CAPA DE REVISTA

Sou capa de revista. Convém deixar o aviso prévio de que não se trata da Caras, da Lux, da Nova Gente, da Vip ou da Maria. Nem sequer da TV 7 Dias, da Máxima ou da Cristina. A revista que me deu a honra de capa é muito mais ignota e modesta. Mas posso assegurar que a revista Agir vale infinitamente mais do que as outras, todas juntas.

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Já agora, convém deixar outros esclarecimentos complementares, como o de que não protagonizei qualquer proeza ou escândalo públicos, que não mendiguei o favor e que nem sequer paguei um cêntimo pela publicação.

Honra tenho e imensa e também é conveniente explicá-la devidamente.

Honrou-me a capa pela companhia, que será interessante destacar, sobretudo lembrando-a a muita gente que ainda acredita, por estúpida ignorância ou deliberada má fé, que os jovens do seu tempo é que detinham a exclusividade da coragem, da solidariedade e da empenhada defesa de causas positivas. A geração jovem actual conta com alguns estafermos, como em todos os tempos e lugares, mas integra no seu seio uma imensa maioria de adolescentes dominados pelos mais nobres ideais.

Honrou-me a capa por certificar a minha integração na Amnistia Internacional, instituição que se bate pela intransigente defesa dos Direitos Humanos, num impressionante colectivo que mobiliza vontades e desenvolve oportunas e organizadas acções em favor dos mais desprotegidos, em luta intransigente contra todas as formas de tirania, de corrupção, de violência e de abuso do poder por parte daqueles que o detêm e não sabem (ou não querem!) usá-lo ao serviço dos seus semelhantes.

Honrou-me a capa pela activa cidadania que revela quanto à comunidade penichense onde me integro. Peniche, no que significa quanto ao habitual e receptivo bom acolhimento às iniciativas do Núcleo local da Amnistia Internacional, bem merece o amplo destaque que tanto a capa como o interior da revista Agir lhe concedem.

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Quem tem capa sempre escapa – diz o povo (que nem sempre tem razão!). Mas que esta capa se torne, simbolicamente, uma empenhada renovação da nossa colectiva promessa de permanentes vigilância e luta pela defesa dos Direitos Humanos de todos os que precisem de intervenção da Amnistia Internacional.

António Martinó de Azevedo Coutinho