Salvemos a Robinson!

 

Foi anteontem publicada em Diário da República a recomendação ao Governo para preservar e valorizar o património industrial da Fábrica Robinson, na sequência da Petição “Salvem a Robinson”:

“A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5  do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo  que:

1 — Promova o diagnóstico da situação do património  industrial e do edificado da Fábrica Robinson, parte do conjunto classificado de interesse público que integra a Igreja e o antigo Convento de São Francisco, calendarizando uma intervenção urgente para garantir a sua salvaguarda e determinando as medidas provisórias ou técnicas de protecção  indispensáveis e adequadas para o efeito, nomeadamente as que revelam maior urgência.

2 — Garanta as obras necessárias e fulcrais para assegurar  a protecção e segurança imediatas do edificado e do espólio da Fábrica Robinson, em especial das chaminés, do telhado e das máquinas, face a intempéries, actos de vandalismo ou outras situações susceptíveis de causar perdas e danos irreparáveis a este valioso património arqueológico,  industrial e corticeiro.

3 — Mobilize recursos, nomeadamente financeiros, com  vista aos trabalhos de protecção, conservação e valorização  dos bens que integram o referido património, no âmbito da  Lei de Bases do Património Cultural, em harmonia com as demais normas estabelecidas sobre a matéria e sob a orientação dos serviços competentes.

4 — Adopte medidas de requalificação e revitalização  do património da chamada «Fábrica da Rolha», nomeadamente dando novas funcionalidades aos seus sete hectares e tornando-os um recurso de desenvolvimento local,  regional e nacional.

5 — Desenvolva, em colaboração com a Fundação Robinson,  a Câmara Municipal de Portalegre, instituições científicas, educativas, associativas, sindicais, empresariais e outras entidades, a nível local e nacional, o conhecimento, estudo, protecção, valorização e divulgação do património material e imaterial que a fábrica da Sociedade Corticeira Robinson Bros, S. A. incorpora e representa, ímpar na região e em Portugal, dignificando a sua dimensão de espaço museográfico.

Aprovada em 28 de Novembro de 2017.

 O Presidente da Assembleia da República, Eduardo  Ferro Rodrigues.”

Reproduzi atrás o post colocado pelo vereador portalegrense Luís Pargana na sua página pessoal. Partilho o natural júbilo que legitimamente sente e felicito-o, uma vez mais, pela sua lúcida, corajosa e persistente luta em defesa de um património, único, de Portalegre e do país.
A iniciativa, levada a bom termo por Luís Pargana e pel’Os Verdes, mereceu a rara e unânime aceitação dos parlamentares. A recomendação destes ao Governo é muito clara e encerra uma evidente urgência, pelo que se espera agora uma resposta cabal e atempada, porque os riscos de perda desse inestimável património permanecem. A luta não acabou aqui…
A Fábrica da Rolha é uma herança de honra para Portalegre. As memórias ali encerradas são incontornáveis, como sinais de uma comunidade, então ainda viva e pujante, a que muitos de nós estamos ligados. Uma ilustre família inglesa -os Robinson- e os seus colaboradores merecem da nossa parte uma resposta condigna.
Pela minha parte, contei ali com o bisavô Silvestre Ceia e com os tios-avós Francisco e Manuel, este também activamente ligado à fundação da Cooperativa Operária Portalegrense. A iniciativa agora desencadeada tem de continuar até que Portalegre seja dotada de uma instituição que recorde e dignifique para sempre aquilo que a nossa Fábrica da Rolha representou para muitas gerações de portalegrenses e não só.
Salvemos a Robinson!
                                                                          António Martinó de Azevedo Coutinho

O futuro da Robinson urge!

A “grande” imprensa nacional, distraída quanto pude verificar, não deu ainda pelo que ontem aconteceu na Assembleia da República, com a rara e significativa unanimidade gerada em torno da recuperação do valioso património e da memória da fábrica da rolha portalegrense, a Robinson.

A luta dura e corajosamente empreendida por Luís Pargana e pelos seus companheiros teve como resposta uma encorajadora e estimulante compreensão da parte de todos os grupos parlamentares e, até, do deputado Jorge Lacão que ontem presidiu aos trabalhos. Este, natural do próprio Concelho de Portalegre, entendeu certamente o profundo significado do acontecimento. Espera-se, agora, que as fase seguintes do apoio estatal se revistam da urgência e da profundidade requeridas pela degradação já sofrida pelo património…

Entretanto, com a devida vénia e um abraço solidário, aqui fica o testemunho do jornalista Gabriel Nunes, da Rádio Portalegre.

VIVA A ROBINSON!

Acabo de assistir, com emoção, ao debate na Assembleia da República sobre a Fábrica Robinson, a “minha” fábrica da rolha, a fábrica da rolha de todas as gerações de portalegrenses com memória.

Para o meu amigo Luís Pargana, presente no hemiciclo com os seus persistentes, lúcidos e corajosos companheiros de luta, vão as minhas mais calorosas saudações, pelo feliz termo de tão prolongado e difícil combate. A rara unanimidade verificada, e como tal pronunciada, faz crer num futuro de digna salvaguarda para aquilo que sobrevive num espólio vandalizado. A impotência duma fundação criada para o efeito ficou mais uma vez provada…

Com a modéstia das armas que tinha à disposição, está bem patente durante toda a existência deste blog a convicção que, entre amarguras sem limite, nunca me abandonou. Apesar de tudo.

Os Robinson, na grata memória que Portalegre deles guarda, assim como todos os seus colaboradores, incluindo os mais modestos operários, terão uma digna perpetuação dessa imensa obra empresarial, associativa e humanitária naquela cidade do Alto Alentejo cercada…

                                                                        António Martinó de Azevedo Coutinho