A Casa Cheia de José Régio – I

A Arq. Susana Bicho coordena “Uma Casa Cheia”
para descobrir e criar na Casa-Museu José Régio

A Casa-Museu José Régio deu início, no passado dia 8 de Maio, à actividade educativa (oficina de educação patrimonial) designada por “Uma Casa Cheia”, com sessões às terças e sextas-feiras, pelas 9:30 horas, durante os meses de Maio e Junho de 2017.

Coordenada pela arquitecta Susana Bicho, “Uma Casa Cheia” é dirigida aos alunos do 1º e 2º ciclos do ensino básico e pretende que as crianças visitem a casa onde viveu o poeta José Régio e que aí desenvolvam diversas experiências em torno da Casa e do Habitar, através do contacto com as divisões, os móveis e os objectos de arte, as sensações, vivências e memórias.

Nesta actividade que relaciona as facetas de poeta e coleccionador de José Régio, será desenvolvida, para além da visita, uma oficina plástica tridimensional, na qual os alunos irão criar a sua própria Casa da Poesia, através de materiais reutilizados (cartões, cartolinas, folhas, tecidos, revistas, jornais) e que no final levarão para as suas escolas podendo inspirar outras actividades.

Para Maria José Maçãs, responsável pela Casa-Museu José Régio “Uma Casa Cheia é a nossa proposta para os próximos meses. É uma actividade lúdica que se enquadra no âmbito curricular e com a qual pretendemos estimular os alunos para a descoberta da Casa e da colecção como inspiradoras da poesia, fomentar o sentido de observação, interpretação e preservação do património pessoal do poeta que é também património de Portalegre, da região e do país e que desenvolvam capacidades criativas e criem vínculos afectivos na construção de uma Casa da Poesia”.

A simples transcrição do texto anterior dá imediata conta de uma invulgar iniciativa pedagógica, inspirada e assente na Casa-Museu José Régio, em Portalegre. Os seus criadores e promotores merecem uma palavra de louvor e de estímulo, envolvendo sobretudo Susana Bicho, Maria José Maçãs, Vera Lopes (autora das ilustrações do folheto), todos os colaboradores anónimos, assim como a entidade de tutela, a Câmara Municipal de Portalegre.

A real complexidade do trabalho transpira na aparente facilidade de cada frase, de cada gravura, de cada proposta de observação, análise e resposta aos desafios colocados. Como complemento didáctico de uma visita museológica escolar, o projecto “Uma Casa Cheia” afigura-se exemplar. Creio que, devidamente adaptada, a iniciativa poderá mesmo servir um público adulto, como guião apto à visitação e à sua memória.

Pareceu-me pois este um magnífico pretexto de divulgação regiana, na precisa passagem de mais uma efeméride do nascimento do poeta.

Com a devida vénia e admiração, em homenagem aos autores e sobretudo ao génio “inspirador”, aqui reproduzirei as páginas de “Uma Casa Cheia”, cheias dos bons propósitos das obras que têm história, de antigas e nobres gentes com viva e obsidiante memória…

(e que Régio me desculpe a pobre adaptação dos seus imortais versos)

Novo presidente do Instituto Politécnico de Portalegre

Albano António de Sousa Varela e Silva, professor, economista e mestre em Educação Matemática, vai amanhã tomar posse do lugar de presidente do Instituto Politécnico de Portalegre. Depois de Francisco Queirós, Nuno Oliveira e Joaquim Mourato, ele vai assegurar a gestão da mais significativa instituição portalegrense.

Quando Portalegre tem perdido quase toda a dimensão que fez dela, ao longo de muitas décadas, uma cidade equilibrada e progressiva é precisamente no Instituto Politécnico e nas suas Escolas Superiores que reside a manutenção de uma das raras reservas locais de esperança.

Os mais antigos lembram-se do que constituiu para Portalegre a criação da sua Escola do Magistério Primário, ainda nos finais dos anos 50 de passado século. Depois, já no pós 25 de Abril, por decisiva acção governativa do portalegrense Virgílio Meira Soares, chegou a Escola Superior de Educação, que trouxe para a cidade um punhado de qualificados professores, cuja dedicada e inteligente acção pedagógica e sociocultural foi sentida em toda a região.

A criação de outras Escolas implicou a existência do Instituto, como órgão superior de coordenação do Ensino Politécnico no distrito, mas não foram fáceis os seus primeiros passos. A crise gerada por uma gestão inicial pouco adequada foi a custo corrigida, com reconhecido mérito, pela capacidade de Francisco Queirós, que formou com Nuno Oliveira uma equipa capaz de recolocar as nossas Escolas Superiores no rumo certo. Foi por isso natural que este fosse o seu sucessor, após a retirada de Francisco Queirós.

Joaquim Mourato assegurou a lógica continuidade, num período em que o Instituto viu reconhecido o seu crescente prestígio, com o acréscimo devido ao excelente trabalho evidenciado pelas suas escolas. Albano Silva destacou-se aqui na direcção da Escola Superior de Educação, onde entrara como professor em 1993, depois como vice-presidente (1996) e mais tarde como presidente (2002) do seu Conselho Directivo.

A experiência a seguir acumulada na vice-presidência do Instituto Politécnico, a partir de 2010, confere-lhe condições de excepção para um conhecimento dos dossiers, dos recursos e das expectativas.

Penso, como seu amigo e também como portalegrense, que são as qualidades humanas de Albano Silva -naturalmente acrescidas da invulgar preparação técnica acumulada- a maior garantia do seu sucesso no cumprimento da imensa responsabilidade agora assumida. Para o bem da Portalegre, para que na minha terra -que também é sua!- se mantenha a tal reserva de crença no futuro, torna-se imperioso que o Instituto Politécnico possa continuar como prova inequívoca da qualidade que afinal não perdemos, que jamais poderemos perder.

São estes os meus votos, os de que, sob a sábia condução de Albano Silva, o Instituto Politécnico de Portalegre confirme e supere o prestígio já alcançado pela instituição. Extensivo aos familiares e colaboradores, aqui fica um abraço amigo e solidário.

António Martinó de Azevedo Coutinho