PENICHE – a cultura do sítio

Tenho uma meia dúzia de princípios, que colhi na sapiência de outros, como normas seguras de vida. Um deles, que uso com frequência, devo-o a um bom amigo portuense: Hélder Pacheco. Conhecedor profundo da alma dos simples, do povo como se costuma dizer, ele proclama que ser culto é ser do sítio.

Nada mais certo. A prática quotidiana diz-nos isso, só que nem todos damos por tal evidência. A cultura “culta” costuma ser a colhida nas bancas académicas e a sua demonstração consiste habitualmente na exibição dos diplomas. Como se viu na parábola Relvas…

Tudo isto vem a propósito da oportuna e a todos os títulos excelente iniciativa da associação Patrimonium, Centro de Estudos e Defesa do Património da Região de Peniche. Repetindo uma vez mais a edição original, brinda-nos agora com o ciclo de conferências/colóquios O Mar e as Gentes. Parabéns ao Adriano Constantino e aos seus jovens e activos companheiros da Direcção da Patrimonium por esta magnífica oportunidade que nos concedem.

As duas primeiras edições revelaram gente da mais elevada cultura, rigorosamente do sítio, isto é, sabendo com patente evidência daquilo que falavam.

As maravilhas da arqueologia subaquática local foram-nos revelados por Jean Yves Blot, experimentado investigador de renome internacional, e por Sónia Bombico, jovem académica dessa mesma área, ambos utilizando uma linguagem clara e informada que nos tornou acessível tão complexa como interessante temática.

José Maria Malheiro, antigo mestre da construção naval em madeira, dos famosos e competentes estaleiros de Peniche, deliciou-nos com o seu discurso emotivo e seguro, transmitindo-nos o melhor da sua apaixonada prática profissional.

Para depois de amanhã, Domingo, está prometido outro aliciante pretexto, o das pescarias nas costas africanas da Mauritânia, através do testemunho vivo de quem por lá passou em arriscadas missões, entre eles dois amigos.

Lá estaremos, para enriquecer o nosso conhecimento pela solidária transmissão das vivências de gente culta, a do sítio.

Hoje é o Dia Nacional do Mar

Este desafio comemorativo foi lançado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 83/98 de 26 de Fevereiro, que institucionalizou o dia 16 de Novembro como Dia do Mar, por ter sido a data de entrada em vigor, em 1994, da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Recebeu a designação de Dia Nacional do Mar para distinguir o seu carácter luso de outros eventos similares, tais como o Dia Europeu do Mar, o Dia dos Oceanos e o Dia Mundial do Mar.

Esta data é festejada em muitos locais, de Norte a Sul de Portugal, muito em especial em cidades e vilas costeiras, onde o mar tenha importância assinalável.

Este ano, a mais significativa das comemorações acontece em Cascais, numa cooperação entre a respectiva Câmara Municipal e a Sociedade de Geografia de Lisboa. Eis o seu programa:

                                                  Dia Nacional do Mar
16 de Novembro de 2017 14:00

O Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL) tem a honra de convidar V. Ex.ª e sua Ex.ma Família para participarem numa jornada comemorativa do Dia Nacional do Mar (16 de Novembro) que terá lugar em Cascais e na sede da SGL (R. das Portas de S. Antão, 100).

                                                          Programa

 _11h00 (Praia dos Pescadores, em Cascais com a canoa “Boneca” à vista), cerimónia de aposição inaugural do carimbo comemorativo do Dia Nacional do Mar, onde figura o desenho da “Boneca”;
_14h00/15h30 (sede da SGL), abertura de um posto de correio ad hoc para aposição do carimbo comemorativo;
_14h00/15h00 (auditório Adriano Moreira), apresentação sobre a canoa “Boneca”, pelo Grupo de Amigos do Museu de Marinha;
_15h00/17h00 (auditório Adriano Moreira), seminário “Que futuro para o Mar Português”;
_17h30 (auditório Adriano Moreira), sessão de encerramento evocativa da Memória de Mário Ruivo.

 E Peniche, a Cidade do Mar?…