O seu a seu dono

A Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito é a mais elevada Ordem Honorífica de Portugal, tendo sido criada pelo Rei D. Afonso V em 1459. Foi renovada por D. João VI, enquanto Príncipe-Regente, em 13 de Maio de 1808 e por D. Pedro IV, também enquanto Regente do Reino, em 28 de Julho de 1832. Foi a única ordem honorífica que se manteve sempre activa, mesmo no período de 1910 a 1917-18, quando as restantes ordens militares foram extintas.

A Ordem Militar da Torre e Espada é uma das Ordens Honoríficas mais antigas e exclusivas da Europa. Apenas pode ser outorgada por méritos excepcionalmente distintos em órgãos de soberania ou no comando de tropas em campanha; por heroísmo militar ou cívico; ou por abnegação e sacrifício pela Pátria ou pela Humanidade.

Actualmente, os seus graus são, por ordem crescente de importância e significado: Cavaleiro, Oficial, Comendador, Grande-Oficial e Grã-Cruz.

Marcelino da Mata recebeu o grau de Cavaleiro, como Camilo Lourenço sublinhou e João Miguel Tavares citou. Acontece que João de Azevedo Coutinho, aos 25 anos de idade, recebeu em 1890 o grau de Oficial dessa Ordem mais o título de Benemérito da Pátria. Em 1898 tornou-se Comendador, Grande-Oficial em 1902 e, finalmente, Grã-Cruz em 1943.

Nem sequer me atrevendo a julgar João de Azevedo Coutinho como o mais condecorado militar português de todos os tempos, porque sei haver alguns outros dotados de semelhantes distinções, quer em número quer em qualidade honorífica, creio justificadamente não haver comparação possível com o caso em apreço.

Cito Marinho da Silva e a sua obra biográfica João de Azevedo Coutinho (volume II), colecção Pelo Império n.º 114, Agência Geral das Colónias, Lisboa, 1945, dali reproduzindo das páginas 61 a 63 a relação das condecorações do biografado, que aliás se revela incompleta.

Porque os desnecessários superlativos são sempre tão arriscados como as apressadas generalizações, aqui fica uma imperiosa correcção.

António Martinó de Azevedo Coutinho

João de Azevedo Coutinho e Peniche – post scriptum

Há dias, em mais uma ida ao Estado Maior da Armada, em Lisboa, recebi de um amigo a fatal notícia. Após o choque inicial, terei de aceitar que, em função do desenrolar (!?) dos acontecimentos, esta conclusão era expectável. E lógica.

Lutei, com alguns (raros) familiares, pelo objectivo centrado na musealização subaquática da corveta João Coutinho em Peniche. Não vou agora recapitular em pormenor o aqui já redito.

Com base num pretexto simbólico, a titularidade do condado de Peniche assente há gerações num membro da família Azevedo Coutinho, visava-se um desígnio da maior importância cultural, ecológica, desportiva e económica para esta cidade. A par do surf, as diversas práticas relacionadas com o mergulho motivado dispõem hoje de uma crescente procura a nível mundial. Entre nós, a Madeira e Portimão transformaram-se nos seus polos pioneiros.

O processo iniciou-se há anos, ainda no decurso do anterior mandato autárquico. António José Correia, talvez porque a iniciativa lhe não pertencera (!?), jamais assumiu o projecto com a seriedade exigida. Ainda assim, não se furtou a um precário diálogo e protagonizou mesmo algumas inconclusivas diligências.

A “herança” do projecto foi transmitida ao novo responsável autárquico, Henrique Bertino, logo no início do seu mandato. Perante a prolongada indiferença deste,  constatada no decorrer dos tempos, assumi a iniciativa de transmitir oralmente, e logo depois por escrito, o essencial da pretensão ao Chefe de Estado Maior da Armada, a quando da sua vinda a Peniche por ocasião das festividades do último Dia da Marinha, em Maio. O presidente da autarquia testemunhou presencialmente o facto, sem que isso lhe provocasse qualquer posterior diligência.

A seguir, através das redes sociais por intermédio deste blog, historiei todo o processo ao longo de sucessivos “capítulos” que terminaram com o notável depoimento de um penichense, Jorge Russo, uma autoridade internacional no tema em questão. Recordo o seu derradeiro período: “Após este breve conjunto de argumentos, apetece perguntar a Peniche o que espera para acolher, numa primeira fase ouvindo mas com atenção, a ideia de afundar a Corveta João Coutinho.

O tempo continuou a sua marcha sem qualquer visível reacção do autarca. Como é óbvio, não competiria ao Estado Maior da Armada perguntar a Peniche se estava interessada no afundamento da corveta. Entretanto, recentemente e na sequência de duas outras similares operações, o Governo Regional da Madeira manifestou o legítimo desejo de contar com a corveta João Coutinho, o qual -naturalmente- foi concedido.

O que perdemos nós, familiares de João de Azevedo Coutinho em geral, e eu em particular como permanente militante desta causa? A possibilidade de termos, próximo e para sempre, mais um símbolo evocativo de uma figura tutelar cuja dimensão nos ultrapassa, perpetuado (e assim homenageado) em marco de quotidiana e diversificada procura.

O que Peniche perde é imensamente mais significativo. Basta perguntar ao Governo Regional da Madeira ou à Câmara Municipal de Portimão, às empresas e organizações implicadas no projecto e às comunidades envolventes o que significa, nos mais diversos níveis de progresso e desenvolvimento, o sucessivo afundamento e exploração de navios, na crescente e imparável contabilidade registada em ambos os seus mares de influência…

O presidente da Câmara Municipal de Peniche acaba de partilhar no jornal local algumas queixas motivadas por injustas campanhas de opinião de que se sente vítima. Mas o balanço da vida pública implica, também, a introspecção.

De cara descoberta acuso-o pelo desprezo concedido a esta proposta. Aceitaria a sua discussão, pública ou privada, o contraditório, até mesmo uma recusa desde que devidamente justificada.

No entanto, o senhor presidente demitiu-se dos seus deveres de líder, preferiu o silêncio, nem sequer tendo confidenciado aos seus pares o desafio legitimamente colocado por um munícipe. A verdade é que este tipo voluntário de autismo se situa nos antípodas da transparência e longe das mais elementares regras democráticas.

Assim, aqui e agora, talvez perdido num vasto campo de sentimentos entre a estulta ignorância e a arrogante sobranceria, o presidente da autarquia deixou esgotar-se, ingloriamente, uma oportunidade única. Como é evidente, levar até ao fim um projecto com tal dimensão implicaria coragem, audácia, trabalho e investimento. Isso assustou os protagonistas citados? Por que tem Peniche de se manter neste lamentável atraso que mal justifica a imerecida promoção política de há décadas?

O que agora se perdeu sem remédio, por inacção, será avaliado quando um dia -sem margem para dúvidas- começarem a ser aqui deliberadamente afundados navios. Então, já outros estarão -devida e previamente instalados- nas águas da “concorrência”: Cascais, Ericeira, Nazaré, Figueira da Foz e por aí fora… Peniche terá preferido, como quase sempre, a cauda do pelotão do progresso.

No mínimo, a António José Correia ficou a dever-se a implantação do surf, ainda que nem sempre bem enquadrado ou aproveitado no seu óbvio e desejável contexto comunitário. Agora, enredada na limitada gestão paroquial da sua vulgaridade quotidiana, a actual governação autárquica dá sinais de uma clara incompatibilidade quanto à necessária e urgente visão criativa de um futuro sustentável para a comunidade penichense. O actual caso da perdida corveta é paradigmático.

Mudou-se a imagem oficial da autarquia, quando o essencial -e desejável- consistiria na mudança da sua mentalidade. A “árvore”, símbolo do projecto eleito, bem pode sujeitar a sua aparência a uma operação cosmética. No interior, pouco a pouco, vem já sofrendo a praga que abateu as clássicas palmeiras, outrora imagem da cidade.

Portanto, a perspectiva imediata implica uma alternativa muito simples: a radical alteração do actual comportamento da “árvore” ou o reconhecimento da sua precoce esterilidade. Talvez por algum tempo pareça manter-se ainda na vertical, como compete por definição ao género, porém morta por dentro.

Ainda que nada, rigorosamente nada, tenha a ver com a questão aqui em apreço, não pode nem deve esquecer-se a perfeita  inutilidade de uma “oposição” autárquica, maioritária e ausente.

Peniche e os penichenses mereceriam um melhor futuro.

Que tarda.

António Martinó de Azevedo Coutinho

João de Azevedo Coutinho e Peniche – dezassete (final)

Não poderia contar com um mais perfeito final nesta fase de apresentação pública de uma pretensão que defendo com convicção, na certeza do seu inegável interesse de vária ordem para Peniche.

Jorge Russo é um amigo que admiro. Na situação de especialista de renome internacional na matéria em apreço o seu testemunho é significativo; na condição de natural de Peniche a sua opinião tem o peso suplementar de um perfeito conhecimento da realidade local.

A sua imediata aceitação do incondicional convite que lhe fiz honra-me.

O seu texto, dotado da autoridade e do conhecimento que detém, merece ser lido. E meditado.

Obrigado a Jorge Russo pela sua voluntária e valiosa cumplicidade.

Agora, Peniche que decida.

António Martinó de Azevedo Coutinho

 

Jorge Russo nasceu em 1969, em Peniche, é licenciado em História pela Universidade Aberta e mestrando em História Marítima na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Escola Naval. É investigador associado no CINAV – Centro de Investigação Naval, da Marinha Portuguesa, e no IHC – Instituto de História Contemporânea da FCSH/UNL.

O seu principal interesse centra-se na História e Arqueologia dos navios a vapor em ferro e aço, especialmente em ambiente submerso de profundidade, enquanto mergulhador de circuito fechado, e em metodologias forenses de identificação de destroços e correlação destroço-navio.

Na História dedica-se principalmente ao estudo de temáticas marítimas e navais em torno dos dois grandes conflitos mundiais. Na Arqueologia dedica-se principalmente em torno das questões tecnológicas de propulsão além da vela, e na aplicação de metodologias de estabelecimento da relação destroço/navio como forma de identificação dos primeiros.

Ganhou as Jornadas do Mar nas edições de 2012, 2014 e 2016, em História na Categoria de Licenciados e Mestrados, e o prémio “Adopt-a-Wreck-Award” da Nautical Archaeology Society, em 2013 em nome próprio e em 2015 no Projeto do CINAV relativo à ação do U-35 ao largo de Sagres e Lagos durante a Grande Guerra, em coautoria com o Comandante Augusto Salgado.

Atualmente é cocoordenador daquele projeto “O U-35 no Algarve” e corresponsável científico do projeto em torno do navio de salvamento Patrão Lopes, no Bugio, em Lisboa, com Jorge Freire.

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Destroço é um substantivo masculino que, se referindo ao património cultural submerso, mais vulgarmente significa objeto afundado, a maioria das vezes correspondendo a um navio.

Esta é apenas uma das dimensões, provavelmente a de menor relevância, certamente se nos referirmos à relevância cultural.

Na tangibilidade, e do ponto de vista arqueológico e histórico, encerra e transcreve o testemunho dos Homens e do seu tempo, do ponto de vista antropológico não nos esqueçamos que o objeto se transfigura pela relação que o Homem estabelece com ele, numa relação de transformação cultural que é recíproca. Há inclusivamente autores (por exemplo Igor Kopytoff) que defendem que estes objetos, logo também os destroços, transportam biografias que desaguam em diferentes significados que se acumularam no conjunto do seu fabrico, uso e usufruto, a dimensão intangível.

Ora é esta última que gostaríamos de sublinhar. Na verdade, os destroços podem ser além de testemunhos culturais, excelentes oportunidades económicas.

Excelentes porque o seu usufruto é tendentemente uma atividade racional, responsável, sustentável, de baixo impacto ambiental, e que regista muitas vezes ramificações importantes quanto às atividades económicas que mobiliza ao seu redor, possuindo ainda a capacidade de combater a sazonalidade.

Estamos naturalmente a referir-nos ao sector de atividade económica do mergulho recreativo.

Se por um lado existem preocupações de pressão e carga deste sector sobre o património cultural submerso, e devem haver, nomeadamente aquele mais sensível, a verdade é que a própria UNESCO aconselha a sua fruição na CONVENÇÃO SOBRE A PROTECÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL SUBAQUÁTICO que Portugal ratificou prontamente.

Mas há, nesta matéria, uma solução e oportunidade imperdíveis há muito ensaiadas em todo o mundo e mais recentemente em Portugal: o afundamento de navios para fins lúdicos como o mergulho recreativo.

Por todo o mundo e Portugal não tem sido exceção, multiplicam-se os casos de enorme sucesso nesta ação. Os destroços afundados possuem uma orgulhosa história que honrosamente será perpetuada através dos milhares de visitantes que a conhecerão na oportunidade da sua visita em ambiente submerso, rapidamente se transformam num oásis de vida e biodiversidade, todos os estudos o indicam, são um vetor de enorme importância e capacidade de mobilização e dinamização económica, combatem a sazonalidade, e se geridos de forma ampla e telescópica ao invés de microscópica, são uma forma eficaz de combater a monocultura turística que tantas, demasiadas, vezes se apodera da orla costeira.

Podia juntar aqui esses exemplos, mas maçar-vos-ia pela extensão interminável.

 

Após este breve conjunto de argumentos, apetece perguntar a Peniche o que espera para acolher, numa primeira fase ouvindo mas com atenção, a ideia de afundar a Corveta João Coutinho.

Jorge Russo

João de Azevedo Coutinho e Peniche – dezasseis

Ponto da situação.

Procurei nada deixar omisso quanto a este projecto, que é uma provocação.

Deixei claro que todo o processo apenas pode ser desencadeado por uma iniciativa da autarquia penichense. O seu presidente não desconhece a pretensão -bem pelo contrário!- e portanto cabe-lhe assumi-la ou não. À maioria, silenciosa, da edilidade compete depois a decisão colectiva.

Ninguém ignora que o projecto tem passos difíceis a cumprir e exige um investimento considerável. No entanto, responsáveis da autarquia não se têm cansado de afirmar a existência de um gabinete cuja função é, precisamente, a de encontrar os aliados, procurar os fundos e preparar as candidaturas. Eis uma magnífica oportunidade para testar a sua eficácia…

A questão fundamental, que não pode nem deve ser iludida, é de provar uma visão arrojada de futuro para a comunidade local contrastando com a banal gestão da vulgaridade quotidiana. Esta é uma diferença, decisiva, entre freguesia e cidade.

Adiar um projecto como este com cómodas e estafadas desculpas de circunstância será perder oportunidades que outros não desdenharão. E hipotecar o futuro.

O mar é, aqui, uma realidade incontornável. Desperdiçar as suas potencialidades, quando estas podem servir como motor de desenvolvimento local, é negar as mais lógicas evidências. A museologia subaquática e o mergulho em profundidade são em tudo compatíveis com o surf superficial.

A família Azevedo Coutinho está, como sempre, profundamente empenhada no culto da memória do seu mais ilustre antepassado. A Armada, na sequência de todas as atitudes até agora assumidas, tem por timbre honrar os seus gloriosos membros com justificada nobreza. A Câmara Municipal de Peniche está pois confrontada com uma proposta cujas premissas são claras, num deve e haver que lhe compete apreciar, decidindo em conformidade. Do que fizer -ou não!- terá de prestar contas a uma comunidade necessariamente atenta e com memória futura..

Na interpretação pessoal dos factos, embalado num optimismo que recuso abandonar, apresentei claramente ao Chefe do Estado-Maior da Armada uma data cujo profundo simbolismo poderia ser adequado para a concretização do acto: 2 de Maio de 2019, quando se cumprirá o preciso meio século sobre a data do lançamento à água, em Kiel, da corveta João Coutinho.

Os meses inactivos -portanto perdidos!- que entretanto já passaram inviabilizam, na prática, esse sonho. Mas não faltam, no futuro próximo, outras válidas efemérides. Em 7 de Dezembro de 2019 passam 75 anos sobre a morte do Almirante João de Azevedo Coutinho e em 7 de Março de 2020 cumprir-se-ão os 50 anos da entrada da corveta com o seu nome ao serviço da Armada Portuguesa.

Teremos ainda, em 6 de Fevereiro de 2020 a “comemoração” de dois anos passados sobre a data oficial do abate da corveta…

Um Condado, uma Corveta e Futuro – uma proposta para Peniche inspirada num Herói nacional: João de Azevedo Coutinho.

Fico, de momento, por aqui. A série terminará no próximo dia 30, com um “capítulo” especial.

António Martinó de Azevedo Coutinho

João de Azevedo Coutinho e Peniche – quinze

BREVES  DADOS  BIOGRÁFICOS  DE
JOÃO  DE  AZEVEDO  COUTINHO – anexo

1945 – É publicada uma biografia de João de Azevedo Coutinho, por Marinho da Silva, com incidência quase exclusiva sobre a sua carreira militar e governativa em Moçambique.

1956 – O Presidente general Craveiro Lopes inaugura em Quelimane uma estátua, em homenagem a João de Azevedo Coutinho.

1967 – 20 de Abril – A Câmara Municipal de Alter do Chão repõe solenemente a designação toponímica de JAC numa rua da Vila.

1969 – 2 de Maio – É lançada à água, em Kiel (Alemanha), uma corveta da Armada Portuguesa a que é dado o nome de João Coutinho.

1970 – 27 de Outubro – Pelo Banco Nacional Ultramarino é emitida em Moçambique uma nota com o valor facial de 50 escudos, com a efígie de JAC.

1975 – 25 de Junho – Com a independência, Moçambique muda o nome das avenidas João de Azevedo Coutinho para Avenida da OUA (em Maputo) e Avenida 1 de Julho (em Quelimane).

A sua estátua, aqui erigida em 1956, é retirada e destruída.

2002 – 26 de Outubro – Alter do Chão, em cooperação com a Armada Portuguesa, homenageia o seu filho João de Azevedo Coutinho, na passagem do I Centenário da Campanha do Barué.

É erigido um memorial alusivo e lançado um livro biográfico.

2014 – 6 de Julho – A família Azevedo Coutinho visita a corveta João Coutinho, em vésperas de desactivação.

2015 – 3 de Fevereiro – São solenemente comemorados, na Sociedade de Geografia, em Lisboa, os 150 anos do nascimento de João de Azevedo Coutinho.

2018 – 6 de Fevereiro – Pela portaria 140/2018 do Ministério da Defesa Nacional, o Governo manda abater ao efectivo dos navios de guerra o NRP João Coutinho, a partir de 1 de Fevereiro de 2018.

António Martinó de Azevedo Coutinho

João de Azevedo Coutinho e Peniche – catorze

BREVES  DADOS  BIOGRÁFICOS  DE
JOÃO  DE  AZEVEDO  COUTINHO – III

1911 – 26 de Maio João de Azevedo Coutinho é demitido da Armada “a bem dos superiores interesses da República Portuguesa”, conforme reza o respectivo decreto, por envolvimento em actividades contra o regime. Prefere o exílio, por terras de Espanha e França.

1911 – 26 de Junho Por proposta do vice-presidente da Câmara Municipal de Portalegre, Adelino do Carmo Brito, foi substituído o nome da Rua Azevedo Coutinho (antiga Rua da Carreira) pelo de Rua 19 de Junho.

1913 – 21 de Outubro Nova intentona revolucionária monárquica com a participação de João de Azevedo Coutinho que, disfarçado, consegue regressar ao exílio num golpe audacioso.

1915 – Devido a uma amnistia, João Coutinho pode regressar à Pátria.

1923 – 16 de AbrilO filho Francisco Eduardo casa com D. Maria Antónia de Almeida de Noronha, tornando-se conde de Peniche.

1919 – Embora então bastante doente, João de Azevedo Coutinho envolve-se com Aires de Ornelas numa conspiração monárquica em Monsanto. Preso e julgado, em Agosto, é absolvido após recurso.

1925 – 8 de Novembro É eleito senador monárquico, pelo distrito de Portalegre, com significativa votação popular.

1932 – 25 de Setembro D. Duarte Nuno de Bragança, sucessor de D. Manuel II, nomeia João Coutinho como seu Lugar-Tenente.

Lidera a Causa Monárquica.

1934 Publica “Valor e eficiência patriótica das missões coloniais”.

1935 Publica “As duas conquistas de Angoche” e “O combate de Macequece: notas sobre algumas das determinantes próximas e remotas do conflito”.

1936 Publica “Manuel António de Sousa, um capitão-mor da Zambézia”.

1939João de Azevedo Coutinho visita a Zambézia, encontrando antigos camaradas.

1941 Publica a obra: “Memórias de um velho marinheiro e soldado de África”.

1942 – 21 de Fevereiro É-lhe conferido o título de Presidente de Honra do Instituto Ultramarino.

1942 – 7 de Março A Sociedade de Geografia de Lisboa escolhe João de Azevedo Coutinho para seu presidente.

1942 – 11 de Março – É-lhe conferida, a título honorário e por deliberação unânime da Assembleia Nacional, a patente de vice-almirante e é reintegrado na Armada.

1942 – 15 de Março – É homenageado pela Mocidade Portuguesa e pela Agência Geral das Colónias, tendo aí sido proferido pelo Dr. Marcelo Caetano um discurso que ficou célebre.

1942 – 26 de Junho – É solenemente acolhido e homenageado na cidade do Porto.

1943 – 28 de Maio – Como “Herói de África”, recebe publicamente as suas últimas condecorações: as Grã-Cruzes das Ordens do Império e da Torre e Espada.

1944 – 7 de Dezembro – Morre em Lisboa, aos 79 anos.

António Martinó de Azevedo Coutinho