Nos 75 anos do regresso de um herói – 09

A homenagem pública a João de Azevedo Coutinho promovida pela Agência Geral das Colónias e pelo Comissariado Nacional da Mocidade Portuguesa no Palácio da Independência, em Lisboa e no serão do dia 14 de Março de 1942, atingiu uma invulgar dimensão.

Estiveram presentes o General Eduardo Marques, presidente da Câmara Corporativa e os Drs. Francisco Vieira Machado, Mário de Figueiredo e Lopes de Almeida, respectivamente ministros das Colónias e da Educação Nacional e subsecretário de Estado desta pasta, o que desde logo permite avaliar o significado oficialmente atribuído ao acto.

Os oradores convidados foram escolhidos com superior critério: o Dr. Júlio Cayolla, Agente Geral das Colónias, o capitão de fragata Vasco Lopes Alves, procurador à Câmara Corporativa e relator do parecer sobre a recentíssima reintegração do homenageado na Armada, e o Prof. Doutor Marcello Caetano, Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa.

As principais condecorações conquistadas pelo herói -Benemérito da Pátria aos 25 anos- estavam patentes, entre as quais as Grâ-Cruzes da Torre e Espada, da Ordem do Império e de Cristo.

Profundo significado tiveram, também, as presenças das bandeiras que tinham acompanhado João de Azevedo Coutinho em duas das suas mais memoráveis campanhas moçambicanas, a do Chire (1889) e a do Barué (1902).

O som da histórica sessão foi amplificado por altifalantes exteriores a fim de que a multidão que enchia o vasto espaço fronteiro, o Largo de São Domingos, pudesse partilhar o momento vivido. A Emissora Nacional gravou em disco todos os passos da homenagem, a fim de que todo o País pudesse depois acompanhá-los através das suas ondas média e curta,

E a emoção transbordou daquela sala do velho palácio dos Almadas, já de si carregado de antigas memórias. João de Azevedo Coutinho, trémulo mas ainda firme nos seus passos, dirigiu-se no final da cerimónia à bandeira da campanha do Chire e beijou-a, num afecto patriótico com meio século de gratíssima memória, em simbólico gesto que ficaria lembrado para sempre.

Não pode surpreender, portanto, o facto de se ter pretendido perpetuar os ecos do memorável serão. Assim, algumas edições guardaram a integralidade dos discursos então proferidos. Podemos encontrá-los, entre outras fontes, no Boletim Geral das Colónias e sobretudo num caderno especial editado pela Agência Geral das Colónias.

A sua transcrição será aqui feita, neste “capítulo” da gesta, através da apresentação da obra e da introdução da cerimónia pelo Agente Geral das Colónias, Júlio Cayolla. Do próximo constará o discurso do capitão de fragata Vasco Lopes Alves e do seguinte o discurso do prof. Doutor Marcello Caetano, estes ilustrados com duas oportunas fotografias do acontecimento reproduzidas do Boletim Geral das Colónias.

Nos 75 anos do regresso de um herói – 08

No sábado seguinte, dia 14 de Março de 1942, a Agência Geral das Colónias e o Comissariado Nacional da Mocidade Portuguesa promoveram uma grande homenagem pública a Azevedo Coutinho, no Palácio da Independência, em Lisboa, estando presentes os ministros das Colónias e da Educação Nacional. Aí foram oradores o Dr. Júlio Cayolla, Agente Geral das Colónias, o capitão de fragata Vasco Lopes Alves, procurador à Câmara Corporativa e relator do parecer sobre a recentíssima reintegração do homenageado na Armada, e o Prof. Doutor Marcello Caetano, Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa.

A Homenagem prestada ontem a Azevedo Coutinho na sede da Mocidade Portuguesa” é o título de 1.ª página, com continuação na seguinte, que encima a reportagem do Diário de Notícias do dia seguinte, 15 de Março de 1942. Aí pode ler-se:

Quando o vice-almirante Sr. João de Azevedo Coutinho, benemérito da Pátria e herói de África, entrou ontem à tarde na vasta sala do histórico Palácio dos Almadas, hoje sede da Mocidade Portuguesa por generosa dádiva da colónia portuguesa do Brasil, a fim de receber a justa homenagem que lhe preparou aquele organismo em colaboração com a Agência Geral das Colónias, a numerosa assistência presente, de pé, aplaudiu prolongadamente o ilustre marinheiro, que emocionado não pode reter uma lágrima teimosa que lhe aflorou aos olhos. Nesse momento inclinaram-se, levemente, o estandarte de ouro da M. P. e as bandeiras reais que se cobriram de glória no Chire e no Barué, pelo esforço e valentia de Azevedo Coutinho, velhinhas e desbotadas pelos ventos dos sertões. Também elas saudaram o herói como velhos conhecidos, como companheiros inseparáveis que foram de horas de perigo e horas de glória.

As palmas continuavam com calor e entusiasmo e só terminaram quando o Sr. vice-almirante Azevedo Coutinho se sentou em lugar de honra, ladeado pelos Srs. General Eduardo Marques, presidente da Câmara Corporativa; Drs. Francisco Vieira Machado e Mário de Figueiredo, Ministros das Colónias e da Educação Nacional, e Dr. Lopes de Almeida, Subsecretário de Estado desta última pasta. (…)

Na rua, em frente do Palácio da Restauração, porque mais gente não cabia lá dentro, aglomerava-se uma enorme multidão, que ouvia atentamente os discursos dos oradores exaltando as qualidades do Sr. conselheiro Azevedo Coutinho. (…)

Uma prolongada salva de palmas – como já havia acontecido com os oradores antecedentes – abafou as últimas palavras do orador (Marcello Caetano), palmas que, em seguida, redobraram de intensidade quando o Sr. conselheiro Azevedo Coutinho se dirigiu para a bandeira da campanha do Chire, de 1889, e nela depôs um beijo.

A sessão foi em seguida encerrada. Ao abandonar a sala o Sr. conselheiro Azevedo Coutinho fez esta declaração ao redactor do Diário de Notícias:

– Estou emocionado e também muito agradecido a todos por esta homenagem.

À saída do Palácio da Mocidade Portuguesa a multidão, que enchia o largo de S. Domingos, tributou ao Sr. conselheiro Azevedo Coutinho uma significativa demonstração de simpatia”.

Entre todas as outras, esta homenagem foi, seguramente, a que contou com o conjunto das personalidades que melhor souberam sublinhar a grandeza da personalidade em apreço. Por isso é oportuno e significativo -sobretudo para memória futura- que a seguir se reproduzam na íntegra os discursos então proferidos, substituindo com vantagem a habitual recensão dos recortes de imprensa constantes dos arquivos pessoais de João de Azevedo Coutinho.

Nos 75 anos do regresso de um herói – 07

Vai iniciar-se na vida de João de Azevedo Coutinho um período dominado por sucessivas e emocionantes manifestações públicas oficiais de justo reconhecimento do invulgar mérito que sempre merecera mas que só no dealbar da sua rica existência voltara finalmente a ser-lhe reconhecido.

Durante o mês de Março de 1942, o ministro das Colónias nomeia-o, por portaria, presidente honorário do Instituto Ultramarino, destinado a acolher viúvas e filhos de funcionários do Ultramar, dignos de apoio. Esta distinção não se revestia apenas de um significado simbólico, pois o jovem 1.º tenente da Armada Real João de Azevedo Coutinho integrara nos primeiros meses de 1891 a Comissão oficial encarregada de criar e regulamentar essa benemérita instituição.

A 7 deste mesmo mês, é a prestigiada Sociedade de Geografia de Lisboa que presta homenagem ao conselheiro Azevedo Coutinho, seu próprio presidente. Durante a reunião da Assembleia Geral, efectuada na sala Algarve, alguns oradores puseram em evidência as qualidades e feitos do herói do Chire, apontando-o como exemplo do mais digno patriotismo às gerações actuais e futuras, após o que a assistência tributou, de pé, uma calorosa e prolongada ovação ao homenageado. João de Azevedo Coutinho, emocionado com poucas vezes se sentira, apenas consegue pronunciar breves palavras de gratidão.

Depois, foi reeleito presidente da Direcção da Sociedade.

Porém, a mais digna e justa das homenagens recebidas por João Coutinho vai consistir na sua solene reintegração na Armada, de onde fora demitido “a bem dos superiores interesses da República Portuguesa”, no já distante dia 26 de Maio de 1911, quando era capitão de fragata reformado.

A Lei n.º 1990, de 11 de Março de 1942, é portanto publicada na folha oficial:

Em nome da Nação, a Assembleia Nacional decreta e eu promulgo a lei seguinte: artigo único – É concedida, a título honorário, a patente de vice-almirante ao antigo oficial da Armada João de Azevedo Coutinho Fragoso de Sequeira”.

Por portaria de 12 de Março de 1942, foi portanto reintegrado na Armada, com a patente de vice-almirante honorário, em harmonia com a Lei n.º 1990, do dia anterior.

Ficou assim oficial e integralmente prestada tão tardia justiça…

Nos 75 anos do regresso de um herói – 06

Uma das raras entrevistas que João de Azevedo Coutinho concede em toda a sua longa vida é agora apresentada nas páginas do Diário de Lisboa. Foi no dia 27 de Fevereiro de 1942 e, pelo seu interesse, a seguir se transcreve:

 UM MARINHEIRO E SOLDADO DE ÁFRICA
JOÃO DE AZEVEDO COUTINHO, Benemérito da Pátria aos 24 anos,
falou-nos a propósito da sua promoção a vice-almirante honorário

João de Azevedo Coutinho está na “ordem do dia”. Lugar-tenente de D. Manuel II, é hoje o representante do descendente varão dos Braganças – o príncipe D. Duarte, actualmente na Suíça. Publicou um grande livro com este título eloquente na sua simplicidade: “Memórias de um velho marinheiro e soldado de África”. E, há pouco tempo, o Dr. Vasco Borges lançou no “Diário de Lisboa” e propôs na Assembleia Nacional a ideia da sua reintegração na Armada que tanto honrou e da sua promoção a “vice-almirante honorário” que não pode defender devido à sua morte prematura. Coube essa honrosa tarefa a um ilustre oficial da nossa Marinha: o comandante Álvaro de Freitas Morna, há pouco nomeado governador geral de Angola.

João de Azevedo Coutinho é agora o português que mais autorizadamente pode representar o passado, o presente – e quem sabe se o futuro? Soldado desde os 15 anos de idade, “benemérito da Pátria” proclamado oficialmente aos 24, herói de África, governador geral de Moçambique, duas vezes ministro da Marinha e do Ultramar, colonial distinto, chefe político que tudo arriscou, representante de dois príncipes – conseguiu obter a unanimidade dos votos da Assembleia Nacional e das opiniões dos portugueses.

O “Diário de Lisboa” – que se honra de ter sido o jornal em que tão interessante e justificada ideia foi lançada – quis recolher nas suas colunas as impressões do heróico militar.

João de Azevedo Coutinho recebeu-nos no seu gabinete da Companhia do Comércio de Moçambique, com um sorriso:

  Que hei-de dizer-lhe? Que fiquei muito satisfeito – e que não esperava…

E veio a história do acontecimento:

– Conheci o Dr. Vasco Borges quando ele era ministro dos Negócios Estrangeiros e eu senador monárquico, com D. Tomás de Vilhena, o conde de Nova Goa e outros amigos queridos. Falei várias vezes do Império Britânico, afirmando a minha convicção de que, independentemente de qualquer outro acontecimento de ordem exterior, a sua unidade e a sua conservação dependiam da sua monarquia. Ocupei-me várias vezes, com conhecimento de causa, da África do Sul e das suas relações com Portugal. O Dr. Vasco Borges, como ministro, ouviu-me sempre com atenção – e daí nasceram as nossas relações. Quando publiquei o meu livro “Memórias de um velho marinheiro e soldado de África”, enviei-lhe um exemplar. E creio que foi a leitura do meu trabalho que lhe inspirou o artigo no “Diário de Lisboa” e o projecto de lei, apresentado à Assembleia. Infelizmente, a sua morte não lhe permitiu ver a sua ideia realizada. Quanto ao meu ilustre camarada Freitas Morna, ainda não consegui, apesar dos meus esforços, agradecer-lhe as suas carinhosas palavras. Que fique registado no seu jornal o meu agradecimento, bem como a manifestação da minha esperança de que as suas altas qualidades lhe permitam realizar em Angola uma obra notável – a obra necessária- depois da que o Dr. Marques Mano tão brilhantemente iniciou.

E explicou a razão porque não conseguiu ainda avistar-se com o Sr. comandante Morna:

– É que eu não posso subir escadas. A cabeça, porém, ainda regula bem, graças a Deus. E eu faço o possível por durar o maior número de anos. Nisso, estou com o saudoso conde de Bretiandos: “Como católico, desejo ir para o céu -mas o mais tarde possível…”.

João de Azevedo Coutinho recebeu uma interessante carta do Sr. almirante Almeida Henriques, que foi comandante dos submersíveis, a propósito do seu livro, na qual o saúda como o ministro da Marinha que mandou construir o primeiro submarino português: o “Espadarte”.

Falando sobre este assunto, Azevedo Coutinho disse, modestamente, que, como ministro, se limitou a fazer o que lhe aconselhou um grande técnico: Morais e Sousa. E recordou um sonho – que disso não passou:

– Como nação colonial, Portugal necessitava duma boa Armada. Quis construí-la com o produto duma “cédula pessoal” (como muito mais tarde se criou em Espanha). Mas o tempo era pouco para tricas políticas e antes que eu pudesse efectivar tal propósito… caiu o governo.

– Como nasceu a ideia da publicação do seu trabalho?

– Em casa do Dr. Oliveira Salazar, após um jantar em honra dos professores da Universidade de Oxford, o Dr. Marcello Caetano sugeriu-me a publicação dum livro com os artigos insertos na revista “O Mundo Português” e outros elementos que pudessem ter curiosidade. Estava presente Júlio Cayolla, que manifestou grande interesse pelo assunto, mas que nada pode resolver, devido a ter de partir para o Brasil. Foi Artur Brandão – membro do Conselho de Administração da Companhia de Moçambique, a que tenho a honra de presidir – que tomou a iniciativa da edição que obteve um êxito que eu não esperava.

É interessante recordar a ida do nosso entrevistado para Moçambique, em 1884:

– Eu tinha 19 anos. E nessa altura não havia jovem oficial que não desejasse ir a Macau – que era um verdadeiro sonho, com os seus aspectos orientais, as suas comodidades, as suas simples comissões de serviço a Timor, a Xangai, a Singapura… Ao ser nomeado para Moçambique, pedi ao ministro da Marinha e Ultramar, Manuel Pinheiro Chagas, para me enviar antes para Macau. O ministro respondeu-me que assim faria se eu insistisse, declarando-me, porém, que, para um oficial de 19 anos, deveria ser mais interessante seguir para Moçambique, onde se tornavam necessárias operações militares, devido a uma revolta que tinha custado a vida a um oficial português e aos seus três filhos “assados” diante do pai. Não hesitei e fui. No ano seguinte comandei em operações consideradas perigosas, dois iates à vela. E como cumpri o meu dever e tive sorte, a minha carreira foi rápida, de tal forma que vinte anos depois era governador geral de Moçambique.

À despedida, tratámos João de Azevedo Coutinho por “almirante”. E ele protestou:

– Julgamos que lhe assenta melhor este nome que o de “conselheiro”…

Resposta:

– Quando eu governava Moçambique determinei que só me tratassem por “governador”. Os militares obedeceram mas os civis continuaram a tratar-me por “conselheiro”. Que eu, na verdade, o que fui, toda a vida, foi soldado e marinheiro…

– Por isso, tem de aceitar: Muito boa tarde, Sr. almirante!”.

Nos 75 anos do regresso de um herói – 05

Inesperadamente, a 17 de Fevereiro de 1942, morre o deputado Dr. Vasco Borges, cujo último grande gesto parlamentar fora a apresentação da proposta de reintegração de João de Azevedo Coutinho na Armada. O Diário de Lisboa do dia seguinte, com uma destacada referência ao infausto e brutal desenlace, cita palavras do próprio:

Se conseguir isto, eu que tanto admiro o valente soldado de África, reputar-me-ei bem pago de quantos dissabores tenho sofrido”.

No dia 20 deste mês, João Coutinho torna a abordar a ida de D. Duarte ao Brasil e, a 25, como presidente da Sociedade de Geografia -cargo que será reafirmado por novo mandato a partir de 21 de Março desse mesmo ano de 1942-, comunica que a Direcção daquela instituição vai reunir nesse dia para se ocupar da violação dos nossos direitos de soberania em Timor.

De facto, no outro extremo do mundo onde se falava e ainda fala o português, o exército imperial japonês bombardeara e invadira o território de Timor-Leste, provocando inúmeras vítimas entre os seus habitantes. Os cuidados prévios de australianos e holandeses de nada tinham servido. Eram os “efeitos secundários” da II Guerra Mundial a atingir-nos…

No dia 21 de Fevereiro de 1942, a sessão da Assembleia Nacional é dedicada a vários temas, como estes acontecimentos de Timor, a situação económico-social da Madeira, a necessidade de uma eficaz protecção à Família, ao estado de abandono em que se encontra a sepultura de Alves Roçadas e a morosidade com que algumas repartições oficiais fornecem esclarecimentos requeridos por deputados.

A “ordem do dia” abre depois com a discussão do projecto de lei da autoria do malogrado parlamentar Dr. Vasco Borges sobre a concessão, a título honorário, da patente de vice-almirante a João de Azevedo Coutinho.

Usando da palavra, o Sr. comandante Álvaro de Freitas Morna prestou homenagem à memória do autor do projecto, lamentando que a sua iniciativa não fosse por ele justificada, como era merecido.

Depois, louvou a proposta com evidente e explícito apoio da assembleia de parlamentares. E disse, entre outras afirmações:

É preciso ler-se a folha gloriosa de serviços, como outra não houve, por certo, maior nem mais bela na história da Marinha e meditar na série contínua de triunfos que é toda a sua vida de oficial – a campanha do Chire e a do M’lolo, as do Barué, Namarrais, Zambézia, Maganja da Costa e tantas mais!

Os honrosíssimos louvores, as mais altas condecorações a atestarem-lhe a invulgar personalidade, devotados sacrifícios, heroicidade!

Cobrem-lhe o peito, entre tantas da maior valia, a medalha de ouro de serviços distintos e relevantes no Ultramar, em campanha, e a medalha de ouro do valor militar. Bem diz a digna Câmara Corporativa, no seu primoroso parecer: Azevedo Coutinho foi verdadeiramente um dos construtores da História Nacional”.

Em virtude do adiantado da hora, e tendo desistido por isso da palavra os Srs. Drs. Juvenal de Araújo e António de Almeida, foi o debate dado por concluído a requerimento do Sr. Dr. Ângelo César.

O presidente pôs o artigo único a votação, que foi feita solenemente de pé e por unanimidade.

Para além da ampla e justa divulgação que toda a grande imprensa nacional logicamente dedicou ao assunto, com reportagens e crónicas alusivas, destaque-se a repercussão sentida pelas terras de origem de Azevedo Coutinho.

O jornal Correio de Portalegre, na sua edição de 25 de Fevereiro de 1942, insere uma curta mas significativa nota:

Conselheiro Azevedo Coutinho

É jubilosamente que Correio de Portalegre se associa à justíssima homenagem prestada pela Assembleia Nacional a essa grande figura de português, ao benemérito da Pátria, ao construtor de história que é João de Azevedo Coutinho.
De facto não se admitia que uma das mais gloriosas figuras, entre as de todos os tempos, da nossa Armada, a ela não pertencesse.
Justíssima foi, pois, a resolução da Assembleia e como português e filho de Portalegre, terra a que João de Azevedo Coutinho está ligado por fortes laços, a aplaudimos”.

O Distrito de Portalegre, que sempre se distinguira pela atenção prestada a João de Azevedo Coutinho mantém-se estranhamente mudo em toda esta feliz circunstância…