Visitação da Sé Catedral de Portalegre – dois (fim)

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VISITAÇÃO DA SÉ CATEDRAL DE PORTALEGRE – dois

 Na dinâmica agora concedida à visitação da Catedral de Portalegre, que surge como uma excelente iniciativa local durante décadas praticamente impossível de assegurar, o Guia concebido pelo Padre José Patrão surge como elemento fundamental, sobretudo para quem queira aprofundar o seu conhecimento do valioso recheio iconográfico da Sé.

A reedição que ontem referi, sobretudo valorizada na sua componente de ilustração, não é, no entanto, o único documento de apoio. Um excelente folheto desdobrável, mais “leve” na descrição dos altares e retábulos, fornece indicações generalistas que abrangem um resumo da história do templo e o enquadra na restante arquitectura religiosa de Portalegre. Dotado de referências seguras e plasticamente bem organizado, o folheto Sé Catedral de Portalegre presta um adequado serviço turístico-cultural.

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Num recente e curto regresso à cidade natal, o conhecimento desta realidade constituiu uma nota muito positiva, compensando alguma envolvente onde o estatismo e mesmo o retrocesso foram panorama quase geral…

 António Martinó de Azevedo Coutinho

Visitação da Sé Catedral de Portalegre – um

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VISITAÇÃO DA SÉ CATEDRAL DE PORTALEGRE – um

Uma das melhores formas de evocar alguém como o saudoso Padre José Dias guiasHeitor Patrão será a de recordar os textos que deixou editados em volume ou espalhados em diversas publicações, que seria interessante recolher, organizar e publicar.

O caso de que recentemente tive conhecimento parece-me paradigmático. Entre as valiosas investigações pessoais nos domínios da arte sacra, apenas uma das modalidades do seu variado e profundo saber, contou-se o Guia de Visitação da Sé de Portalegre.

Editado em Maio de 2000, com o patrocínio da Paróquia da Sé de Portalegre e o apoio da Região de Turismo de São Mamede, o volume foi integrado na celebração dos 450 anos da fundação da Cidade e Bispado de Portalegre e da Erecção da Sé. Constituiu uma espécie de antecipação da obra, verdadeiramente monumental, que seria Portalegre – Fundação da Cidade e do Bispado – Levantamento e progresso da Catedral, publicada em Dezembro de 2002.

De há muito, aliás, que o Padre Patrão se preocupava com o tema e será útil evocar a tal propósito o primeiro dos estudos publicados, ainda parciais, que dedicou às suas descobertas sobre o fascinante desafio dos altares e retábulos da Sé Catedral de Portalegre. Encontramo-lo  no número especial do semanário O Distrito de Portalegre (de que era então director), dedicado ao Dia de Portalegre em 23 de Maio de 1969. Aí constam duas páginas contendo os seus estudos dessa época já distante sobre uma interessantíssima questão relacionada com a rico património pictórico constante dos altares da Sé, precisamente as pinturas do Altar de Nossa Senhora da Luz.

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Ora, voltando à edição original do Guia de Visitação, o próprio autor sempre nele encontrou uma debilidade, relacionada com as 12 páginas a cor. Quer no plano da sua impressão, como da insuficiência ilustrativa, era manifesta alguma insatisfação do Padre Patrão. Creio que o compensaria a reedição agora disponível. Tendo aumentado em quantidade, são agora 16, essas páginas específicas ganharam inegável nitidez e rigor cromático, para além de revelarem interessantes e complementares pormenores.

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Numa iniciativa do dinâmico e esclarecido Padre Marcelino Dias Marques, esta reedição datada de Novembro de 2013 dispôs dos patrocínios da União das Freguesias da Sé e São Lourenço, assim como da empresa Transnil – Transportes, S. A.

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As fotografias de Raúl Ladeira e os desenhos de Luís Marques complementam um notável estudo sobre os preciosos retábulos, quase uma centena, e a dúzia de ricas capelas existentes na Catedral. O facto de ter sido encontrada uma solução para disponibilizar uma maior oferta temporal, agora calendarizada, quanto à visitação daquele que é um dos maiores atractivos culturais da cidade de Portalegre acrescenta uma redobrada mais-valia a esta obra do Padre José Patrão.

António Martinó de Azevedo Coutinho

Um lustro de saudade

padre patrão 1Era um domingo e fazia sol.

Mas o amigo já não voltaria ali, ao café, para dois dedos de conversa, para a partilha, permanente, da franqueza e da qualidade que punha em tudo aquilo que tocava.

Quando soube, mal soube, que ele morrera, corri para o seu refúgio, carregado de papéis e de recordações de uma vida cheia, local de reflexão e de partilha. Fotografava então da sua larga janela, a espaços, uma árvore que via crescer e florescer. Nesse dia já não a fotografou.

A morte é sempre certa, sempre indesejada, e causa a brutalidade de um choque em que não se acredita. Leva tempo a perceber que é para sempre. Por isso, nunca mais ouvi a sua voz, autorizada e segura, protectora e firme. Nem o seu conselho. Fazem-me falta, mas a ausência dura há cinco longos anos, que hoje mesmo se cumprem. E afinal é preciso sobreviver para garantir a memória.

padre patrão 2Amigo do seu amigo, disponível nas vinte e quatro horas do dia, e até aos serões, mesmo aos domingos e feriados, em permanência, sem folgas nem descanso. Sofria mas calava o sofrimento. Era assim o Padre José Patrão.

Deixou-nos a lembrança sem remédio, e os frutos inacabados -como os da árvore que fixava em imagens- do seu saber. Imenso saber escondido na modéstia da sua grandeza.

Convivi com ele mas não o suficiente. Ainda me faz falta, faz-me sempre a falta dos amigos seguros que vamos perdendo pelo caminho. Mas acompanha-me a lembrança do que ganhei com ele. Que não quero perder para não o atraiçoar.

Era domingo e fazia sol, nesse dia fatal de há cinco anos, em Portalegre cidade…

António Martinó de Azevedo Coutinho

Padre José Patrão – Quatro anos de saudade

 

PADRE JOSÉ PATRÃO – QUATRO ANOS DE SAUDADE

No dia em que se cumprem quatro anos sobre a morte física do Padre José padre patrão 4Patrão, a sua memória mantém-se viva como sempre, na lembrança de uma personalidade invulgar de quem tanto se poderia ainda esperar, na partilha dos afectos e de uma imensa sabedoria.

Creio que a melhor forma de o evocar será a da recordação de um dos inúmeros textos que deixou espalhados em diversas publicações e que seria interessante tentar recolher, organizar e publicar, como aconteceu com o seu magífico trabalho póstumo sobre a Igreja do Bonfim. Profundo conhecedor de arte sacra, entre outras modalidades do seu variado saber, as investigações pessoais sobre o património religioso da Diocese de Portalegre – Castelo Branco conduziram à divulgação de estudos, sobretudo em artigos e ensaios, para além dos volumes que escreveu.

Rebusquei, entre os seus escritos menos conhecidos, um que me parece bastante interessante. O Padre Patrão dedicou ao tema em apreço a sua atenção, tendo posteriormente desenvolvido este estudo no Guia de Visitação da Sé de Portalegre e, sobretudo, na monumental obra Portalegre – Fundação da Cidade e do Bispado – Levantamento e progresso da Catedral (2002). Terá sido na publicação hoje aqui reproduzida – o número especial do semanário O Distrito de Portalegre (de que era então director), dedicado ao Dia de Portalegre em 23 de Maio de 1969 – que o Padre Patrão divulgou publicamente pela primeira vez os seus estudos sobre uma interessantíssima questão relacionada com a rico património pictórico constante dos altares da Sé Catedral de Portalegre.

Aliás, este exemplar n.º 5125 do hoje infelizmente desaparecido jornal católico, revelou no seu conteúdo outros artigos de inegável interesse, de onde destaco dois – Tapeçaria, pelo dr. João Tavares, e Museu Municipal de Portalegre pelo prof. Manuel Inácio Pestana, que aqui partilharei oportunamente.

Por hoje, assinalando a passagem de quatro longos anos de saudade de um amigo certo e sábio, aqui ficam as duas páginas que em Maio de 1969 ele dedicou, com a sua qualidade de sempre, às Pinturas do Altar de Nossa Senhora da Luz, na Sé Catedral de Portalegre.

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PADRE JOSÉ PATRÃO – 8 (fim)

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PADRE PATRÃO, SEMPRE!

A Igreja do Bonfim seria pretexto e cenário para uma das mais recentes homenagens ao Padre Patrão. Entre os diversos estudos, este já praticamente completo, que nos deixou estava uma obra sobre este templo.

A versão que se encontrava no computador estava quase preparada para a edição, mas alguns equívocos e erradas estratégias dificultavam e iam adiando tal publicação. Foi então que o Instituto Politécnico de Portalegre decidiu assumir essa tarefa, não só porque o Padre Patrão fora professor na Escola Superior de Educação, em 1998 e 1999, como conta por amigos e admiradores os seus próprios responsáveis. Assim, após um cuidado trabalho de revisão e ilustração do texto, foi promovido o lançamento público da obra Igreja do Senhor do Bonfim, como n.º 9 da Colecção Largo da Sé, conjunto de livros da autoria de “gente” do Politécnico.

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Foi muito cuidada a cerimónia de apresentação pública desse trabalho póstumo de José Patrão. No próprio templo que lhe deu origem, perante centenas de amigos, o programa traçado foi cumprido com rigor e elevação, dignos do homenageado.

 

O dia 3 de Maio de 2012, efeméride do seu aniversário, foi o escolhido. Os Professores António Ventura e Domingos Bucho apresentaram a Obra e recordaram o Homem. Seguidamente, o Dr. Albano Silva, vice-Presidente do Instituto (na ausência do Presidente, em serviço oficial), explicou a edição e agradeceu a cooperação da família do Padre Patrão, da Escola Secundária Mouzinho da Silveira, da Diocese, dos amigos Comandante Carlos Rôlo e Padre Américo Agostinho, da Confraria do Bonfim, das Paróquias e das Juntas de Freguesia de São Lourenço e da Sé, das Câmaras Municipais de Portalegre e de Gavião e da Entidade Regional de Turismo do Alentejo. Só todo este conjunto de boas vontades e de recursos tinha possibilitado a concretização da edição e também daquele acto. Usaram ainda da palavra o Bispo D. Antonino Dias, o Padre Américo Agostinho e um representante de família da Padre Patrão, João Aparício, seu sobrinho. Terminou a cerimónia na Igreja um curto mas magnífico recital pelo Orfeão de Portalegre. A Dr.ª Arlanda Gouveia, Directora da Escola Mouzinho da Silveira, ali próxima, convidaria os presentes para um Portalegre de Honra, em convívio e confraternização, assim como para a visita a uma exposição sobre a vida e obra do Padre Patrão, antigo professor da instituição.

Acrescente-se, como nota complementar, que a edição já se encontra hoje esgotada…

 

Os seus três Prefácios, muito signficativos, constituem outras tantas manifestações de apreço:

 

 O Senhor Padre Heitor Patrão, homem de fé e de amor à cidade, na sua fina sensibilidade cultural e artística, quis contribuir com a sua quota parte de responsabilidade na preservação e enriquecimento do património. A comunidade local e instituições prestam-lhe a sua homenagem. Todos lhe agradecemos o
testemunho e o estímulo que nos deixou
.”

 

Antonino Eugénio Fernandes Dias – Bispo de Portalegre-Castelo Branco

 

 O seu lado de historiador e investigador foi uma constante da sua vida, trazendo ao nosso conhecimento pedaços de Portalegre sob um olhar muito próprio. As suas obras transmitem também traços do perfil do autor, como o rigor e o detalhe que colocou sobre tudo o que fez.”

 

Joaquim Mourato – Presidente do Instituto Politécnico de Portalegre

 

Neste livro se pode ver e aprender, para além do que à história do local e do nome de Bonfim se refere, o sentido das evocações complementares, a importância da Confraria e da acção dos leigos associados, a preocupação de a construir e embelezar com arte, o cuidado de tudo inventariar, a anotação dos contributos recebidos das mais diversas fontes e das despesas feitas, o respeito pela devoção criativa do povo humilde e crente. As manifestações de fé e da acção da Igreja e dos seus responsáveis geraram uma cultura de verdade. E os caminhos continuam em aberto, porque cada tempo e cada monumento religioso são sempre portadores de saber e de fé.”

 

António Baltasar Marcelino – Bispo emérito de Aveiro

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Escolhemos para terminar estes apontamentos sobre a vida e morte do Padre Patrão aquela que foi, certamanente, a mais significativa homenagem à sua memória, precisamente porque foi prestada pelos seus, pela sua própria terra natal. No feriado municipal de Gavião, a 23  de Novembro de 2009, escassos meses após a sua morte, ele já não pode receber a distinção que lhe fora atribuída. Da reportagem alusiva no Fonte Nova, da autoria do jornalista André Relvas, respigámos o texto (parcial) e as imagens seguintes:

 

Um homem inigualável

 

Seguiu-se a atribuição da Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro, a título póstumo, ao Padre José Heitor Dias Patrão, uma distinção que, de acordo com o Presidente Jorge Martins, fora deliberada em reunião camarária a 18 de Março de 2009 e que, devido à sequência de homenagens que, também no final de Março, tiveram lugar em Portalegre e que incluíam José Patrão, o executivo entendera agendar para o Feriado Municipal, uma data especial para o Município onde o sacerdote nasceu.

 

Infelizmente o ciclo da vida, também marcado pela morte, veio retirar-nos a oportunidade de o ter aqui connosco. Mas estamos aqui porque é justo que esta atitude retrate o reconhecimento pelo seu contributo relevante no desenvolvimento da cultura e da arte no nosso concelho“, referiu o autarca, agradecendo a presença dos familiares do Padre Patrão, nomeadamente as suas duas irmãs, o cunhado e um sobrinho.

Estamos a fazer aquilo que tinha de ser feito, com dignidade, respeito e consideração que a memória do Padre Patrão nos merece“, concluiu.

 

Também Jaime Estorninho, Governador Civil do Distrito, que, ao longo da sua vida, teve a oportunidade de privar várias vezes com o sacerdote, fez questão de sublinhar que o acto ali realizado o encheu de orgulho.

Na verdade, e pouco depois de entregar a medalha à família do falecido, o Governador afirmaria que o Padre José Patrão “simbolizava e significava aquilo que de mais autêntico existe no povo de Gavião: a nobreza de carácter, a generosidade, a simplicidade e humildade, aliadas a uma inteligência fabulosa e a um espírito crítico muito sério que eu tive a oportunidade registar“.

 

Foi assim, com efeito, o Padre José Dias Heitor Patrão: nobre de carácter, generoso, simples e humilde como só os grandes sabem naturalmente ser, aliando os dotes da fabulosa inteligência ao espírito crítico que nunca perdeu. Se lhe acrescentarmos uma ostensiva alegria de viver e a permanente dádiva aos outros, creio que dele fica um retrato perfeito, sem precisar de qualquer retoque.8 - 0

Em vez de pensar no que perdi com a sua morte, prefiro lembrar o que sempre ganhei com a sua fraterna amizade.

António Martinó de Azevedo Coutinho

 

PADRE JOSÉ PATRÃO – 7

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ECOS DA MEMÓRIA

Não se extinguiram logo os ecos da memória do Padre Patrão.

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O Fonte Nova, que pela data de publicação, não tivera oportunidade para recolher depoimentos a propósito do recente perda, fê-lo da sua edição seguinte,  precisamente a alusiva aos seus 25 anos de vida.

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Em página e meia, sob a genérica designação O Padre Patrão continua entre nós, ficaram registados os testemunhos dos seus colegas Marcelino Marques e Bonifácio Bernardo, bem como de outras personalidade que com ele tinham de perto convivido: José Mata Cáceres, Florindo Madeira, Nuno Oliveira, Jorge Martins, Jaime Estorninho, Leonel Cardoso Martins e José Polainas. Em página própria, o agradecimento da família e a notícia da Missa do 7.º Dia completaram as alusões ao Padre José Dias Heitor Patrão.

Um dos mais significativos e emotivos testemunhos da comunidade surgiu então na página da associação Pés Vagarosos na Internet.

O Padre Patrão sempre tivera para com o grupo juvenil um especial carinho, Depois da visita guiada à Sé Catedral, inserida na iniciativa À Conversa com…, estava programada para muito breve um encontro similar com pretexto na Igreja do Senhor do Bonfim, onde o sacerdote durante muitos anos rezara uma missa semanal e que constituía, como os amigos denominavam, a sua “menina dos olhos“.

Foi do seguinte teor o texto divulgado pelos Pés Vagarosos, no dia 7 de Outubro de 2009:

Dizer-se que o Padre José Patrão era um amigo tornou-se um lugar comum. Mas nós, os Pés Vagarosos, queremos aqui e agora reafirmá-lo.

7 - 2Nunca esqueceremos o estimulante carinho que nos dedicou, e esperaremos para todo o sempre a próxima e sábia visita ao Senhor do Bonfim que só faltava, mesmo, calendarizar para data bem próxima.

O Padre José Patrão deixou-nos uma magnífica herança e temos todos obrigação, para com a sua grata memória, de estarmos à altura de a compreender e respeitar.

As suas lições de profundo e simples humanismo marcaram as gerações que tiveram a felicidade de o conhecer e de com ele privar. Em cada uma das nossas gratas sensibilidades ficarão para todo o sempre esses sinais de um Homem e Sacerdote com invulgar estatura.

O seu lugar na nossa sociedade fica vazio, mas o espaço que sempre ocupará nos nossos corações compensará a sua perda.

Até amanhã, Padre e Amigo José Patrão!

 

Mas não ficaria por aqui o grupo quanto à sua dívida de gratidão. Logo concretizaria nova iniciativa virada para demonstrar o efectivo reconhecimento dessa relação. No dia 2 de Dezembro, divulgou o seguinte convite à comunidade, pela página, na imprensa local e através de cartazes espalhados pela cidade:

VENHA (RE)CONHECER CONNOSCO O SENHOR DO BONFIM

A construção da Igreja do Senhor do Bonfim, em Portalegre, data do primeiro quartel do século XVIII. O seu estilo barroco é enriquecido por talhas douradas, pinturas, imagens e painéis de azulejos, num conjunto que a torna um templo de grande beleza e valor patrimonial.

Em mais uma das suas habituais Conversas com, a Associação Pés Vagarosos 7 - 4conta agora com a honrosa colaboração da Paróquia de S. Lourenço e da Escola Superior de Educação de Portalegre, com a generosa e activa participação do Prof. Doutor Domingos Bucho, que há meses nos encantou com uma visita guiada similar realizada no Mosteiro de São Bernardo.

Assim, ficam por este meio convidados todos os interessados em participar nesta iniciativa cultural. Basta para isso comparecerem, sem necessidade de qualquer inscrição prévia, pelas 10 horas da manhã do sábado, dia 12 de Dezembro, no adro da Igreja do Senhor do Bonfim, em Portalegre.

Estudioso e profundo conhecedor do nosso património, o Doutor Domingos Bucho dar-nos-á a conhecer a história e as tradições ligadas ao belo templo, assim como nos revelará pormenores relacionados com o seu valioso recheio.

Para além desta aliciante proposta, o evento vai integrar uma cerimónia simples mas significativa, com a qual a Associação Pés Vagarosos pretende homenagear o Padre José Patrão, um seu grande e inesquecível amigo, que há pouco nos deixou mais pobres.

7 - 3O Padre José Patrão conversara connosco, em Junho de 2008, sobre a Sé, Memórias e Lugares, e ainda perdura, na lembrança de quantos com ele partilharam uma inesquecível tarde passada em conjunto na nossa Sé Catedral, a dádiva do seu saber e da sua fascinante personalidade.

Por tudo isto, venha conhecer (ou rever) connosco a Igreja do Senhor do Bonfim.

 

A visita constituiu um êxito, pelo qualificado “cicerone”, pela riqueza do templo e pela considerável participação, assim como um intenso momento de saudade, pela homenagem então prestada para com a memória do um Amigo de todos, ali tão presente. Eis o devido relato, em 16 de Dezembro, retirado da página dos Pés Vagarosos:

 

VISITA GUIADA À IGREJA DO BONFIM
E HOMENAGEM AO PADRE PATRÃO

No regresso às nossas tradicionais Conversas com… contámos novamente com a prestimosa colaboração do Prof. Doutor Domingos Bucho. O pretexto foi a belíssima Igreja do Senhor do Bonfim, constituíndo também a oportunidade para o grupo lembrar um bom e saudoso Amigo, que há pouco perdemos: o Padre José Dias Heitor Patrão.

Esta visita, concretizada na manhã do passado dia 12, sábado, teve uma digna resposta por parte da comunidade, quer quantitativamente, quer na qualidade dos voluntários participantes, e contou com a prestimosa colaboração da Paróquia de S. Lourenço e da Escola Superior de Educação de Portalegre.

Torna-se quase desnecessário recordar o encantamento proporcionado pela visita. O seu responsável, dotado de um sólido domínio da história, das tradições e do rico recheio do templo, aliou ao fluente discurso uma reconhecida capacidade comunicativa. A talha dourada, os painéis de azulejos, os retábulos e as imagens sacras foram apresentados e descritos com sábia maestria que encantou e elucidou os interessados participantes.

No final, em sala anexa ao templo e digna do evento, foi descerrada uma fotografia do Padre José Patrão, artisticamente composta pelo Prof. Bentes Bravo, com uma placa alusiva à homenagem ali prestada e às sua razões. O Padre Patrão deixa uma boa parte da sua memória local intimamente ligada à Igreja do Senhor do Bonfim, onde rezou missa durante longos anos. Amigo desde sempre do nosso grupo, após a visita guiada à Sé Catedral que preencheu com a extrema competência que lhe era peculiar, tinha planeado este mesmo serviço cultural que apenas faltava calendarizar. O seu prematuro desaparecimento constituiu uma dura e irreparável perda para toda a comunidade. Por isso, em nosso nome e no de todos os seus incontáveis amigos e admiradores, ficou patente para o futuro esta simbólica lembrança.

Recordaram a qualidade humana, pastoral e científica do Padre José Patrão, em breves mas sentidas palavras, os seus amigos Professor Domingos Bucho, Padre Américo Agostinho e, em nome do nosso Grupo, o seu Presidente, José Carlos Louro.

Os Pés Vagarosos agradecem, uma vez mais, a todos os participantes nesta iniciativa, destacando a colaboração da Paróquia de S. Lourenço e da Escola Superior de Educação de Portalegre, e endereçando um especial obrigado ao Prof. Doutor Domingos Bucho, com cuja disponibilidade e competência sempre contaremos.
Em breve aqui divulgaremos novas iniciativas, neste como noutros sectores abarcados pelos nossos objectivos de cultura, lazer e saudável convívio.

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Associando a memória do Padre Patrão ao Senhor do Bonfim -“a sua menina dos olhos“- os seus jovens amigos deixaram para a posteridade uma perene ligação de homenagem e saudade.

António Martinó de Azevedo Coutinho

PADRE JOSÉ PATRÃO – 6

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Na morte do Padre Patrão

José Heitor Patrão manteve sempre as suas rotinas, indiferente ao sofrimento físico, para ele já habitual, gracejando mesmo com as suas dores. Quando por vezes eu me esquecia do seus frágeis pulsos e lhe apertava a mão com mais vigor, ele não podia evitar um esgar que logo disfarçava e me deixava constrangido pela escusada “violência”…

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Na companhia, quase inseparável, do seu grande amigo e colega Henrique Pires Marques, aparecia com frequência pelo café Ponto Final, na Fontedeira, logo após o almoço, ou, mais raramente, numa ida à parte alta da cidade, pelo Alentejano. Rezava as suas missas regulares, no Bonfim, depois no Lar do Sagrado Coração de Maria (o antigo Colégio feminino) e quem o quisesse encontrar bastava-lhe procurá-lo, onde estava quase sempre, na tranquila confusão do seu gabinete de trabalho, uma profusão de livros, imagens e apontamentos sem conta, donde avistava o clássico perfil da cidade pela larga janela. Era no Seminário, onde morou durante décadas e onde acumulou uma boa parte do seu vasto saber cultural, da sua rica biblioteca, do seu espólio, das suas memórias. Alternava idas à terra natal, Gavião, com programadas deambulações de estudo, catalogação ou recolha pelo património sacro, construído e icónico, espalhado pela Diocese.

Alinhava em tudo quanto fosse desafio ou provocação nas suas áreas predilectas do saber e estava sempre disponível para ajudar quem dele precisasse, quer nos domínios da fé quer nos temas culturais.

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Já abordei o momento inesperado -e por isso mais brutal- da sua morte, a 4 de Outubro de 2009, assim como o que pessoalmente me aconteceu a tão infausto propósito.

Após a morte, devidamente confirmada, o corpo foi conduzido para a Igreja de São Tiago, onde permaneceu até às 9 horas da manhã do dia seguinte, uma segunda-feira, sendo então rezada missa. Depois, foi trasladado para Gavião, sendo acompanhado por muitos amigos e colegas. O funeral, na sua terra, foi antecedido por uma cerimónia religiosa presidida pelo bispo da Diocese, D. Antonino Dias. Este, acompanhado no acto litúrgico por mais de três dezenas de sacerdotes, traçou um comovido elogio à personalidade do extinto. Lembrou então o perfil humano, sacerdotal, pedagógico e cultural do Padre Patrão, na simplicidade, elevação e alegria de viver que o caracterizavam. Todos ficámos mais pobres – foi o remate, justo e digno, dessa evocação.

O lento e longo cortejo fúnebre que o acompanhou ao cemitério foi a expressão possível do sentimento de dor e saudade que unia todos os inúmeros participantes.

Os três jornais da cidade, nas respectivas edições publicadas logo após o infausto acontecimento, expressaram nas suas capas e páginas interiores a dor sentida pela comunidade e deixaram para a posteridade relatos e testemunhos a tal propósito.

Primeiro foi o Fonte Nova, na sua edição de terça-feira, 6 de Outubro.

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Na capa, sob uma fotografia de meia página, ficou a legenda Padre José Patrão. O Homem, o Sacerdote, o Professor, o Amigo deixou-nos…

A página 3 foi preenchida pela reportagem do funeral, no Gavião, com três fotografias, cerimónia que tinha decorrido na véspera. Um caderno central, com quatro páginas ilustradas, constituiu uma espécie de sumário dossier dedicado à personalidade e obra do Padre Patrão. Aí figurou um “editorial” da responsabilidade do director do jornal, prof. Aurélio Bentes Bravo, uma “carta aberta” por mim próprio subscrita, dois breves excertos da biografia José Dias Heitor Patrão – Uma Vida ao Serviço dos Outros – da minha recente autoria, e o ensaio Magna Obra, expressamente redigido pelo dr. Mário Casa Nova Martins, grande amigo e admirador do extinto e um dos mentores da pública homenagem que lhe fora há pouco prestada.

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Seguiu-se, a 7 de Outubro, quarta-feira, o jornal Alto Alentejo.

Na capa, como título mais destacado, uma foto e a legenda Padre Patrão – Partiu o Homem fica a memória. Como expressivo sub-título, lia-se a seguir: Portalegre e Gavião choram a morte do homem e do sacerdote da cultura, da alegria e da amizade.

No interior, duas densas páginas continham o material elaborado a propósito. A reportagem, sob a designação Morreu o nosso Padre Patrão. Partiu o Homem, fica a memória, reflecte um emocionado texto, embora não assinado, da autoria do director Manuel Isaac Correia, outro grande e sincero amigo do Padre Patrão. Seguiu-se um sumário excerto da biografia já amplamente citada.

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Da página ao lado, sob a designação Homenagem ao Padre Patrão, constam diversos e valiosos testemunhos pessoais de alguns dos seus indefectíveis amigos: Caminhar com o Padre Patrão, de  Carlos Juzarte Rôlo; Padre Patrão marcava a diferença, do P.e Marcelino Marques; Até sempre, Padre Patrão, de Mário Freire; Dissemos hoje adeus ao Padre José Dias Heitor Patrão, de Jaime Estorninho; Perdemos um amigo na terra mas ganhámos um embaixador no Céu, de Joaquim Mourato; A propósito do Padre Patrão…, de José Polainas; e Um Homem Maior, de Mário Casa Nova Martins.

Finalmente, no dia 8, foi publicado O Distrito de Portalegre, o jornal da Diocese que o Padre Patrão  por diversas vezes dirigira.

A sua capa, toda negra, ostentava um retrato do extinto, de meio corpo. Ao lado, figurava o título: Padre Patrão – 03 de Maio de 1929 – 04 de Outubro de 2009.  Uma citação do próprio, datada de 5 de Maio desse ano, diz: “(…) procurei sempre servir e ajudar as pessoas, caminhar com elas e, nesse sentido, procurei fazer sempre melhor aquilo que podia. E também recebi muito. O sentido da nossa vida é uma experiência vivida no sentido dos outros e de Deus. A minha estadia em Portalegre foi positiva porque procurei sempre, com os outros, o melhor“. Logo abaixo, concluindo a capa, ficou um pequeno texto alusivo, da autoria de um outro seu fiel amigo, Fernando Correia Pina: “Um dia cairei como estas folhas e só espero, Senhor, que me recolhas e me guardes entre as infinitas páginas do teu caderninho de poemas“.

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O Editorial, A nossa morte na morte dos outros, subscrito por T.F. (Tavares Folgado, sacerdote, amigo e colega de José Patrão, e director do jornal), constitui uma peça de apreciável valor literário e de elevada significação. Da única página dedicada pelo semanário ao acontecimento constou uma reprodução a cores do quadro (um retrato) da autoria do artista portalegrense Luís Fernando Leite Rio, oferecido ao Padre Patrão por ocasião de recente homenagem que lhe fora prestada. O texto, integrado na secção Portalegre Cidade, tem o título Menos um padre, menos um homem, menos um artista – Adeus ao Padre Patrão. O artigo, não assinado, traçou-lhe um breve relato biográfico e descreveu a sua morte e o funeral.

 

António Martinó de Azevedo Coutinho

PADRE JOSÉ PATRÃO – 5

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A caminho do fim…

 

O Padre José Patrão foi membro da Associação dos Professores de História e da Associação dos Amigos dos Castelos, do qual desempenhou o cargo de vice-presidente no Núcleo de Portalegre.

O Rotary Clube de Portalegre distinguiu-o, homenageando-o publicamente como Profissional do Ano 2003/4.

São incontáveis as visitas guiadas que dirigiu, sobretudo em relação à Sé Catedral de Portalegre e à Igreja do Bonfim, que datam desde os tempos da Associação de Defesa do Património, que dirigiu em 1981.

Em Dezembro de 2008, foi Comisssário do Núcleo “Presépios” da Exposição Natal Português, organizada em Lisboa pelo Museu da Presidência da República.

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Mas a saúde do Padre Patrão ia-se agravando progressivamente. Alguns problemas articulares produziam-lhe permanente sofrimento e o seu coração, enorme de bondade e de dádiva aos outros ia disfarçando a dor física. Também o desgosto de perdas irreparáveis abalou a sua forte personalidade, como foi o caso da morte daquele que fora, provavelmente, o seu maior amigo, Luís Bacharel, um homem inesquecível.

Recordo aqui um breve excerto das palavras que escreveu sobre ele:

Luís Bacharel – Homem de Fé. É difícil falar da fé duma pessoa, dado que é uma questão pessoal com Deus. No entanto, sabendo que a fé sem obra é morta, as palavras que escrevo assentam no seu testemunho de vida activa. (…) Foi grande manifestação de Homem de fé o modo como aceitou a doença, ao longo dos anos, sobretudo nos últimos. Sem azedume, nem revolta, muitos testemunharam a serenidade e lucidez nos momentos difíceis. A doença foi enfrentada numa perspectiva cristã. Nela fez a experiência profunda da presença de Deus que se revela através dos homens“.

Estas palavras, dedicadas a um grande amigo, podiam quase aplicar-se a si próprio. Também ele, no sofrimento, encontrava sempre novas forças para manter um constante sorriso e a dádiva ao seu semelhante. Tinha um especial carinho para com os mais jovens aos quais prodigalizava o seu conselho seguro.

Por duas vezes, a 3 de Dezembro de 1996 e a 3 de Dezembro de 2003, recordámos em programas na Rádio Portalegre o grande amigo comum que ambos perdêramos…

José Patrão dispensava particular atenção às solicitações que recebia para a partilha do seu imenso saber. Como exemplo, recorda-se a  visita guiada que fez à Sé Catedral, a convite dos Pés Vagarosos, uma associação juvenil portalegrense com grande actividade.  Nessa Conversa (assim se denominam tais encontros culturais), ele partilhou as histórias e maravilhas que dominava sobre o nosso templo maior, na erudição franca e disponível que a todos cativava. Eram lições autênticas prestadas com uma natural modéstia que impressionava pela simplicidade. Nessa manhã de 21 de Junho de 2008, ficou planeada, e aceite, uma ida semelhante à Igreja do Bonfim, a que chamámos então a “sua menina dos olhos”. E era.

Infelizmente, tal visita já não se realizaria.

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Um grupo dos seus amigos mais íntimos decidiu em boa hora aproveitar o pretexto do próximo octogésimo aniversário de José Heitor Patrão para organizar uma homenagem pública ao Homem, ao Sacerdote, ao Professor, ao Amigo de sempre. Esse grupo -Américo Agostinho, Carlos Juzarte Rôlo, Fernando Correia Pina, José Manuel Polainas e Mário Casa Nova Martins- organizou um notável programa que culminaria num convívio onde se juntaria uma imensidão de amigos e admiradores do homenageado, onde se contavam o Governador Civil do Distrito, o Bispo da Diocese, titulares do Cabido e das Paróquias, os Presidentes das autarquias de Portalegre e Gavião, dirigentes do Instituto Politécnico e das suas Escolas, etc. Foi então que elaborei um ensaio biográfico do Padre Patrão, a que dei o título de Uma Vida ao serviço dos outros, que me pareceu o lema mais adequado à circusntância, fiel resumo da sua pródiga existência, significado exacto da sua prática quotidiana.

5 - b

Aquilo que mais pode ressaltar desta espécie de relatório, frio e quase “mecânico” no seu rol de datas e acontecimentos, é a quase assombrosa capacidade de alguém, que foi essencíalmente um sacerdote, na partilha com os outros da sua capacidade humana, do seu saber, da sua permanente e activa solidariedade. A dimensão científica, a sabedoria pedagógica, a constante disponibilidade e a vivência cristã do Padre José Patrão conferiram-lhe uma aura que apenas a sua modéstia conseguiu reduzir, sem a anular…

Uma saúde frágil nem sequer chegou a constituir qualquer obstáculo para a sua dádiva??????????????????????????????? ao serviço dos outros, na comunidade portalegrense que teve a ventura de ter sido por si escolhida como contexto privilegiado da sua vida e da sua fecunda intervenção pastoral, pedagógica, cívica e humana, desde há 50 anos. Pode afirmar-se, sem qualquer receio de desmentido, que a vida comunitária desta Portalegre na segunda metade do século XX e nestes alvores do XXI teria sido bem mais pobre sem o contributo quotidiano do Padre José Dias Heitor Patrão.

Aquela que seria porventura outra dimensão excepcional dessa sua riquíssima vida, a artística, mais intimista e personalizada, apareceu (afinal como a de Régio!) prejudicada pela absorvente dádiva aos outros, noutras vertentes da sua intervenção. No entanto, as poucas obras pictóricas que de tempos a tempos nos ofereceu permitiram adivinhar o artista inspirado, de traço muito pessoal, que José Patrão também albergou em si.

5 - eSer amigo do Padre Patrão foi, felizmente, quase um lugar comum, tal a capacidade que ele possuiu de a todos com quem contactou naturalmente cativar com a simplicidade da sua dimensão intelectual e humana.

 

António Martinó de Azevedo Coutinho

PADRE JOSÉ PATRÃO – 4

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Padre Patrão – a cidadania interventiva

 

Em 1993, como Professor-Formador, o Padre José Patrão dirigiu acções de formação contínua de docentes sobre “Técnicas Audiovisuais no Ensino”, inserido no programa FOCO do CEFOPNA.

4 - 0Desempenhou nesta altura o lugar de Membro do Júri Regional do Alentejo para as candidaturas de docentes ao 8.ª Escalão.

A Universidade do Minho atribuiu-lhe nesta ocasião o diploma de Professor-Formador.

Integrou a Comissão Executiva do II Encontro de História Regional e Local do Distrito de Portalegre, onde também participou com o trabalho “A Ereição da Sé de Portalegre”, em 1994.

Participou em diversas acções de formação, com destaque para “Educação de Alunos com deficiência intelectual”, Pedagogia Foxfire, Lisboa 1994; “Furto e tráfico internacional de obras de arte: situação actual e estratégias para o futuro”, Polícia Judiciária, Lisboa, 1996; “Defesa e valorização do património cultural religioso”, Fátima, 1997.

Em 1996, voltou a Macau com amigos, para rever a cidade onde passara dois anos, como professor no Liceu local.

4 - 4

A 2.ª série da revista A Cidade, dirigida por António Ventura, contou com José Patrão como valioso elemento do seu Conselho de Redacção, na companhia de Inácio Pestana, Camões Gouveia, Elsa Fino, Aurélio Bentes e António Martinó.

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Em Maio de 1996, nas Festas da Cidade, organizou uma Exposição sobre Santo António – Padroeiro da Cidade e Diocese, no Museu Municipal de Portalegre, elaborando o respectivo catálogo.

Em Fevereiro de 1997, o Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua atribuiu-lhe o estatuto de Formador na área de Concepção e Organização de Projectos Educativos.

Foi professor-formador na acção “História Local e Ensino da História”, promovida pela Associação de Professores de História em Portalegre, Setembro/Outubro de 1997.

Integrou a Comissão Executiva do III Encontro de História Regional e Local do Distrito de Portalegre, onde também participou com o trabalho “A alimentação no Seminário de Portalegre, no século XVIII”, em Outubro de 1998.

Entre 1999 e 2004 integrou a equipa técnica da Candidatura de Marvão a Património da Humanidade, colaborando na elaboração dos respectivos dossiers documentais.

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Nunca tendo esquecido o Bispo D. António Ferreira Gomes, com quem tinha convivido e a quem admirava, o Padre José Patrão interveio nas comemorações do Centenário do seu nascimento, com uma comunicação (na Biblioteca Municipal de Portalegre) onde lembrou alguns inesquecíveis encontros pessoais em Roma, já durante o exílio do Bispo do Porto.

Em 2000, participou activamente nas Comemorações dos 450 Anos da Fundação da Diocese e da Cidade de Portalegre. Foi Comissário da Exposição “450 Anos da Fundação da Diocese e da Cidade de Portalegre”, com a colaboração da Câmara Municipal. Uma vez mais coube-lhe a feitura do Catálogo.

Também organizou e foi Comissário da Exposição de Presépios realizada pelo Natal de 2000, no Palácio Póvoas, também com elaboração do respectivo Catálogo. Esta mostra teve também como objectivo prestar homenagem póstuma a Rui Sequeira. José Patrão assumira, aliás, um valioso papel de intermediário e perito na complexa acção que conduziria à aquisição, pela autarquia portalegrense, das colecções artísticas de Rui Sequeira.

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Ainda em 2000, colaborou na elaboração do catálogo da Exposição de Arte, Celebração do Milénio, que tem lugar no Porto.

Neste ano publicaria o livro “Catedral de Portalegre – Guia de Visitação”, onde reúne vastos e profundos estudos sobre as riquezas do monumento, nomeadamente sobre os seus preciosos retábulos.

Foi notável o contributo fornecido pelo Padre José Patrão para um melhor conhecimento da fascinante personalidade de José Régio, com quem estreitamente convivera. Podem destacar-se, a tal propósito, os textos “José Régio e as Tapeçarias de Portalegre” (A Cidade, número especial Presença de José Régio, Outubro de 1984) e “Barros de Portalegre – Do deslumbramento ao esquecimento” (José Régio e a Arte Popular – CMP e CMVC, 2001).

Em 2001, por solicitação da Região de Turismo de S. Mamede, participou na formação de técnicos e agentes turísticos concelhios na área do Património e História da Arte.

É entretanto publicada a obra da sua autoria “Portalegre, Fundação da Cidade e Bispado, Levantamento e Progresso da Catedral”, notável pesquisa histórica sobre uma temática ainda pouco conhecida.

4 -1

Para além disso, colaborara na compilação do “Dicionário da História Religiosa de Portugal”, edição de Círculo de Leitores-Universidade Católica.

Em 2003, a convite da Biblioteca Municipal de Portalegre, participou na formação de agentes bibliotecários sobre Património, sua Defesa e Valorização.

Em 8 de Setembro de 2003 foi, mais outra vez, nomeado Director do jornal O Distrito de Portalegre.

Gavião, Memórias do Concelho” é mais um livro da sua autoria que é editado neste ano de 2003, homenagem à terra que o viu nascer e às suas gentes.

4 - 2

Como articulista, tem significativa e valiosa colaboração em diversas publicações periódicas, como as revistas A Cidade (1.ª e 2.ª séries, Portalegre), Brotéria (Lisboa), Callipole (Vila Viçosa), Ibn Maruan (Marvão), Enciclopédia Verbo, Miradouro (Portalegre), etc. Também os jornais locais, nomeadamente O Distrito de Portalegre e o Fonte Nova, contam com centenas de valiosos textos da autoria do Padre José Patrão. Igualmente outros jornais nacionais podem orgulhar-se pela colaboração regular de José Patrão, como Notícias da Covilhã, Gavião com Voz ou Defesa (Évora)…

 

António Martinó de Azevedo Coutinho

PADRE JOSÉ PATRÃO – 1

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Formação e primeiros tempos de sacerdócio

José Dias Heitor Patrão nasceu a 3 de Maio de 1929, em Gavião, distrito de Portalegre, banhado pelo Tejo.

Foi o filho primogénito de Hipólito Dias Patrão e de Eugénia Heitor. Depois de José, nasceriam três irmãs, Maria Manuela, Maria de Lurdes e Maria de Fátima.

pp0 vila de gavião

Pelos 10 anos de idade, após a Instrução Primária, ingressou no Seminário da sua terra natal, onde passou os dois primeiros anos de formação eclesiástica. Conheceu então D. Domingos Maria Frutuoso, o Bispo de Portalegre, que aí costumava passar férias. Depois transitou para o Seminário de Alcains, onde cursou o Preparatório e Filosofia, durante os cinco anos seguintes. Terminou em Marvão a sua preparação teológica para o sacerdócio, no Seminário que aí tinha sido há pouco instalado pelo seguinte Bispo de Portalegre D. António Ferreira Gomes.

pp1 seminários

Foi este que, já no Porto, lhe conferiu algumas ordens menores quando era Administrador Apostólico da Diocese, já depois de dali se ter retirado.

José Patrão seria ordenado Presbítero na Sé Catedral de Portalegre, pelo novo Bispo, D. Agostinho de Moura, em 12 de Julho de 1953.

Num relativamente curto espaço de tempo, ele lidou com três sucessivos titulares da Diocese…

pp2 bispos

Foi a seguir Pároco em Póvoa de Rio de Moinhos e Cafede (Castelo Branco), a partir de 6 de Novembro de 1953. Aí fez amizade com o Dr. Duque Vieira, que tinha sido grande amigo do Bispo D. António, sendo então professor do Liceu de Castelo Branco e fundador do jornal Reconquista.

Em 16 de Outubro de 1956, obteve licença para se matricular na Universidade Gregoriana de Roma, no Curso de História da Igreja.

Frequentou esse Curso entre 1956 e 1960, concluindo uma licenciatura em História da Igreja, por essa Universidade, assim como uma outra licenciatura em Arqueologia a Arte Cristã, pelo Instituto Pontifício de Arqueologia e Arte Cristã.

Por equivalência oficial, estes diplomas correspondem a uma licenciatura em História, atribuída por uma Universidade portuguesa.

Na Faculdade de Letras da Universidade da capital romana cursou, também nessa época, História e Crítica de Arte.

De regresso a Portugal, entre 1959/60 e 1968/69, foi professor de Teologia no Seminário Maior de Portalegre, onde ministrou as disciplinas de História da Igreja, Arte Sacra e História da Filosofia.

Entretanto, fora nomeado Vogal da Comissão Municipal de Arte e Arqueologia do Concelho de Portalegre.

Por estes tempos, acompanhava frequentemente o Bispo D. Agostinho de Moura nas suas deambulações pastorais pela Diocese e, também, na angariação de fundos que lhe permitiriam a importante obra de recuperação do edifício do Paço Episcopal em Portalegre. O Padre José Patrão conseguiria mesmo que o Arquitecto António Raposo assumisse generosamente o encargo técnico e artístico de tal obra.

Foi também professor do Colégio Diocesano de Santo António, praticamente naqueles mesmos anos em que exerceu no Seminário, excepto nos dois últimos, leccionando as disciplinas de Moral, Desenho e História, além de ser aí dinamizador de diversas actividades de ordem cultural e formativa.

pp3 locais de p. patrão

Sob a direcção do Cónego José Mendes, então Director do Colégio, também colaborou no “Sobre Colunas”, órgão de informação dessa Escola, cujo emblema e cabeçalho criou.

Depois, nos tempos em que o Director do Colégio foi o seu colega e amigo Padre Aníbal Branco, orientou aí alguns estágios pedagógicos.

Também exerceu actividade docente, talvez a de maior evidência pública, no Liceu Nacional de Portalegre (depois Escola Secundária de Mouzinho da Silveira), desde 1969/70 até à reforma, em 1996. Aí ministrou Moral, Desenho, Introdução à Política, História e Antropologia Cultural.

Nesta Escola desempenhou vários cargos, como Professor Delegado do 10.º Grupo, Director de Turma, coordenador dos Directores de Turma, membro de Conselhos Directivos entre 1983 e 1986, Director dos Cursos Nocturnos e Delegado à Profissionalização.

Dali partiu, durante o ano lectivo 1976/77, para concretizar o estágio pedagógico no Liceu D. Leonor (Lisboa), onde obteve 17 valores da classificação profissional. Em seguida, regressou a Portalegre.

pp4 seminário padre patrão

Durante a sua estadia na Escola Mouzinho da Silveira, foi destacado durante três anos (1979 a 1981) para o Liceu Nacional Infante D. Henrique, em Macau, onde, para além da função docente, desempenhou também outros cargos pedagógicos.

Ainda no sector da docência, deve destacar-se a sua passagem pela Escola do Magistério Primário de Portalegre, entre 1970/71 e 1976/77, onde foi responsável pelas cadeiras de Moral, Ética Moral, Didáctica Religiosa e Cultura Portuguesa. Dirigiu também, nessa Escola, diversas Visitas de Estudo integradas no respectivo Plano de Estudos e um curso sobre “Aspectos Técnicos, Pedagógicos e Didácticos do Audiovisual na Aula”.

Após a constituição da Escola Superior de Educação, também aí daria aulas como professor convidado.

Em todos os estabelecimentos de ensino por onde passou, orientou e dinamizou grupos de estudos religiosos junto dos jovens alunos.

Foi Assistente da JEC (Juventude Escolar Católica) e acompanhou pastoralmente jovens Vicentinos, sobretudo nos anos 70. pp5 e jovens

A sua actividade pastoral, muito intensa, tornou-o responsável pelo Movimento dos Cursos de Cristandade na Diocese, pelo que se tornou assistente espiritual de inúmeros cursos, quer de homens quer de mulheres.

Nos anos 60, colaborou com os jovens que então constituíam o AMICITIA, Grupo Cultural de Portalegre, participando activamente nos seus Boletins, ao lado de outras individualidades locais como Feliciano Falcão,  José Régio e o seu colega e amigo, Padre António Baltazar Marcelino, que mais tarde viria a ser Bispo de Aveiro. Daí se recorda o seu significativo artigo Arte Sacra Moderna.

Com o Dr. António Teixeira, seu íntimo amigo, fundou o Movimento dos Cursos de Cristandade no Algarve. Criou, também, uma escola de formação específica para responder a certas carências notadas neste campo.

António Martinó de Azevedo Coutinho