As duas Portalegre’s

Lembrei ontem, como aliás aqui faço com frequência, a cidade brasileira de Portalegre, que há anos me honrou com a distinção de cidadania, título assumido com orgulho que não escondo.

Essa outra minha cidade, no magnífico interior serrano do Rio Grande do Norte depois do árido sertão, viveu no dia da sua Padroeira a grande e tradicional veneração.

Disso deu o amigo Afrânio Gurgel uma explícita conta, pois pudemos assistir, pelo directo que os utilitários sistemas de comunicação on line permitem, à cerimónia religiosa onde teve intervenção outro saudoso amigo, o padre Dário Torboli. Também houve, mais tarde, a disponibilidade de um vídeo da procissão entre a Igreja e a Casa de Cultura, bem como de fotografias de diversas outras solenidades do dia.

Pude igualmente registar com agrado a nota que a Prefeitura Municipal de Portalegre RN colocou nas redes sociais a propósito da efeméride, onde se destaca a alusão toponímica à cidade portuguesa com o mesmo nome, como tal usada pelo Fundador, que ali vivera com o pai, também juiz, e bem conhecia as familiares semelhanças da comum paisagística montanhosa.

Espero que a Portalegre alentejana, ligada à sua “gémea” brasileira por laços de uma amistosa e justificada geminação, não se tenha esquecido de explicitar as devidas e oportunas felicitações…

Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal e da cidade brasileira de Portalegre

O culto a Nossa Senhora vem, entre nós, desde os tempos da Fundação da nacionalidade, sendo D. Afonso Henriques um seu grande devoto. Nas batalhas da Independência, com D. Nuno, repetiu-se a pública devoção.

Foi mais tarde, com a Restauração, que a relação entre Nossa Senhora e Portugal foi devidamente oficializada.

Em 25 de Março de 1646, o rei D. João IV organizou uma cerimónia solene, em Vila Viçosa, para agradecer a Nossa Senhora a restauração da independência em relação a Espanha. Foi à igreja de Nossa Senhora da Conceição, aí ofereceu a coroa portuguesa a Nossa Senhora, colocando-a a seus pés e proclamando-a Padroeira Portugal.

Este acto da proclamação alargou-se a todo o País, com o povo a celebrar, pelas ruas, entoando cânticos de júbilo.

Assim se tornaria Nossa Senhora a verdadeira Soberana de Portugal e por isso, desde este dia, mais nenhum rei português usou a coroa real na cabeça. Em cerimónias solenes, a coroa passou a ser colocada em cima de uma almofada, ao lado do rei. Ao que parece este facto é extraordinário, sendo mesmo único no mundo.

Há uma grande peregrinação anual ao Santuário de Vila Viçosa que se celebra todos os anos em 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal, portanto hoje mesmo.

O Papa João Paulo II visitou este Santuário durante a sua primeira visita a Portugal, em 14 de Maio de 1982.

Na cidade brasileira de Portalegre, no Rio Grande do Norte, verifica-se uma grande veneração por este dia 8 de Dezembro, porque Nossa Senhora da Conceição é igualmente padroeira da cidade, conjuntamente com S. João Baptista, também pretexto para grandes festejos de diferente natureza.

Com efeito, o fundador, juiz de fora alentejano Miguel Carlos Caldeira de Pina Castelo Branco, manteve o orago de São João Baptista, recebido da antiga Missão do Apodi ali sita, juntando-lhe a homenagem a Nossa Senhora da Conceição, santa do próprio dia da criação da vila de Portalegre, 8 de Dezembro de 1761.

Esta freguesia apenas viria a ser oficialmente consagrada em 11 de Maio de 1764, quando recebeu o seu primeiro pároco provido.

Uma questão de cor ou de coração

É uma coincidência mas leio-a como um sinal.

Em Portalegre realizou-se uma marcha cor-de-rosa. Até aqui nada de especial, sobretudo se atentarmos a que com crescente incremento se aproveita o exercicio físico como saudável pretexto de mobilização. Neste caso contra um inimigo sério que tem de ser combatido e vencido, o cancro da mama.

Em Portalegre realizou-se, pois, uma marcha cor-de-rosa. Só que foi em Portalegre deste e do outro lado do mar, quase na mesma data. Sem combinação, sem prévio diálogo, duas comunidades irmãs envolveram-se num mesmo pretexto, numa mesma luta.

Recuo uns anos, até Dezembro de 2011, quando Portalegre do Rio Grande do Norte comemorou com grande dignidade os 250 anos da sua Fundação. Nessa altura, graças a alguns prodígios tecnológicos e imensa boa vontade, foi possível estabelecer uma precária ligação de Internet entre ambas as Portalegre’s, permitindo uma rápida saudação recíproca.

Lembro-me de que, pessoalmente, apenas na recepção do Hotel Portal da Serra e através de uma ligação por cabo, conseguia uma lenta e soluçante ligação à rede.

Numa outra ocasião, uma experiência entre a Escola José Régio, do lado de cá, e a Escola Municipal Margarida de Freitas, no Brasil, permitiu um difícil e constantemente interrompido diálogo pedagógico em directo.

Hoje, a situação alterou-se e a Internet pode servir de expedita ligação.

É este o sinal que li na presente coincidência.

Portalegre do Alentejo e Portalegre do Rio Grande do Norte assinaram uma solene geminação, assente em dados consistentes de um passado comum, onde a designação toponímica é marca sustentada e definitiva.

As pistas aí contidas, no sentido de uma fraterna aproximação de ambas as comunidades, abundam. Mas não se praticam.

A Câmara Municipal portuguesa e a Prefeitura Municipal brasileira vivem de costas viradas uma para a outra, como se não se conhecessem. Não interessa assacar culpas ou responsabilidades porque isso não está em causa, quando o essencial consistirá em honrar, finalmente, o compromisso livremente assumido.

Retomemos pois o sinal. Ambas as marchas poderiam ter sido realizadas em simultâneo, com o devido e prévio acerto horário a que os meridianos obrigam, com recíproca transmissão das cerimónias em telas gigantes colocadas no percurso. Um sonho? Não, antes uma provocação: a fraternidade potenciando a solidariedade!

Este diálogo à distância poderia servir mil pretextos, desde actos solenes oficiais, eventos da vida social comunitária, iniciativas administrativas, intercâmbios escolares, transmissões desportivas ou festivas, manifestações culturais, trabalhos pedagógicos, enfim, uma infinidade de situações.

As aplicações informáticas hoje existentes e disponíveis a um simples particular poderiam aqui permitir e potenciar as relações quotidianas ou pontuais entre duas comunidades, se nisso verdadeiramente empenhadas. Se quisermos, poderemos ser pioneiros.

Foi uma marcha cor-de-rosa que me despertou estas palavras.

Queremos, irmãos portalegrenses deste e do outro lado do mar que nos une, que o nosso futuro comum continue cinzento como até agora?

Não se trata de uma questão de cor, mas de coração.

António Martinó de Azevedo Coutinho

Portalegre RN – uma das cidades mais eficientes do Brasil

PORTALEGRE É UMA CIDADE EFICIENTE DE ACORDO COM LEVANTAMENTO FEITO PELO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO

PORTALEGRE está entre as cidades mais eficientes do Brasil, ocupando a 762. ª colocação nacional no programa denominado de Ranking dos Municípios Eficientes do jornal Folha de São Paulo (REM-F).

Este programa é uma ferramenta inédita, que mostra quais os municípios do Brasil que conseguem melhores resultados em saúde, educação e saneamento gastando menos, onde se mostra que apenas 24% do país é eficiente com a destinação de recursos públicos.

O levantamento revela que 38 % do dinheiro público é investido em educação; 21 % em saúde e no saneamento básico. Portalegre tem uma média de 0, 374.

A administração municipal está investindo cada vez mais nos serviços básicos para uma melhor qualidade de vida da população da cidade.

Acrescente-se que o lugar 762 se insere num universo de 5.569 municípios, onde foram escrutinados 5.281.

Parabéns a Portalegre RN!