Aniversário do Padre Dário Torboli

Cumprem-se hoje 87 anos sobre o dia em que, na cidade italiana de Arco de Trento, nasceu aquele que viria a ser o padre Dário Torboli, pároco de Portalegre RN, há mais de quatro décadas.

Merecidamente estimado naquela comunidade e em toda a região serrana do Rio Grande do Norte, Brasil, pela sua piedosa e longa acção missionário, o padre Dário tornou-se indispensável na vida dos seus paroquianos e dos inúmeros amigos que conta em todos os recantos onde se encontram aqueles que tiveram a feliz oportunidade de o conhecer e de com ele conviver.

Os portalegrenses, de uma e da outra margem do Atlântico que nos une, devolvem ao padre Dário a fraterna amizade que dele recebem. Os do lado de cá nunca esqueceremos a visita que propositadamente nos fez, em Setembro de 2005, no regresso ao Brasil após a romagem de saudade na sua terra natal.

Foi em Dezembro de 2011 a última vez que pude com ele confraternizar pessoalmente.

A breve recordação de alguns momentos fundamentais da vida do padre Dário Torboli envolve o sincero abraço de felicitações que, no modesto pretexto aqui contido, todos lhe endereçamos, com os votos de que por longos anos de saúde e felicidade possamos contar com tão desvelada acção pastoral e de amizade.

10 de Setembro de 1930 – Nasceu na cidade de Arco de Trento, Itália
20 de Setembro de 1930 – Foi baptizado na capela de Massene, Arco
25 de Março de 1938 – Recebeu a Primeira Eucaristia
10 de Setembro de 1942 – Entrou no Seminário Menor Diocesano em Trento
10 de Outubro de 1947 – Entrou no Seminário Maior Diocesano em Trento
29 de Junho de 1955 – Foi ordenado sacerdote na Catedral de Trento
1955 a 1958 – Nomeado Vigário Coadjutor na Paróquia de Civezzano, Trento
1958 a 1964 – Nomeado Vigário Coadjutor na Catedral de Trento
1964 a 1970 – Dirigiu o Internato no Colégio Diocesano de Trento
25 de Janeiro de 1971 – Partiu para o Brasil, como Missionário
9 de Fevereiro de 1971 – Chegou ao Brasil, pelo porto de Santos SP
1971 a 1975 – Nomeado Vigário na Paróquia de N.ª S.ª das Candeias – Goioerê 1975 a 1976 – Nomeado Vigário na Paróquia de São José de Mossoró RN
6 de Janeiro de 1976 – Chegou a Portalegre RN
29 de Junho de 1980 – Solene Concelebração dos 25 anos de vida sacerdotal
6 de Janeiro de 2001 – Celebração dos 25 anos de permanência em Portalegre RN
29 de Junho de 2005 – Missa Solene pelos 50 anos de vida sacerdotal
Setembro de 2005 – Visitou Portalegre, de Portugal, no regresso de Trento
28 de Junho de 2015 – Missa Solene de Júbilo pelos 60 anos de vida sacerdotal

Fogo da Pátria em Portalegre do Brasil

PORTALEGRE/RN RECEBEU EM 31 DE AGOSTO A 19.ª EDIÇÃO DO
FOGO SIMBÓLICO DA PÁTRIA

A cidade de Portalegre/RN foi a localidade sede escolhida para acender a Chama Olímpica da Pátria e dar início a corrida de revezamento da 19.ª edição do Fogo Simbólico 2017 do grupo de escoteiros São João Baptista da cidade de Pendências/RN.

O evento do Fogo Simbólico da Pátria tem por objectivo manter acesa a chama do patriotismo na Semana da Pátria. Por isso o escotismo da região Costa Branca de nosso Estado escolhe uma cidade do Nordeste para que possa sediar esse evento que já é realizado pela instituição escoteira há 19 anos.

A directoria do grupo e a coordenação do evento escolheram a cidade de Portalegre/RN, tanto pela beleza da cidade como pela receptividade do seu povo.

A Chama Olímpica da Pátria foi acesa na cidade de Portalegre na noite de quinta-feira, dia 31 de Agosto, pelas mãos do secretário de Educação, o prof. Afrânio Lucena, representando o prefeito  Sr. Manoel de Freitas Neto.

O secretário deu as boas vindas ao grupo e agradeceu em nome do prefeito a escolha da cidade para o acendimento da tocha olímpica, parabenizando o grupo São João Baptista da cidade de Pendências pela realização do evento e incentivou o grupo de escoteiros da Cidade de Portalegre “Serranos em Acção” pela participação naquela realização na sua terra.

O director Alex do Grupo de Escoteiros São João Baptista agradeceu a receptividade dos portalegrenses, do gestor municipal Neto da Emater e da primeira dama Vagna Lucena que esteve apoiando a vinda do grupo a Portalegre desde o início.

A Chama Olímpica seguiu percorrendo as estradas com paradas em Apodi/RN, Mossoró/RN, Assu/RN e teve a sua paragem final na cidade de Pendências/RN no domingo dia 3 de Setembro, anteontem.

É particularmente significativo o destaque que os irmãos brasileiros dedicam, desde a iniciação escolar, ao respeito pelos símbolos da sua Pátria.

Entre nós, ainda nos devemos lembrar de quem nos pôs a cantar o Hino Nacional, recapitulando estrofes já algo esquecidas, e a desfraldar bandeiras que fomos retirar da naftalina ou comprar nas lojas chinesas, com pagodes em vez de castelos. Lembram-se!?

Foi em 2004 e o responsável por isso chama-se Scolari.

É brasileiro e não se trata de um acaso…

Hoje, em Portalegre do Brasil

Trata-se de uma grande acção de solidariedade, através da qual se reúnem, num mesmo período e espaço público, magistrados e servidores do poder judiciário estadual com inúmeros parceiros e levam à população além das actividades jurídicas (conciliações, assessoria jurídica, registo de ocorrências, ajuizamento de acções…), importantes programas e projectos desenvolvidos no âmbito da justiça potiguar (do Rio Grande do Norte) que beneficiam a população de forma gratuita, rápida e eficaz.

O Programa Justiça na Praça oferece também alguns serviços em parceria com outras instituições, a exemplo do casamento comunitário, emissão do registo civil fora de prazo, advocacia gratuita, emissão de documentos, realização de oficinas educativas e vasta programação cultural.

O Justiça na Praça foi eleito, em 2010, pelo Conselho Nacional de Justiça, como uma das três melhores práticas do sistema judiciário brasileiro, recomendado como uma prática a ser adoptada pelos demais tribunais na Carta de Santarém, resultado do 85.º Encontro de Presidentes de Tribunais de Justiça de todo o país e na Carta de Natal, resultado do 53.º Encontro Nacional do Colégio de Corregedores Gerais dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal.

Portalegre do Brasil cresce e moderniza-se

Na altura oportuna, finais de Maio deste ano, deu-se aqui devida do primeiro dia de expediente das novas instalações da Prefeitura Municipal de Portalegre RN, Brasil, depois de sua solene inauguração.

Sinal inequívoco do progresso da cidade irmã da Portalegre alentejana, o acto corresponde a uma modernização de antigas instalações, à qual se juntou recentemente a nova Casa da Câmara e Cadeia, também aqui abordado. Trata-se da prossecução de uma decisiva campanha de inserção da cidade serrana no lugar que merece.

Volta-se ao tema, a propósito de um mais recente decreto municipal, subscrito pelo prefeito Manoel de Freitas Neto sobre a funcionalidade do Centro Administrativo de Portalegre/RN, onde se pode constatar a complementar diversidade de serviços ali instalados.

A simples descrição dos espaços dá conta do contributo no aumento de coordenação e eficácia da governação municipal que as novas instalações vão proporcionar.

 

Alternações climáticas

ALTERNAÇÕES CLIMÁTICAS

Não é erro tipográfico. É mesmo de alternações climáticas que quero falar, ou escrever, tanto faz. É um desabafo.

Sou mais fã da rádio que da televisão. Oiço ali os relatos, as crónicas, as reportagens, os noticiários e as previsões meteorológicas. A televisão fica mais reservada para os filmes e as séries que me interessam. As excepções são poucas.

Ouvi de véspera a previsão para o dia de ontem, sol e calor em abundância, o costume para a época, condições afinal propícias para a tragédia que nos tem afligido. Tragédia que chegou, inevitavelmente, às minhas bandas quando o fogo beirão e ribatejano galgou o Tejo e atiçou altas labaredas pelos lados de Nisa e Gavião.

Quando ontem cheguei logo cedo à minha varanda sobre a “ilha” renovei a certeza de viver noutro país. Isto por aqui não pertence aos domínios da meteorologia nacional lusa. O Rei das Berlengas (olá, Artur Semedo e Mário Viegas!) continua efectivamente a mandar nestas paragens e a diferença é evidente, porque o calor e também o frio ficam na fronteira com o país vizinho, ali para os lados de Porto de Lobos e Atouguia da Baleia. Viver em Peniche é um privilégio meteorológico.

Quis confirmar esta minha convicção, ou teoria, das alternações climáticas e recorri por isso à minha página meteorológica predilecta, que me fornece hora a hora um retrato de tempo em qualquer cantinho do mundo.

Procurei e comparei três sítios que pessoalmente me interessam: Peniche, Portalegre de cá e Portalegre do Brasil, para lá do sertão nordestino. Aqui está o resultado da consulta, precisamente às 9 horas da manhã de ontem, quando uma chuvinha chata tombava por aqui, conforme a gravura atrás anexada…

Agora vou tentar implementar esta teoria pessoal das alternações climáticas, baseada nas alternativas oferecidas pela “ilha” de Peniche, isto é, pelo Reino das Berlengas. Como se pode facilmente constatar pela amostra junta, oferecemos 10 a 14 graus, a menos, de temperatura ambiente, pormenor nada desprezível nesta época dominada pelas chamadas alterações climáticas. A alternação que proponho é bem mais agradável que a alteração dos outros…

E, já agora, comparando Portalegre de Portugal a Portalegre do Brasil, desafio os mais perspicazes a dizerem qual está nos trópicos, qual a quem um clima mais quentinho.

A propósito de Brasil, por acaso é aqui na “ilha”, hoje mesmo, que se festeja o Carnaval.

De Verão. Vamos a ver se o Inverno não se intromete!

E tanto jeito que este dava mas era para os lados de Nisa…

Conclusão: o que convém  é mesmo o clima alternativo e não o clima alterado.

Portalegre do Rio Grande do Norte, hoje

A Casa de Câmara e Cadeia, no período do Brasil enquanto colónia portuguesa e em parte do período imperial, era o edifício onde estavam instalados os organismos da administração pública municipal.

Abrigava em geral a Câmara Municipal e os órgãos a ela ligadas, como a Câmara dos Vereadores, o Juiz de Fora, o Presidente da Câmara, o Procurador, o Juiz de Direito, assim como o tribunal, a guarda policial (chamada “milícia”) e a própria cadeia pública.

O edifício ou os edifícios da Casa da Câmara e Cadeia ficavam geralmente no centro da vila ou cidade, no largo do pelourinho ou no chamado “Rossio”. O prédio continha, na maioria das vezes, dois pavimentos, várias salas e um plenário para reuniões dos vereadores e para julgamentos (sempre no segundo andar), sendo que no primeiro pavimento ficavam alojadas a cadeia e a guarda. Em vários casos, as Casas de Câmara e Cadeia eram a única edificação pública na vila, funcionando assim como símbolo único do poder público.

A Casa de Câmara e Cadeia é um dos modelos arquitectónicos mais representativos da colonização portuguesa no Brasil. Surgiu com a gradual afirmação de autonomia da burguesia urbana contra o poder de estilo feudal. O sistema administrativo municipal, que se consolidara em Portugal no século XIV, foi então transferido para os assentamentos coloniais a partir do século XVI. Assim, as Casas de Câmara e Cadeia nas vilas e cidades do Brasil seguiram de perto tanto a função quanto a aparência das suas congéneres europeias, mesmo após a Independência. Com a reorganização da administração municipal após a proclamação da República Brasileira, a Casa de Câmara e Cadeia muitas vezes passou a abrigar também o Fórum da comarca e a Prefeitura, sendo então chamada de Paço Municipal.

Assim foi também em Portalegre RN. A historiadora Fátima Martins Lopes, na sua obra Em nome da liberdade: as vilas de índios do Rio Grande do Norte sob directório pombalino no século XVIII (Tese de doutoramento, UFPE, 2005, Recife), refere o trabalho local, sob orientação do fundador Miguel Carlos Caldeira de Pina Castelo Branco, para desbravamento da mata e limpeza do terreno para demarcação das terras e estabelecimento do traçado da Vila, onde seriam construídas as instalações públicas, como a Casa da Câmara e Cadeia e a Igreja Matriz. Estávamos então na passagem de 1761 para 1762.

Situadas estas edificações na praça principal, foi progressivamente abandonado o edifício rosado da Câmara e Cadeia, durante muito tempo quase reduzido à ruína. Desde que nós, os portalegrenses portugueses, conhecemos a cidade irmã sempre aquele edifício constituiu uma espécie de desafio ali assumido como claro objectivo de recuperação.

E assim aconteceu recentemente.

No passado dia 1 de Abril, há escassos meses, foi realizado em Portalegre RN, o solene acto de inauguração da Casa de Câmara e Cadeia e do Espaço Cultural “Cantofa e Jandi”. Exemplarmente recuperado e adaptado a novas funções, dedicado a duas figuras notáveis carismáticas do passado histórico local, o edifício acrescentou a toda a comunidade portalegrense brasileira uma notável mais-valia.

Como espaço museológico e auditório cultural, a Casa de Câmara e Cadeia transformou-se num autêntico centro cultural, excepcionalmente bem localizado e apto a dinamizar a vida da Cidade.

A estreia constituiu desde logo uma clara demonstração dessa renovada vitalidade, pelo espectáculo –Esquetes– da responsabilidade do grupo Cactus – Companhia de Teatro, essencialmente composto por jovens da serra.

Aqui se pode apreciar uma súmula desse espectáculo.

Creio que este feliz acontecimento marca a actual fase de confirmação de Portalegre RN como uma cidade que caminha decididamente para o progresso a que tem direito. Para nós, portalegrenses de cá, deve ser encarada como um exemplo, já que a Portalegre alentejana vai tardando em encontrar o seu caminho seguro para um futuro de autêntica  esperança.

Parabéns aos queridos amigos e conterrâneos portalegrenses do Brasil!

ECOS JUNINOS DA PORTALEGRE BRASILEIRA

Foi bonita a festa, pá!

Como são sempre bonitas aquelas festas…

Nunca tive o privilégio de viver esta, ao vivo, passe o pleonasmo. Mas ter assistido a uma fabulosa exibição do portalegrense grupo Arraiá da Juventude deu para perceber, um pouco, o que é aquilo. Como aconteceu a umas dezenas de felizardos portalegrenses daqui.

Se lembrei agora a abrir esta ligeira crónica os versos de Chico Buarque não foi por inocência, bem pelo contrário. Mesmo recorrendo à segunda versão de um seu inspirado poema, Tanto Mar, censurada que foi a primeira, de 1975, pelas óbvias alusões à nossa Revolução de Abril, mesmo assim parece feliz e oportuna a lembrança. É que a única quadra mantida intocada nas duas versões dá conta do sentimento que me assalta a este propósito.

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Enquanto aos portalegrenses do lado de cá do mar, colectivamente, não der a decisiva vontade de outra vez navegar ultrapassando as léguas que nos separam, aqui ficam imagens da bonita festa que ao seu Padroeiro São João os nossos irmãos brasileiros de Portalegre RN há umas semanas dedicaram.

Por ora é tudo porque um dia destes, depressa, eu volto.

António Martinó de Azevedo Coutinho