Cultura alentejana na sua Casa em Lisboa

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Numa iniciativa das Edições Colibri e da Casa do Alentejo é realizada uma exposição de livros de autores alentejanos e de temáticas sobre o Alentejo, nos dias 2, 3, 9, 10, 16 e 17 de Dezembro, no Pátio Árabe da Casa do Alentejo.

Pretende-se, com esta iniciativa, dar a conhecer a rica e diversificada cultura material e imaterial alentejana e os escritores que muito têm contribuído para viabilizar esta região e as suas gentes.

A cacafonia anti-Trump – uma “carta” a propósito

A cacofonia anti-Trump.
Uma carta ao meu amigo Zé Teófilo

 Meu caro Zé

Andas muito activo na cacofonia anti -Trump, com galerias de fotos que enfim… umas acertam outras não. São os teus ódios de estimação com uma base errática de análise política. Trump é um protofascista, xenófobo, racista e 16-t-donald-trumpsexista? É claro que é! Mas atiras ao lado quando te fixas nesses alvos e não olhas para os que são mais importantes. Já lá vamos de forma simplificada, embora te aconselhe a leres o texto do Pacheco Pereira, um homem que mesmo que não se concorde sabe pensar! Primeiro umas notas que considero importantes sobre o que tens escrito. Desde o principio da campanha eleitoral nos EUA, um circo longo que começa nas primárias, não vi um único texto teu, provavelmente porque estava distraído, sobre os golpes baixos da Clinton e da camarilha do jornalismo mercenário que a apoiava a mando de Wall Street e da alta finança, contra Bernie Sanders denegrindo-o desde o primeiro momento em que surgiu como alternativa. Nem um só texto sobre o papel da Hillary Clinton primeiro  como apoiante da invasão do Iraque, da agressão à Jugoslávia (um parenteses Milosevic o Carniceiro dos Balcãs foi absolvido por unanimidade pelo TPI dez anos depois de morrer nos cárceres desse mesmo TPI) e depois como secretária de Estado que comandou o ataque à Líbia, com os resultados que estão à vista e a frase grandiloquente embrulhada num rasgado sorriso “Viemos, Vimos e Matamos” celebrando a morte de Khadafi. Nem sobre o ataque à Síria, tentando repetir o “êxito” líbio, armando, treinando e financiando a Al-Qaeda e o Estado Islâmico, no que foi travado pela intervenção da Rússia. Nem sobre  o seu apoio ao golpe de estado para-fascista na Ucrânia, com a activíssima sua colaboradora Vitória “Que se Foda a Europa” Nuland. Ucrânia onde combatem ao lado das milícias fascistas batalhões do Estado Islâmico. Nem um só texto sobre ou de denúncia às golpadas da sra Clinton que nos debates com Sanders sabia previamente as perguntas que lhe iam ser feitas e as que iriam ser feitas a Sanders ou as manobras miseráveis a seu favor da cambada que comandava a Convenção Democrática que a escolheu como candidata à corrida presidencial que foram tão escandalosas que os obrigaram a demitir-se deixando a máquina a funcionar, para mal do pobre Sanders que se contentou com essa demissão.

Também não vi uma só palavra de crítica e condenação a Madeleine Albright, uma grande apoiadora “feminista” de Clinton que disse que “há um lugar especial no inferno para mulheres que não se ajudam umas às outras!”, referia-se às que apoiavam Sanders contra Clinton e que no programa 60 Minutes do canal CBS respondeu à jornalista que a questionou sobre a Guerra no Iraque: “Ouvimos que meio milhão de crianças morreu. Quer dizer, isso é maior do que o número de crianças que morreu em Hiroshima. E, enfim, será que o custo de uma guerra como essa compensa?” respondendo prontamente: “Acho que é uma escolha muito difícil, mas o custo – nós consideramos que vale a pena arcar com ele.” Nós quem? Todos aqueles, a comunicação social estipendiada e a rapaziada que anda pela internet que se a frase tivesse sido dita, nem era preciso tanto só uns 10% daquela ignominia, por Putin ou pelo presidente do Irão em relação à guerra em curso contra o estado Islâmico na Síria e no Iraque teria caído o carmo e a trindade contra aqueles monstros frios e bárbaros.  Nem é preciso referir a diferença de tratamento mediático que se faz sobre as batalhas em curso em Mossul e Alepo em que os civis de uma são usados como escudos humanos pelo EI e da outra como vítimas do exército sírio e dos russos! A falta de vergonha e decência é total e absoluta e os que não denunciam essa dualidade são seus cúmplices. Mas claro, as clintons e as allbrights e já agora os obamas é que são os símbolos da democracia e do mundo livre.

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Como tu são muitos os que centram a campanha anti-Trump no seu machismo, sexismo, xenofobia, misoginia, um erro só explicável por estrabismo político. Clinton era o paradigma da globalização Wall Street. Hillary Clinton era a candidata do complexo militar-industrial, do capital financeiro internacional. Cientes que ela iria colocar em prática os diktats de Wall Street apoiaram-na com entusiasmo. Derramaram meios financeiros brutais, puseram em marcha a comunicação social ao serviço da plutocracia. Gente que são o 1% dos que beneficiam dos contratos de armamento, dos acordos comerciais em curso. Contra isto os norte-americanos votaram em Sanders e Trump, lixando-se contra todos as sombras negras que envolvem Trump. Sanders foi trucidado, Trump venceu prometendo voltar a tornar a América grande. A abissal e incontornável diferença entre eles é que Trump tem a mesma raiz de Clinton. A árvore é a mesma, a poda é que é diferente. Os americanos votaram em Trump que não é Hitler. A história não se repete. E deve-se lembrar que o muro que prometeu construir a separar o México dos EUA começou a ser construído por Bill Clinton, se pensarmos num muro total podes verificar que mais de um terço já existe. Trump é perigoso? Claro que é mas não é nem mais nem menos perigoso do que Hillary Clinton. A sua vitória tem que ser vista como consequência do brutal declínio moral e intelectual do sistema político norte-americano que também contamina os sistema políticos europeus. Isto é que são os aspectos fundamentais e não o foco nas lutas ditas fracturantes que são importantes mas são adjacentes e parcelares da grande luta que tem que ser empreendida contra o sistema. Nos EUA, Sanders  à sua maneira e os outros candidatos de que ninguém fala, Jill Stein e Gary Johnson, fizeram-no. O primeiro foi passado a ferro com os golpes mais sujos pelo sistema e na prática demitiu-se na Convenção dos Democrata, dos outros ninguém quase ninguém ouviu falar, o sistema silencia-os ab initio.

Há uma enorme dúvida: o que irá acontecer na Casa Branca? Todo o mundo se interroga e está em suspenso.

Por cá, a eleição de Trump pondo de lado as diatribes cacofónicas sobre a sua misoginia, racismo e xenofobia, tem efeitos curiosos. A direita que se demarcava, por causa desses traços de Trump, recicla-se a alta velocidade porque sempre defendeu, de forma clara ou surda, a destruição da legislação social, dos direitos sociais, a proibição do aborto, a igualdade de género e os direitos da comunidade LGBT e porque lá bem no fundo gosta dos tiques  autoritários de Trump. Lá chegará a altura de o defender abertamente, basta ler o Observador, esse farol da direita portuguesa, e atentar na evolução das notícias e comentários sobre as eleições nos EUA desde o princípio.  Nas esquerdas pálidas e rasteiras fez com que muitos direitolas travestidos tirassem a cabeça de fora. É ler Rui Tavares, esse idiota útil, a defender com unhas e dentes a Nato e as suas políticas agressivas, no meio de delírios bálticos, o acordo de livre comércio  TTIP, a visão da Merkel e a consequente hegemonia alemã na EU. Um bródio.

Termino citando o lúcido artigo que Pacheco Pereira que subscrevo por inteiro:  A vontade de mudar, o elemento mais decisivo nestas eleições, foi parar às piores das mãos, mas foram as únicas que lhes apareceram. Quando Bernie Sanders, outro “antiquado”, cuja candidatura “falava” para estas mesmas pessoas, foi afastado – conhece-se hoje o papel de um conjunto de manobras16-t-praca-do-bocage dos amigos de Hillary Clinton no Partido Democrático –, ficou apenas Trump. E, como já disse, não tenho a mínima simpatia por Trump, a mínima. Mas tenho uma imensa simpatia pela vontade de mudar, que tanta falta faz nos dias de hoje nas democracias esgotadas na América e na Europa.»

Meu caro Zé Teófilo, um pouco mais de distanciamento e discernimento político nas análises o que fará baixar radicalmente o volume dos sound-bytes.

Se calhar irei publicar esta “carta” na praça do Bocage.

16-t-manuel-augusto-araujoAmigos como sempre.

Manuel Augusto Araújo
in blog Praça de Bocage

João Vidal (1940-2016)

vidal e livros

O texto biográfico seguinte de João Vidal, datado de 2009, é da autoria de Pedro Sobreiro, inserido em Figuras Ilustres de Marvão agraciadas com Medalha de Mérito Municipal, e foi retirado com a devida vénia e gratidão, da página oficial do Município de Marvão. Pareceu-me esta divulgação a forma simples e eficaz de lembrar e homenagear um Homem com estas características, simples e eficaz.

O contacto com João Vidal revelava uma personalidade rica, discreta, delicada, competente. Vai fazer falta.

Lembro com respeito a sua memória.

 ***

Quando me desloquei à sua casa para fazer esta recolha biográfica encontrei-o algo abatido e apreensivo mas bastou o convite para revisitar a sua vida, para lhe iluminar o rosto e encher o olhar de memórias. Transfigurou-se em segundos e parecia outra pessoa, alegre e faladora, que se divertia e recriava com os episódios passados.

João Francisco Rosado Nunes Vidal nasceu a 28 de Fevereiro de 1940, há 69 anos, no Jardim, freguesia de São Salvador da Aramenha. É filho de Manuel Nunes Vidal, canastreiro de profissão, e de Catarina Rosado Tapadinhas, doméstica. Deles herdou a veia artística que já antes se tinha manifestado na família nas figuras do avô paterno e da avó materna, ambos tocadores de harmónica. O pai era acordeonista e a mãe uma cantadeira famosa. Juntos formaram uma dupla de sucesso que animou os bailes no concelho e na região. Com eles aprendeu a habituar-se às festas, a crescer entre as palmas, a conhecer o poder libertador da dança. Dormiu muitas vezes junto ao palco, enrolado num xaile. Por vezes acordava quando a bailação estava rija e dançava também. Conheceu muita gente, muitos sítios. Tornou-se popular.

Frequentou a escola primária da Portagem, onde hoje funciona a Sociedade Recreativa. Aos 12 anos partiu para a cidade e ingressou no Curso de Formação Geral de Comércio da Escola Comercial de Portalegre.vidal

Quando terminou, o seu primeiro emprego foi no escritório dos “Cafés Guapa”, situados nos Olhos d’Água, propriedade do Sr. José Maria Pires Cardoso. O negócio ia de vento em popa e só o irrecusável convite para trabalhar no Banco Pinto e Sotto Mayor o fez rumar a Lisboa. Não podendo estar longe da música e da acção, entrou para o coral da Casa do Alentejo que ajudou entretanto a reorganizar.

Anos depois surgiu a oportunidade de regressar e voltou a Portalegre, para a sucursal deste banco na cidade, perto do Café Alentejano, onde desempenhou as funções de caixa e fazia de tudo um pouco. O Sr. Vivas da Beirã era cliente e ia lá com frequência depositar dinheiro e tratar de negócios. Como era Provedor da Santa Casa de Marvão e conhecia o gosto que Vidal nutria pela música, cultura e etnografia, falou-lhe na possibilidade de fazer um rancho da Misericórdia. Esta instituição tinha então dois asilos para jovens, um para rapazes (no edifício do Espírito Santo ao lado da Casa do Governador) e outro para raparigas que funcionava na própria sede. Neles estavam hospedados cerca de 60 rapazes e 60 raparigas chegados de todo o país e oriundos de famílias pobres. A ideia do rancho surgiu com o intuito de criar mais uma actividade para ocupar os tempos livres daqueles jovens. As intenções foram as melhores mas o resultado foi revolucionário para a época. Permitir que jovens de sexos diferentes se juntassem e passassem horas a ensaiar e a dançar agarrados não era propriamente do agrado das freiras e muito menos da Madre Saturnina que tudo fazia para não os ver juntos. 

Vidal aceitou o convite de forma graciosa e passou a deslocar-se de Portalegre propositadamente para os ensaios. Não só não recebia qualquer tipo de pagamento como teve de fazer investimentos do seu próprio bolso. Comprou então um gravador que ainda hoje conserva, caríssimo para a altura, um luxo só ao alcance do ordenado de um bancário. Foi dos primeiros aparelhos que por aqui apareceram e revelou-se uma ferramenta indispensável para o trabalho de recolha de modas que iniciou então por todo o concelho. Os seus interlocutores de mais idade, aqueles que guardavam os saberes mais antigos, assustavam-se com o aparelho “que guardava a voz lá dentro” e muitas vezes teve de levar o gravador escondido. Fazia esquemas num papel com as danças que “não importavam se eram bonitas ou feias. O que importava era se eram autênticas”. As portas abriram-se-lhe com muita facilidade. A popularidade angariada nas digressões artísticas com os pais quando era criança foi-lhe então muito útil. Reuniu um total de 60 modas sendo algumas delas palacianas, aprendidas por pessoas que trabalharam em casas de pessoas abastadas.

Participou também activamente nos cortejos de oferendas que se realizavam sempre no dia 8 de Setembro, nos quais pessoas e instituições de todo o concelho se deslocavam a Marvão de carroça para levarem produtos que ofereciam à Misericórdia. Era uma manifestação muito importante que envolvia muita gente chegada de toda a parte e oferecia um pouco de tudo o que tinha.

Entretanto, a actividade do rancho, que se prolongou por cerca de 3 anos, extinguiu-se quando o asilo para jovens terminou e estes se  viram obrigados a regressar às suas terras.

Diz o povo que “sempre que se fecha uma porta, se abre uma janela”. O êxito da actividade inédita que desenvolveu no Rancho da Misericórdia granjeou-lhe uma fama que levou a que o convidassem a fundar um rancho na Boavista, em Portalegre. Nesse então, o “bichinho” do folclore já mandava muito na sua vontade e não pensou duas vezes. Encetou então uma intensa actividade de recolha das modas desse concelho, sobretudo nos Fortios, em São Julião e na Urra. Ali não faltavam pares e vontade. Já com fama de referência da etnografia à escala distrital, chegou a ensaiar quatro vezes por semana, as mais de 80 pessoas divididas em 3 escalões etários.

Esta actividade graciosa e mantida unicamente pelo gosto durou cerca de 4 anos, até ao momento em que saiu do banco e deixou Portalegre. Nesse momento, o rancho da Boavista já estava completamente formado, sedimentado e em plena actividade.

Entrou então para a Câmara de Marvão, numa fase em que tinha saído da presidência o Dr. Machado e entrado o Sr. Carita, num período em que os autarcas não eram eleitos mas nomeados pelo Governador Civil. Aí fez de tudo. Recorda-se de um livro enorme onde se registavam as receitas e as despesas, cujo preenchimento era uma das suas incumbências.

Entretanto, em Castelo de Vide havia já um rancho mas que era muito fraquinho e funcionava mal. Decidiu dar uma ajuda e acabou por ficar quase por década e meia. Curiosamente foi este projecto, o único que não começou de raiz, aquele que lhe deu mais trabalho. Desenvolveu uma intensa recolha etnográfica na vila e em Póvoa e Meadas, uma zona muito rica em modas e tradições, sempre acompanhado do seu inseparável gravador.

O Sr. Carita, sabendo-o conhecedor do concelho e das regiões limítrofes como ninguém, aconselhou o Director-Geral de Turismo a colocá-lo no Posto de Turismo da Fronteira de Galegos que tinha então um movimento extraordinário. Ali trabalhou durante cerca de 12 anos, numa área que o motivava imenso e achava muito estimulante.

Do Rancho de Castelo de Vide saiu para fundar o da Casa do Povo de Santo António das Areias, há cerca de 25 anos atrás. Nesta aldeia existia já um rancho que foi começado pelo Sr. Rui Sequeira e que terminou. Decidiu deitar mão ao que restava desse grupo e organizou-o de forma diferente porque “o folclore não é só o que se canta e dança mas também o que se traja”. O rancho é da Casa do Povo porque na altura estas instituições tinham dinheiro para apoiar o folclore. É esse o motivo porque há tantos sob essa tutela espalhados por todo o país.

O rancho arrancou logo com muita gente, perto de 100 pessoas, o que permitiu fazer 3 escalões. Os ensaios, duas vezes por semana, começaram no Grupo Desportivo Arenense. Brilham-lhe os olhos ao recordar as gerações e gerações de arenenses que por lá passaram, sempre com ele como ensaiador. Nesses tempos nunca faltaram músicos para a tocata, como acontece agora. Lembrou o Sr. João Carrilho e o Manuel Rafael Carrilho, o Adelino Marmelo, o Barbas, o Vítor Conchinha (que fez a música da Sr.ª da Estrela partindo das quadras recolhidas por ele), o Abílio Baldeiras…

Fala também com orgulho do Festival de Folclore do concelho de Marvão que organizou pela primeira vez no tempo da presidência do Sargento Paz, ainda com um carácter regional.

Quando nasceu a Rádio “Ninho d’Águias”, de Marvão, durante o boom das rádios piratas em Portugal, divulgou o folclore no programa “De lés-a-Lés”, um dos mais apreciados pelos ouvintes.

Durante todo este tempo, nunca descurou o precioso trabalho de recolha. Só modas de saias tem cerca de 200 e ainda hoje conserva todas as cassetes de gravações desde o início (algumas delas certamente já desmagnetizadas), um espólio riquíssimo que convinha recuperar com urgência e preservar.

Ainda antes da abertura das fronteiras, quando as pessoas já paravam muito menos, o Posto foi encerrado. Entrou então para a secretaria da Escola Básica Integrada Dr. Manuel Magro Machado de onde se viria a reformar.

Decidiu abandonar o “seu” rancho há 3 anos por achar que já não havia verdade etnográfica. “O traje para mim é como se fosse um uniforme. Havia uma falta de respeito muito grande e foi melhor afastar-me”, disse, numa decisão solitária e irreversível. A sua esposa e filha continuam ainda hoje a colaborar em permanência. A princípio sofreu imenso com essa saída mas agora diz que “vai vivendo”. A paixão pelo folclore vai sendo alimentada em tardes e serões a ouvir as centenas de gravações que lhe foram oferecidas por ranchos de todo o país ao longo dos anos.

Delegado da Federação do Folclore Português, entidade encarregue de “separar o trigo do joio” apoiou ainda os ranchos de Nisa; de Vale de Maceiras, no concelho de Fronteira; de Gáfete; de Aldeia da Mata…

Graças a este amor de toda a vida conhece e é conhecido em todo o país que percorreu praticamente na íntegra.

A vida de João Nunes Vidal é uma vida dedicada à causa etnográfica. Milhares de quilómetros percorridos, milhares de horas de recolha, milhares de horas de ensaios, milhares de horas de actuações numa existência de autêntica militância que hoje, aqui e agora se homenageiam.

Perguntei-lhe se gostou do gesto, de decisão unânime que foi tomada pela Câmara Municipal de lhe entregar este galardão. Sorriu com ar de menino, arregalou os olhos, levou as mãos ao peito e disse: “Fiquei muito contente. Muito. Gostei muito. Lá estarei. Muito obrigado”.

Muito obrigado dizemos nós, a si, por tudo o que fez. Em nome de Marvão,

Bem haja.

 Pedro Sobreiro