Li e ouvi

Cumpro, na primeira oportunidade, o prometido.

Em 22 de Novembro escrevi no blog: As Incríveis Aventuras da Super-Miúda” criam-me a maior expectativa. Logo que possa obter o livro, aqui darei conta da minha “vingança” crítica.

Logo que fui à “civilização” (leia-se: Lisboa), adquiri o livro. Agora, com o vagar que o frenesim dos últimos tempos já me permite, completo a tarefa. Completo gostosamente a tarefa, será melhor assim dizer.

A propósito, lembro aquele episódio em que o literato brasileiro Oswald de Andrade foi instado a pronunciar-se sobre um recente livro de José Lins do Rego e terá dito: não li e não gostei. Pois eu, que não sou intelectual nem sou obrigado a uma opinião, declaro: li e gostei.

Vou rectificar: li, ouvi e gostei. Este acréscimo do ouvi tem significado e já o explico.

Aprecio a escrita do João Miguel Tavares, ainda que possa por vezes discordar do que escreve, o que em nada perturba o apreço porque sei claramente distinguir forma e conteúdo. Porém, desconhecia a sua veia poética, de estilo popular. Como alentejano, até posso nisso encontrar-lhe raízes culturais, ainda que tenha de esperar por umas décimas da sua autoria, para formar uma mais sólida opinião.

A tradução em verso de uma prolongada saga familiar encontrou em Luís Levy Lima intérprete adequado, numa sábia mistura de ilustração e BD, esta devidamente condimentada com vinhetas, balões, signos cinéticos, onomatopeias e colorido de estilo “comic” made in america

Porém, a minha predilecção em todo o conjunto vai para a faixa 2 do CD, precisamente a “versão doméstica” da canção, com citação especial para a Rita, que promete. Ouvir aquela delícia coral com tão compenetrada solista/maestrina tem o tal significado…

Não cobro percentagem, mas atrevo-me a sugerir -nesta quadra de Natal- “As Incríveis Aventuras da Super-Miúda” como uma bela prenda para os mais miúdos. E também para famílias numerosas de hoje, isto é, com um filho.

Espero que nenhum fantasma do sinistro psiquiatra Fredric Wertham ressuscite dos distantes anos cinquenta e me acuse de sedutora conspiração contra inocentes criancinhas ao promover, agora, o perigoso álbum de uma super-miúda!

Um abraço amigo, João Miguel, e Boas Festas em família.

Sob a conveniente protecção da Rita…

António Martinó de Azevedo Coutinho

As Incríveis Aventuras da Super-Miúda

Hoje é um dia especial para mim: chega às livrarias o meu quarto livro infantil, “As Incríveis Aventuras da Super-Miúda”. A bem dizer, é simultaneamente um livro (ilustrado pelo Luis Levy Lima), uma canção (cantada pelo Samuel Úria) e muito em breve um videoclip. Apesar dos meus textos sobre a Web Summit, sinto-me todo moderno e bué multimédia.

O livro é dedicado à Rita, que tanto pode ser a minha filha mais nova como pode ser a Rita Ferro Rodrigues. Vou deixar-vos na dúvida. “As Incríveis Aventuras da Super-Miúda” é uma obra de homenagem ao empowerment feminino, no sentido em que a protagonista é uma rapariga que dá porrada a rapazes e coloca em causa o heteropatriarcado.

Não há melhor prenda de Natal para progressistas (aguardo ansiosamente pela crítica no site das Capazes), mas os conservadores também encontrarão certos motivos de satisfação. Falarei mais sobre isto nos próximos dias. Para já, apreciem a capa, num magnífico equilíbrio entre cores-de-rosa e azuis, que encherá de orgulho a Comissão para a Igualdade de Género.

                                                                                                        João Miguel Tavares

Com especial menção aos pais, meus amigos (obrigado, Orquídea, pelo tão oportuno aviso), daqui vai um solidário abraço de felicitações ao autor, que muito estimo e admiro, mesmo quando em nada concordo com algumas das suas públicas opiniões. Anote-se que a divergência pessoal tem vindo a ser notoriamente “atenuada” nos últimos tempos.

A crítica inteligente e oportuna do João Miguel Tavares faz falta no nosso panorama opinativo, mesmo quando desencadeia as mais ferozes oposições. Leio-o sempre com interesse.

As Incríveis Aventuras da Super-Miúda” criam-me a maior expectativa. Logo que possa obter o livro, aqui darei conta da minha “vingança” crítica.

Outro abraço amigo do

                                                                                                                António Martinó