e a fortaleza pariu um ratinho…

As últimas notícias, veiculadas pela comunicação social, são mais ou menos frustrantes em relação à expectativa criada, através de palavras armadas no ar, sem nada de projectos concretos, sobretudo datados e orçamentados.

O título do Diário de Notícias (18 de Abril) diz: Incubadora de startups e museu. Hotel é que não. Por sua vez, no mesmo dia de anteontem, anuncia o Público: Fortaleza de Peniche deverá ser um museu nacional da resistência. Proposta do grupo consultivo prevê a concessão de espaços para restaurante e cafetaria, mas não para uma pousada, como chegou a estar previsto ao abrigo do Programa Revive. Ponto final.

Por outras palavras, parece ter sido tem conta -exclusiva- o protesto do PCP e o lamento dos antigos presos políticos, reduzindo toda a riquíssima crónica da Fortaleza de Peniche ao seu capítulo de sinistra prisão do Estado Novo. Tudo o mais parece não ter sido considerado, o que significa um desprezo pela História e pela Cultura locais. Também a posição pública e unânime assumida pela autarquia penichense foi ignorada, pois nada foi superiormente respondido quanto ao seu próprio e fundamentado plano de recuperação.

De resto, o agora anunciado mergulha na imprecisão, pois é o ministro da Cultura que manifesta ser ainda prematuro garantir que tal projecto será integrado na respectiva Direcção-Geral. Outras suas declarações sobre o cálculo de verbas e de programas são confusas e, como se pode dizer em “esclarecedor” resumo, são apenas políticas…

O presidente da autarquia penichense lembra a sua própria promessa da ver anunciada alguma coisa (de jeito!) ainda em Abril (até 25, segundo garantiu) e cita o povo, ao misturar dinheiro e melões. Tem razão, porque pode daqui resultar uma grandessíssima dessas frutas cucurbitáceas…

Pobre comunidade penichense, que assiste impotente a mais um episódio da sua triste sina.