medo compra um cão – Quem tem medo adopta um cão, assim é que devia ser. De qualquer forma, este provérbio deveria ser proibido já que os cães não têm a obrigação de nos proteger e este provérbio, além disso, é racista. Porque toda a gente sabe que quem tem medo não quer um chihuahua.

Quem não tem cão caça com gato – Ridículo. Vão caçar ratos? Quem é o nojento que come ratos? E quem quiser caçar gatos? Vai caçar gatos com gatos? Não faz sentido. Devia ser “Quem não tem cão e quer caçar é porque não está a investir o que devia para atingir os seus objectivos” ou “Quem não tem cão caça com gato especialmente se viver num apartamento.”

Vozes de burro não chegam ao céu – Porquê? O que é que os burros fizeram de mal? O burro é um animal inteligente e que vive com este preconceito desde sempre como está patente noutro ditado que é “Burro velho não aprende línguas”. Não aprende porquê? Porque se calhar não há investimento na educação dos burros. Há universidades seniores para os burros para que possam aprender línguas? Porquê? Só os ingleses é que se podem reformar e ir viver para Albufeira?

Cão que ladra não morde – Cão que ladra não morde a não ser que esteja a dizer “Não” e as pessoas insistirem. Não é não, seja em que língua for e, por isso, o cão tem todo o direito de se defender se não respeitarem a sua vontade.

Se tiverem mais sugestões, podem deixar nos comentários para que todos possamos utilizar uma linguagem justa e que não perpetue a violência contra os animais, porque toda a gente sabe que se começarmos a dizer “Agarrar as flores pelos espinhos” em vez de “Agarrar o touro pelos cornos” a tourada acaba e em vez de forcados vamos ter floristas a rabejar ramos de rosas.