ENOVE+ em Portalegre e Elvas

NOTA DE IMPRENSA

ENOVE+ continua nos dias 19 e 20 de Novembro A edição deste ano da Feira de Emprego e Empreendedorismo prossegue a 19 de Novembro na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais e no dia seguinte na Escola Superior Agrária de Elvas.

Portalegre – Após a realização, a 13 de Novembro, do primeiro dia de ENOVE+ na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, o Politécnico de Portalegre organiza mais dois dias dedicados em Emprego e Empreendedorismo. Esta edição tem um modelo diferente dos anteriores, focando-se nos diplomados e alunos finalistas de todos os graus de ensino do Politécnico e com actividades descentralizadas pelas diversas escolas do Instituto. Assim, esta 12ª edição prossegue a 19 de Novembro na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais e no dia seguinte na Escola Superior Agrária de Elvas. Esta edição da Feira de Emprego e Empreendedorismo inclui workshops, espaços empresariais, palestras, mesas redondas, entre outras actividades, para fazer chegar as temáticas do emprego e empreendedorismo a um número mais alargado de alunos. A coordenação da ENOVE+ está a cargo do Gabinete de Empreendedorismo e Emprego do Instituto Politécnico de Portalegre no âmbito do EUROACELERA (INTERREG), um projecto de cooperação transfronteiriço cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através do Programa INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020.

Informação adicional:

ENOVE+ A ENOVE+ nasceu em 2008. Promovida pela Associação de Desenvolvimento Regional do Politécnico de Portalegre, a Feira de Emprego e Empreendedorismo pretendeu, desde logo, dinamizar o mercado de emprego e de formação e incentivar o empreendedorismo. A organização deste evento pela ADR/IPP contou, desde 2011 e até 2013, com a estreita colaboração do Gabinete de Empreendedorismo e Emprego (GEE) do Politécnico de Portalegre. Em 2014, o GEE assumiu a organização da feira, função que mantém desde então. A ENOVE+ conta com o apoio das escolas do Politécnico, cuja presença é coordenada pelos subdirectores dos estabelecimentos de ensino: António Casa Nova da Escola Superior de Saúde, Luísa Carvalho da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais; Valentim Realinho da Escola Superior de Tecnologia e Gestão e Paulo Ferreira da Escola Superior Agrária de Elvas.

Nomes da Terra – IV (fim)

O caso da institucionalização de Vila Flor é interessante.

Câmara Cascudo, que alude ao facto nas páginas 267 e 268 da sua obra Nomes da Terra, garante que a promoção da Aldeia de Gramació a Vila Flor não se deve a qualquer homenagem ao anterior governador de Pernambuco, D. António de Souza Manoel de Menezes, conde de Vila-Flor, mas a um igual topónimo, então sede de Concelho no Distrito de Bragança, em Trás-os-Montes, Portugal.

Terá provavelmente razão quanto à afirmação inicial mas a sua segunda conclusão pode ser contestada. Com efeito, junto à Arez (ou Arês) alentejana encontramos uma localidade denominada precisamente Vila Flor.

Acontece que, por alturas do nascimento da Vila Flor brasileira, a Vila Flor transmontana sofria ainda os efeitos da política anti-judaica do rei D. Manuel I, que expulsara os judeus da localidade, com graves consequências económicas, sócio-culturais e até urbanísticas. Por outro lado, a Vila Flor alentejana, embora de pequena dimensão demográfica, pertencia à Ordem Militar de Cristo e possuía um castelo integrado na linha defensiva do Tejo.

Hoje, decadente, esta Vila Flor está integrada na Freguesia de Amieira do Tejo, Concelho de Nisa, e quase desapareceu… Curiosamente, a Vila Flor potiguar também passou por um prolongado período de crise.

O Juiz Miguel Carlos, conhecedor de toda aquela região onde dispunha de muitos familiares, seus directos antepassados, estaria logicamente muito mais inclinado para uma alusão toponímica relacionada com esta Vila Flor do que com a transmontana. Nada indica, nos seus anteriores dados biográficos já conhecidos, que alguma vez tivesse estado em Trás-os-Montes ou que dispusesse de qualquer relacionamento com essa zona de Portugal.

Mas não se esgota neste pormenor o interesse da institucionalização de Vila Flor, pois uma outra questão merecerá alguma pesquisa complementar.

Retomemos a Carta Topográfica datada de 1766 e oferecida pelo governador de Pernambuco, Luís Diogo Lobo da Silva, ao governante Francisco Xavier de Mendonça Furtado, a qual se encontra no Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar em Lisboa. Aí constam as novas vilas formadas a partir dos antigos aldeamentos e missões indígenas: Vila de Extremoz (1760), Vila de Arez (1760), Vila de Portalegre (1761), Vila de São José do Rio Grande (1762) e Vila Flor (1769). Todas estão referenciadas no momento de sua criação e denominadas como “Vila Nova de Índios”.

O historiador Thiago Alves Dias, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, num interessantíssimo e bem documentado artigo -O espaço cartográfico enquanto escrita do poder- publicado em 2011, analisa as localizações dessas novas vilas fundadas na Capitania do Rio Grande do Norte expressas na Carta de 1766. Com excepção da Vila de Portalegre que fica no sertão da Capitania, regista-se que todas as outras vilas fundadas estão a Norte da cidade de Natal. No entanto, se compararmos essas mesmas informações com um mapa actual, verificamos que todas as localidades, com excepção da Vila de Extremoz, ficam a Sul dessa mesma cidade.

E como explicar a inscrição de Vila Flor num mapa de 1766 se apenas foi criada em 1769? Teria havido uma outra Vila Flor?

Não posso garanti-lo. No entanto, em documentos que pude consultar sobretudo através do material que está partilhado na Internet, encontrei um registo solto, sem qualquer enquadramento histórico, que alude a 10 de Outubro de 1762 como a data da fundação de Vila Flor, na Capitania de Rio Grande, por iniciativa do Juiz Miguel Carlos.

A dispor de alguma credibilidade, não confirmada, esta pista conduzir-nos-ia a uma outra Vila Flor ou a um eventual erro na datação da institucionalização da que conhecemos.

Miguel Carlos, depois de passar pela Bahia já como Desembargador, regressaria a Portugal. Foi em 1775, com 43 anos de idade, 17 dos quais vividos no Brasil. Como Juiz Desembargador, continuou a sua carreira na Relação do Porto.

Em 1778 voltaria ao Alentejo, para casar em Arronches, a terra natal do seu amigo, o Bispo D. Francisco Xavier Aranha, que entretanto falecera em Pernambuco, no ano de 1771, quando Miguel Carlos ainda estava no Brasil.

Poucas gerações após, eu próprio viria a descender do casamento de Miguel Carlos. Mas esta é uma outra história, pois trata de Nomes de Gente e não de Nomes da Terra.

António Martinó de Azevedo Coutinho